Melhores e Piores Leituras de Agosto de 2019

Temos quase quarenta, isso mesmo 40, mini resenhas fresquinhas e frescalhonas para você ler agora aqui no Splash Pages. Dizem que agosto é o mês do desgosto e isso pode até lá ser verdade, já que quase dez dessas leituras estão entre as piores do mês. Algumas ficaram num ponto limbo intermediário e foram parar nas melhores porque né, o copo tá quase sempre meio cheio. E tá quase sempre meio cheio porque se não tiver, como levar a vida com ele meio vazio? Não dá, né? Então encham o seu copo de cerveja, hidromel, Pepsi ou guaraná, suco de laranja, leitinho com nescau de bolinha ou o que você quiser e venha acompanhar essas nossas resenhazinhas!

Melhores

MAGmultiversoMULTIVERSO, DE GRANT MORRISON E VÁRIOS ARTISTAS

Multiverso, encabeçada por Grant Morrison é mais uma das 284949033 tentativas de se reorganizar as realidades do Universo DC Comics. Isso aconteceu durante a Iniciativa Os Novos 52, e hoje em dia, muita coisa do que Morrison criou aqui, ou não foi posta em prática ou foi deixada de lado, porque uma nova realidade, o Renascimento DC, despontou no horizonte. O inédito aqui são as 52 terras de Grant Morrison e seu “mapa do multiverso”, que localiza e identifica quase todas essas realidades paralelas. Como seu Sete Soldados da Vitória, essa publicação envolve uma minissérie principal que recobre demais publicações. A minissérie principal, convenhamos, não é assim tão interessante. O legal mesmo em Multiverso é a tentativa de Grant Morrison em criar novas realidades para a DC Comics. São lindíssimas de se ler Pax Americana e Ultra Comics, por exemplo, enquanto outras como Mastermen e Mundo do Trovão não são bem trabalhadas assim. De qualquer forma, quando foi lançado, Multiverso foi um sucesso estrondoso. Hoje, não sei o quanto a DC Comics considera esse exercício de Morrison no seu cânone. E isso que nem se passaram 5 anos de sua publicação!

Leia uma resenha e análise sobre Pax Americana aqui neste link. 

MAGdoisemum

MARVEL DOIS EM UM – COISA E TOCHA HUMANA, VOLUME DOIS: FUTURO DA LINHAGEM, DE CHIP ZDARSKY, DECLAN SHALVEY E RAMÓN PÉREZ

Tenho percebido uma constante nas histórias que o Chip Zdarsky escreve e que me parece um defeito da sua forma, não de escrever, mas de criar as histórias. Invariavelmente, todos os seus enredos acabam se desviando para uma realidade alternativa, onde ele se sente mais à vontade para desenvolver os personagens. Neste segundo e último volume de Marvel Dois em Um: Coisa e Tocha Humana, não é diferente. Mas aquilo que acontece na realidade alternativa praticamente não tem justificativa para se passar nesse lugar. E em certo ponto fica confuso na cabeça do leitor se os personagens que depois nos defrontamos são versões alternativas ou se são versões regulares, como eles mesmos se declaram. Isso não é apenas uma problema de Zdarsky, é um problema também de orientação editorial na Marvel, que não se assegurou do autor passar a mensagem corretamente. A história até é legal, os desenhos de Ramón Pérez funcionam, mas essa parte das realidades alternativas desnecessárias me deixaram bastante cabreiro. Isso é uma pena. Bem, agora é aguardar para ver o que nos aguarda o retorno esperado do Quarteto Fantástico!

MAghentai

A ESTRELA DO HENTAI, VOLUME 2, APRENDENDO HENTAI DO PRINCÍPIO, DE MORIHITO KANEHIRA

Então, eu havia comprado a primeira edição deste mangá na Saraiva, mas cadê que eu encontrava a segunda edição? Não tinha em lugar nenhum. Então encomendei na Comix numa promoção. Aí pude ler o final da saga de Verme Desprezível em busca de ser uma Estrela do Hentai. Para quem ainda não sabe, hentai são os mangás eróticos japoneses, que apesar da cultura deles, são muito mais pervertidos do que quadrinhos pornôs normais. Isso porque, segundo a cultura japonesa, é proibido se mostrar explicitamente os órgãos genitais. Por isso, os mangakas que fazem hentai precisam compensar isso de alguma maneira. Neste mangá, que também é uma aula sobre o hentai, o projeto de desenhista Verme Desprezível é ensinado por diversos professores como deve ser feito um bom hentai. É um quadrinho bastante divertido de se ler e são bastante peculiares os meandros que orientam a produção desse tipo de produção. Para quem conhece mais as publicações em mangá, dizem que, guardadas as produções, ele é o Bakuman dos hentais. Ou seja, ele deixa o leitor extremamente por dentro da produção de hentais. Bem interessante e doido.

MAgsuperman

SUPERMAN: BRITÂNICO LEGÍTIMO, DE KIM HOWARD JOHNSON, JOHN CLEESE, JOHN BYRNE E MARK FARMER

Relendo este quadrinho para o livro da campanha Os Cavaleiros das Trevas para escrever o texto sobre o Bat-Man desta edição. Para quem não sabe, esta é a versão “o que aconteceria se?” o bebê Kal-El chegasse com o seu foguete na Inglaterra e não nos Estados Unidos. O quadrinhos é escrito por Kim Howard Johnson e John Cleese, do Monty Phyton, para conferir aquele típico humor inglês para a história. Os desenhos, por sua vez, ficam a cargo do canadense John Byrne, que faz com que os personagens pareçam ainda mais amalucados e apatetados do que são. O Superman Conner Clark tem pais que ficam o tempo todo pensando “o que será que os vizinhos vão pensar”, e ficam fugindo do seu filho superpoderoso para não serem vítimas de fofocas. Neste quadrinho, na verdade, parece que são as fofocas e os boatos que movem o modo inglês de viver a vida. Isso porque o Superman Conner Clark vai estudar para se tornar jornalista e consegue um emprego em um tabloide sensacionalista inglês, onde precisa cobrir escândalos de celebridades. Claro, isso até um certo Bat-Man cruzar o seu caminho em busca de vingança. Mas vingança para quê? Um quadrinho bastante divertido e fora do comum.

