Melhores e Piores Leituras de Maio de 2019

Maio foi um mês intenso. Quase não consegui parar para escrever nada no blog porque precisava entregar um quadrinho todo desenhado por mim, mas entre mortos e feridos salvaram-se todos. E o que salvou os acessos do blog foi a bunda do Lúcifer, ou melhor do Tom Ellis, que incrementou os números aqui. Isso que eu chamo de “Save As”. Este mês de maio, entretanto, teve inúmeras leituras, de europeus a mangás, de super-heróis a quadrinhos alternativos, de independentes a hipercomercializados. Então prepare seu mouse para clicar no post e acompanhar toda essa jornada de leituras e minirresenha que vêm aí! Sigam-me os bons!

Melhores

MMMwatchmenWATCHMEN E A TEORIA DO CAOS, DE GIAN DANTON

Watchmen e a Teoria do Caos, de Gian Danton, publicado pela editora paraibana Marca de Fantasia é um livros dos pioneiros tanto na popularização do estudo dos quadrinhos quanto em um viés acadêmico dado a uma obra específica da cultura pop. É um livro pequeno em tamanho e em número de páginas, mas rico em informações e análises. Fala sobre as relações que se estabelecem entre o estudo científico chegando até os arranjos e desarranjos da Teoria do Caos com a cultuada graphic novel de super-heróis realistas cunhada por Alan Moore e Dave Gibbons. Eu já havia lido este livro quando comecei a me interessar pelo estudo mais profundo dos quadrinhos lá em 2005, quando o livro foi lançado pela primeira vez. Lendo este livro quase 15 anos depois percebo a sua importância e pioneirismo para o cenário de estudos de quadrinhos que se constrói hoje em dia no Brasil. O livro conta ainda com uma análise página a página da edição número 5 de Watchmen com o remarcável perfume Nostalgia, das indústrias Veidt rodopiando pelo ar em uma cena emblemática de revelações na seminal graphic novel. Recomendo a leitura.

MMMpaladinhospunhoCOLEÇÃO HISTÓRICA MARVEL: PALADINOS MARVEL, VOLUME 7 – PUNHO DE FERRO, DE ROY THOMAS, LEN WEIN, GIL KANE, LARRY HAMA, DOUG MOENCH, TONY ISABELLA, ARVELL MALCOLM JONES

Este sétimo volume da Coleção Histórica Marvel: Paladinos Marvel, traz as primeirissimas histórias do Punho de Ferro. O que chama atenção em primeira mão é a rotatividade das equipes criativas no título inicial que é Marvel Premiere. Os belos desenhos de Gil Kane servem para a edição de estreia, que depois são substituídos por diversas caras até se estabilizar num novato Larry Hama. Hama ficaria mais conhecido nos quadrinhos por seus roteiros, principalmente em Comandos em Ação e em Wolverine. O arco de histórias que acontece nessa edição é o retorno de Daniel Rand, da cidade mítica de Kun Lun, para a cidade de Nova York, retomar a Corporação Rand das mãos de Harold Meachum, o sócio de seu pai. A trama é bastante parecida com os trailers da série do Punho de Ferro na Netflix. O segundo arco diz respeito à Coleen Wing e seu pai, o arqueólogo Lee Wing, já introduzindo importantes conceitos e personagens para a mitologia deste personagem da onda dos filmes de kung-fu. São histórias legais, bem aventurescas, mas a rotatividade de roteiristas e artistas prejudica uma melhor apreciação delas.

MMMkungfu6COLEÇÃO HISTÓRICA MESTRE DO KUNG FU, VOLUME 6, DE DOUG MOENCH, PAUL GULACY, KEITH POLLARD, MIKE ZECK E JIM CRAIG

Este sexto volume da Coleção Histórica Marvel do Mestre do Kung Fu contém aquela que é considerada a mais épica saga de espionagem do personagem, com inúmeras reviravoltas esperadas nesse tipo de narrativa. Ela se chama “A Saga das Adagas Douradas” e é tão cara aos fãs de Shang Chi como A Saga da Fênix Negra é importante para os fãs dos X-Men. Talvez para nós, leitores da segunda década do século XXI não seja nenhuma surpresa narrativa, mas para os leitores dos anos 1970 (e 1980 no Brasil), acompanhar uma história em sete partes, cada uma através do ponto de vista de um personagem era incrivelmente inovativo. E inovação era um luxo que as histórias de Shang Chi, o Mestre do Kung Fu se davam ao luxo. Se não em roteiros como esse de Doug Moench, então, na arte inovadora e na narrativa intrincada em forma de imagens e quadros de Paul Gulacy. Os demais escritores e desenhistas compunham time de backup, mas não se destacavam tanto quanto quando essa dupla se uniu, como vimos nas suas primeira colaborações no título. Esta fase da coleção ainda tem mais dois volumes e estou empenhado a chegar até lá.

MMMshazamSHAZAM! : THE GREATEST STORIES EVER TOLD, DE VÁRIOS ARTISTAS

Comprei esse quadrinho na Forbidden Planet em 2015 quando fui a Londres, e desde então estava ali esperando ser lido. Com a aparição do Shazam! nos cinemas resolvi que era a hora de ler esse encadernado de uma vez. Das histórias apresentadas neste encadernado eu só havia lido duas delas: o encontro do Superman com Shazam desenhado por Gil Kane e a primeira história da “nova” revista Shazam!, de 1975. Apesar de o “Capitão Marvel” ser muito popular no Brasil, ele não costuma ter muitas publicações de dedicadas à ele, e muito menos reimpressões de suas histórias da Era de Ouro. Então, os fãs do Shazam! ficam tão órfãs como Billy Batson. As histórias aqui apresentadas são boas, mas eu senti falta das apresentações do herói pós anos 2000, como suas participações na Sociedade da Justiça da América, por exemplo. A publicação traz as histórias do Shazam! através das décadas, mas a produção do mesmo acaba concentrada somente nos anos 1940 e 1970 e em alguns encontros com o Superman, a exemplo da trajetória errática do super-herói ao sair da Fawcett e ir para a DC Comics e lá, ficar na geladeira por muitos anos. Esperava mais da seleção das histórias, contudo, são histórias boas. Mas que não representam tão bem esse rico universo do Shazam!

MMMtarantulaA COLEÇÃO DEFINITIVA DO HOMEM-ARANHA: A MARCA DO TARÂNTULA, DE ROGER STERN E JOHN ROMITA JR.

Depois de ter lido a incrível e remarcável história do Homem-Aranha, “Ninguém Pode Parar o Fanático”, tive vontade de ler mais dessa incrível fase de Roger Stern e John Romita Jr. A Coleção Definitiva do Homem-Aranha, de onde li o primeiro encadernado também disponibilizou essa continuação da fase Stern/Romita Jr., com o encarnado “A Marca do Tarântula”. Resolvi conferir. O encadernado não é tão bom quanto o anterior, contudo fica claro o domínio de Stern das subtramas e de seu trabalho com o desenvolvimento de personagens coadjuvantes. Exemplos são o repórter Ned Leeds, Marla, que se tornaria esposa de J. Jonah Jameson e a secretária Betty Brant. E por falar em Brant, a história nesse encadernado leva a uma investigação sobre a corrupção nas Empresas Brand, responsável por vários experimentos ilegais em diversos superseres. O final da história deixa uma indagação: quando se investiga fundo a corrupção de apenas um lado megapoderoso, que monstros leviatânicos estão sendo liberados com o vácuo de poder deixado por esse lado megapoderoso. Uma lição que se os investigadores da Lava-Jato tivessem levado em conta não estaríamos como estamos no Brasil, ou resumindo em uma linguagem bem fácil: “se o Pica-Pau tivesse avisado à polícia, nada disso estaria acontecendo…”

MMMgarotageekMANUAL DA GAROTA GEEK, DE SAM MAGGS

Um incrível livro que dá o caminho das pedras para toda a garota geek. Certamente muitas… pera, muitas não… TODAS minhas amigas que são nerds/geeks/entusiastas da cultura pop já passaram por essas situações em que ogros e trolls as nivelam por baixo, simplesmente por elas serem… MULHERES! O livro ensina algumas táticas de como se livrar dessa gente podre e tóxica, além de mostrar que o mundo geek/nerd pode ser um lugar incrível para todo mundo exercer sua auto estima e sua segurança. Eu também ADOREI que lá pelas tantas o livro fala que um homem pode SIM, ser feminista, ao contrário do que muitas pessoas (mulheres inclusive) pensam. O livro tem instruções para como se aproximar do universo dos fãs de cultura pop para meninas (afinal, esse approach não é, mas deveria, ser igual para todos). O livro dá instruções sobre o maravilhoso mundo dos fãs, o que para quem estuda cultura pop e de fãs é um prato cheio para análises e também, de certa forma, uma referência bibliográfica, pois poucos livros em português falam sobre shippagem, por exemplo. O manual da Garota Geek é um livro entusiasmante e positivo e que me faz crer mais no poder da cultura pop para juntar pessoas num círculo de amor por elas mesmas e pelos personagens e histórias que nos cativam.

