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Melhores e Piores Leituras de Abril de 2019

Mergulhadores! Este mês continuamos com o compromisso de trazer o maior números de minirresenhas sobre quadrinhos que conseguimos fazer. Este mês foram 50 publicações resenhadas, entre livros teóricos sobre quadrinhos, gibis de super-heróis, material importado, mangás, quadrinhos independentes, autobiografias, quadrinhos europeus e muito mais. Dê uma rolada na tela do nosso post e pare para ler as resenhas dos quadrinhos que você sempre quis saber como eram ou se deveria ou não comprar. Temos uma lista de melhores e, ao final, de piores leituras do mês. Quem gosta de quadrinhos não pode ficar de fora!

Melhores

ABRguerrasinfinitasGUERRAS INFINITAS, VOLUME 1: CONTAGEM REGRESSIVA, DE GERRY DUGGAN, CHAD BOWERS, CHRIS SIMS, MIKE O’SULLIVAN, MIKE ALLRED, MIKE DEODATO JR., AARON KUDER, ROLAND BOSCHI E OUTROS

Já declarei aqui várias vezes que sou fã do trabalho de Gerry Duggan na Marvel. Ele usa os elementos antigos que criavam fidelidade nos fãs como cronologia e subtramas, aliados ao humor e uma narrativa moderna para criar seus enredos. Ele se preocupa em fazer histórias que reverberem mais à frente em suas fases, ele se preocupa em usar o legado das histórias anteriores. Ele fez um ótimo trabalho em Deadpool e vem fazendo um ótimo trabalho em Guardiões da Galáxia, culminando aqui nesta saga cósmica, Guerras Secretas. As sagas cósmicas da Marvel, como o trabalho de Duggan também reúnem esses elementos fidelizadores essenciais; elas tem uma enormidade de personagens que tem um história pregressa, elas tem muitas reviravoltas e subtramas e elas nem subestimam e nem superestimam o leitor. Não é por acaso que essa é a receita de filmes de sucesso do Vingadores atualmente pelos Irmãos Russo. Assim, sempre é um momento especial ler os enredos de Duggan, que agora vem com um time seleto de artistas como Aaron Kuder e Mike Deodato Júnior para lhe auxiliar a dar mais um passo ao redor do cosmos da Marvel, trazendo as Joias do Infinito e Adam Warlock novamente à baila. Para os saudosos, um prato cheio, para os novatos, a chance de ter as mesmas sensações dos saudosos, só que, dessa vez, com uma história mais atual. Estou bem empolgado com essa série!

ABRdoutoraphraDOUTORA APHRA, VOLUME 1, DE KIERON GILLEN, KEV WALKER, SALVADOR LARROCA, MARC LAMING E WILL SLINEY

A Doutora Aphra foi uma personagem criada na primeira revista dedicada ao Darth Vader nesta nova onda de quadrinhos da Marvel. Ela servia como uma espécie de auxiliar dele, mas acabou traindo-o. Ela é a primeira personagem oriental e lésbica de destaque da série Star Wars em geral e nos quadrinhos. A amoralidade e os interesses escusos de Aphra aliados a uma bondade contestável são fatores que tornam a personagem interessante. Uma anti-heroína com ênfase no anti. Assim ela acabou conquistando uma revista própria, que ainda é publicada nos Estados Unidos, se tornando a primeira protagonista feminina de um título regular do universo Star Wars em quadrinhos. Somam-se a ela outras personagens interessantíssimos, as versões sombrias dos personagens não-humanos de Star Wars. Triplo-Zero e BT são dois androides assassinos e que tem predileção pelo sadismo e pela tortura, gerando boas doses de humor negro. Já o Krrsantan Negro é a versão do mal de Chewbacca, que também é a nêmese do mesmo. As histórias deste encadernado são as primeiras do título solo da Doutora, que é uma arqueóloga espacial. Os roteiros bem amarrados de Kieron Gillen criam uma boa ressonância com a arte dinâmica do também inglês Kev Walker, quando os dois buscam uma amoralidade e uma ironia bem própria das histórias do Juiz Dredd, personagem já trabalhado pelos dois. Além disso, a diversão e a aventura não ficam de fora e nos fazem querer ler mais e mais dessas histórias, um prato perfeito para ler num final de semana e se aventurar pelas profundezas do espaço sideral na companhia do universo Star Wars.

ABRchmhulkCOLEÇÃO HISTÓRICA MARVEL: O INCRÍVEL HULK, VOLUME 9, DE BILL MANTLO, SAL BUSCEMA, MARK GRUENWALD, GREG LAROCQUE, JOE SINNOTT E ANDY MUSHINSKY

Essa coleção histórica Marvel do Incrível Hulk é mesmo um amorzinho. São histórias muito divertidas de se acompanhar. Contudo, devo dizer que esse volume é o que tem as histórias mais inocentes. Parece que as histórias aqui foram feitas para um público com menos idade do que as demais histórias anteriores desta coleção. Isso porque tudo parece muito idílico, um sonho, algo construído para dar impressão de ilusão (e talvez se revele sendo isso depois, não sei). Pode ser que essa sensação tenha sido passada para se aproximar da série de TV dos anos 1970 que fazia muito sucesso naquela época. Nesta edição, depois do Hulk deter os Alienígenas (U-Foes) e uma invasão alienígena, o governo dos Estados Unidos resolve lhe conceder anistia. Assim, todos os heróis da Marvel se reúnem em uma parada a favor do Hulk. Mas alguns aliados do Hulk como Rick Jones B’Ret acham que alguma coisa está errada nisso tudo e vemos o Líder planejando ao fundo. Assim, apesar de esse encadernado dar continuidade às boas histórias do Hulk até aqui, fica essa sensação de estranheza, de inocência exagerada, de que algo está fora do lugar…

ABRentreumaseoutrasENTRE UMAS E OUTRAS, DE JULIA WERTZ

Esse é mais daqueles quadrinhos que tu acha que não vai gostar por causa dos desenhos toscões e quando tu percebe já tá super envolvido com ele e se pega tendo arroubos de gargalhadas em lugares que você não deveria ter arroubos de gargalhadas. Você se identifica com a Julia Wertz porque ela é uma fudida na vida e sabe, com certeza, que é fudida na vida e que a vida dela é uma merda. Coisa que nós nem sempre gostamos de admitir para nós mesmos quando precisamos admitir isso. Outra coisa legal é que ela compara a sua vida em duas metrópoles norte-americanas e seus ritmos de vida. São Francisco no extremo oeste e Nova York no extremo leste. O quadrinho Entre Umas e Outras não tem bem uma linearidade, é composto de causos aqui e ali dentro da mesma temática. Este é o último quadrinho que li da promoção da Editora Nemo do mês das mulheres, que tem no seu catálogo muitos quadrinhos bons feitos por mulheres e com um alcance de diferentes estilos, caindo por terra o mito de que quadrinhos feitos por mulheres, ou quadrinhos femininos possuem um estilo próprio e de fácil identificação. Entre umas e outras é uma hilária prova disso.

ABRozamu

OSAMU TESUKA: UMA BIOGRAFIA EM MANGÁ, 1928-1945: O NASCIMENTO DE OSAMUSHI, DE TOSHIO BAN E TEZUKA PRODUCTIONS

Eu tenho lido muitos quadrinhos autobiográficos e biográficos, entretanto na seara do mangá é mais difícil encontrar quadrinhos desse tipo. Uma honrosa exceção fica para o fantástico mangá autoficcional Gen: Pés Descalços, que estou lendo os volumes pouco a pouco. Outra honrosa exceção é essa história de vida do “deus dos mangás”, Osamu Tesuka. Contado em quatro volumes por Toshio Ban e a Tesuka Productions, com por volta de 200 páginas cada. Osamu Tesuka: Uma Biografia em Mangá mostra a transformação de um garoto franzino de cabelo duro do maior expoente das histórias em quadrinhos japonesas. Se dá para resumir esse volume em uma única palavra eu poderia dizer que essa palavra é “empolgação”. Osamu nunca perde a sua vontade de fazer e fazer mangás para todo mundo mesmo quando acometido por uma espécie de “doença de Chagas” quase perde os dois braços – assim nunca teríamos sua grande influência no mundo dos mangás e dos animês. Osamu está sempre superando os seus próprios obstáculos ou aqueles que se interpõem na sua vida para levar os mangás para todos que, como ele, são apaixonados por essa forma de expressão.

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STAR WARS, VOLUME 5: A GUERRA SECRETA DE YODA, DE JASON AARON, SALVADOR LARROCA E EDGAR DELGADO

Depois de ter me decepcionado para caramba com o último encadernado de Star Wars, O Último Vôo da Harbinger, que é, sem dúvida, um quadrinho de navezinhas, este novo encadernado voltou à força dos anteriores. Um dos meus personagens favoritos de Star Wars é o Mestre Yoda, por ele ser ao mesmo tempo esquisito e sábio. Neste encadernado encontramos Yoda em uma missão secreta em um chamado de um planeta inóspito, onde aparentemente só existem crianças. Duas tribos destinadas a guerrear uma com a outra pela eternidade e pelo direito de extrair as pedras do poder de uma montanha. Yoda sente a força na montanha e precisa tentar entender de onde está vindo essa força. Ele, então, decide encarar o desconhecido e, através da força, descobrir alguns segredos encarcerados na montanha. É um quadrinho bem diferente dos demais até então de Star Wars. tanto que eu tive de voltar algumas vezes nos créditos e ver se a história era mesmo de Jason Aaron. E era mesmo. Só os desenhos de Salvador Larroca, o desenhista misógino, que estão me cansando e depois daquele tweet dele dizendo que mulher não trabalha bem, só me deixo de mais má-vontade com ele. Quem falando… Mas enfim, “it’s a man, mans world…”.