MAGwakanda

WAKANDA PARA SEMPRE, DE NNEDI OKORAFOR, CHRISTOPHER PRIEST, DANIEL ACUÑA, REGINALD HUDLIN, DON MCGREGOR, ALBERTO ALBUQUERQUE E OUTROS ARTISTAS

Ao ler esse Wakanda Para Sempre, que no original é a fusão de três especiais reunindo as Dora Milaje com o Homem-Aranha, X-Men e Vingadores, eu me senti transportado para um passado que não vivi. Calma que eu explico. Parecia que eu estava lendo aquelas histórias de Marvel Team-Up, ou como foi traduzido aqui no Brasil, Grandes Encontros Marvel. Nessas histórias os personagens iam se encontrando entre si e o plot contado na sua jornada ia aumentando, bem da mesma forma que Nnedi Okorafor faz em Wakanda Forever. E é um passado que eu não vivi porque não cheguei a pegar essas histórias sendo publicadas no Brasil, só fui ler depois, através de sebos. Neste encadernado, além das histórias bem divertidas das Dora Milaje, também temos Black Panther Annual #1. Este anual do Pantera Negra traz histórias do Rei T’Challa escritas por três grandes roteiristas que passaram pelo personagem, e marcaram com suas diferentes fases. São eles: Christopher Priest, cujo material permanece inédito no Brasil, Don McGregor, cujas histórias foram trazidas para cá pela Salvat e Reginald Hudlin que foi publicado aqui na extinta revista Marvel Action quase na íntegra. Este encadernado certamente irá acertar em cheio aos saudosos dos quadrinhos.

Leia mais neste link sobre as relações entre o Afrofuturismo e Wakanda. 

MAGveneno

BATMAN: VENENO, DE DENNIS O’NEIL, TREVOR VON EEDEN, RUSSELL BRAUN E JOSÉ LUÍS GARCÍA-LÓPEZ

Sim, nós temos aquelas histórias dos anos 1970, do Homem-Aranha e do Arqueiro Verde e Lanterna Verde que romperam com o código de ética dos quadrinhos ao falarem sobre drogas em uma época em que não se podia falar sobre drogas nos quadrinhos. Mas se tem uma história que trabalha muito bem o abuso dos narcóticos, essa história é Batman: Veneno. Publicada originalmente no Brasil na série “Um Conto de Batman”, esse encadernado também é uma espécie de prelúdio tanto para a origem do vilão Bane, como para os acontecimentos da saga A Queda do Morcego. Ela conta como o Batman acaba recorrendo às drogas para que o deixem mais forte. Isso depois de ter passado por um trauma de não ter conseguido salvar uma menina, filha do fornecedor da droga para a máfia. Mas ao passar a consumir a droga, o Batman não apenas fica terrivelmente viciado, mas também acaba sendo envolvido em um esquema de manipulação e coerção. Tudo isso porque, na remota ilha de Santa Prisca, existe um plano para se construírem supersoldados forte, resistentes, e incrivelmente obedientes, tais como máquinas. Um quadrinho muito bem feito, viu?

MAGneverdie

NEVER DIE CLUB, VOLUME 1: O ANTI-BUDA DE HAVANA, DE MARCELLO FONTANA, THONY SILAS, PAULO TORINNO, ALEX LINS E LAÍS BICUDO

Quando comecei a ler este quadrinho, feito no Brasil, eu estranhei a escolha do processo de colorização. Mas depois, com o andar da leitura, eu entendi que aquelas cores mais diferentosas, fora dos contornos, serviam como uma parte narrativa da estética. Como os desenhos de Thony Silas são do estilo feito para o mercado americano (tanto que ele trabalha lá na gringa com a linha dos X-Men), os cenários do quadrinho são latino-americanos e europeus e a origem dele é brasileira, uma colorização que transborda as fronteiras do traço acaba sendo ideal. Multicultural até, como os personagens que formam o “Never Die Club”, que é perseguido por uma facção atual dos Cavaleiros Templários. Sem dúvida é um quadrinho cheio de mistério e ação e que vai se desenrolar por vários volumes, pois precisamos saber muito ainda sobre esses personagens. Uma coisa que me deixou incomodado é a diferença entre a primeira parte e a parte 1.5. Elas deveria seguir a mesma estética, tanto na colorização quanto no letreiramento que, na segunda parte, ou 1.5, parece bem mais resolvido esteticamente. Never Die Club não é apenas um quadrinho brasileiro, mas um quadrinho que transborda fronteiras, estéticas e culturais.

MAGinimigosimaginarios

INIMIGOS IMAGINÁRIOS, DE TIM SEELEY, STEPHEN MOLNAR E QUINTON WESTON

Cara, que desenhos incrivelmente bem feitos, que conceitos visuais incríveis para os inimigos imaginários. O trabalho de Stephen Molnar realmente dá uma outra dimensão e um outro impacto para essa HQ. Caso ela tivesse sido feita com os desenhos “feios” do início da Vertigo, provavelmente não se sairia tão bem. Afinal, o roteiro não é assim tão fácil de se entender. Essas histórias com condições imaginárias da existência gostam muito de brincar com o que é real e o que é uma produção metal, então elas vão e voltam no que querem dizer com isso várias vezes. O trabalho de Tim Seeley, entretanto, é cativante, seus personagens são assim desde que acompanho o seu trabalho em personagens do universo do Homem-Morcego. Contudo, Inimigos Imaginários também parece ter caído no esquema “vamos encerrar logo essa série porque todo o selo Vertigo vai acabar, então condensa tudo que tu ia desenvolver em um monte de edições em apenas seis”. E então, muitos desenvolvimentos que poderiam ser mais bem estruturados e explicitados ficam para trás. Infelizmente, Inimigos Imaginários é um quadrinho com muito potencial, mas que não chega lá.

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PRELÚDIO PARA O ARANHAGEDOM, DE VÁRIOS AUTORES

Olha, sinceramente, eu gostei mais desses prelúdios que abrem o Aranhagedom, do que os prelúdios que abrem o Aranhaverso. Preciso explicar. Quando a série do Aranhaverso surgiu, a Marvel publicou sob forma do título “Prelúdio para Aranhaverso”, cinco edições apresentando cinco aranhas de cinco universos diferentes, entre eles a Gwen-Aranha e a Peni Parker. Mas foram edições xoxa, viu? As edições que compõem esse compilado de Prelúdio para Aranhagedom são mais divertidas e mais bem elaboradas. Principalmente a história que abre esse especial que é a do Punk Aranha. Ele precisa combater Kang, o Conglomerador. Ou seja, é um bom e velho combate do punk: anarquia versus capitalismo (ironicamente, feito por uma das empresas mais capitalistas do mundo, a Disney). Também temos outras versões divertidas do Aranha como o Tio Ben que vira Homem-Aranha e combate o crime ao lado do sobrinho, o Homem-Aranha Norman Osborn maligno, mais uma história de Peni Parker e o primeiro e único volume de Superior Octopus, mostrando o Doutor Octopus no corpo de Peter Paker, dessa vez, se estabelecendo em São Francisco.

MAGwho

DOCTOR WHO: OS QUATRO DOUTORES, DE PAUL CORNELL, NEIL EDWARDS E IVAN NUNES

Eu definitivamente não conheço Doctor Who. Não assisti a um episódio de uma temporada sequer. Mas sempre tive bastante simpatia pela série, que existe na Inglaterra desde os anos 1960, arrastando e renovando multidões de ingleses. Então resolvi dar uma olhada nesse encadernado, uma por curiosidade e outra porque confio na equipe criativa de Paul Cornell e Neil Edwards, que já fizeram trabalhos muito legais tanto na Marvel como na DC Comics. Assim, me deparei com uma trama que é divertida, mas ainda assim de difícil acesso para quem não tem conhecimento prévio dos elementos da série ou ainda das temporadas e de cada doutor e o que faz deles serem únicos, mas serem o mesmo ao mesmo tempo. Por isso, Doctor Who: Os Quatro Doutores, não é muito indicado para leitores de primeira viagem como eu, que não estão acostumados com os meandros da série. Possivelmente, por outro lado, os fãs das séries irão adorar esse quadrinho principalmente por possibilitar a reunião de quatro doutores diferentes numa mídia diferente que são os quadrinhos. Os desenhos de Edwards com as cores de Nunes estão mais fascinantes que nunca.