MMMxmenredX-MEN: EQUIPE VERMELHA, VOLUME 1 – A MÁQUINA DO ÓDIO, DE TOM TAYLOR, MAHMUD ASRAR, IVE SVORCINA E PASCAL ALIXE

Acho que fui com muita sede ao pote para ler esse primeiro volume de X-Men: Equipe Vermelha. Ainda quero fazer um post no blog com mais detalhes sobre ela. Vejo que essa fase da equipe mutante chamou muito mais a atenção de pessoas que não acompanhavam X-Men há muito tempo. E vejo que, como outras fases que atraíram atenção desse tipo de público, ela trabalha com basicamente dois elementos: o ódio/a intolerância e a presença antagonista de Cassandra Nova. Foi assim como Morrison, com Whedon e, agora, com Tom Taylor. O toque mágico que todos esses três escritores têm é saber trabalhar as personalidades e as interações entre os personagens. Mais uma vez preciso dizer: eu gostei muito do quadrinho, só não vejo ele como algo tão inovador e essencial como o que foi alardeado para todos os lados. Isso sem falar na edição Annual aqui incluída que parece que foi feita para preencher espaços, devido a grande parte das páginas ter entre um e dois quadros nelas.Os desenhos de Mahmud Asrar são encantadores, mas as cores de Ive Svorcina tiram muito do brilho da arte exatamente por exagerar no brilho e nos tons difusos, conferindo à arte uma falta de volume, que geralmente as cores garantem. Prova disso é que ela é substituída na edição 4. Claro, ainda quero escrever com mais calma sobre o arco inteiros e sobre a mensagem de ódio, sobre nações de minorias, e guetos e nações fictícias, mas por enquanto vou deixar essa minirresenha neste patamar. Quando eu ler a segunda parte, faço um texto mais completo

MMMhulk10

COLEÇÃO HISTÓRICA MARVEL: O INCRÍVEL HULK, VOLUME 10, DE BILL MANTLO, SAL BUSCEMA E HERB TRIMPE

Depois de muitas aventuras e peripécias em uma aventura praticamente ininterrupta, Bruce Banner finalmente conseguiu domar o Hulk e colocar seu intelecto à frente do monstro. Além disso, ele conquistou o coração e as mentes do mundo, que deram anistia ao Hulk e promoveram uma parada em sua homenagem. Dessa forma, através das maquinações do Líder, ele acaba perdido no espaço-tempo com os Vingadores, e logo depois enfrenta Zzzax, seu clássico inimigo elétrico. São histórias mais inocentes e menos comprometidas com a cronologia, talvez para atrair o público que proveio de sua série de sucesso na televisão. Neste encadernado também é incluído um anual do Hulk que mostra que o ódio pelas diferenças, mesmo num mundo alienígenas, pode ser bem humano e ter consequências humanas. Um conto de Harlan Ellison é adaptado para as histórias do gigante esmeralda e a tranquilidade do cientista e do monstro são perturbadas. Além disso, uma rusga de ciúmes entre uma mulher e uma inteligência artificial promete dar o que falar. E além disso, para a próxima edição, teremos a volta de mais um inimigo clássico do Hulk: o Abominável!

MMMdeadpoolaranhaHOMEM-ARANHA/DEADPOOL: CORRIDA ARMAMENTISTA, DE ROBBIE THOMPSON, CHRIS BACHALO E OUTROS ARTISTAS

Um dos roteiristas mais interessantes da nova geração de autores da Marvel tem se dedicado a histórias do Universo do Homem-Aranha. Esse cara é o Robbie Thompson, roteirista que começa a nona (e última) fase do título de encontro Homem-Aranha/Deadpool. Robbie já trabalhou com a Teia de Seda, a série Spidey, Venom: Cavaleiro Espacial e Doutor Estranho: Feiticeiros Supremos. Robbie tem em seu estilo de escrita para quadrinhos qualidades que eu estou sempre reverenciando: saber estruturar subtramas e trabalhar personagens coadjuvantes. Não por acaso, neste título ele traz coadjuvantes impensados para o Deadpool: a mercenária Screwball, a cientista Kate Waynesboro, o Homem-Anfíbio, um MVA de Clay Quartermain misturado com um simbionte estilo Homem-Coisa e a cereja do bolo: a Vaca-Infernal! Sim, ela é uma vaca! Com esse time de personagens nada convencionais, Thompson com a ajuda da ótima arte de Chris Bachalo, consegue diluir um pouco as atenções sobre Deadpool e Homem-Aranha, sabendo dosar todos os elementos e criando uma ótima (não)dinâmica. Neste volume, Deadpool e Aranha se enfrentam pois o mercenário tagarela está roubando um monte de recursos abandonados pela SHIELD e o Aranha e a mutante Escalpo precisam impedi-lo. Os dois vão parar em lugares inóspitos do Universo Marvel como Tábula Rasa e a Área 14, mostrando que Thompson fez o dever de casa de ler as revistas Marvel – o mínimo que se espera de um roteirista, só que muitos não o fazem. Por fim, uma história começa a mostrar a saga dos Velhos Homem-Aranha e Deadpool, em que ambos estão em um asilo e o Deadpool precisa convencer o Homem-Aranha a entrar em ação novamente. Um quadrinho bastante divertido, mas principalmente bem pensado e bem elaborado. Algo essencial nesse tipo de narrativa.

MMMkorvacOS VINGADORES: A SAGA DE KORVAC, DE JIM SHOOTER, GEORGE PÉREZ, LEN WEIN, SAL BUSCEMA, DAVID WENZEL

As histórias contidas neste encadernado são algumas das melhores da trajetória dos Vingadores, na sua formação mais clássica da equipe e desenhados pelo superstar virtuoso George Pérez. São histórias cheias de aventura e ação e personagens bem construídos, que desembocam num grande confronto com Michael Korvac. O interessante aqui é que a finalidade das demais histórias é mais interessante que os demais eventos que acontecem no final do arco. Ou seja, a jornada até o pretenso final de enfrentamentos e confrontos é muito mais divertida que a batalha épica final. Além disso temos o Complexo de Deus do cara que seria editor-chefe da Marvel trabalhando aqui. Jim Shooter sempre trabalha com semi-divindades e seres quasi-onipotentes. Foi assim com Korvac e se repetiu com Beyonder, Estigma, Marcus, e tantos outros e, claro na própria vida de Shooter que se considerava uma semi-divindade sobre os reles funcionários da Marvel. A saga de Korvac quando foi publicada originalmente aqui pela Editora Abril foi intensamente picotada e remendada. Esse encadernado da Salvat é uma oportunidade de ler as histórias dessa clássica fase na íntegra.