ABRaamaAÂMA, VOLUME 2: A MULTIDÃO INVISÍVEL, DE FREDERIK PEETERS

Agora sim! Agora o quadrinho Aâma de Frederik Peeters esquentou. Com os irmãos Conrad e Verloc enviados para um planeta de terraformação com a missão de localizar cientistas desaparecidos, acabam se deparando com uma menininha criada lá e que é estranhamente parecida com a filha de Verloc. Também ficamos sabendo do passado da família que Verloc juntou e porque sua filha era considerada especial. Ao mesmo tempo, descobrimos que o planeta que aparentemente não gerava vida, está multiplicando formas de vida que mesclam o orgânico com o tecnológico. E que papel nisso tudo tem o gorila-robô Churchill, que é um dos personagens mais encantadores e divertidos desta saga? Os conceitos que Peeters usa nessa sua epopéia intergaláctica de exploração sci-fi são deveras interessantes e inquietantes. Este segundo volume nos faz ler página por página nos deslumbrando com sua capacidade de construir mundos e nos maravilhar com eles. Além disso, ele é capaz de estruturar personagens complexos e interessantíssimos. Peeters deixa o leitor com um gostinho de “quero mais” para continuar na leitura de sua aventura.

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ORANGE #3, DE ICHIGO TAKANO

O mangá shojo de Ichigo Takano, Orange, continua muito bom. Mas neste terceiro volume, sem muitas surpresas para o leitor. Os desdobramentos do romance entre Kekaro e Naha tomam um espaço maior do que o fato de eles terem tentado mudar o futuro através das cartas que receberam dos seus alter-egos de dez anos a frente. Além disso, se descobre que todos os integrantes da turma do colégio também receberam essas cartas e também estão tentando fazer Kekaro desistir de sua futura ideia de cometer suicídio. Como essa é uma das pouca vezes que leio uma série de mangá shojo seriada estou reparando como a narrativa é mais “espaçada”, ou seja, temos muitos espaços em branco entre os quadros, às vezes temos espaços só com o texto. Também os desenhos são mais leves com um traço bastante delicado e preciso ao mesmo tempo, dando a entender a convenção válida nos mangás para o estilo shojo. Assim seguimos nessa aventura de continuar querendo saber se os amigos Naha, Suwa e os demais vão conseguir mudar o destino de Kekaro, um feito tão desejado pelas suas versões do futuro.

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AÂMA, VOLUME 1: O CHEIRO DA POEIRA QUENTE, DE FREDERIK PEETERS

O que mais impressiona em Aâma é a capacidade de seu autor, Frederik Peeters, de criar um mundo ficcional totalmente diferente do nosso, tanto em conceitos como em visuais. O inusitado, irônico, engraçado, contudo, foi que essa obra do quadrinista me lembrou outra obra de quadrinhos de ficção científica europeia que é Nathan Never. O fumetti de Never também trabalha com explorações espaciais e com a irresponsabilidade paterna de cuidar de uma família. Contudo, Peeters é um suíço radicado na frança e os criadores de Nathan Never são italianos. De qualquer forma, podemos ver que os europeus possuem uma visão da ficção científica de uma forma diferente da dos americanos: a deles é mais séria e mais interpessoal, enquanto a dos americanos, geralmente serve para acudir determinados anseios e frustrações daquela sociedade. Vale lembrar que Peeters também é autor do premiado e elogiado quadrinho Pílulas Azuis, sobre seu relacionamento com uma mulher que possui o vírus HIV. Conseguir se posicionar entre a realidade e a ficção científica de maneira tão desenvolta mostra que Peeters é realmente um autor pau para toda obra.

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ORANGE, VOLUMES 1 E 2, DE ICHIGO TAKANO

Como eu li os dois primeiros volume de Orange em uma tacada só, vou fazer uma resenha dos dois em uma só. Bem, se trata de um shojo, um quadrinho japonês (mangá), voltado para meninas. Mas ele trata de um assunto que pode ser atraente para todos os gêneros, que é a volta no tempo. A protagonista do mangá de dez anos no futuro consegue dar um jeito de enviar uma carta para sua versão de de anos no passado para que ela consiga evitar a morte de um amigo. Ela, então, passa a seguir algumas indicações sobre o seu dia a dia e sobre sua paixonite pelo amigo, para evitar que essa tragédia aconteça. É um mangá muito bom, bem trabalhado, bem engendrado. Mas me faz pensar como os japoneses são frios e distantes em seus relacionamentos a ponto de que qualquer avanço nas suas relações de amor ou de amizade seja um enorme problema para se lidar e que gere uma enorme encaraminholação nas suas cabeças. Um traço cultural daquele povo, sem dúvida. De qualquer forma, Orange é um mangá muito interessante e que, recentemente recebeu seu sexto volume. Eu comprei um pacote do 1 ao 5 e se continuar gostando tando da história, irei em busca do sexto.

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GEN: PÉS DESCALÇOS, VOLUME 3: TRIGO, É HORA DE BROTAR, DE KEIJI NAKAZAWA

Continuando a “maratona” dos dez volumes de Gen: Pés Descalços, cheguei agora no terceiro volume da série. Nesse volume da série autoficcional em quadrinhos, Gen busca outras maneiras de sustentar sua mãe e sua irmã. Ele acaba conseguindo um emprego em uma mansão como uma espécie de cuidador de um pintor que ficou desfigurado com a explosão da bomba atômica no Japão e isso faz com sua família sinta nojo de cuidar dele. Assim, Gen é contratado. Nesse meio tempo, a família adora Rukia, que tem uma semelhança incrível com o irmão que Gen perdeu para a bomba. Também retorna Akira, o irmão que havia ido passar um tempo em uma colônia de férias antes da bomba ser disparada contra a cidade. Gen Pés Descalços continua sendo uma lindíssima e bem trabalhada história autoficcional sobre a desgraça da Segunda Guerra Mundial e dos martírios que a bomba atômica lançada contra o Japão causou em seus habitantes. Apesar disso, é quadrinho, ou ainda, um mangá, muito agradável de ser lido e, claro dá muita vontade de continuar lendo ele por mais tempo. E vamos lá que ainda tenho mais sete volumes pela frente.

Leia mais sobre o celebrado mangá autobiográfico Gen: Pés Descalços neste link.

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N., DE STEPHEN KING, MARC GUGGENHEIM E ALEX MALEEV

Eu estava todo pimpão que tinha achado um quadrinho novo na banca e fui contar nos grupos do Facebook. A maioria das pessoas me jogou um balde de água fria dizendo que esse quadrinho era muito ruim. Fiz o São Tomé e fui ler pra crer. Afinal, se existe algum ingrediente que pode dar errado na junção de Stephen King, Marc Guggenheim e Alex Maleev, certamente é o Guggenheim e seus roteiros ruins. Mas o que eu acho que as pessoas não entenderam é que esse quadrinho é uma adaptação da adaptação. Ou seja, era um conto que virou websodes, que virou quadrinhos. Então a chance de ficar esquisito era grande. Mas na verdade não ficou. Eu gostei bastante da adaptação e funcionou muito bem na minha cabeça, cheia de mistérios, de loucuras, suspense e com uma deixa poderosa para um final em aberto. O que não funcionou tanto para mim, ao contrário das minhas previsão, não foi o roteiro de Guggenheim, mas a arte de Maleev, que, na minha opinião, ficou fotográfica de mais a ponto de parecer que ele simplesmente aplicou um filtro do Photoshop em algumas fotomontagens. Isso também me dá a impressão no trabalho de Tim Bradstreet. É algo incômodo porque a estilização fica entre o real e a representação do real. Mas talvez esse incômodo também sirva para o clima da história, que se encaminha por esses meandros de o que é a realidade e o que é a representação da realidade. E por isso que esse é um quadrinho cinco estrelas, porque consegue nos capturar nessa persistente dúvida sobre o que são feitas as coisas.

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MALU: PEQUENA, COMUM E EXTRAORDINÁRIA, DE JOSÉ AGUIAR

Malu: Pequena, Comum e Extraordinária é um quadrinho que traz uma compilação dos trabalhos em tiras e em páginas de jornais publicadas por José Aguiar há mais de uma década. Malu é uma adolescente de cabeça triangular que questiona a realidade. Ela poderia ser uma adolescente comum, mas pelo fato de questionar o mundo à sua volta, ela é extraordinária, levantando ideias que nem todo adolescente pensa sobre a sua existência. Ela me lembra bastante como eu era na adolescência – uma que nunca tive, talvez por não relaxar e aproveitar ela e só me questionar e questionar o mundo. O que pode ser muito bom e muito ruim ao mesmo tempo. O quadrinho aqui resenhado tem sua distribuição gratuita em uma exposição em comemoração à criação de Malu, que está sendo realizado no Solar do Barão, em Curitiba. Assim, se você for de Curitiba e região, confira a exposição e aproveite para garantir o seu exemplar de Malu: Pequena, Comum e Extraordinária, de José Aguiar, um cara que nesses anos todos tem sido essencial para a cena dos quadrinhos paranaenses, sendo responsável por eventos de peso como a GibiCon. Vale a conferida!