MAGuniversosCRUZANDO UNIVERSOS: REPRESENTAÇÕES DOS SUPER-HERÓIS NO TEMPO PRESENTE, DE MICHEL SILVA (ORG.)

Acompanhei a feitura e preparação deste livro – sobre super-heróis presentes nas séries de televisão, da Marvel e da DC Comics – de perto. Claro, um dos motivos foi porque escrevi dois artigos nele, um deles sobre Jessica Jones e outro deles, em parceria com o Jefferson Jacques, sobre a Batwoman. Diferente da maioria dos livros de artigos, este encontra um equilíbrio para o lado positivo. Artigos bem escritos e bastante interessante, jogando novas luzes sobre seus objetos de estudo. Claro, eu me excetuei de avaliar nesta resenha os artigos que eu estou envolvido. Textos muito legais levantam o conceito de gentrificação em Demolidor, de crossovers no Arrowverse, de lar e ato heróico em Os Defensores. Mas algumas coisas me incomodaram em alguns artigos que são muito herméticos para o público em geral e o papel da academia é abrir seu conhecimento para os demais. Outro problema que reparei foram citações em outras línguas que se mantém no original e não são traduzidas, outro fator que também deixa mais distante o acesso aos textos por parte do público leigo. Falta uma unidade de estilo no livro. Afora estes dois artigos, o livro é um belo começo para os fãs das séries de televisão da Marvel e da DC Comics se aventurarem por águas mais profundas.

MAghulk

COLEÇÃO HISTÓRICA MARVEL: O INCRÍVEL HULK, VOLUME 12, DE BILL MANTLO, SAL BUSCEMA, DANNY BULANADI, GERRY TALAOC E ALAN KUPPERBERG

A gente pensa que não, mas a arte-final tem uma grande importância na feitura de uma história em quadrinhos. Neste volume 12 de Coleção Histórica Marvel: O Incrível Hulk, podemos reparar que houve um maior cuidado na arte-finalização da arte de Sal Buscema comparada com as demais edições desta coleção histórica. Sal vem fazendo a arte do Hulk desde o número 1 dessa coleção, portanto, há quase 100 edições e nunca a arte dele este mais valorizada do que com essa finalização. Está muito bonito de se ver e de se ler. Bom, neste volume, o Hulk que havia revertido à inteligência do doutor Bruce Banner, agora vem sofrendo uma interferência mental em seus sonhos, do mestre Pesadelo, que vem forçando ele a ficar mais irascível e furioso, até que o Hulk se apossa novamente de seu corpo. Depois de enfrentar heróis como Tocha Humana, Homem-Aranha, Punho de Ferro e Luke Cage e até os Vingadores, numa onda de destruição, o Doutor Estranho se vê obrigado a tomar uma solução drástica e envia o Hulk para um lugar onde não poderá ferir mais ninguém: A Encruzilhada. Agora vai ter início uma das mais elogiadas fases do gigante esmeralda. Basta saber se a Panini vai continuar a coleção histórica para esta saga, ou se vai dar uma outra roupagem para estas histórias.

MAGorixas

CONTOS DOS ORIXÁS, DE HUGO CANUTO

A ideia do Hugo Canuto de mesclar os deuses do panteão iorubá com os quadrinhos de Jack Kirby foi sensacional, tanto que este quadrinhos foi altamente antecipado tanto pelos entusiastas das religiões afro como pelos fanáticos dos quadrinhos. Antes deste quadrinho ele lançou um compilado com um preview da HQ e alguns pôsteres dos personagens. Que ele ia trabalhar e fazer uma homenagem aos orixás através do super-heróis, eu já tinha em mente. Mas lendo o quadrinho eu percebi também o movimento inverso: Canuto também faz uma bela homenagem aos universos criados por Jack Kirby através dos Orixás. Estão ali alguns elementos do Quarto Mundo e de Thor. Claro, as lendas são universais e pude perceber que dentro da pesquisa extensa que Hugo Canuto fez sobre os orixás está ali, entre as várias bibliografias, o influentíssimo livro de Joseph Campbell, O Poder do Mito. Contos dos Orixás, então é uma celebração não apenas de um panteão que teve de se imiscuir com outros deuses para serem louvados, mas de uma forma de arte, os quadrinhos, que, para ser louvada teve que também fazer pactos com seus irmãos mais influentes, que são o cinema e a televisão! Eparrei!

MAGretwolvie4

O RETORNO DE WOLVERINE, VOLUME 4, DE CHARLES SOULE, RAMON ROSANAS, TOM TAYLOR, R. B. SILVA, MARIKO TAMAKI, MATTEO BUFFAGNI, VASILLI LOLOS, BUTCH GUICE E OUTROS ARTISTAS

As coisas melhoram em qualidade nesse quarto volume (de seis), de O Retorno de Wolverine. A começar pela capa de Marco Checchetto, belíssima. A edição que traz o final das aventuras dos Vingadores é tão boa quanto a primeira e menos enrolativa que as duas do meio. O mesmo não pode se dizer da minissérie com os inimigos de Wolverine. Muito chata. O Daken morre pela milésima vez e Lady Lethal perde uma mão. A minissérie com Demolidor e os vigilantes manteve seu ritmo e qualidade ao longo da publicação. Mas o destaque neste volume, que também traz uma história solta e curta de Wolverine desenhada pelo grego Vasilli Lolos, é a edição única Sem Saída, que encerra as quatro minisséries dando, então, abertura para uma nova: The Return of Wolverine. Essa mini, então, vai contar como, por que e por quem Wolverine voltou da morte. A Panini ainda deve rechear as duas edições seguintes com alguns materiais do velho carcaju ainda inéditos no Brasil, agora, o que exatamente, não sabemos ainda. Só quando a revista sair na banca, como é o costume dos leitores ficarem sabendo das publicações estipuladas pela dona Panini Comics Brasil.