MMMmarvelbrasilMARVEL COMICS: A TRAJETÓRIA DA CASA DAS IDEIAS NO BRASIL, DE ALEXANDRE MORGADO

Conheci o Alexandre Morgado, autor deste livro, em um grupo de vendas de quadrinhos e descobri que ele é um dos maiores colecionadores de quadrinhos Marvel do Brasil. Na verdade, ele tem TUDO que saiu pela Marvel no Brasil, desde a EBAL, nos anos 1960. Mas a verdade é que a história da Marvel começou antes, em 1940 com a editora O Cruzeiro. Alexandre aproveitou sua imensa coleção, seu conhecimento sobre as publicações da Casa das Ideias e também o contato com importantes colecionadores figuras do meio editorial brasileiro para compor este livros. Muitos depoimentos e histórias de bastidores sobre a publicação da Marvel no Brasil por mais editoras que vocês deve estar pensando, monta um cenário incrível de como a editora e seus personagens se disseminaram pelo mundo, mas principalmente pelo nosso país. O impacto do livro foi tanto quando foi lançado que a sua primeira edição esgotou. Eu só pude ler através do original do autor. Mas também tive a certeza que um material dessa riqueza de detalhes e de depoimentos históricos tão importantes para os amantes brasileiros dos quadrinhos em geral não deveria passar despercebido pelo público. Por isso, estamos preparando novidades para 2020, ano em que a Casa das Ideias faz 80 anos no Brasil, a partir de sua primeira publicação em 1940. Aguardem!

MMMbatmanfanFAN PHENOMENA: BATMAN, ORGANIZADO POR LIAM BURKE

Este livro foi publicado em 2013, na crista da onda do final da trilogia de Christopher Nolan com o Batman. Então, por isso mesmo, infelizmente o foco dos artigos deste livro foram os filmes da trilogia estrelada por Christian Bale. Assim, se o livro se propõe a estudar com versatilidade as várias camadas do fenômeno de fandom que é o Batman, ele poderia se dedicar a estudar suas mais incríveis e diferentes versões e nuances. Porque é isso que faz um elemento da cultura pop um fenômeno de fãs: cada um pode dar a sua versão a aquele símbolo e se apropriar dele. Mas é importante levar outras questões em considerações. Um coisa que eu vejo que as pesquisas americanas levam muito em conta são os grupos focais e declarações de fãs, mas geralmente as análises que essas pesquisas resultam são pobres em discussões e levam somente a apreender que fãs são impulsivos, briguentos, chatonildos e impassíveis. O que sabemos que não é bem assim. Contudo, os estudos neste livro dão a entender exatamente isso. Outros artigos rasos do livros incluem um elencamento de supervilões, uma “análise” do longa animado A Máscara do Fantasma, e associações do Batman com Sherlock Holmes. Como todos livros de artigos, este também é bastante fora de foco e irregular, um problema de organização certamente. Metade do livro é aproveitável e metade pode ser esquecida. A metade aproveitável, contudo é bastante aproveitável e são as duas primeiras partes. O que estraga o livro, que se propõe acadêmico são as entrevistas rasas que permeiam os artigos, as “fan appreciation”. Um porre! Contudo, o livro poderá servir para quem estude o fenômeno do Batman e de seus filmes da trilogia Nolan posteriormente.

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O MATRIMÔNIO DE CÉU E INFERNO, DE ENÉIAS TAVARES E FRED RUBIM

Uma bela homenagem à obra de William Blake, que já inspirou quadrinistas como Moore, Gaiman e Morrison. Fui colega do Enéias na Oficina de Criação Literária do Assis Brasil e é muito bom ver que ele está angariando corações e mentes com seus trabalhos literários e, agora, com essa estréia em quadrinhos. Já o Fred vem de outros trabalhos em quadrinhos e mantém o mesmo embasbacamento visual que produziu em outras obras, com seus traço emulando Mike Mignola e suas cores simples, potentes e pungentes. Este Matrimônio enlaça quatro histórias de quatro histórias diferentes e fala sobre bem, mal, vida e morte e os conceitos intermediários entre eles. Quatro histórias bastante mundanas, mas que como todas, contêm uma boa dose infernal e celestial. A produção gráfica do quadrinho está muito bonita, em capa dura, com sobrecapa, realmente caprichado. Só o que me incomodou um pouco foi a falta de respiro entre a borda do quadrinho e a borda do livro. Mas isso é coisa de designer e não via incomodar a um leitor trivial. De qualquer forma, O Matrimônio do Céu e do Inferno é um sinal da maturidade do quadrinho produzido no Brasil, que vem trazendo obras diferenciadas e fora do comum e do esperado.

MMMdeasconexo

DESCONEXO, DE EDUARDO RIBAS

Um homem entra em um banco portando uma arma… E o que ele quer lá… é totalmente DESCONEXO. Acompanhe essa história fora do lugar em que o discurso da surrealidade poderia estar presente com qualquer motivação que faz uma pessoa invadir um recinto com uma arma na mão e ameaçar outras pessoas por causa disso. Essa história poderia ser sobre, absolutamente, qualquer coisa. E é. Esse quadrinho do parça Edu Ribas fala muito sobre o que é fazer quadrinho (no Brasil e no mundo) dentro do escopo dos aficcionados por quadrinhos e da incipiente crítica aos mesmos. Mas eu não vou estragar spoilers. Só dizer que esse quadrinho do Edu vem com o mesmo afinco, dedicação e paixão pela mídia quadrinhos que vieram seus trabalhos anteriores. A diferença deste, contudo, é que ele é todo em preto e branco. Vem com todo o nonsense e com os desenhos expressivos característicos do trabalho deste rapaz. E se você não conhece o trampo dele, tá na hora de conhecer. Ainda vamos ver muito do trabalho do Edu por aí e vai ser muito elogiado por todos. Mesmo que muitos deles pareçam um tanto “desconexos” à princípio.

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MULHER-MARAVILHA E BATMAN, DE LIAM SHARP E ROMULO FAJARDO JR.

Gostei bastante deste quadrinho estruturado e criado por Liam Sharp, que se destacou recentemente na run de Greg Rucka nas histórias da Mulher-Maravilha. Contudo, o que chama atenção nesta história não é nem a utilização da Mulher-Maravilha e nem a utilização do Batman, mas sim da presença e da exploração dos mitos da extinta religião celta, que prevaleceu na Irlanda, Escócia e em outras partes da ilha de Albion. É muito divertido como Sharp estabelece a mitologia celta e seus elementos com os tempos atuais. Magistrais também são suas artes com elementos celtas e também um grande destaque para as cores de Romulo Fajardo Jr. que complementam esse trabalho conferindo uma outra dimensão à história aqui contada. O que me deixou meio desolado foi o logotipo usado pela Panini Comics, que ficou bastante deslocado com a arte da capa e perdeu os detalhes que a DC Comics originalmente conferiu à ele. De qualquer forma, os amantes da mitologia e da religião celta vão se deleitar com o tecto e as paisagens desta bela história em quadrinhos unindo dois dos personagens mais importantes da DC Comics, Mulher-Maravilha e Batman.

MMMkravenCOLEÇÃO DEFINITIVA DO HOMEM-ARANHA: A PRIMEIRA CAÇADA DE KRAVEN, DE MARC GUGGENHEIM, PHIL JIMENEZ, PAULO SIQUEIRA, PAT OLLIFFE E MIKE MCKONE

Quando eu li o arco do Homem-Aranha “A Caçada Sombria”, fiquei muito curioso para saber quem era essa Kraven, a Caçadora mulher, Anna Kraven e qual sua origem. Este arco mostra isso. Ele também faz parte da fase “Um Dia a Mais” que, afora as polêmicas de reboot, foi uma das melhores fases recentes de histórias do Aranha, só ficando atrás da época do Homem-Aranha Superior. Isso porque existia um “staff” de roteiristas bem azeitados para discutirem os rumos das histórias do Aracnídeo, que tinham ótimos coadjuvantes e ótimas subtramas. Neste quadrinho, o Aranha é confundido por Kraven com seu colega de quarto, o policial Vin González e então o Aranha precisa pedir ao Demolidor seu uniforme emprestado. Essa “troca de bolas” estilo bem característico das peças de comédias shakespearianas é muito bem empregado aqui por Marc Guggenheim que, finalmente, faz um trabalho que merece os parabéns. Também merece destaque a história que conta a origem e a identidade secreta da heroína Loteria, que muitos pensavam, a princípio se tratar de Mary Jane Watson pela cabeleira ruiva e pelo codinome. Mas não era. Muito bom.