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A ORIGEM DO MUNDO: UMA HISTÓRIA CULTURAL SOBRE A VAGINA OU A VULVA VS. O PATRIARCADO, DE LIV STRÖMQUIST

Este livro que a autora sueca Liv Stömquist trouxe para nós é essencial. Ele traz uma variedade imensa de informações sobre sexualidade feminina que é totalmente desconhecida da maioria da população. Claro, algumas coisas eu já sabia, porque sexualidade é meu objeto de estudo. Mas creio que a imensa maioria das pessoas – homens, mulheres, gays, lésbicas, trans -, sabem MUITO POUCO sobre a vulva. E olha, devem saber tão pouco sobre o pênis também, hein? A não ser, claro, os mitos que contam sobre esses órgão sexuais feat. excretores. Liv nos fala sobre muitas coisas sobre a vulva – que não é só a vagina, mas um órgão que envolve os grandes e pequenos lábios, o clitóris, o prepúcio do clitóris, enfim… Para mim, então, o livro A Origem do Mundo: Uma História Cultural da Vagina ou A Vulva versus o Patriarcado tem muito a ver com esse movimento revolucionário que os Monólogos da Vagina arquitetou (ao menos para as mulheres e, se as meninas de hoje sentem prazer ao transar, em grande parte é por causa deste livro e da abertura de conversas sobre educação sexual nas escolas). Talvez o livro de Liv Strömquist seja o Monólogos da Vagina para uma nova geração, que aceita e conhece mais tanto a sexualidade como a linguagem dos quadrinhos, que não se choca com imagens de vaginas, vulvas, bucetas e nem se contrange em falar abertamente sobre sexo.

Leia uma resenha completa do quadrinho A Origem do Mundo neste link.

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MULHERES CAÍDAS: CACOGRAFIAS NA EDUCAÇÃO, DE ALINE DAKA

Nossa, nossa, nossa! Que trabalho incrível a Aline fez aqui nesta publicação. Eu acho que eu não poderia dizer que é apenas um quadrinho. É praticamente um manifesto. Um manifesto surrealista. Um manifesto dadaísta. Um manifesto feminista. É incrível o nível de experimentações e de propostas com que a Aline conseguiu chegar neste Mulheres Caídas: Cacografias na Educação. Eu, que estou aqui com dificuldades para preparar o meu quadrinho feito 100% por mim, imagino quanto prazeroso e doloroso foi para que a autora chegasse nas iluminações que ela chegou. Experimentando com a forma e com as palavras nesse manifesto, Aline não só consegue inspirar quadrinistas que querem ser 100% como ela, mas mulheres que querem ser 100% como ela. Mulheres que, por alguma razão das rédeas da sociedade a que são submetidas, não conseguem ser 100%. Ou ainda quadrinistas como eu que, também, por rédeas colocadas pela sociedade não conseguem se expressar 100%. Mulheres Caídas: Cacografias na Educação, de Aline Daka mais que uma obra de arte ou ainda um manifesto é uma inspiração para pessoas que querem se expressar. Pessoas que são impedidas de viver 100% sua vidas por imposições de outras pessoas que se acham superiores a elas. Gente que as impedem de viver sua vida porque gostam de ocupar todos os espaços, físicos, de discurso, de visão, de audição até diminuírem cada vez mais pessoas que nunca tem vez e nem voz. Aline Daka é a voz, é o manifesto dos que não tem vez.

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PATRULHA DO DESTINO, VOLUME 1: PEDAÇO POR PEDAÇO, DE GERARD WAY, NICK DERINGTON E TAMRA BONVILLAIN

Confesso que de início não fui muito com a cara desta revitalização da Patrulho do Destino. Gerard Way me parece aquele cara que quer ser “o legal da turminha” dos quadrinhos. Com conceitos que ninguém entende. Mas o que me agradou muito foram os desenhos de Nick Derington e as cores de Tamra Bonvillain. Havia lido em inglês e não entendido nada, nadinha. A leitura em português, com tradução de Eric Novello me ajudou a entender melhor esse quadrinho. Ainda que a Panini tenha derrapado na curva ao fazer o mispelling do nome CASEY para CASY, resultando em mais uma deliciosa paninada para nossa coleção. Entretanto o quadrinho é muito bom. Não é uma homenagem a Grant Morrison ou a qualquer outra versão da Patrulha vinda antes ou depois. É a sua coisa própria e isso deve ser muito aplaudido, principalmente a ligação entre Casey e Danny, a Rua, que agora é uma ambulância. É uma bela forma de mostrar como uma equipe pode ser formada ou ainda re-formada, mostrando como estão cada um dos seus futuros (e passados) integrantes e que motivações os levam para se reunir com a equipe novamente. Uma pena é esses volumes da linha Young Animal serem extremamente caros para o que a Panini oferece comparado com outros encadernados do mesmo tipo. Porque parece o tipo de revista que eu iria gostar muito de acompanhar.

Seria a Patrulha do Destino uma cópia dos X-Men ou seriam os X-Men uma cópia da Patrulha do Destino?

Leia também sobre A Patrulha do Destino de Grant Morrison e a influência deste trabalho no restante da obra do escocês.

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MULHER-MARAVILHA: A VERDADEIRA AMAZONA, DE JILL THOMPSON

Eu estava certo que este quadrinho seria mais uma recontação da história de origem da Mulher-Maravilha, mas estava errado. É Diana? É Jill Thompson? A “gente estamos” comprando. Claro, a Jill reconta a história da Mulher-Maravilha, mas é a origem mais envolta por mitos gregos e contada na forma deles que eu já vi. É percebido que os elementos que tecem esse enredo são recheados de “cautionary tales”, modelos de conduta, da mesma forma que os mitos gregos que servem para explicar o mundo e de que forma as forças que agem sobre ele funcionam. Na arte de Jill Thompson para este quadrinho, podemos ver também uma arte dinâmica, emprestando elementos já usados pela artista em Pequenos Perpétuos, em Minha Madrinha Bruxa e em Sandman, por exemplo. Jill também desenhou a Mulher-Maravilha por algum tempo, então ela está sob domínio daquilo que está escrevendo e desenhando. Suas aquarelas são fenomenais, mas será que ainda preciso falar disso para alguém que conhece o trabalho de Jill Thompson? No final da leitura se entende porque o título é “A Verdadeira Amazona”: as histórias se passam envoltas em mitos greco-romanos e somente no âmbito do passado e seus modos de vida. Não existe encontro com o “mundo do patriarcado”. Essa graphic novel é uma história que poderia muito bem ter se passado na antiguidade grega clássica, tentando emular aquele cotidiano e seus mitos. Por isso, a Mulher-Maravilha de Jill Thompson é a “verdadeira amazona”.

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FLORESTA MORTA, DE TIAGO HOLSI

Não tenho certeza se conheci o Tiago na primeira Comic Con Experience que fui em 2016 ou se foi no primeiro FIQ que eu fui em 2015. Mas num desses eventos trocamos nossos quadrinhos. 666: A Vizinha da Besta, seu genial e hilário primeiro quadrinho foi uma das primeiras histórias em quadrinhos que resenhei no Goodreads. Porém o Floresta Morta eu só fui ler três anos depois. Que coisa! O desenho do Tiago e as cores que ele usa são de encantar o leitor logo de primeira. Este quadrinho, entretanto, diferente do 666 é mais voltado para um público juvenil, com piadas mais inocentes e com situações menos tétricas e terríveis. Mas ainda assim, esse é um quadrinho que conta a história de uma praga de zumbis. Por isso, por mais que seja para crianças não é nada inocente. Floresta Morta também tem outros artifícios, como fugir do óbvio e dos clichês. Por isso Floresta Morta não é só mais um quadrinho de zumbis – ainda que para crianças. Ele traz três espertos protagonistas petizes que acabam criando uma solução insólita para “curar” a praga zumbi que se apossa do seu acampamento. Um quadrinho muito legal. E já disse que adoro os desenhos e as cores do Tiago?

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GRAPHIC WOMEN: LIFE, NARRATIVE & CONTEMPORARY COMICS, DE HILLARY CHUTE

Hillary Chute é, na minha opinião, uma das melhores teóricas de quadrinhos da atualidade. Este livro, Graphic Women, que aborda histórias em quadrinhos autobiográficas feitas por mulheres é um exemplo disso. Minha dissertação de mestrado que foi sobre Fun Home, de Alison Bechdel, abordado aqui neste livro, teve muitas citações de Chute. Mas essas citações dela não compreendem só aquilo que se refere á obra de Alison Bechdel, ela também compreende muito sobre o funcionamento da linguagem dos quadrinhos e das funções do texto e da imagem – sim, da imagem – como escrita memorialista. Em Graphic Women, Hillary Chute não apenas aprofundar meus conhecimentos sobre obras que eu já amava como Fun Home, Persépolis e os trabalhos da “Bunch”, Aline Kominsky-Crumb, como me apresentou também às obras de Lynda Barry e Phoebe Gloeckner. Essas duas últimas autoras são cheias de caos, dor e sofrimento encerradas na condição mulher com que vieram ao mundo. As duas apresentam o esforço para manterem-se um equilíbrio em suas psiques, através das artes, após diversos abusos do mundo masculino. Assim, aos poucos Chute nos apresenta peculiaridade da memória, do mundo feminino e dos mundo próprio das autoras em análises magistrais. Se você curte muito alguma dessas mulheres autoras como eu, então deveria dar uma chance a este livro.