MAGpaper

PAPER GIRLS, VOLUME 3, DE BRIAN K. VAUGHAN E CLIFF CHIANG

Gente, eu realmente adoro o Brian K. Vaughan e fico meio perdido em me decidir em saber se é muito bom ou muito ruim que ele não esteja escrevendo para uma Marvel ou DC Comics da vida. Mas os seus trabalhos independentes como Saga e este, Paper Girls, estão arrebentando. Neste terceiro volume acabamos tendo algumas pistas a mais sobre o que essa história que Brian e Cliff Chiang estão querendo nos contar. Ela envolve o nascimento da figura histórica mais importante do Ocidente, ao menos para suas principais religiões. Um mito de nascimento que vai ser reestruturado por Vaughan e Chiang, na presença das nossas quatro espertíssimas meninas jornaleiras. Mas se esse volume planta algumas possíveis soluções, ele estabelece muita mais possíveis complicações na trama, como viagens no tempo e previsões do futuro. Sim, é complicado, mas a maneira como Vaughan e Chiang estabelecem a coisa, parece tão mais simples. É um quadrinho fluido e fácil de ler e até as letrinhas em caixa baixa têm seu charme na equação toda. A Devir também tem feito um bom trabalho em trazer a HQ regularmente para as livrarias brasileiras.

MAGdanacao

PUNHO DE FERRO & ARANHA ESCARLATE: DANAÇÃO ESPECIAL, DE PETER DAVID, ED BRISSON, WILL SLINEY, DAMIAN COUCEIRO E OUTROS ARTISTAS

Este especial reúne dois tie-ins de dois títulos no evento místico-demoníaco do Doutor Estranho, chamado Danação. O especial traz quatro histórias do Aranha Escarlate Ben Reilly e três histórias do Punho de Ferro Danny Rand. Por incrível que pareça, esse é o melhor encadernado envolvendo o evento Danação – os outros dois são a minissérie e o encadernado do Doutor Estranho. Apesar disso, é impossível não notar como os desenhos de Will Sliney desevoluiram a partir de seu trabalho em Homem-Aranha 2099 e, depois, no próprio título do Aranha Escarlate. Estão muito ruins. Melhores mesmo são os roteiros de Ed Brisson em que coloca o Punho de Ferro Danny Rand em um lata mano a mano com diversas almas condenadas no Cassino Inferno. Uma sombra do seu passado, envolta em culpa e remorso também acaba dando as caras e unindo forças com Danny e o Vultoso Cobra para tentar acabar com o domínio de Mephisto sobre Las Vegas. Esse encadernado foi mais uma decisão acertada da Panini, que colocou esses tie-ins da saga Danação no mesmo encadernado, formando um compêndio diferente da edição original.

MAGworstxmen

X-MEN: WORST X-MAN EVER, DE MAX BEMIS E MICHAEL WALSH

X-Men: The Worst X-Man Ever acompanha a vida de Bailey Hoskins, que acaba se considerando um pária entre os párias. Isso porque ele se descobre mutante, mas acaba não se encaixando entre eles, porque seu poder o faz parecer humano demais. Bailey, que sempre foi, em sua escola de ensino médio, aquele carinha que não se destacava em nada, achava que ao saber que era um mutante poderia mudar a sua vida para melhor. Ele só não sabia que seu poder mutante era poder explodir. Uma única vez. E morrer. Será que esse poder o diferenciava dos demais? Será que ele poderia ser um salvador ou será que teria que seguir a música do David Bowie à letra e saber que “we can be heroes, just for one day”? Vale dizer que o desenhista Michael Walsh tem um estilo atemporal, que parece retrô e contemporâneo ao mesmo tempo e por isso funciona em uma história tão louca em teor e em cronologia narrativa. Também é importante levar em conta que Max Bemis, o roteirista é, além de roteirista vocalista de dois projetos musicais, um lutador contra a sua bipolaridade, que ele costuma mostrar em quadrinhos como em sua fase no Cavaleiro da Lua.

Leia aqui uma resenha completa sobre O Pior X-Man do Mundo!

MAGhqbre

O QUE É HISTÓRIA EM QUADRINHOS BRASILEIRA, DE EDGARD GUIMARÃES (ORG.)

É evidente que o estudo de quadrinhos carece de um maior aporte bibliográfico. É também evidente que um dos assuntos menos visado em pesquisas de quadrinhos no Brasil é quadrinho brasileiro. Pensar, então, o quadrinho brasileiro como um objeto de estudo macro, como um todo e uma massa homogênea é ainda mais difícil nesse panorama. Claro, temos de levar em conta que a identidade, a memória cultural e os imaginários sociais são conceitos em permanente mutação. Nenhum deles é estanque e estão sempre sendo reconfigurados à medida que a sociedade progride ou, pior, regride. Contudo, o esforço de pensar a identidade dentro do quadrinho brasileiro é importante para fortalecer a cena de produção e circulação dessas mercadorias culturais. Por isso o esforço deste livro organizado por Edgard Guimarães possui um valor pioneiro por pensar nessa direção. Embora o livro tenha alguns problemas de posicionamento e de metodologia de pesquisa, e também esteja pensando o Brasil de 2004, mesmo com a revisão histórica e de estado da arte, ele cumpre um papel importantíssimo ao revelar os quadrinhos brasileiros. O destaque da publicação vai para o artigo de Henrique Magalhães que estuda as tiras em quadrinhos de uma forma que não escape o rigor acadêmico em achismos e certezas, ou declarações raivosas, como fazem alguns dos demais.

MAGinfinitas

GUERRAS INFINITAS, VOLUME 3, DE GERRY DUGGAN, AARON KUDER, MIKE DEODATO JR., CHRIS SIMS, CHAD BOWERS, JIM STARLIN, E OUTROS ARTISTAS

Essa saga da Guerras Infinitas (uma homenagem e uma janela de oportunidade de lucrar com o filme Vingadores: Guerra Infinita, pela Marvel), tem até se saído melhor do que a encomenda. A maneira como a Panini escolheu para publicar ela aqui no Brasil também foi acertada. Deixando os tie-ins menos importantes para outros encadernados e concentrando a história principal nessa “minissérie”. Também foi bom terem colocado a minissérie Contagem Regressiva Infinita dentro desses encadernados, diminuindo os riscos de os leitores se perderem nas compras e na cronologia da saga. Gerry Duggan vem fazendo um ótimo trabalho nos Guardiões da Galáxia (muito melhor do que o do Bendis, diga-se de passagem), e a minissérie do Falcão da Noite não está tão ruim quanto poderia soar. Para os entusiastas dos velhos tempos, temos as histórias de Thanos Legado e também uma historinha curta de Natal escrita e desenhada pelo mestre Jim Starlin contando um pouco mais sobre o relacionamento pai e filha de Thanos e Gamora. Esse relacionamento será bastante importante no decorrer da saga Guerra Infinita. Vale acompanhar!

MAGsade

SADE, DE SENNO KNIFE

É estranho ver as histórias do tenebroso e sensualístico Marquês de Sade tornadas em imagens de arte sequencial através de um traço que de certa forma é redondinho, limpo e cute, de Senno Knife. Com certeza esse tipo de história combina com traços mais potentes, mais sujos, mais provocadores. Eu já conhecia algumas destas histórias por outros desenhistas, principalmente os italianos, claro. A História de O, desenhada por Guido Crepax tem outro tom do que a de Senno. Justine, por Milo Manara tem uma eroticidade muito mais apelativa do que o traço tímido e censurado de Senno Knife. Aliás, é um problema dos japoneses de não se aprofundarem no explícito em seus quadrinhos eróticos. Um problema que, ás vezes é solução. Não nesse caso, claro. No final, o quadrinho mais sádico e mais bem elaborado nesta coletânea da Conrad Editora, lançada há muito tempo tempo atrás, não foi uma adaptação de contos do Marquês de Sade. Foi “A Casa das Atrocidades”, escrita por – pasmem! (ou não pasmem!) – pelos Irmãos Grimm, os mesmos autores de contos de fadas como Chapeuzinho Vermelho e A Bela Adormecida. Acreditem se quiserem nessas “atrocidades”! Hehehe!