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MERCÚRIO CROMO, DE AURELIANO MEDEIROS

Segundo o autor, este livro (em quadrinhos?) é sobre dor. Dor externa e dor interna, mas principalmente a última. Eu noto nas exasperações de Aureliano sentimentos que eu conheci bem enquanto estava numa profunda depressão e que eu não consegui lidar com as coisas mais triviais da vida e tudo era um drama sem fim. Mas Mercúrio Cromo não é somente sobre coisas dramáticas, também é irônico, mordaz, sarcástico e capaz de nos fazer dar belas gargalhadas – eu certamente dei algumas. A minha parte favorita do livro é quando as ilustrações (quadrinhos?) de uma página de Aureliano assumem uma sequência de fatos. Ou ainda a parte final do livro quando ele conta como foi o “parto” desta publicação. Na minha opinião acho que o Aure devia pensar em fazer mais dessas sequências. Seu trabalho é muito bonito e dão cards e camisetas bastante legais. Outra coisa que eu gostaria de ver mais é a abordagem do autor sobre sua sexualidade – afinal seu ‘alter-ego” é um desenho nu -, ou seja, nada mais natural e óbvio a dar destaque para esse tema. Um livro leve na leitura mas denso e pesado no conteúdo.

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DYLAN DOG: MATER MORBI, DE ROBERTO RECCHIONI E MASSIMO CARNEVALE

Esta era a última edição da coleção de três exemplares em comemoração aos 30 anos de Dylan Dog lançados pela gaúcha Editora Lorentz. Uma história do personagem premiada internacionalmente que é bastante interessante por ela faz nosso investigador do pesadelo se defrontar com a encarnação das doenças que acometem o homem. E o mais vexatório e inesperado da história é que o Dog acaba por aceitar se tornar amante dessa mulher sádica e masoquista e que não é bem uma mulher, mas uma entidade que vive num reino próprio. A arte aqui é incrivelmente caprichada, em que podemos ver a textura dos pincéis usados por Massimo Carnevale no acabamento da narrativa visual. Mas mais do que tudo isso é a sensação de ilusão e delírio que Dylan Dog está passando que fica mais potente neste quadrinho. Será que ele imaginou tudo aquilo ou foi algo real esse pacto para ser amante da Mater Morbi, a mãe de todas as doenças? Onde exatamente que se encontra esse reino desta mulher que aprisiona suas vítimas numa árvore da dor até que elas, inexoravelmente, decidam deixar aquela mulher e aquele reino terrivelmente à sós? Será que um dia saberemos?

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DESENHOS INVISÍVEIS, DE GERVASIO TROCHE

E no Uruguai, nosso vizinho (mais próximo aqui do Rio Grande do Sul) e hermano, se fazem quadrinhos? Se fazem sim! São poucas pessoas que os fazem, mas o fazem com qualidade. Gervasio Troche é um desses uruguaios que imprimem poesia em sua arte em quadrinhos. Mas será que seriam quadrinhos? Afinal eles não têm fala e, muitas vezes eles não possuem sequência.Vamos chamá-los assim de quadrinhos silenciosos, em que, muitas vezes o silêncio de um quadrinho diz mais que milhares de palavras. Seja nas “gags” visuais que Troche coloca em seus trabalhos ou na poética visual que a leitura de suas imagens nos proporciona, o resultado é sempre um sorriso no rosto, uma reação positiva sobre o que ele veio nos mostrar. Isso torna o desenho (e o quadrinho) de Troche em algo universal. E por causa disso, não por acaso, ele foi publicado em vários países da Europa e da América do Sul e cá no Brasil, despertando a admiração de muitos “leitores” e “visualizadores” de seu trabalho sensível, simples mas não simplório e peculiarmente comunicativo. Se é quadrinho, se é arte, se é imagem, pode-se encontrar discussões, mas ninguém pode negar os elementos poéticos embutidos no fenomenal trabalho de Troche.

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BAGAGEM, DE GERVASIO TROCHE

Tive a honra de fazer uma oficina com Troche e Maco, dois grandes quadrinistas uruguaios, realizada na Galeria Hipotética. Nessa oficina eu entendi um pouco sobre o processo de criação dos dois e conquistei uma maior liberdade e fluidez para o meu “pensar quadrinhos” e inclusive para o meu (escasso) traço. Foi muito bom entender o processo criativo dos dois e compreender como eles conseguem chegar aos belos insights dos seus trabalhos. Liberdade e fluidez, que me foram ensinadas naquela oficina, também são uma característica dos trabalhos de Troche, compilados aqui nesta sua segunda coletânea de desenhos/imagens/quadrinhos, em que podemos ver como tudo é conduzido como uma música, ritmada, corrente, aquática, cheia de movimento, como as canções que ouvíamos na oficina enquanto trabalhávamos nas nossas páginas de quadrinhos “conceituais”. Troche pega um conceito e vai desenvolvendo ele, em diversos desenhos, em várias séries e confere sentido(s) e poesia(s) a eles, fazendo com que o leitor ou o visualizador se identifique com aqueles sentimentos tão universais a todo ser humano.

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FACE OCULTA, VOLUME 2, DE GIANFRANCO MANFREDI, LEOMACS, ROBERTO DISO, ALESSANDRO NESPOLINI E GIUSEPPE MATTEONI

Continua a aventura histórica maravilhosamente orquestrada por Gianfranco Manfredi sobre a guerra italiana na Etiópia. Tanto nos flancos italianos quanto etíopes da história houve um bom avanço na narrativa. Contudo, para mim ficou a impressão que eu “viajei” vem mais no universo da história no volume 1 do que no volume 2. Isso é engraçado, porque no segundo volume temos bem mais páginas do que no primeiro. São cinco edições originais no segundo contra quatro edições originais no primeiro. Isso prova que muitas vezes o nosso contato com o “novo” é muito mais demorado e tem uma “duração” – no conceito bergsoniano de duração (durée), do que nosso contato com o velho, embora o tempo do mesmo seja mais alongado que o tempo do novo. Com certeza eu me envolvi muito mais com o primeiro volume do que com o segundo, embora as histórias possuam o mesmo ritmo e sejam escritas pelo mesmo roteirista. Já no caso da arte variada, ela continua a me surpreender com a riqueza de detalhes e com o fator de nos levar a embarcar nas suas paragens distantes no tempo e espaço para vivenciarmos outra realidade.

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ORANGE, VOLUME 4, DE ICHIGO TAKANO

Este quarto volume – dos cinco volumes originais da série Orange – deu uma aceleradinha nos acontecimentos, mas desde o volume anterior, o terceiro, eu tenho sentido uma queda na narrativa, sem apresentar muito movimento na narrativa como nos volumes um e dois. Mais uma vez é frustrante o nervosismo dos japoneses (e heterossexuais) ao revelar suas emoções e sentimentos que sentem um pelo outro (no caso, homens e mulheres, sem nenhuma restrição de esconder sua sexualidade). O que me leva a pensar como as pessoas homossexuais fazem para exprimir seus sentimentos e desejos numa sociedade tão fechada e fria como a japonesa. Se, como narra a autora neste volume, é motivo de vergonha e hesitação dividir um guarda-chuva ou uma sombrinha em um dia chuvoso com a pessoa que se gosta/sente desejo, imagina como deve acontecer em relacionamentos que são fora do tido “normal” por aquela sociedade. Tá certo que esse mangá é para garotinhas adolescentes no seu primeiro romance, mas a maneira como se comportam está começando a me irritar imensamente.

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A GARRA DO CARANGUEJO, DE ADRI A.

A Garra do Caranguejo é um mini-gibi que é spin-off de outra história de Adri A. – codinome artístico de Adriano Andrade – que traz uma história-solo do coadjuvante Tim. Nesta história em quadrinhos, Tim é achacado pelo bully D’Átilio que o chama de “Tim Lagostim” em decorrência da má formação de suas mãos. Tudo que Tim deseja é que seus verões voltem a ser como eram: tranquilos. Contudo, o encontro com uma garra de caranguejo pode mudar toda essa situação. Mais uma vez, como em Cara-Unicórnio, Adri A. sabe trabalhar os dois elementos que mais gosto numa história: os personagens e as subtramas/referências, diferente do que muito roteirista e desenhista gringo de quilate, que não sabe dar a importância devida a estas características. A arte de Adri, cheia de detalhes e de cuidado – ainda mais neste quadrinho em que ele trabalha o mar – se mantém competente. Além disso, ele nos traz uma lição sobre o bullying, mas, como em Cara-Unicórnio, fugindo dos estereótipos desse tipo de história e de personagem. Como o Cara-Unicórnio, Tim também merecia uma publicação mais encorpada, colorida e com outras historinhas. Demais!