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COLEÇÃO HISTÓRICA MARVEL: PALADINOS MARVEL, VOLUME 5, DE STAN LEE, GENE COLAN E JACK KIRBY

Fiquei me enrolando e me enrolando para ler esse quadrinho e quando finalmente li acabei curtindo bastante. Aqui neste quadrinho do Demolidor fica bem claro a diferença de ritmos nas histórias “escritas” por Stan Lee quando em colaboração com Gene Colan (nas HQs do Demolidor) e quando em colaboração com Jack Kirby (nas HQs do Quarteto Fantástico), as duas presentes neste encadernado. Enquanto as histórias de Colan são mais rápidas, fluidas e dinâmicas, as de Kirby são blocadas, densas e engessadas. Parecem terem sido feitas com décadas de diferença quando, na verdade, pertencem ao mesmo mês. Isso mostra como Lee teve pouco a ver com uma das partes mais importantes da confecção de uma história em quadrinhos, que é o ritmo, a forma como o leitor se apropria da história. De qualquer forma, o encadernado traz boas histórias do Diabo da Cozinha do Inferno, como o encontro com o Doutor Destino, quando os dois trocam de identidade. Essa história seria homenageada, anos depois por Mark Waid em sua aclamada fase no Demolidor ao lado de Chris Samnee. Eu desconhecia essas histórias dos anos 1960 dos dois. Assim, ler quadrinhos é sempre uma surpresa atrás da outra, mesmo quando você, já exausto, acha que as surpresas já acabaram. E isso dá vontade de ler mais e mais histórias em quadrinhos!

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HOMEM-ARANHA/SONJA, A GUERREIRA, DE MICHAEL AVON OEMING E MEL RUBI

Fazia tempo que eu não lia um crossover tão bom e tão bem orquestrado. Mas calma lá. Isso não quer dizer que esse seja um quadrinho sensacional e que você não pode perder. Não, significa que a maioria desses gibis de crossover costumam ser extremamente ruins e de mau gosto. Também pudera, eles surgiram é proliferaram em uma época em que a imagem, ou seja, os bons desenhos eram tudo em uma história em quadrinhos e os roteiros eram deixados de lado. Neste encontro entre Homem-Aranha e Sonja os heróis enfrentam o feiticeiro Kulan Gath e o Venom. Gath possui dois arcos de histórias sensacionais em que os Vingadores e o X-Men (e toda Nova York) retornam aos tempos medievais/hiborianos de Sonja e Conan, dando às histórias um senso de maravilhamento único. O roteiro de Michael Avon Oeming é competente e cumpre o que promete, da mesma forma que o fazem os desenhos de Mel Rubi. Nessa história o espírito de Sonja encarna em Mary Jane e ela se vê transformada na guerreira ruiva. Cabe então ao seu marido, Peter Parker, o Homem-Aranha reverter a transformação de sua mulher e de toda Nova York. Uma aventura bem divertida.

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FLASH GORDON NO PLANETA MONGO, DE ALEX RAYMOND

Acreditem se quiserem, mas apesar de eu ter estudado e lido muito sobre Flash Gordon, eu nunca havia lido um quadrinho sequer dele. Nem mesmo visto o filme. Vi esta revista em um sebo online e resolvi adquiri-la para cobrir esta falha. Como se trata de um quadrinho feito no início dos tempos dos quadrinhos, ainda em páginas dominicais, a narrativa dele é bem truncada. Some-se a isso o fato de a editora Sampa ter recortado e colado e distribuído as tirinhas de jornal (sim, se tratam de tiras de jornal não de páginas dominicais) ao seu bel-prazer na revista. Além disso, a história não acaba, simplesmente se encerra em um momento e é interrompida. Contudo é possível entender porque Alex Raymond era considerado um desenhista virtuose da época. Não só seus corpos humanos possuem fluidez, como ele é muito bom para criar ambientes e criaturas imaginárias. Os monstros do Planeta Mongo parecem ter saído de um manual de demonologia medieval, mas ainda assim possuem um ar de contemporaneidade. As cidade inventadas por Raymond também guardam um não-lugar entre o antigo e o futurista. Assim fica fácil entender como Flash Gordon revolucionou no visual das histórias em quadrinhos.

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COLEÇÃO HISTÓRICA MARVEL: MESTRE DO KUNG FU, VOLUME 5, DE DOUG MOENCH, PAUL GULACY, SAL BUSCEMA E KEITH POLLARD

Chegamos no quinto volume desta Coleção Histórica Marvel focada em Shang Chi, o Mestre do Kung Fu, e o nível das histórias deu uma melhorada desde o volume anterior. Enquanto o volume quatro trazia algumas histórias bizarras com cidades de brinquedos e homens-animais, este quinto volumevolta às histórias de espionagens. Destaque para o anual do Mestre do Kung Fu, onde Shang Chi se encontra com Danny Rand, o Punho de Ferro. Também temos um arco de uma luta do Mestre do Kung Fu com um novo inimigo na identidade do supervilão Eletrochoque, e outras identidades secretas de espiões, heróis e vilões acabam por chocar Chi e os leitores. O encadernado encerra com um prólogo para a mais celebrada saga do Mestre do Kung Fu, que é a Saga das Adagas Douradas. Com este volume voltando às, digamos raízes de Shang Chi, as histórias ficam mais interessantes, contudo ao se aproximar mais da espionagem o encadernado se afasta das artes marciais e da misticidade do Oriente Distante, onde reina o pai do Mestre do Kung Fu, Fu Manchu. A grande revanche contra seu demoníaco pai virá, portanto na Saga das Adagas Douradas, no próximo volume.

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NOVOS GUERREIROS: O INÍCIO, DE TOM DEFALCO, RON FRENZ, FABIAN NICIEZA E MARK BAGLEY

Eu tenho um certo carinho pelos personagens e as histórias dos Novos Guerreiros desenvolvidas pelo Fabian Nicieza e o Mark Bagley (em sua fase boa). Isso porque, graças à Anjelica Jones, a Flama, eles têm uma proximidade com o universo mutante. Então, foi bastante surpreendente quando a Marvel Comics resolveu explodir com eles logo no início da megassaga de sucesso Guerra Civil. Ironicamente, este também foi o auge da equipe, onde se tornaram mais famosos. Este encadernado traz os seis primeiros números de sua série e as duas histórias do Thor onde eles apareceram pela primeira vez. O que é legal, porque fazia tempo que eu queria lê-las. Nesta história, o Fanático é libertado e Thor vai enfrentá-lo. Mas como não consegue derrotá-lo sozinho, ele acaba contando com a ajuda do Nova, Radical, Namorita, Marvel Boy, Flama e Speedball. Todos jovens heróis da Marvel mas que, com exceção de Namorita, não eram versões novas ou ainda, mais novas, de outros heróis já existentes. As histórias são bem feitas e bem divertidas, diferente do que estava em voga no começo dos anos 90. Naquela época, os Novos Guerreiros eram um suspiro de alívio meio a tantas mulheres gostosudas e homens metrancudos enquanto todos juntos rangiam seus dentes como uma britadeira interminável. Saudades de vocês, Novos Guerreiros!

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HEAVY METAL: BLACK AND WHITE, DE GORDON RENNIE, STEVE MOORE, PAT MILLS, CAM SMITH, CHRIS WESTON E OUTROS ARTISTAS

Eu estava bastante empolgado com essa edição Heavy Metal: Black and White, que a Mythos Editora preparou para as histórias da editora Rebellion!, da revista 2000 a.D., mas não estava esperando gostar tanto das histórias. O fato de serem narrativas em preto e branco sobrenaturais e que se utilizam de forma correta dos tons de cinza para dar a sensação de mistério e de inusitado deram um outro viés para a revista. Contudo, bem que ela poderia custar um pouco mais barato, uma vez que foi impressa somente em uma cor (o preto). Esse fator pode afastar os leitores. De qualquer forma, gostei bastante das histórias, em especial, Absalom, que abre o álbum e de Necrophim, que fecha o álbum. A história mais chatinha e boba mesmo fica para Passado Imperfeito: Altermundo. Já as histórias de Sláine (com o lindíssimo traço de Chris Weston) e os Contos de Terror de Tharg, ficam no mediano para cima. Heavy Metal: Black and White é uma bela compilação de histórias descomprometidas, que podem ser lidas independentes, mas que ao mesmo tempo deixam no leitor uma vontade de explorar muito mais aqueles personagens e universos. Quem sabe?

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SWORD OF SORCERY, VOLUME 1: AMETHYST, DE CHRISTY MARX, AARON LOPRESTI, MARC ANDREYKO, JESUS SAIZ, JAVIER PIÑA, ANDREY BRESSAN E OUTROS ARTISTAS

Sword of Sorcery foi um quadrinho de antologia com histórias de capa e espada da DC Comics durante os anos 1970. Quando a DC Comics instaurou a iniciativa Os Novos 52, resolveu incluir a revista em uma nova tentativa de emplacar o título. Dessa vez, a Princesa Ametista do Mundo das Joias, criada na década de 80 e bem popular no Brasil, seria a protagonista do título. Como histórias de back-up, Sword of Sorcery primeiro traria Beowulf e, posteriormente, Stalker, todos histórias medievais. Aqui no Brasil, elas permanecem inéditas. Seria por ser protagonizada por uma mulher? As histórias são todas muito boas, sendo a melhor de Ametista, depois Beowulf e, por fim, Stalker. As histórias de Ametista lembram muito as redes de intrigas e reviravoltas de Game of Thrones, já que a revista foi publicada na época do lançamento da série da HBO. Os enredos de Christy Marx, que trabalhou em desenhos animados dos anos 80, são alguns dos melhores que ela produziu e os desenhos de Aaron Lopresti também estão no seu auge. A história da personagem vai num crescendo, desde a descoberta das suas origens, passando por encontros com John Constantine e chegando, finalmente ao grand finale em um confronto com o maligno Eclipso, oriundo do Mundo das Joias. O meu interesse pela Ametista foi despertado a partir da aparição dela no título Young Justice por Brian Michael Bendis. Fica a torcida para que a Panini publique pelo menos a fase clássica de heroína nos anos 1980.