Veja aqui 10 artistas dos quadrinhos eróticos que você precisa conhecer. 

MAGenjoy

ENJOY THE SILENCE, DE JOÃO EDDIE

João Eddie reúne neste mangá de mais de duzentas páginas diversas histórias em quadrinhos curtas e silenciosas feitas por ele. É difícil a gente encontrar trabalhos brasileiros de mangá que pareça mesmo uma publicação de mangá como aquelas que vêm do Brasil para cá. Geralmente elas tomam um formato híbrido. A do João, certamente poderia concorrer com um mangá vindo do Japão. Afinal, algumas dessas histórias curtas ganharam o Silent Manga Award, o prêmio para mangás produzidos internacionalmente e silenciosos, que é promovido pelo governo do Japão. O traço dos quadrinhos lembram bastante o de Akira Toriyama, de quem, imagino, o João seja grande fã. Das histórias, acredito que quando o autor investe mais nas situações de cotidiano e mais sensíveis, ele acaba se saindo melhor do que naquelas que são mais estrambólicas, com ficção científica e fantasia. Mas fica a dica: se você quer ler um mangá produzido no Brasil com a mesma qualidade ou melhor que aqueles feitos no Japão, Enjoy The Silence, de João Eddie é uma grande pedida. Você vai aproveitar o silêncio como nunca!

MAGmemory

COMICS MEMORY: ARCHIVES AND STYLES, DE MAAHEEN AHMED E BENOÎT CRUCIFIX

Este livro trata da relação dos quadrinhos com a memória. Mas não é da maneira que estamos acostumados a estudar do ponto de vista da memória coletiva, nos estudos da memória. Claro, ele envolve isso também, mas dá mais lugar para as memórias envolvendo quadrinhos, de como um coleção pode trazer diversas memórias para seu possuidor e de que tipo de reações se lembrar da continuidade de uma história pode provocar no leitor enquanto consumidor. Ele também traz análises de outros quadrinhos que, biográficos ou autobiográficos, tratam da representação gráfica da vida de alguém, como o caso do álbum O Fotógrafo, de Emmanuel Guibert et. al.. Ele fala dos arquivos públicos de lugares que mantêm acervos de quadrinhos e que estratégias eles tomam para a sua conservação. Enfim, este Comics Memory: Archives and Styles, dos pesquisadores Ahmed e Crucifix é uma seleção de artigos bastante diferente das comumente encontradas por aí. Isso porque acaba encarando a memória de uma forma diferente do que também a maioria dos livros sobre memória a encaram. Na junção dessas duas maneiras inusitadas surge um livro único.

MAGchewbacca

STAR WARS: CHEWBACCA, DE GERRY DUGGAN E PHIL NOTO

Sabe aquele filmes que a gente via quando criança que o menino ou a menina tem um bichinho e com ele eles enfrentam grandes aventuras e aprendem valiosas lições sobre amizade e resiliência e saem mudados no final? Mais ou menos assim é essa HQ do Chewbacca e, sim, claro que o bichinho em questão aqui é o Chewie. Nessa história ele ajuda uma menina a libertar seu pai que está prisioneiro de um tirano e, de quebra, ainda Chewbacca ajuda a ela a acabar com a tirania que domina o seu planeta. É um quadrinho que cumpre a sua função, mas traz uma história nada surpreendente, bem mediana como esses filmes de bichinho e criança estilo Sessão da Tarde com o respaldo da franquia de Star Wars. O que vale sempre destacar é o trabalho desse cara incrível, que é o Phil Noto, que tem uma arte que me conquista muito. Além disso, ele também tem uma narrativa de quadrinhos bastante eficiente. Mesmo quando ele varia de estilo, deixando a arte final mais pesada que as cores, como ele tem feito no Demolidor, a sua arte é eficaz e impactante. Também é impressionante o volume de produção de Noto, sempre presente na indústria dos quadrinhos.

MAGcacador

RICHARD STARK: PARKER, O CAÇADOR, DE DARWYN COOKE

Bom, preciso dizer que a história desta edição não é lá muito empolgante e nem muito elaborada, mas meninos, mas meninas, mas meus amigos, a arte de Parker: O Caçador é de babar. É impressionante como o trabalho de Darwyn Cooke neste livro em quadrinhos estava no seu auge. Ele consegue imprimir para a história um ritmo narrativo incrível, com uma aula de narrativa em quadrinhos. A arte em si com seus pincéis rebuscados, com a colorização duotone e o uso do papel pólen na edição são praticamente uma viagem para os anos 1960, quando essa estética estava em voga. Outra coisa que vale mencionar é que por mais que as histórias de Parker lembram o clima e a atmosfera das do Agente 007 por Ian Fleming, a verdade é que Parker está mais para um James Bond do mal do que para um agente secreto cheio das artimanhas. Dizem que as adaptações dos romances de Richard Stark por Darwyn Cooke vão ficando melhores conforme avançamos nos volumes. Cooke só conseguiu produzir quatro dessas adaptações, tendo sucumbido para o câncer sem conseguir concluir as adaptações de todos os diversos romances de Parker por Richard Stark.

MAGdemolidor

DEMOLIDOR: VOLUME 19, DE CHARLES SOULE, PHIL NOTO E VÁRIAS ARTISTAS

A Panini Comics produziu neste encadernado do Demolidor, um mix de histórias que não existe em nenhum outro lugar do mundo. Este encadernado inclui o arco de histórias em que o irmão gêmeo de Matt Murdock, Mike Murdock retorna. Mas se todos achavam que Mike estava morto e Matt tinha a certeza que Mike foi um estratagema para ele explicar a identidade secreta do Demolidor há anos atrás, quem é esse cara que é igual a Matt? Um robô? Um clone? Bem, depois dessas histórias, a Panini incluiu os especiais de Demolidor e de Viúva Negra ligados com Guerras Infinitas também nesse encadernado. Esses especiais são bem bobinhos e dispensáveis. O que importa mesmo é o arco de Mike Murdock com a linda arte de Phil Noto. A capa que a Panini usou para este encadernado com a arte digital de Clayton Crain acabou ficando com uma impressão escurecida demais, principalmente pelo papel utilizado e o uso de prolan na capa. Quase não podemos ver o rosto de Tucão nela. Assim, este encadernado de Demolidor continua na mesma média das histórias feitas por Charles Soule, nem muito ruim, nem muito boas. Histórias ok.