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VENOM, VOLUME 4: O PRIMEIRO HOSPEDEIRO, DE MIKE COSTA, RON LIM E MARK BAGLEY

Se vocês têm acompanhado minhas resenhas aqui, perceberam que falei de diveeeersas publicações do simbionte alienígena Venom, que a Panini Comics trouxe na esteira do longa metragem do anti-herói nos cinemas. E se vocês têm acompanhado o que eu falei sobre elas, vão perceber que eu não curti nadinha essas publicações. Pois então. Este quarto volume de Venom, que traz as duas últimas edições de Mike Costa no título e mais a minissérie First Host, escrita por ele e desenhada por Mark Bagley, é extremamente melhor do que todas as outras coisas do Venom que li recentemente. Aparentemente a minissérie era para ser publicada dentro da revista mensal do personagem, mas sua ascensão aos cinemas fez com que ganhasse uma nova e elogiada série por Donny Cates e Ryan Stegman. Assim, Venom ganhou diversas minisséries sendo essa uma. Ela conta quem foi o primeiro hóspede do klymtar de Eddie Brock: um soldado kree que manipulava malvadamente esse ser simbiótico para benefício do Império Kree, isso lááá na época da Guerra Kree/Skrull. E sim, claro que temos combates com skrulls na história, que também envolve o surgimento de um novo simbionte, um novo “filho” de Venom e de Eddie Brock (sim, é isso aí), com novos poderes e novas possibilidades. Diferente das outras histórias de Costa com o Venom, essa é bem estruturada, tem personagens e enredo intrigantes e tudo fica mais divertido do que nas edições anteriores. Finalmente uma história perto de boa do Venom! Uhuuulll!

MMMcasamento

BATMAN: PRELÚDIO DO CASAMENTO, DE TIM SEELEY, TOM KING, SAMI BASRI, BRAD WALKER, TRAVIS MOORE, MINKYU JUNG, JAVIER FERNANDEZ, CLAY MANN

A verdade tem que ser dita e eu comprei esse quadrinho só para ficar por dentro dos preparativos do casamento do Bátima com a Mulé-Gato e eu queria saber qual era “O Vestido Ideal” que a Selina Kyle escolheu com o Randy. Falando sério, Tim Seeley é um roteirista competentíssimo e responsável por quase todas as histórias deste encadernado, então era de se esperar um resultado competente. É o que temos, com exceção das histórias do Capuz Vermelho e da Arlequina. Os desenhos também são muito bem feitos e são diversos desenhistas que elevam as histórias com suas artes. Destaque também para história louca do Coringa que abre essa edição por Tom Taylor e Clay Mann. Outra coisa interessante é que, de certa forma – que não vou spoilear – as narrativas acabam por se interligar, com cada membro da Batfamília (e a Arlequina) fazendo o possível para que os inimigos do Batman não estraguem o seu casamento. Mas o Coringa ainda permanece na procura de um convite para o casamento e não vai descansar enquanto não participar dele. Tudo indica que ele sente ciúmes porque o Batman não vai se casar com ele. É isso produssaum?!

MMMasanoturna

ASA NOTURNA, VOLUME 6, DE SAM HUMPHRIES, BERNARD CHANG, MARCELO MAIOLO, DENYS COWAN E PHIL JIMENEZ

Esse encadernado reúne a pequena fase de seis edições em que atuaram juntos Sam Humphries, Bernard Chang e o brasileiro colorista Marcelo Maiolo. Muitas menções à bunda de Dick Grayson são feitas, bem como sua forma física. Ele também acaba se infiltrando como “dançarino artístico” em uma boate de strip-tease. Lá pelas tantas, os artistas inserem uma cena em que dois homens não nomeados, mas que se parecem muito com Chang e Maiolo estão na cama, num cassino, e desejam se casar um com o outro. Fora essas piadas visuais, e a arte caprichada dos dois (casal ou não), o roteiro traz a história do “Juiz”, o primeiro de Bludhaven, que ganha poderes para influenciar na vida das pessoas. É uma narrativa um tanto bizarra, com personagens meio-tubarão-meio-homens aparecendo na trama. Mas certamente está acima de outras tramas que não desenvolvem nem o personagem principal, nem mesmo aqueles ao redor dele. O roteirista teve de trabalhar com novos coadjuvantes já que o roteirista anterior deu um desfecho para todos eles. Humphries faz isso bem e explora também o passado de Dick Grayson como Robin e com seu uniforme discoteca, dando espaço para desenhistas como Denys Cowan e Phil Jimenez atuarem. Temos, então um bom resultado nesta história em quadrinhos.

MMMmacewindu

STAR WARS: MACE WINDU – JEDI DA REPÚBLICA, DE MATT OWENS, DENYS COWAN E EDGAR SALAZAR

Mace Windu, interpretado nos cinemas por Samuel L. Jackson, é um dos personagens da nova trilogia de Star Wars que é pouco explorado. Tanto no cinemas, quanto aqui, neste quadrinho dedicado a ele. Percebam que a equipe que desenvolve essa minissérie reunida aqui nesse encadernado não são de muito destaque. Matt Owens não tem a mesma projeção que os demais roteiristas que cuidaram de Star Wars até agora e Denys Cowan, apesar de ter sido uma força vital da indústria décadas atrás, não tem trabalhado nos comics com muita regularidade. Assim, esse encadernado de Mace Windu cumpre a tabela, mas não arranca suspiros de admiração. Se ao mesmo tempo temos um glimpse do passado do general Jedi, ao mesmo tempo, as disputas e personalidades dos personagens coadjuvantes apresentados neste especial tiram o brilho do protagonista que parece estar lá apenas porque ele deve estar. Contudo, como a nova trilogia (e não a antiga nem a novíssima) é minha trilogia favorita, ver aqueles dróides com cara de cachorrinhos mais uma vez foi bastante divertido e ver eles levarem uma coça dos Jedi, usando a força, foi mais legal ainda.

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O CORDEIRO E O LOBO, DE RAVI ZACHARIAS E JEFF SIMONS

Fazia um tempo que eu via seguidamente os quadrinhos da Editora 100% Cristão no site Guia dos Quadrinhos, e sempre ficava curioso para saber sobre seu catálogo, suas intenções e, principalmente o conteúdo das suas revistas em quadrinhos. Mas não as via para vender. Descobri, então, que grande parte do conteúdo é produzido nos Estados Unidos, pela editora KingStone, e vertida para o português. Resolvi adquirir as revistas e, quando tiver lido todas que adquiri, farei um post no blog sobre elas. Esta aqui, O Cordeiro e o Lobo, com uma capa AlexRossesca é – em palavras do fandom -, um crossover entre Jesus Cristo e Adolf Hitler no juízo final. Tem um texto bastante interessante e com uma análise histórica das atrocidades do nazismo bem executada. Os desenhos, diferente da capa, ainda são meio precários e o letreiramento da 100% Cristão bastante amador, com letras diferentes, I’s com riscos, pouco espaçamento entre os balões. Mas levando em conta tudo, não é um quadrinho ruim e nem exageradamente doutrinário. Tão doutrinário como um quadrinho de super-heróis poderia ser acusado. Portanto, se fosse avaliar, diria que ele é mais um quadrinho filosófico do que religioso e o estratagema de colocar Adolf Hitler frente a frente com Jesus Cristo foi algo bem pensado. Vamos ver agora o que os demais quadrinhos da KeyStone/100% Cristão têm a nos dizer.