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SUPER-GAY, DE WATSON PORTELA E FRANCO DA ROSA

Esse é um quadrinho que eu tinha uma curiosidade imensa para ler, já que é um dos primeiros quadrinhos feitos no brasil com “gay” no título. Feito durante os anos 1970, durante a abertura política na editora paranaense Grafipar. Desde que vi esse quadrinho no Guia dos Quadrinhos eu “precisava” lê-lo. Acabei encontrando no blog Projeto Grafipar um acervo digitalizado das produções da época, que são extremamente peculiares. Como falei na sinopse que criei para este registro, Super-Gay foi uma revista em quadrinhos especial criada pela editora paranaense Grafipar na esteira do sucesso do personagem Capitão Gay, de Jô Soares. Impedidos de usar o nome do Capitão Gay, a editora o chamou de Capitão Fafá, chefe da Liga Gay da Justiça. Outros super-heróis também aparecem nesta história em quadrinhos são o Super-Gay, a Lésbica Maravilha e o Power-Gay. Enquanto o Super-Gay tem de vencer o Doutor Camomila e sua gangue de super-lésbicas de destruírem a fábrica de silicone, o Power-Gay, com a ajuda de sua amiga lésbica Bethânia, precisa prender um ladrão de calcinhas usadas. Super-Gay é uma revista muitíssimo fora do comum e que urge uma análise mais detalhada de como o senso comum enxergava a sexualidade homossexual na abertura política do Brasil. Ainda farei esta análise.

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CAPITÃO STONE: O QUE ACONTECEU COM O CAPITÃO STONE, DE LIAM SHARP E CHRISTINA MCCORMAC

Apesar de Liam Sharp ter se tornado mais notório para o público brasileiro atualmente quando desenhou as histórias da Mulher-Maravilha, ele possui um longa carreira que vem desde os anos 1990 quando desenhava para a Marvel UK e para a 2000 a.D. na Inglaterra. Capitão Stone é a obra da sua vida e nela Sharp utiliza toda sua verve enquanto asrtista plástico emulando estilos que vão desde Bill Sienkiewcz passando por Simon Bisley, Dave McKean, Frank Frazetta, Sam Kieth, Frank Miller, Kyle Barker, chegando até os desenhos superheroicos de Mike Bagley. Capitão Stone é uma homenagem ao gênero do “super-herói realista”, com vários “twists and turns” que deixam o leitor desconcertado. Muitas vezes na narrativa Christina McCormac, a esposa de Liam Sharp fala no texto sobre o uso de clichês, mas tudo o que ela e o marido fazem com Capitão Stone é subverter os clichês. Contudo, apesar da linguagem pictórica extremamente complexa e detalhada, eu senti falta do uso da linguagem narrativa dos quadrinhos, já que Capitão Stone usa de várias sequencias de splash pages. Quando um recurso do quadrinho é usado à revelia, isso significa que alguma coisa não está com o ritma certo na narrativa. E foi isso que me fez retirar uma estrelinha da minha avaliação.

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BATMAN: O CAVALEIRO BRANCO, DE SEAN GORDON MURPHY E MATT HOLLINGSWORTH

O grande trunfo de Batman: O Cavaleiro Branco, é empregar a focalização narrativa da história para um Coringa aparentemente recuperado. Nunca, na história das histórias em quadrinhos, se foi tão fundo na psique e na motivação do palhaço do crime. Apesar dele ser muito famoso e popular, pouco foi falado sobre o próprio, a despeito de seus atos criminosos e psicótico. Isso porque não se sabe quem ele é na realidade. Murphy dá um salto de fé ao dizer que o Coringa, na verdade é Jack Napier, e assim ele obtém nuances sobre o personagem que nunca foram expostas. Como muitas resenhas indicaram, a HQ acaba caindo no ritmo nos últimos três números, onde uma corrida de batmóveis tira a atenção da construção dos personagens. Esse fato, contudo, não desperdiça o mérito dessa inovadora HQ que ainda nos brinda com o especialíssimo traço de Sean Gordon Murphy e as cores sombrias e com ares de decadência de Matt Hollingsworth. A criação da série também acarretou na criação de um novo selo pela DC Comics, chamado Black Label, no qual renomados artistas dão sua versão para personagens consagrados da editora das lendas.

Leia aqui neste link uma comparação entre Batman: O Cavaleiro Branco e Batman: O Cavaleiro das Trevas.

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PANSY, VOLUME 2, DE KATIÚSCIA “BUNDA” NUNES

O segundo volume de Pansy faz parte de uma minissérie de quatro volumes que traz o romance entre o pintor Paulo e o soldado Brian, dentro da tradição do yaoi, num mundo fantasioso que segue regras diferentes das nossas. Neste segundo volumes podemos ver como a autora Katiúscia Nunes, a Bunda, evoluiu no seu modo de contar histórias. Isso pode ser reparado tanto no texto como na linguagem própria dos quadrinhos, com destaque para o ritmo e para as expressões faciais dos personagens que estão de acordo com o jeito mangá de se fazer arte sequencial. É uma história bonita, tocante e também é uma história sexy. Embora neste volume não exista nada explícito ou proibido para menores. Esta segunda edição também me deixou com uma dúvida a respeito da natureza da identidade de gênero do personagem Paulo. Seria ele cisgênero? Transgênero? Intersexual? Ou uma coisa outra própria do mundo de fantasia onde a relação de Paulo e Brian se estabelece? Outro dos mistérios envolvendo esta história que serão revelados mais à frente, quem sabe, na edição de número três. Veremos!

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CINEMA PURGATÓRIO: VOLUME 2, DE ALAN MOORE, KEVIN O’NEILL, GARTH ENNIS, RAULO CÁCERES, MAX BROOKS, MICHAEL DIPASCALE, KIERON GILLEN, IGNACIO CALERO, CHRISTOS GAGE E GABRIEL ANDRADE

A missão de Alan Moore de desconstruir e detonar a cultura cinematográfica continua. Depois de ter sido “passado para trás” pelas grandes corporações, o ranço e o ressentimento de Moore a partir das adaptações literárias de suas obras dá um show de trevas e shade aqui neste Cinema Purgatório. A melhor história neste volume é a que ele critica o King Kong. As demais histórias seguem o seu ritmo mediano, com destaque para a de Garth Ennis que enforca os monstros clássicos hollywoodianos. As histórias de Kieron Gillen e Christos Gage conseguem trazer alguns conceitos bem interessantes em filmes contemporâneos e clássicos de monstros resultados de experiência. Contudo, de longe o mais sofrível e destoante é o quadrinho de Max Brooks, o organizador da revista, que fala da Guerra de Secessão Americana que, para nós, brasileiros, não tem graça e não faz sentido nenhum em termos gosto por esse tipo de local e período histórico. De qualquer forma, Cinema Purgatório é uma bela de uma nova experiência de revistas em quadrinhos, muito mais no estilo inglês de se fazer um comic book do que no estilo americano da mesma produção.

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STAR WARS: HAN SOLO, DE MARJORIE M. LIU E MARK BROOKS

Olha zemt, acho que esse é o segundo melhor quadrinho, IMHO, dessa nova leva de quadrinhos de Star Wars. Perdendo apenas para a Princesa Leia de Mark Waid e Terry Dodson. É uma trama envolvente e muito bem tecida pela Marjorie M. Liu que eu acho que não mandava tão bem assim com as séries dos X-Men que ela escrevia. É um dos dispositivos de trama que eu mais gosto: os personagens estão em uma disputa coletiva por um prêmio, mas o protagonista sempre luta por algo mais (como em Jogos Vorazes, talkei?!). Bem, no caso aqui o protagonista é Han Solo e ele está infiltrado em uma corrida de naves espaciais a pedido da Princesa Leia. Durante a corrida, ele precisa encontrar três informantes e obter planos para os rebeldes. Claro, que muitas coisas não vão sair como o planejado. Os desenhos de Mark Brooks estão irreconhecíveis das capas que ele costuma fazer para a Marvel, como as de Império Secreto, por exemplo. Isso aconteceu por uma razão que não saberia explicar. As cores? A arte-final? teste de um novo estilo? De qualquer forma, me diverti muito com esse quadrinho do Han Solo muito mais do que esperava me divertir. Gostei muito!

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ESPÍRITOS DA VINGANÇA: GUERRA NOS PORTÕES DO INFERNO, DE VITOR GISCHLER E DAVID BALDEON

Sinceramente eu costumo não curtir nadica as histórias que o Victor Gischler escreve. Ele é um conhecido escritor de horror sobrenatural e trabalhou com isso na Marvel em diversas séries inclusive na infame Maldição dos Mutantes, que aproximava os vampiros dos mutantes e transformou Jubileu numa vampira. Ok, mas a trama de Espíritos da Vingança me pegou. Uma vez a cada cem anos, o céu e o inferno se reúnem em um concílio na Terra para discutir sobre a guerra que travam desde a existência. Mas um mago quer interferir na guerra e, através das trinta moedas de Judas derretidas, quer criar uma arma para matar o arcanjo Miguel e, depois, todos os demais. Para impedir que isso aconteça, entram em cena Johnny Blaze, o Motoqueiro Fantasma, Erik Brooks, o Blade, Daimon Hellstrom, o filho de Satã e Satana. A história é muito boa, cheia de surpresas e cenários incríveis. Contudo, poderia ser uma história de qualquer personagem. A não ser pelo Motoqueiro Fantasma, tanto faz como tanto fez serem os demais três personagens. Entretanto, isso não estraga a história, quiçá até melhora ela, que dá mais destaque às lendas judaico-cristãs de céu e inferno e coisetal. E por isso que essa HQ fica tão interessante a esse ponto.