MAGhype

THE HYPE, DE MARCEL IBALDO E MAX ANDRADE

Sabem aquelas histórias que quando tu lê tu pensa “nossa, eu queria ter tido essa ideia, eu queria ter escrito essa revista”? Pois bem, The Hype é um desses casos. É a história de um professor de cursinho que acaba envolvido nas tramas do Hype, ou seja da organização que vai decidir o que vai se tornar hype e aquilo que todos nós vamos ser (de certa forma) obrigados a consumir. Então se seguem uma luta pelo poder de influenciar o professor Mauro: se ele será controlado pela organização The Hype ou ainda por aqueles que vão contra esse grande poder de “influenciar pessoas e fazer amigos”. Uma história que dá um baita dum gostinho de quero mais no final, para desenvolver mais esse universo não muito distante do nosso em que os seres humanos são controlados por modinhas e legalzices momentâneas. Os desenhos de Max Andrade combinam muito bem com os argumentos e roteiros de Marcel Ibaldo. Não foi à toa que The Hype ganhou o 29º Troféu HQ MIX como melhor publicação independente de edição única em 2016. Fica, então, no finalzinho desta miniresenha, meu apelo para que o universo de The Hype tenha uma continuação!

MAGxmen

PARA ALÉM DOS X-MEN: EMBATES E REPRESENTAÇÕES DO UNIVERSO MUTANTE, DE MICHEL SILVA (ORG.)

Quem me conhece sabe o quanto eu sou fanático pelos personagens e histórias dos X-Men. Imagine então qual a minha decepção de não ter podido participar com um texto de um livro que faz análises acadêmicas da minha equipe de super-heróis favoritos? Bom, para falar do livro em si, primeiro eu preciso dizer que ele se foca mais nas produções audiovisuais dos personagens, mas é sobre elas que estão feitos os melhores textos deste livro. Dois feitos por portugueses, um examinando o filme Logan e outro pensando a transmediatização dos X-Men nos cinemas e outro deles estudando as campanhas de divulgação do filme do Deadpool. Dois outros textos se destacam no livro, mas por sua linguagem de difícil entendimento. Um deles que fala sobre o corpo dos mutantes e o outro que fala das condições pós-humanas sobre a personagem X-23. Então, assim como num reality show, temos os destaques positivos e os destaques negativos, cada qual por suas razões. Os demais, não se destacam, e estão salvos para o próximo programa, mas também não levam prêmio. Como sabemos, livros de artigos feitos por diversas pessoas são assim, praticamente como avaliar um grupo que faz parte de um reality show: cada participante tem as suas forças e fraquezas. Bem-vindo aos X-Men, espero que você sobreviva à experiência!

MAGbill

BILL FINGER: A HISTÓRIA SECRETA DO CAVALEIRO DAS TREVAS, DE DIEGO MOREAU, DOUGLAS FREITAS, SANDRO ZAMBI E ITALO SILVA

Por uma produção totalmente brasileira, vem Bill Finger: a história secreta do Cavaleiro das Trevas. Com roteiro de Diego Moreau e Douglas Freitas, arte de Sandro Zambi e cores de Ítalo Silva, este quadrinho tenta fazer justiça a um dos criadores do Batman que passou mais tempo do que a própria vida sem ser reconhecido. Isso porque o então único criador do Batman, Bob Kane, reunia todo o mérito da criação para si mesmo. Na biografia de Finger podemos ver como ele foi essencial para a criação do Batman, mas não apenas o Homem-Morcego, mas Robin, Coringa e a Mulher-Gato, por exemplo. Isso porque na época da criação do Batman, esse processo de outros trabalharem sob o nome de um criador era comum. O uso da linguagem dos quadrinhos é mais bem realizado pelos brasileiros, que trabalham cada página como se fosse um caso especial, mas sem cansar o leitor, como alguns quadrinhos que usam esse recurso fazem. Se você gosta do Batman, se gosta da história dos quadrinhos ou quer ficar por dentro dos bastidores da criação de grandes ícones do imaginário social, este quadrinho é bastante indicado.

Leia aqui uma resenha que compara as biografias de Bill Finger e Joe Shuster. 

MAGpreto

PRETO E BRANCO, VOLUME 2, DE TAIYO MATSUMOTO

“Garotos malcriados na cidade feia. Meninos abandonados na cidade perdida. garotos mágicos na Cidade do Tesouro”. Seria essa uma descrição boa para Preto e Branco? Possivelmente. Neste segundo volume a dupla começa enfrentando outros irmãos: dia e noite, que tem o símbolo de um sol e uma estrela no rosto. Mas esse combate acaba chamando a atenção dos grandes mafiosos da cidade, que passam a perseguir Preto e Branco pela cidade feia até que conseguem separar a dupla de alguma forma. Branco vai parar no hospital, Preto fica indolente. Quando Branco se recupera, é afastado de Preto que, para o bem do irmão, prefere não interferir. Este segundo volume não me pareceu tão legal quanto me pareceu o primeiro volume, que me empolgou para valer. Na verdade, esta continuação só começa a esquentar mesmo a partir do momento que Branco faz a sua luta e vai para no hospital. Ali as coisas ficam interessantes. Mas o volume acaba com um promessa de continuação, que vai encerrar a saga de Preto e Branco no terceiro volume. O grande problema para mim é que não acho esse terceiro volume para vender com um valor ok. Quem sabe eu encontre?

MAGte

TÊ REX: SPOILERFOBIA, DE MARCEL IBALDO E MARCELLI IBALDO

Há uns dez anos atrás, quando o cartunista João Montanaro, começou, aos 12 anos a publicar seus quadrinhos, ele foi enormemente celebrado pela mídia especializada como um gênio mirim. O resultado foi que ele começou a publicar tirinhas regulares em diversos jornais do país. A autora de Tê Rex, Marcelli Ibaldo, começou suas tirinhas em 2014, quando tinha sete anos, ao lado do pai, Marcel Ibaldo. Com um traço lindo, limpo, com aquarelas bem feitas e cheias de cuidado e o humor emprestado do pai, ela se divulgava na internet. Até ser publicada nesta coletânea pela AVEC Editora. Contudo eu não vi a mesma celebração de Marcelli como uma gênio mirim pela mída especializada. Das duas uma, ou deve ser porque ela é menina num “men’s men’s world” ou porque ela é gaúcha e está longe do eixo cultural brasileiro para ser celebrada. Imagino que a segunda opção não seja válida, já que ela publica seus quadrinhos também na internet. Assim vemos que o machismo também está incrivelmente presente na nossa mídia especializada em quadrinhos que, quando chega o momento de fazer realmente a diferença, apoiando uma menina que está começando sua carreira, não o faz. Por isso, leiam a Tê Rex, ela vai fazer você gargalhar muito mais, vai fazer você se identificar melhor e vai ser melhor desenhada do que um quadrinho de menino. E tenho dito!