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O RETORNO DE WOLVERINE, VOLUME 1, DE CHARLES SOULE, JIM ZUB, TOM TAYLOR, R.B. SILVA, DAVID MARQUEZ, THONY SILAS, MATEO BUFFAGNI E PAULO SIQUEIRA

Eu vi muita gente nas interwebs da vida falando mal desse quadrinho. Mas uma: foi difícil de achar e outra: acho que eles não andaram lendo “A Morte de Wolverine”, porque aquilo sim que foi quadrinho ruim à beça. Bem, na verdade eu estou curtindo esse Retorno de Wolverine (que nos EUA saiu com o nome A Caçada por Wolverine). Uma porque os roteiristas envolvidos: Soule, Tamaki, Zub e Taylor são competentes. Outra porque os desenhistas envolvidos – vários – também o são. Também porque logo de cara Soule insere inimigos clássico dos X-Men na fase australiana, os Carniceiros. As X-Women são reunidas num título só para se aventurarem em Madripoor atrás de Wolverine. Os Novos Vingadores, com Homem de Ferro, Homem-Aranha, Luke Cage e Jessica Jones também estão atrás dele. Demolidor, Misty Knight, o inumano Frank McGee e o ex-Novo Mutante Cifra, estão em outra busca. Mas também inimigos como Lady Lethal, o filho de Wolverine, Daken, e Dentes de Sabre vão à procura de Logan. Assim, todos esses quadrinhos são uma grande homenagem ao universo dos X-Men que revolve ao redor de Wolverine. Por isso, não tem como um grande x-fã não curtir toda essa homenagem em histórias bem escritas e bem desenhadas.

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HELLBOY OMNIBUS, VOLUME 1: SEMENTES DA DESTRUIÇÃO, DE MIKE MIGNOLA E JOHN BYRNE

Eu acho que comecei com um baita pé esquerdo nas minhas leituras com Hellboy. Eu li “A Mão Direita da Perdição” e detestei na época do lançamento do primeiro filme do Hellboy. Isso me afastou do universo dele por anos. Somente agora, com o novo filme (mas não por causa dele) que comecei a entender porque as pessoas reverenciam tanto essa criação de Mike Mignola. Esse Omnibus que a Mythos colocou nas bancas neste mês foi um grande “braço a torcer” sobre minhas impressões das histórias de Hellboy. Elas são muito divertidas e sabem enredar elementos da mitologia sobrenatural, do folclore e das lendas cristãs como só elas. Isso sem falar da sensacional arte de Mignola, que fez escola, e sabe fornecer o clima lúgubre, misterioso e sombrio necessário para adornar histórias desse tipo. Além disso, aprendi algumas coisas sobre os personagens do universo de Hellboy que não tinha nenhum conhecimento, como as origines de Liz Sherman e de Roger, o Homúnculo. Também entendi as ligações do Monge Rasputin com a Baba Yaga. Tudo isso deixa mais rica e mais interessante minha leitura e redescoberta de um universo que eu julgava desinteressante, mas estava BEM errado.

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DAVID BORING, DE DANIEL CLOWES

Uia! Que quadrinho massa! Geralmente os quadrinhos do Daniel Clowes ou acertam muito comigo (Patience, Ghost World, Wilson), ou erram muito feito (Como uma luva moldada em ferro). Esse David Boring foi muito interessante e uma viagem (no sentido ótimo) de se ler. É muito interessante as jogadas do destino que Clowes coloca os seus personagens envolvidos. Lembra muito os filmes indies dos anos 2000, mas com uma pegada que Clowes já estava fazendo dez anos antes. Os personagens de David Boring são muito interessantes, como o próprio David obcecado por encontrar (e se relacionar) com a bunda feminina perfeita e, por isso, ele guarda consigo um “catálogo de bundas”. Ao mesmo tempo, o personagem é obcecado sobre seu pai, que não conheceu, mas que era um quadrinista e cuja única edição, um Annual dos anos 1950, Boring guarda como um tesouro para descobrir pistas sobre o genitor. Mas a cada “ato” da história acontecem reviravoltas de cair o queixo, como David levar um tiro no meio da testa e sobreviver. O quadrinho lembra um pouco Patience na obsessão do protagonista com um determinada mulher e as loucuras que acontecem ao redor disso. Mas é um quadrinho fenomenal, muito bom de viajar por suas páginas interessantíssimas!

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GEN: PÉS DESCALÇOS, VOLUME 4: CRESÇA FIRME, TRIGO VERDE, DE KEIJI NAKAZAWA

Gen: Pés Descalços continua me emocionando muito. E isso que estou a recém no número quatro de dez volumes dessa incrível biografia em quadrinhos que narra os dias e anos depois da queda da bomba atômica no Japão. Neste volume acompanhamos Gen e sua família reagindo à presença do exército norte-americano no Japão, principalmente em Hiroshima. Vemos que as coisas mudam um pouco para melhor, mas outras, pioram. Como por exemplo a venda dos produtos roubados ou conseguidos através dos soldados norte-americanos no mercado negro. As mulheres japonesas também passam a sofrer com os soldados norte-americanos, sendo estupradas por eles, ou ainda se tornando amásias deles para que, com seus favores sexuais pudessem sustentar a si mesmas e à suas famílias, conseguindo alimentos e dinheiro. Gen, por outro lado, acaba sofrendo com o sequestro de sua irmãzinha mais nova, que nasceu logo depois da queda da bomba em Hiroshima. Gen: Pés Descalços é um relato sofrido, contundente e necessário para que as próximas gerações não repitam os horrores da bomba atômica e da Segunda Guerra Mundial.

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CABLE, VOLUME 3: MEDOS PASSADOS, DE ZAC THOMPSON, LONNIE NADLER, GÉRMAN PERALTA E JÉSUS ABURTOV

Este último volume da última coleção de histórias solo do Cable é praticamente uma homenagem à cronologia do soldado-mutante-que-desenvolveu-um-vírus-tecnorgânico e que tem um cronologia pra lá de complicada. Isso porque Cable não foi desenvolvido para ser um messias mutante, mas sim um soldado com braço cibernético, obra de Rob Liefeld. Tanto que, quando ele surgiu, não tinha nem poderes mutantes. Esse encadernado faz uma homenagem à diversas fases de Cable, começando por sua fase com Esperança Summers e as batalhas com Bishop, passando por seus encontros com sua contraparte da Era do Apocalipse, Nate Grey, o X-Man, a sua criação no futuro por uma versão de Ciclope e Jean Grey, finalizando com uma volta aos tempos da primeira formação da X-Force, equipe que criou e comandou. A narrativa é mais bem sucedida pela homenagem à cronologia de Cable do que pela história em si, que acaba ficando confusa – como sua cronologia – em diversos momentos. Mas pelo jeito com Nathan Summers, o Cable, é necessário um pouco de confusão narrativa, senão não seria as suas histórias, não é mesmo?!

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ALVAR MAYOR, DE CARLOS TRILLO E ENRIQUE BRECCIA

Alvar Mayor vale a leitura e a posse somente para poder estudar os belíssimos e virtuosos traços de Enrique Breccia, que coisa mais linda, que primor de arte. Mas não é só isso, essa obra guarda muito mais. Não é digno de puxão de orela a Editora Lorentz ter confeccionado a capa desta edição somente na cor preta, porque ela fica tão bonita como se fosse uma capa colorida, dada a riqueza de detalhes do traço de Breccia. Esse é um quadrinho argentino, mas que se passa no Peru, numa época que poucos quadrinhos costumam retratar: a conquista da América do Sul pelos espanhóis. Alvar Mayor é, então, o primeiro branco nascido na América do Sul e por isso, a ama e a compreende como nenhum outro branco. Rica também é a apreciação que o roteirista Carlos Trillo faz das lendas e mitos dos Incas, povo devastado pelos espanhóis em sua conquista sem escrúpulos. Também é rica a descrição das diversas marchas e intenções de desbravar a cidade mítica e cheia de ouro provinda do mito do El-Dorado pelos cobiçosos espanhóis em território sul-americano. Alvar Mayor é um quadrinho bastante peculiar e que sai da demanda e oferta comum de quadrinhos, seja em temática, formato, mas principalmente no primor virtuoso dos desenhos de Breccia.