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DEPOIS DO FIM DO MUNDO, DE JOHN BYRNE

Este quadrinho tem o intuito de ser uma releitura do primeiro trabalho de John Byrne, Doomsday+1, que ele fez nos anos 1970. Claro, poderia ter um texto de extra por parte da Editora Mythos para enriquecer o trabalho e despertar mais interesse do leitor. Mas ao que parece, editoras brasileiras não têm nem o costume e acham que também não têm nem a função de produzir extras para suas revistas para despertar mais interesses do leitor. John Byrne tentou deixar a trama desta nova série menos fantasiosa que a primeira, que incluía sereis e robôs. Contudo, a minissérie em quatro parte dá a impressão de ter sido enxugada e que havia muito mais coisas a explorar dentro dela. Também se nota grande influência de quadrinhos de grande sucesso da década anterior, como Y: O Último Homem e The Walking Dead. Isso, claro não tira o brilho da história de John Byrne. Talvez o ponto mais negativo seja a história ter sido condensada quando rendesse algo de mais fôlego. Contudo, é uma história bem construída, que instiga o leitor e que dá vontade de ler toda ela, sem os grande pulos que acontecem entre os hiatos entre uma edição e outra. Fica a dica pra IDW pensar a respeito de estender a série.

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BLACK WOMEN IN SEQUENCE: RE-INKING COMICS, GRAPHIC NOVELS AND ANIME, DE DEBORAH ELIZABETH WHALEY

Em várias das resenhas de livros que eu faço aqui eu digo “esse é um livro necessário”. Bem, cada um tem as suas razões específicas para serem necessários. Mas invariavelmente quando eu acabo dizendo que um livro tal é necessário é porque existem alguns assuntos que ou não são abordados, ou são abordados de maneira obtusa. Black Women in Sequence é um desses livros necessários. Porque temos um zilhão de livros sobre mulheres nos quadrinhos, mais meio zilhão de livros sobre negros nos quadrinhos. Mas sobre mulheres negras nos quadrinhos temos poucos. E, se temos, eles costumam abordar somente super-heroínas. Não que o livro de Whaley não as aborde, mas de outras perspectivas. Como por exemplo ao analisar as Mulheres-Gato negras de Eartha Kitt e de Halle Berry em face à toda história da personagem. Ou ainda pensar as representações de mulheres negras nos quadrinhos a partir de mulheres negras que faziam quadrinho, no começo do século e em jornais de sindicatos e cooperativas. Ela também enxerga a produção atual de quadrinhos por mulheres negras que preferem fazer quadrinhos de autor do que se dobrar às exigências de uma Marvel ou de uma DC Comics. Whaley também analisa caracterizações exageradas das mulheres negras no anime Nadia, por exemplo. Black Women in Sequence é um livro necessário, porque ele traz novas visões sobre a representação e a representatividade das mulheres negras nas artes sequenciais e, com isso, acaba trazendo novos contextos e paradigmas para o próprio leitor.

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MARIA ERÓTICA E O CLAMOR DO SEXO: IMPRENSA, PORNOGRAFIA, COMUNISMO E CENSURA NA DITADURA MILITAR (1964-1985), DE GONÇALO JUNIOR

Ler os livros sobre história dos quadrinhos no Brasil, feitos por Gonçalo Junior, é sempre um deleite. Quando esses livros envolvem publicações relacionadas à sexo e erotismo é um deleite à parte. Seu primeiro livro desta trilogia, Guerra dos Gibis, me ensinou muitíssimo sobre o surgimento de uma indústria dos quadrinhos no Brasil. Este Maria Erótica e o Clamor do Sexo, que seria o segundo volume da Guerra dos Gibis, por sua vez me fez entender como a ditadura interferiu na comercialização da nossa tão querida nona arte aqui no país. Censura de uma ditadura que ameaça irromper novamente por aqui e que, por tudo isso, precisamos conhecer a história e estar atentos a seus avanços. Este livro, muito bem contextualizado tanto em termos históricos como editoriais, se foca mais nas trajetórias das editoras Edrel, Minami & Cunha e Grafipar, a principais editoras brasileiras de quadrinhos eróticos. Assim, este livro com quase 500 páginas nos deixa bastante informados sobre seu subtítulo: a imprensa, pornografia, “comunismo” e censura na ditadura. Isso me deixa indagando quando teremos a terceira parte desta trilogia, que eu adoraria ler e conhecer mais sobre outras partes da história das histórias em quadrinhos no Brasil.

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SENHOR MILAGRE, VOLUME 1, DE TOM KING E MITCH GERADS

Tem aqueles quadrinhos que toda vez que você relê ele vai revelando camadas e mais camadas de histórias e de análises. Creio que Senhor Milagre vai ser um desses e isso que eu só li o volume um. Claro, com mais calma vou fazer uma resenha com uma análise mais aprofundada no blog, eu prometo. Senhor Milagre é um quadrinho intrincado em significado e no uso da linguagem dos quadrinhos, mostrando o quanto Tom King está de posse da mídia que ele trabalha. Não que a arte magnífica de Mitch Gerads fique atrás. O que me leva a pensar que esse autor se sai melhor com personagens em que ele tem mais liberdade como o Senhor Milagre e o Visão do que com medalhões como o Batman ou em megassagas como Heróis em Crise. Contudo, ele é pau para toda obra. Mas como Grant Morrison, acaba se saindo melhor nos projetos em que envolve mais sentimento e mais de si próprio neles, como é o caso de Senhor Milagre. Como diria o Faustão: “Um gibizão desses, bicho!”. Não é à toa que a espera por ele nas patacoadas da Panini gerou tanto frisson e revolta nos nerdys. Porque se tem um quadrinho que você tem que ler neste começo de ano é esse gibi!

Leia uma resenha completa do primeiro volume de Senhor Milagre, de King Gerads neste link.

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FACE OCULTA, VOLUME 1, DE GIANFRANCO MANFREDI, GORAN PARLOV, MASSIMO ROTUNDO, ALESSANDRO NESPOLINO E ERSIN BURAK

UHUU! Que quadrinho legal! Ele tem muitos elementos que eu prezo em um quadrinho de aventura: o senso de maravilhamento, o clima com atmosfera, personagens bem construídos, mistério e coadjuvantes muito interessantes. Realmente essa minha guinada para os fumetti (bons) tem sido muito recompensadora para mim. Face Oculta é um bom exemplo. Uma coisa boa de Face Oculta é que ele é uma minissérie da Bonelli, com apenas 14 edições originais. Aqui no Brasil, essas edições foram distribuídas em 3 volumes grandões e que podem ser encontrados nas livrarias país afora. Então é um bom motivo para começar a leitura dos fumetti para quem não está acostumado. Face Oculta se refere a um líder de um exército de homens livres na Eritreia, uma dos países mais selvagens do mundo atual e um dos menos conhecidos. A história se passa no século XIX em meio ao imperialismo italiano no local, que era sua colônia na época. O protagonista, Ugo, se torna um exímio atirador porque tem um problema na pálpebra esquerda e vai se envolver com o Face Oculta. De volta à Itália, se torna amigo do capitão De Cesare que também irá se encontrar com o Face Oculta. Ugo precisará cuidar da amante de De Cesare, por quem nutre uma paixão enquanto o amigo vai à guerra. Não sei, mas me parece muito um livro do romantismo brasileiro, com a exceção de que é bom. Hahaha. Mentira. Com a exceção de que temos elementos fantásticos, de guerra e maravilhamento envolvidos. Leiam, leiam, leiam!

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CONTOS DE SUSPENSE APRESENTA: GAVIÃO ARQUEIRO E O SOLDADO INVERNAL, DE MATTHEW ROSENBERG, TRAVEL FOREMAN, KELLY THOMPSON E STEFANO RAFAELLE

Preciso começar dizendo que o destaque desta edição não é a história principal, mas o encontro entre Gavião e Gaviã Arqueira fora de seu tempo no evento Gerações. É muito bem elaborado por Kelly Thompson e a arte que complementa a edição também é ótima. Isso me lembra que a Panini Comics Brasil prometeu trazer a Gaviã Arqueira de Thompson e do brasileiro Leonardo Romero, muito elogiada pela crítica lá fora, e ficou só na promessa, como ela fez com muitos materiais. E então temos a história principal cujo destaque é a união de Clint Barton, o Gavião Arqueiro e de James Buchanan Barnes, o Bucky e Soldado Invernal para descobrir o paradeiro da Viúva Negra. É uma história divertida que apresenta diversos personagens Marvel esquecidos e que vão agradar ao leitor de longa data como o Ursa Maior dos Supersoldados Soviéticos e Skids, atual agente da SHIELD, e ex-Novos Mutantes. Contudo, preciso destacar que histórias com foco na Viúva Negra costumam ser muito complicadas e seus autores vêm errando bastante com ela desde que a personagem teve suas duas ótimas minisséries pela Marvel Knights. Uma pequena exceção é a fase de Mark Waid e Chris Samnee. De qualquer forma, é um encadernado divertido. Mirem na história dos Gaviões!