MAGdesafiador

DESAFIADOR: RETORNO À ETERNIDADE, DE ANDREW HELFER E JOSÉ LUIZ GARCÍA-LÓPEZ

Nesta edição de Desafiador, que segue as histórias criadas por Neal Adams e depois desenvolvidas no encontro de Boston Brand com o Batman, quando ele passa a “habitar” o corpo de seu irmão Cleveland Brand, temos um destaque muito maior para a arte que para o roteiro. Isso porque a arte é feita pelo virtuose e marca-registrada da DC Comics, o desenhista José Luiz García-López. Aqui percebemos que López incorporou bem a experimentalidade narrativo-mainstream que Neal Adams aplicava em seus trabalhos para a Marvel e DC Comics, produzindo lindos layouts de páginas de uma fluidez e desenvolvimento difíceis de encontrar mesmo nos trabalhos de Adams. Além disso se pode perceber outras influências dessa vanguarda narrativista dos quadrinhos como Jim Steranko e principalmente Jim Starlin, no que tange à visualização das cosmicidades e misticalidades de alguns conceitos como os da “deusa” Rama-Krushna. Desafiador: Retorno à Eternidade é uma publicação inusitada, que não estaria disponível à toa no catálogo da Panini Comics e nem é um quadrinho muito visado, mas a narratIva de García-López vale cada centavo.

MAGhell

HELLBOY: O VERME VENCEDOR, DE MIKE MIGNOLA

Este é considerado um dos melhores encadernados de Hellboy por muitos de seus leitores e seus fãs. Bem, eu achei esse um belo encadernado, mas não achei a melhor de todas as histórias de Mike Mignola e nem mesmo as melhores de Hellboy. Contudo é um bom exemplo de como funcionam as suas histórias, apoiadas em diversos elementos sobrenaturais próprios, criados para a série ao lado das lendas e mitologias pré-existentes no nosso mundo. Além disso, Hellboy é bastante calcado na Segunda Guerra Mundial, o que coloca o personagem sempre em rota de colisão com feiticeiros e cientistas nazistas e nazistas-feiticeiros-cientistas, como no caso deste álbum. Nele também temos a primeira aparição do personagem Lagosta Johnson, um dos grandes heróis míticos do universo de Hellboy, que por ter sido um herói também publicado nas revistas pulps, muitos acreditam que ele, na verdade não existiu. Hellboy: O Verme Vencedor acrescenta muitos e diversos novos elementos para a mitologia do Vermelhão talvez essa seja a razão de ter conquistado tantos corações e mentes mundo afora e seja considerado tão bom assim.

Piores

MAGastrocity

ASTRO CITY, VOLUME 11: VIDAS PRIVADAS, DE KURT BUSIEK, BRENT ANDERSON, ALEX ROSS E GRAHAM NOLAN

Não sei se sou eu que estou ficando mais chato ou se as histórias de Astro City estão ficando mais ruins. Mas esse encadernado de número onze não me agradou tanto quanto os outros que li. A parte de A Era das Trevas também não foi tão agradável de ler assim. Para dizer que também o encadernado não é tão sem graça assim, as histórias da Iniciada de Prata, uma versão do Doutor Estranho de Astro City, e o arco “Os Amigos da Ellie”, sobre uma vilã tecnológica reformada são até gostosinhas de se ler. Também vale mencionar que este encadernado, Vidas Privadas, é o primeiro encadernado em que não temos a arte totalmente feita pelo veterano Brent Aderson. Em uma das histórias, sobre o Ladrão de Casaca, quem assume a arte é Graham Nolan, cujo traço não se assemelha ao de Anderson. A razão dessa escolha, não se sabe, mas é um outro sinal de que as coisas estão mudando para as bandas de Astro City, não é mesmo? E, claro, o meu avanço na idade também é um sinal de que o mundo está ficando mais chato e sem graça também. Ainda temos muito de Astro City para ser publicado aqui no Brasil, espero que melhore daqui para frente.

Leia aqui um artigo sobre a Astro City de Busiek, Ross e Anderson. 

MAgthor

THOR: O DEUS DO TROVÃO RENASCE, DE JASON AARON, MIKE DEL MUNDO E CHRISTIAN WARD

Escrevi um texto no blog falando sobre o fenômeno do Thor Gordo e como ele deu uma maior sensibilidade para o Deus do Trovão. Por outro lado, o Thor de Jason Aaron possui um déficit dessa sensibilidade que o Thor Gordo levou para os cinemas. Mesmo com a Thor de Jane Foster tendo passado a duplicidade originária do Thor na fase em que ela ergueu o Mjolnir, o Thor que retorna agora é novamente o típico macho positivista: irascível, grosseiro, exagerado, porradeiro e tudo mais que vem no pacote. É, claro, um personagem típico das histórias de Jason Aaron, que já fez outros brucutus como Wolverine, Conan e etc. terem o mesmo tipo de comportamento macho alfa e uma necessidade tremenda de afirmação de sua masculinidade. São os tempos em que vivemos, com essa crise de o que significa ser homem, alguns homens precisam se provar o tempo inteiro como machochôs soberanos do mundo. E o Thor de Aaron deixa isso bem evidente. As histórias são mais do mesmo. Os desenhos de Michael Del Mundo servem muito bem para capas, mas ficam bastante incompreensíveis em uma narrativa de quadrinhos. Existem artistas que só servem para capas mesmo. E não tem nada de errado com isso, muito pelo contrário.

Leia aqui um post sobre as versões do Thor, o Thor de Aaron e o Thor Gordo. 

MAGarchie

ARCHIE, VOLUME 2, DE MARK WAID, VERONICA FISH, THOMAS PITILLI E RYAN JAMPOLE

Não sei muito bem o que pensar sobre esses quadrinhos do Archie feitos pelo Mark Waid. Se por um lado eu adoro a dinâmica que é estabelecida pelos personagens, por outro lado não estou bem certo se gosto do tom adotado para a série. Como eu nunca li as histórias originais do Archie – e toda uma geração aqui no Brasil passou alheia ao personagem – eu não tenho como saber se está estabelecendo o mesmo tom delas ou não. Sei que não tem muito a ver com a série de televisão Riverdale que adapta esse universo. As histórias me parecem exageradas demais e um pouco desnecessárias. Nesse segundo volume, em que não temos mais mesmo os desenhos da virtuose Fiona Staples. Com os desenhos de Veronica Fish e companhia, o ritmo, a narrativa e o desenhos acabam por ficar mais caricatos, dando uma impressão mais boba e mais efêmera para as histórias, quando um desenho um pouco mais trabalhado poderia dar uma outra sensação para a história. A divisão entre quatro parte de uma revista só também me incomoda bastante. O resultado é que não estou muito empolgado para comprar uma continuação a não ser pelo baita cliffhanger que fica ao final.

Veja neste post um mapa de publicações de Archie no Brasil e descubra seus nomes esdrúxulos!