MMMaquaman

AQUAMAN, VOLUME 7, DE DAN ABNETT, KELLEY JONES, ROBSON ROCHA E RICCARDO FEDERICI

Durante a iniciativa do Renascimento DC, ficou a cargo de Dan Abnett cuidar do título do Aquaman. O autor já vinha escrevendo o personagem na linha de Os Novos 52, então foi um movimento natural. Mas ele só foi acertar com o personagem no Renascimento pelo volume 3, quando começou a delinear mais as nuances do reino de Atlântida e não suas relações com a superfície, como vinha fazendo. Por isso, o Aquaman passou a ser um personagem mais esférico e menos raso do que estamos acostumados, com uma mitologia própria e não perdida e devassada com anos de cronologia que ninguém mais dava bola. As histórias passaram a ser mais interessantes e Mera ganhou mais relevância e importância do que jamais teve, ganhando até uma minissérie própria pelo mesmo Abnett, na época do lançamento do filme com Jason Momoa e Amber Heard. Este volume encerra algumas pontas soltas da passagem de Abnett por Aquaman e, embora traga batalhas demais, mantém o ritmo e a qualidade mostradas em volumes anteriores a esse e que construíram o caminho das história do Rei dos Sete Mares até aqui.

MMMosamu

UMA BIOGRAFIA EM MANGÁ: OSAMU TEZUKA, VOLUME 2: 1945-1960 – O SURGIMENTO DO MESTRE, DE TOSHIO BAN E TEZUKA PRODUCTIONS

Como a história da humanidade é paradoxal. Basta mudar um pouco o contexto de um acontecimento que suas implicações mudam. Estou falando do Japão pós-Segunda Guerra Mundial. Estou lendo também Gen: Pés Descalços, de Keiji Nakazawa, em que ele retrata as terríveis condições de vida em Hiroshima após a queda da bomba. Enquanto isso, nessa biografia de Osamu Tezuka, vemos o “deus do mangá” fascinado com tudo que é produto que vem dos Estados Unidos e dando a impressão que em Tóquio e arredores, nada mudou, senão melhorou com a vinda dos americanos para o Japão. Tezuka é um alto consumidor dos filmes e animações norte-americanas e é extremamente influenciado por eles. Mas também vemos que ser uma mangaká workaholic também não é fácil. Ele precisa ser “enlatado” em cubículos de apartamentos para poder cumprir a feitura de quadrinhos para dez editoras diferentes, às vezes. Foi dessa forma que Osamu Tezuka acabou produzindo tantos mangás, mas abismantemente, sem perder a qualidade dos mesmos. Metrópolis, Kimba, Phoenix e tantos outros foram publicados “enlatados” dentro de um cubículo. Não é por nada que Tezuka é considerado o “deus do mangá”!

MMMbillraiobeta

COLEÇÃO OS HERÓIS MAIS PODEROSOS DA MARVEL: BILL RAIO BETA, DE MICHAEL AVON OEMING E ANDREA DIVITTO

Desde que eu li o Ragnarok de Thor, escrito pela mesma equipe criativa desta minissérie, Michael Avon Oeming e Andrea DiVito, eu fiquei com vontade de ler Rompe-Tormentas: A Saga de Bill Raio Beta. Mas imagina se a Panini trouxe essa minissérie pra cá? Claro que não. Agora, mais de 15 anos depois, eu posso lê-la através da coleção vermelha da Salvat. E a espera, pelo menos, foi recompensada. Bill Raio Beta é uma dos elementos cruciais de uma das melhores fases do Deus do Trovão Asgardiano, que é a feita por Walter Simonson e ele tem um background fascinante, tanto com sua raça, os korbinitas, como com sua nave Ferocímea. Nesta minissérie ele precisa enfrentar ninguém menos que Galactus e seu arauto Estelar, mas acabam desencadeando um mal muito mais perigoso para a existência e precisam unir forças para encerrar sua ameaça. Então, se você gostou do trabalho da dupla Avon Oeming e DeVitto no arco Ragnarok do Thor, é bem provável que vá gostar bastante também desta minissérie que acaba por conferir um novo status quo para Bill Raio Beta no panteão de heróis da Marvel.

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ARREBATAMENTO, DE CASEY LA SCALA, ROLAND MANN E KYLE HOTZ

Este quadrinho é mais uma obra da editora KingStone, que é publicada no Brasil pela editora 100% Cristão. Se trata da adaptação de um filme produzido pela Sony Pictures e que conta o que aconteceria com os humanos da Terra caso o Apocalipse bíblico, o Arrebatamento, acontecesse hoje. O quadrinho conta com arte de Kyle Hotz, que fez diversos trabalhos para a Marvel MAX, incluindo a co-criação do supervilão O Capuz, com Brian K. Vaughan. O quadrinho lembra bastante o clima do filme Cloverfield: Monstro, com a ideia da câmera na mão registrando as andanças de um grupo de amigos perambulando por um cenário extremamente devastado, em que demônio apocalípticos são atraídos para destruir as pessoas que têm fé. Essa foi um fato que me deixou ressabiado sobre esse quadrinho. Se a fé é boa e se arrepender e buscar reparar seus pecados também é uma coisa boa, porque as pessoas são castigadas sendo destroçadas por demônios? Se a fé é boa, porque os demônios são atraídos às pessoas que têm fé para destruí-las e matá-las para que não tenham outra chance? Não fez muito sentido essa parte para mim. Mas o quadrinho é bem feito.

MMMcriancas

AS CRIANÇAS DO CREPÚSCULO, DE GILBERT HERNANDEZ, DARWYN COOKE E DAVE STEWART

Eu já percebi que existem muitas obras narrativa que não servem para você entender, mas para você sentir. É o caso deste As Crianças do Crepúsculo. Ele traz várias sensações e a principal sensação é a de latinidad tão presente nas obras dos Irmãos Hernandez. Outra sensação é a do fantástico-maravilhoso sul-americano e caribenho de Gabriel García Márquez, que serve mais para maravilhar o leitor do que para que ele compreenda os mecanismos desse maravilhamento. Por isso Crianças do Crepúsculo tem um final aberto, que não vai agradar a todos. A arte deste último trabalho de Darwyn Cooke é incrível, mas por muitas vezes parece que estamos lendo um trabalho só do Gilbert, sem a colaboração do Cooke. O quadrinho também é muito parecido com a história “Girls” dos irmãos Luna, que fizeram esse quadrinho no começo dos anos 2000, sobre mulheres assassinas que chegavam á Terra dentro de ovos gigantes. A verdade é que lendo As Crianças do Crepúsculo, parece que estamos dentro de uma novela de Dias Gomes (Saramandaia, O Bem-Amado) e seus discípulos: tropical, misteriosa, fantástica, regional, algo que certamente agrada às veias latinas da narratividade.

MMMoblivion

OBLIVION SONG, VOLUME 1: A CANÇÃO DO SILÊNCIO, DE ROBERT KIRKMAN, LORENZO DI FELICE E ANNALISA LEONI

É bastante incrível que este Oblivion Song seja apenas o terceiro trabalho da fase autoral de Robert Kirkman que saia no Brasil, levando em conta o sucesso estrondoso que a série The Walking Dead faz por aqui e pelo mundo. Contudo, temos de aplaudir a Editora Intrínseca pela iniciativa de trazer esta publicação para cá. Dito isso, a série segue os padrões das séries autorais de Kirkman: muitos problemas humanos com um pano de fundo fantástico e irreal. Neste caso, 300 mil pessoas da Filadélfia são transportadas para um outro mundo e lá se perdem. Um cientista chamado Nathan sente que tem o dever de resgatá-las. A arte e os conceitos do mundo e das criaturas de Oblivion por Lorenzo Di Felice e as cores de Annalisa Leoni dão um tom sombrio e misterioso à narrativa, pois existem muitas coisas que o leitor precisa descobrir em Oblivion Song e que nenhum dos autores entrega de bandeja para o leitor, obrigando a acompanhar a série se quiser desvendar segredos que nem os próprios personagens conhecem sobre a realidade daquela narrativa. Oblivion Song não é um The Walking Dead, nem é sensacional, mas é um leitura boa e instigante.

quasar

QUASAR: VINGADOR CÓSMICO, DE MARK GRUENWALD E PAUL RYAN

Sempre gostei do Quasar, o Vingador Cósmico, o agente Wendell Vaughn, mas fora as suas histórias com o Coisa, as publicadas em Grandes Heróis Marvel e às referentes à megassaga Operação: Tempestade Galáctica, não li mais nada dele. Esse encadernado da Editora Salvat foi, então um resgate dessas histórias fim de oitenta início de noventa quando as coisas eram mais simples e sem tanto marketing envolvido. Quasar era tão querido pelos fãs que, quando foi morto em Aniquilação, foi feito um bolo gigante com a sua imagem para pedir que ele retornasse à vida e às publicações. As histórias aqui presentes são divertidas e cheias de aventura, mostrando nove histórias fechadas do Quasar em sua busca pelo alienígena que pode matar Éon e corromper e acabar com a vida no Universo. O texto de Mark Gruenwald e a arte de Paul Ryan, que trabalharam também anos em Capitão América são muito competentes e os dois estão em plena posse das nuances do Universo Marvel – algo que falta e muito nos atuais escribas e artistas da editora. Assim, a leitura deste encadernado de Quasar pela Salvat é recompensadora e expande nosso conhecimento sobre esse universo que tanto gostamos de acompanhar.