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JEAN GREY, VOLUME 2: GUERRAS PSÍQUICAS, DE DENNIS HOPELESS, VICTOR IBAÑEZ, CULLEN BUNN, R. B. SILVA E ALBERTO ALBUQUERQUE

Eu estava com a sensação de que lendo este segundo e último volume da série da Jean Grey eu iria entender as motivações por trás do encadernado A Ressurreição da Fênix: O Retorno de Jean Grey. Mas não entendi. Veja bem, não é que esse encadernado aqui seja ruim, mas que o da A Ressurreição da Fênix seja muito, muito, mas muito ruim. Neste encadernado, escrito por Dennis Hopeless, apesar de abordar uma menina com poderes psíquicos, a aventura não para. Jean está tentando se livrar do fantasma da sua “eu futura” e ao mesmo tempo se preparar para enfrentar a Fênix. Assim, ela conta com a ajuda da Feiticeira Escarlate, Emma Frost, as Gêmeas Cuco, Quentin Quire e Esperança Summers, todos unidos para, quando a Fênix, que já esteve com todos eles, aparecer, eles possa enfrentá-la de maneira que consigam expurgá-la do corpo e da mente de Jean Grey. Esse segundo volume de Jean Grey é, então, um encadernado divertido, com aventura psíquica e física do começo ao final. Foi uma série muito divertida de acompanhar, mas que, por motivos de cronologia e preparativos para a Exterminação, precisou encontrar um fim natural. De qualquer forma, fãs da Jean e dos X-Men não se decepcionarão.

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THANOS, VOL. 03: THANOS VENCE, DE DONNY CATES, GEOFF SHAW E OUTROS

Eu tava achando a fase do Jeff Lemire no título novo do Thanos bem acima da média. Mas o Donny Cates conseguiu vir e reverter as expectativas. E acho que, tendo em vistas as poucas outras coisas que li dele, ele tem esse dom. De chutar o pau da barraca, de botar fogo no cabaré e dar risada. Porque é isso que ele faz aqui neste volume de Thanos em que ele faz se encontrar as sua versão presente com a versão futura. Antes de ler este encadernado eu não entendia a razão para as pessoas terem aquela adoração pelo Motoqueiro Fantasma Cósmico mesmo ele sendo na verdade quem ele é. Agora entendo. Não é por ele ser quem é, mas em como a trajetória que ele teve em seus três acordos demoníacos acabaram distorcendo toda a sua personalidade. Nos quadrinhos e, principalmente, nos quadrinhos de super-heróis, como eu costumo falar, é bem difícil “reinventar a roda”. Mas acho que Donny Cates tem se saído bem nesse quesito de reinventar a roda, mesmo ela sendo quadrada e cheia de pregos, ele consegue por ela pra rodar e ainda jogar bem em cima das nossas cabeças para termos um mindblowing com suas histórias. É isso. Leiam o Thanos e acompanhem o Motoqueiro Fantasma Cósmico doidão.

Piores

ABRdpvsloDEADPOOL VERSUS O VELHO LOGAN, DE DECLAN SHALVEY, MIKE HENDERSON E LEE LOUGHRIDGE

Quando o preview dessa edição saiu, eu me lembro que pessu ficou todo ouriçado para ler essa HQ massaveio. Eu também fiquei ouriçado, confesso, mas por um motivo diferente: queria ver mais da arte de Declan Shalvey, que desenhou e fez a narrativa de um dos melhores arcos do Deadpool, Três Homens em Conflito. Porém, qual não foi minha surpresa ao ler esse quadrinho, de que Declan não era responsável pela arte e sim, pelo roteiro. A arte ficava por conta de Mike Henderson, que não tem um trabalho ruim. Mas não é um Declan Shalvey. E o Declan Shalvey, por sua vez deveria cuidar de fazer a arte, porque o roteiro lembra bastante um daqueles horríveis crossovers de heróis de editoras diferentes que pipocavam por aí nos anos 1990. Então, Deadpool versus O Velho Logan acaba sendo um quadrinho deveras decepcionante. Nem as cenas massaveio, de jogar um caminhão e depois um avião jumbo sobre Deadpool e o Velho Logan parecem se ajustarem. Na verdade parece tudo extremamente apelativo, como as piadas físicas que o Deadpool faz neste crossover. Então, que pena, não me agradei com esse encontro dos heróis regenerativos…

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SUPERGIRL, VOLUME 4, DE STEVE ORLANDO, JAMAL CAMPBELL E ROBSON ROCHA

Esta fase do Renascimento DC da Supergirl começou tão bem. Antenada com a série de TV, ela tinha tudo para dar certo. Contudo, veio o evento Superman: Renascido que envolveu a Garota de Aço e acabou estragando todas as histórias da personagem. Assim, a partir do segundo volume da Supergirl do Renascimento, as histórias passaram a ficar sem pé nem cabeça. Personagens iam e vinham nas histórias e ficávamos sem saber de onde vinham e para onde iam. Isso nos encadernados 2 e 3 e esse encadernado de número quatro não é muito diferente, com a diferença que o escritor Steve Orlando tenta dar um fechamento na trama. O destaque é uma história escrita por Orlando com arte de Jamal Campbell que conta como um menino trans é ajudado pela Supergirl para afirmar sua identidade de gênero. Aliás, nesse encadernado os destaques são mesmo os desenhos, já que as histórias não tem eira nem beira. Também é bom chamar a atenção para a arte do brasileiro Robson Rocha, que vinha fazendo um incrível trabalho em Lanternas Verdes e que agora empresta sua arte nos últimos números desta fase da Garota do Amanhã.

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JORNADA NAS ESTRELAS: A CIDADE À BEIRA DA ETERNIDADE, DE HARLAN ELLIS, SCOTT E DAVID TIPTON, J. K. WOODWARD

Essa é uma história lendária do universo de Star Trek que acabou, por vários motivos, nunca sendo realizada. Tornou-se realidade apenas nesta versão em quadrinhos. Mais uma vez, como em outros encadernados, a Mythos Editora falha em não ter incluído um texto de contextualização desta história, que poderia gerar mais buzz e discussão entre os fãs. Afinal, “contexto é tudo”, não é mesmo?! A história é interessante, mas não sei se foi o meu encadernado de promoção, mas as páginas pareciam terem sido colocadas fora do lugar no penúltimo caderno. Os desenhos, apesar de serem feitos pintados e terem uma arte realista, não me agradaram, porque existem diversos desenhistas mais capazes de fazerem trabalhos pintados e que prestem mais atenção à fisionomia e proporção. Inclusive muitos brasileiros como Felipe Massafera e Matias Streb seriam capazes de uma pintura e de uma proporção mais harmoniosa num quadrinhos como esse. A falha, então, foi da Editora gringa IDW na escalação do artista. Então, diferente da outra edição de Star Trek que resenhei há pouco, Nos Domínios da Escuridão, esta tem um roteiro um pouco melhor, mas uma arte um pouco pior.

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STAR TREK: NOS DOMÍNIOS DA ESCURIDÃO, DE MIKE JOHNSON, ROBERTO ORCI, ERVAN FAJAR E OUTROS ARTISTAS

Antes de tudo, preciso confessar que sei basicamente o básico sobre Jornada nas Estrelas, ou Star Trek. Mas no que se trata dos quadrinhos, sempre fui muito curioso para saber como eles eram executados. Encontrei em Marau/RS uma promoção de dois encadernados de capa dura, que costumam custar uns 70 reais cada um, por R$ 19,90 em um pacote com os dois. Era uma compra imperdível. Comprei. Acabei gostando relativamente dos dois álbuns. Este, Star Trek. Nos Domínios da Escuridão, traz a novíssima versão de Star Trek, mas dos personagens da velha guarda, representados por atores mais jovens. As história são em geral boas e vem numa preparação para um encontro e um confronto com os Klingons na parte final. Contudo, toda essa preparação acaba dando com os burros n’água, sendo a parte mais decepcionante de todo este encadernado. Ao mesmo tempo, os estilos de desenhos variam e não são dos melhores, não, viu, pessoal? Parecem aqueles desenhos encomendados e feitos a toque de caixa em produção de quadrinhos de baixo orçamento. Contudo, Star Trek. Nos Domínios da Escuridão, é um quadrinho que pode ser lido sem compromisso por grandes e pequenos fãs de Star Trek.

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HELLBOY: B. P. D. P., VOLUME 2: A ALMA DE VENEZA E OUTRAS HISTÓRIAS, DE VÁRIOS AUTORES

Eu costumo gostar muito das aventuras relacionadas ao Hellboy e ao Bureau de Defesa Paranormal. Contudo este volume não me agradou em nada. o anterior que eu tinha lido, Inferno na Terra era tão tão, mas tão bom que neste aqui acabei me decepcionando feio. Um dos motivos talvez seja por que ele não possui uma unidade. São muitas histórias diferentes feitas, também, por diversos criadores diferentes. Ou seja, isso faz com que algumas dessas histórias sejam mais boas e outras sejam mais ruins. também faz com que os enredos e desenhos sejam irregulares em estilos bem diferentes, nem todos os estilos utilizados em Hellboy – B.P.D.P. – A Alma de Veneza e Outras Histórias – Volume 2 servem aos estilos regularmente usados nesse universo. Um exemplo é o de Scott Kollins, que funciona exageradamente bem nos quadrinhos de super-heróis, mas não serve muito para as histórias sobrenaturais do universo Hellboy. Talvez por isso ele tenha desenhado a história do super-herói dos anos 1940 deste universo, o Lagosta Johnston. Enfim, muito provavelmente não vou ficar com esse volume na minha coleção e vai ir para vendas.