MAGsupersons

AS AVENTURAS DOS SUPER FILHOS, DE PETER J. TOMASI E CARLO BARBERI

Caramba, gente! É o festival da HQ mediana! Nossa, e isso porque eu estou sendo bonzinho com essa aqui dos Superfilhos, por que ela não é nada empolgante. Em primeiro lugar porque mudaram os desenhos regulares dos personagens, que eram feitos pelo colírio dos desenhos Jorge Jimenez e agora são feitos pelo desenhista tapa-buraco do Carlo Barberi (que muito tapou buracos na revista do Deadpool). O argumento também não ajuda muito fazendo os Superfilhos, Jonathan Kent e Damian Wayne enfrentarem versões kids dos vilões da DC Comics. Depois, eles acabam tendo a ajuda do Kid Coringa, viajam entre planetas, viajam entre dimensões, vão parar na Mansão dos Mistérios Secretos e encontram versões suas mais velhas e bem mais gordas (!) com filhos. Uma mistureba do caralho! Se ao menos fosse uma mistureba engraçada, como às vezes esse tipo de história é (até mesmo as do Deadpool), seria válido, mas foi feito de uma maneira tão chata e água com açúcar que, sinceramente? Não dá vontade nenhuma de acompanhar a segunda edição. E como estou em contenção de gastos é isso que vou fazer mesmo

MAGretwolvie3

O RETORNO DE WOLVERINE, VOLUME 3, DE CHARLES SOULE, MATTEO BUFFAGNI, JIM ZUB, THONY SILAS, TOM TAYLOR, R. B. SILVA, MARIKO TAMAKI E BUTCH GUICE

A publicação que traz as várias minisséries referentes ao Retorno de Wolverine para o Universo Marvel continua na sua terceira edição em um nível bem mediano. A pior de todas as minisséries é aquela escrita por Mariko Tamaki, que traz os inimigos de Wolverine enfrentando uma cidadezinha tomada por uma praga zumbi. Depois dessa, vem a escrita por Tom Taylor, com o Homem de Ferro, Homem-Aranha, Luke Cage e Jessica Jones enrolando em um leilão pelo DNA do Wolverine. As melhores são as investigações de Demolidor, Cifra, Frank McGee e Misty Knight pelo Wolverine ao redor do globo, escrita por Charles Soule e também legal é Mistério em Madripoor que traz a as X-Women tentando encontrar o Caolho em Madripoor. Escrita por Jim Zub e desenhada pelo brasileiro Thony Silas, esta edição trouxe a volta da versão inglesa de Psylocke enquanto vemos que a ninja Kwanon também acabou afetada e retornou. Como vocês podem ver, no fim das contas temos um aproveitamento de cinquenta por cento dessa publicação, com duas minisséries sendo mais ou menos pra ruim e duas sendo boas de acompanhar.

MAGtomb

TOMB RAIDER: CAÇA ÀS BRUXAS, VOL. 1, DE GAIL SIMONE E NICOLAS DANIEL SELMA

Esse quadrinho da Lara Croft, musa dos videogames de 10 entre 10 gamers (inclusive dos gays), é bastante mediano. Mesmo sendo escrito por uma autora de peso como Gail Simone, a arte e o enredo não empolgam muito não. Esse novo quadrinho da Lara Croft e de Tomb Raider foi lançado à época da nova geração do jogo, que apresentou uma Lara mais jovem e com menores atributos peitorais. Mas o que chama a atenção negativamente para essa edição é o (des) cuidado editorial com que ela saiu no mercado. A editora New Pop vende o quadrinho com uma Lara Croft de duas cabeças (perceba que foi um erro no recorte de sobreposição da capa), além disso a letreiração da história em quadrinhos é um fiasco, com letras variando de tamanho e textos se deslocando dos balões de uma maneira que fica difícil o entendimento pelo leitor. A New Pop tem uma vasta tradição de descuido editorial que fariam as paninadas corarem, seja de tradução, mas principalmente no design editorial de suas publicações. Não é o primeiro gibi deles que eu compro que encontro erros crassos. Uma olhada atenta nas provas da gráfica poderia resolver tudo isso. Mas parece que a editora não quer, quer é mesmo manter uma marca registrada com um design que não é feio, mas é mau feito.

MAGmasks

MÁSCARAS: ESTUDOS NARRATIVOS EM ARTE SEQUENCIAL, DE MARCELO BOLSHAW GOMES

Diferente do outro livro que li do mesmo autor, Marcelo Bolshaw Gomes, editado pela Marca de Fantasia, este Máscaras me pareceu seguir um projeto editorial mais disperso, por mais que os super-heróis estivessem no foco de suas preocupações. O primeiro capítulo, Teoria Narrativa e Arte Sequencial me pareceu trazer uma forma de investigar os quadrinhos complicada e intrincada demais para a simplicidade da leitura de uma revista em quadrinhos. Com isso eu não quero dizer que os quadrinhos não possam ser profundos, mas que outros tipos de análises menos esfalfantes podem revelar essa mesma profundidade. Depois o autor passa a investigar os super-heróis, Batman, Superman, Mulher-Maravilha, depois os supervilões e conecta a religiosidade e a ritualidade a todos eles. Por fim, ele tenta estabelecer um quadrado semiológico para as histórias em quadrinhos, mas creio que se o autor reduzir os quadrinhos de super-heróis ao quadrado que sugeriu, dessa forma sim, teremos revelada uma pouca profundidade nas histórias em quadrinhos. O livro teria sido bem mais coerente se o primeiro e último capítulos não estivessem incluídos.


Hey gente! Espero que vocês tenham gostado das nossas discussões aqui. Lembrem-se da dica do He-Man: Gosto é gosto, mas fiquem à vontade para dar suas opiniões! Abraços submersos nas ruínas do castelo de Greyskull! Aproveito para pedir a vocês darem uma olhada na nossa campanha do Catarse, o quadrinho Bem na Fita, sobre videoclipes dos anos 80 e 90 e dar aquele apoio esperto lá! Valeuzes! =)

 

2 comentários sobre “Melhores e Piores Leituras de Agosto de 2019

  1. Oi, Guilherme. Gostei muito dessas resenhas claras, curtas e concisas. Agora vamos trocar ideia! A Devir sempre foi boa com HQs ou isso é algo recente? Explica melhor isso da Vertigo, acabou por quê? E, por fim, adoro tudo em Astro City, porém desanimei após Era Das Trevas e nem comprei esse Vidas Privadas, porém vou pretendo ler. Afinal, Kurt Busiek escreve bem, você não acha?

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    1. Oi Cristiano!

      Depende, o que tu quer dizer com ser boa? Tu diz em seleção de material? Acho que nesse sentido sim, mas sempre foi extremamente careira. A qualidade do material sempre foi boa, mas o preço bastante inacessível. Um problema da Devir desde muito tempo era iniciar séries e nunca acabar elas. O que parece que está mudando nos dias atuais.

      Sobre a Vertigo tem um post chamado “A Vertigo morreu e eu sei quem matou” aqui no blog que tu pode se inteirar sobre isso!

      Sobre Astro City, somos 2 nessa ideia. Mas como eu adoro Astro City e Busiek quero ler pelo menos toda série.

      Abraços!
      =)

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