MMMmadrepanico

MADRE PÂNICO, VOLUME 1: TRABALHO EM ANDAMENTO, DE JODY HAUSER, TOMMY LEE EDWARDS, SHAWN CRYSTAL, JEAN-FRANÇOIS BEAULIEU E GERARD WAY

Com certeza esses quadrinhos da linha Young Animal são diferentões. Mas diferentões não querem dizer que sejam bons, não é mesmo? E ninguém está disposto a desembolsar sessenta pilas e tanto num quadrinho capa dura que julga diferentão e nunca ouviu falar. A não ser eu, seu verme de estimação. Madre Pânico é um quadrinho bem fora do comum, isso é fato, mas lembra aqueles quadrinhos da Vertigo da primeira geração, que causavam um impacto na gente. Ele trabalha uma heroína de Gotham City, que se envolve com o universo do Batman, sim, mas que é totalmente seca e boca-suja e isso deixa a personagem sensacional. É muito engraçado. Além disso, tem a mãe da “heroína” que tem dons precognitivos e não fala coisa com coisa – mas fala, sim. O quadrinho começa com a arte de Tommy Lee Edwards (Terra X), que é sensacional, mas as três últimas edições são feitas por Shawn Crystal (Deadpool), que escorrega no quiabo, não curti muito a arte dele não. Vou falar o que estou sentindo: a linha Young Animal é bem divertida, tem um sopro de renovação, mas com certeza não é para todo mundo. Nem todos vão curtir e entender sua proposta. Tá falado!


Piores

MMMvenom3VENOM, VOLUME 3: PROTETOR LETAL, DE MIKE COSTA E MARK BAGLEY

Realmente, eu não sei de onde ele saiu, mas esse roteirista Mike Costa não tem muito talento para quadrinhos de super-heróis. Desde a DC Comics onde trabalhou com alguns personagens dos Novos 52 até a Marvel, onde se dedicou à linha dos heróis e anti-heróis aracnídeos, os resultados foram basicamente os mesmos: BLÉ! São roteiros bem qualquer coisa, que no máximo dos máximos cumprem o que foi ordenado a ele. Aliás, o Venom vinha amargando uma fase bem xoxa até a chegada de Donny Cates no seu título. Este número de Venom, neste terceiro volume, mostra que Eddie Brock resolveu voltar a ser protetor. Mas adivinha quem ele vai proteger? Um povo-dinossauro (sim, você leu direito, povo-dinossauro), que vive nos subterrâneos de Manhattan (sim, mais um povo que vive nos subterrâneo de Manhattan, o lugar mais superpopulado do planeta) e que são caçados por Kraven, o caçador. Mais do mesmo? Sim, mais do mesmo. Pelo menos temos os desenhos de Mark Bagley para dar aquele ar do “Marvel Legado” e retornar nos tempos nos anos 1990, quando o Venom e o Carnificina estavam na crista da onda. Essa fase do personagem é melhor esquecer.

MMMborrachaHOMEM-BORRACHA, DE GAIL SIMONE E ADRIANA MELO

O Homem-Borracha é, sem dúvida, um dos mais divertidos e cheios de recursos personagens da DC Comics. Contudo, fora uma curta fase na Liga da Justiça, e uma revista própria de curta vida por Kyle Baker, o personagem sempre foi deixado de lado pela editora. Assim, desde os anos 1940, quando foi criado pelo genial Jack Cole na Quality Comics, o Homem-Borracha não tem ganhado os holofotes. Quando isso finalmente parecia que ia acontecer, pelas habilidosas mãos da roteirista Gail Simone e da brasileira Adriana Melo, o resultado saiu meia-boca. Gail até tem tem seus bons insights aqui e ali, mas a trama parece cheia de remendos de algo que era para ser uma série regular e se tornou minissérie. Tanto que acabamos com pelo menos uma ponta solta de algo que parecia ser a trama principal. Já os desenhos de Adriana Melo também são irregulares, contudo, preciso dizer que nunca vi Eel O’Brian, ou o Homem-Borracha, desenhado de maneira tão sexy. Deixo para vocês julgarem se acham isso bom ou ruim. Acho uma pensa que um personagem com tanto potencial mais uma vez volte a amargar no limbo dos “personagens na geladeira”, só para parafrasear o site que deixou Gail Simone famosa.

MMMmanga

FACULDADE DE MANGÁ, DE OSAMU TEZUKA

Eu gosto muito dos mangás feitos pelo Osamu Tezuka, o Deus dos Mangás. É impossível não reconhecer como ele influenciou gerações de mangakas e até mesmo de profissionais fora da área dos quadrinhos japoneses. Contudo, eu esperava mais desse quadrinho. Nem tanto pelo trabalho de Tezuka, mas pela forma como ele foi vendido: como uma espécie de curso de mangá em forma de mangá. Não se enganem, esse quadrinho não é isso. A tal faculdade de mangá serve como um aglutinador para duas histórias médias, uma história curta e pequenas “gags” feitas por Osamu Tezuka. Ele é menos educacional e mais entretenimento. Isso, claro, não quer dizer que o conteúdo não seja bom, apenas mal manejado comercialmente. Os mangás apresentados por Tezuka aqui guardam bastante semelhança com as animações infantis do começo do século passado. Eles até mesmo possuem a mesma “física” dos cartoons, lembrando personagens da Disney, da Looney Tunes, Hanna-Barbera e do Pica-Pau. São quadrinhos infantis bonitinhos e divertidos de se ler, mas não são, definitivamente, uma Faculdade de Mangá.

MMMpaladinhosluke

COLEÇÃO HISTÓRICA MARVEL: PALADINOS MARVEL, VOLUME 6 – LUKE CAGE, DE ARCHIE GOODWIN, STEVE ENGLEHART, GEORGE TUSKA E BILLY GRAHAM

Termino de ler esta leva da Coleção Histórica Marvel: Paladinos Marvel com este encadernado dedicado ao Herói de Aluguel, o Poderoso, Luke Cage. O encadernado traz as nove primeiras edições do título Luke Cage: Hero For Hire, com exceção da primeira edição, a de origem do herói, já publicada anteriormente na coleção. Assim, os roteiros de Archie Goodwin e Steve Englehart são bastante ok, regulares. O que incomoda mesmo é a irregularidade da arte produzida por George Tuska e Billy Graham. A impressão que dá é que todas as edições foram feitas de forma apressada, à toque de caixa. Fica como destaque um arco de duas histórias em que Luke Cage enfrenta do Doutor Destino e precisa impedir uma rebelião de robôs latverianos. O elemento incomum é que esses robôs latverianos se refugiaram nos Estados Unidos disfarçados de humanos negros. Os robôs vieram para os Estados Unidos porque eram escravizados por Destino e acharam que o ideal era virem disfarçados de negros para os Estados Unidos? Só trocaram o fogo pela frigideira, meus caros autômatos. E, convenhamos, Marvel, que patacoada!


É isso aí, mergulhadores caríssimos do profundo do meu coração! Quarenta e seis minirresenhas para vocês concordarem, discordarem, amarem, se revoltarem, arrancarem os cabelos de preocupação. Não deixem de comentar o que acharam! Abraços submersos em páginas quadriculadas e coloridas!

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