Leia mais sobre o Universo de Hellboy e suas ligações com os mitos de H. P. Lovecraft.

ABRfridakahloFRIDA KAHLO: PARA QUE PRECISO DE PÉS QUANDO TENHO ASAS PARA VOAR, DE JEAN-LUC CORNETTE E FLORE BALTHAZAR

A vida de Frida Kahlo é certamente mais estranha que a ficção. Não é de se estranhar que tenha gerado tantos filmes, livros e, claro, quadrinhos, com visões sempre diferentes da sua vida. Mas nenhum deles ignorava os sentimentos fora do comum, essa dimensão supra-real em que a vida de Frida estava envolta. Seus relacionamentos com diversas figuras da sua época como o artista mexicano Diego Rivera e Leon Trotsky, comunista perseguido pela ditadura de Stálin mostra que ela também era um personagem-chave de sua era. Esse quadrinho, contudo, me intrigou menos que outras obras que tive acesso sobre Frida Kahlo, como por exemplo o filme de 2003 de Julie Taymor. Esta obra é um quadrinho correto, ele não recorre a subterfúgios fáceis como verter o texto totalmente no quadrinhos, mas também não se utiliza muito da linguagem própria desta mídia. Os desenhos são bonitos, mas mais uma vez, não arrebatam como a vida de Frida arrebatava as pessoas que se debruçaram sobre sua existência. É um quadrinho que cumpre sua missão de transcrever a vida da artista em quadrinhos, mas não faz nada significativo que o diferencie ou o coloque em um patamar diferente da centena de produções a esse respeito.

ABRvelhogaviãoO VELHO GAVIÃO ARQUEIRO, VOLUME 1: OLHO POR OLHO, DE ETHAN SACKS, MARCO CHECCHETTO E ANDRES MOSSA

Aqui vai um dado sobre a minha rapidez na leitura: li todas essas 140 páginas de quadrinhos em 10 minutos e em pé. O que isso diz sobre esse quadrinho? Será que ele é um quadrinho instigante que me fez ficar lendo toda a história de cabo a rabo porque ela era muito emocionante? Ou será que eram diálogos pobres e um desenvolvimento cheio de ação que encaixaria esse quadrinho na definição de Jeph Loeb como quadrinho que se leva para mijar e não fazer o número 2? Bem, acho que um pouquinho dos dois. É um quadrinho leve, mas isso não quer dizer que não seja instigante também. Claro, muito por causa da sua relação com o mundo de O Velho Logan, já que este quadrinho funciona como uma prequel. O que eu mais gosto nele são os desenhos de Marco Checchetto, que são um deleite visual, sensacionais. Contudo, as cores de Andres Mossa tiraram bastante do brilho das sequências, parecendo que todas elas são a mesma coisa e talvez isso também tenha influenciado no meu ritmo de leitura. É como se fosse uma pontuação. Quando a colorização não tem ritmo, não paramos para respirar como num ponto ou numa vírgula. Então, escolho a colorização como o ponto mais baixo desse quadrinho, que faz ele ser “um quadrinho de mijar”, com o perdão da expressão, ao mesmo tempo que é um quadrinho de tirar o fôlego – mas talvez não pelos motivos certos.

ABRvenomverso2VENOMVERSO, VOLUME 2, DE CULLEN BUNN E IBAN COELLO

Bem, como vocês podem ver, eu fiz um percurso errado para ler essa saga. Li primeiro Venon/X-Men: Peçonha X, depois li Venomizados e finalmente fui parar no Venomverso número 2, sem ter lido o número 1. Isso porque a Panini não indica uma ordem de leitura e muito menos explica que todos esses eventos estão interligados. Dessa forma tive que ir retrocedendo os fatos cronológicos para entender a trama que, é tão, tão besta, que tu nem consegue entender direito a motivação dos inimigos e dos super-heróis. Neste encadernado aqui, Venomizados 2, é que eu consegui finalmente entender do que realmente se trata essa história, quem são esses tais Peçonhentos que surgiram do nada e caíram de paraquedas na trama. A motivação é também muito besta e envolve realidades paralelas. Gente, que sonequinha preguiçosa dá isso tudo, pqp, hein? E isso que esse segundo volume de Venomverso é o melhor dos três que li até agora. Falta ler o número um (sim, vou me dispor) para entender isso tudo melhor. Mas que traminha pé-de-chinelo, puxa vida! E a Panini também fazendo um desserviço pra ela e para os leitores sem informar que as edições de interligam… Aff!

Veja uma lista de 20 outros simbiontes que existem no Universo Marvel além de Venom.

ABRvenomizados

VENOMIZADOS, DE CULLEN BUNN, IBAN COELLO E KEVIN LIBRANDA

Vamos lá… Só acabei comprando esta edição aqui porque, de alguma forma, ela encerraria a trama começada em Venom/X-Men: Peçonha-X, que já não é lá aquelas coisas de roteiro e arte. Mas ok né, se a pessoa se obriga a acompanhar tudo dos X-Men, bem, ela tem que fazer alguns sacrifícios (e sacrilégios). E aí que esse Venomizados é só mais um daqueles crossovers com brigas de heróis e coisetal e talicoisa. E que também é bem dispensável para qualquer um. Contudo, lá pelas tantas me bateu uma nostalgia, uma sensação de empolgação que reuniões de heróis desse jeito não me dava desde que li Guerra Infinita lá nos anos 90. É porque Venomizados realmente lembra Guerra Infinita. A questão do espaço, a questão das contrapartes do heróis vindo atacar os heróis na própria Terra. O problema é que lembra Guerra Infinita naquilo de pior e sem inspiração que ela tinha a oferecer, infelizmente. Eu imagino que um pré-adolescente de 12, 13 anos como eu tinha na época que li Guerra Infinita possa vibrar com Venomizados, mas não consigo entender como alguém que já tenha um bom lastro de leitura de super-heróis possa perceber esse evento como algo legal.

Veja uma lista de 10 hospedeiros do simbionte Venom, além de Eddie Brock, neste link.

ABRvenomxmenVENOM/X-MEN: PEÇONHA-X, DE CULLEN BUNN, EDGAR SALAZAR, JACOPO CAMAGNI, ARIO ANDINITO

Tem horas, que eu vou lhes dizer, amigues, é difícil ser fã dos X-Men, puxa vida! E ser fã hardcore dos X-Men é hardocoramente difícil. Porque tem saído uma fase horrível atrás da outra. A leitura daquele Ressurreição da Fênix é uma leitura tão mas tão dispensável que se tivesse uma página com a Fênix saindo de um buraco ia ser melhor. Esse Venom/X-Men também é um droguinha-x. Porque pega aquele enredo comum de encontros de heróis: encontram, discutem, brigam, e depois se juntam. E aqui se junta vai ao ponto carnal da coisa, porque os X-Men ganham simbiontes. Zzzzz… Todos eles ganham simbiontes… Zzzz… Não podia colocar a roupitcha do Venom em apenas um deles e lidar mais profundamente com a situação? Poderia, mas pra que né? Isso não iria vender na visão da nossa querida Marvel Comics. O pior de tido é chegar no final da história e ela não acabar e nos mandar comprar outro encadernado que se chama Venomizados em que TODO UNIVERSO MARVEL vai ter um simbionte para chamar de seu. Puta que pariu, Marvel, vai ser apelativa e sensacionalista assim lá nos tablóides ingleses. Assim não pode, assim não dá!


E então, está todo mundo submerso em leituras? Bem, se não estão aqui tem várias dicas delas. Abraços para todos e até o próximo mês! =)

 

6 comentários

  1. Victor Ferreira Marques Torres diz

    Fala, GUILHERME!
    Primeiramente, parabéns por seu trabalho, de leitura e muita pesquisa, notadamente explícita em sua capacidade de síntese dos volumes!
    Sempre acompanho, mas nunca comento…
    Muito interessante, abrangente e eclética , esta coletânea de leituras, com livros e quadrinhos.

    Imagino o seu sofrimento de ler e resenhar estas edições do VENON/X!
    Nunca devemos julgar o livro pela capa, mas nestes casos, já assusta!

    Abs.

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    • Guilherme Smee diz

      Oi Vitor!

      Valeu, muito bom receber esse feedback um dia depois de me xingarem a torto e adireito nas redes sociais porque acho errado vangloriar vilões. Muita gente veio defender os vilões. Perceba em que mundo vivemos.

      Obrigado pelo comentário e não fica com vergonha de comentar. Opiniões, com o devido respeito e colocadas de maneira educada, sempre são válidas.

      Hehehe, olha, às vezes a curiosidade é maior que o sofrimento. Por outro lado, foi ela quem matou o gato, então, né…

      E como designer de livros, acho que podemos julgar o livro – o bicho de papel e não suas metáforas -, pela capa. Diz muito sobre o conteúdo da publicação. Assim como podemos julgar um blog pelo design! =P
      Valeu pelos comentários e sempre que quiser, seja bem vindo para fazer novos!

      Grande abraço!
      =)

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    • Guilherme Smee diz

      Oi Santos! Sim, li tudo isso (e mais um pouco, livros, por exemplo. Mantenho sempre no meu perfil do GoodReads o que leio, você pode acompanhar por lá). As resenhas são uma forma de mostrar que realmente li tudo aquilo. Abraços! =)

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    • Guilherme Smee diz

      Oi Claudio! Valeu! Alvar Mayor já está sendo lido! Lone Sloane ainda não vi disponível por aqui! Abraços! =)

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