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Ramona Fradon: Importante Presença Feminina nos Quadrinhos da Era de Prata

A Era de Prata é lembrada como aquela época em que as histórias dos super-heróis assumiram suas formas mais bizarras. Isso porque existia o Código de Ética do Quadrinhos que censurava diversos aspectos das histórias de quadrinhos que hoje em dia estão liberadas. Pense bem: lobisomens, vampiros e mortos-vivos não poderia aparecer, personagens femininas eram desencorajadas para serem usadas pelos criadores, sexo e violência então, nem pensar. Imaginem então como devia ser uma mulher criadora de quadrinhos em tempos como estes. Uma das poucas que se destacava naquela época foi Ramona Fradon, que desenhou diversas histórias de heróis da Era de Prata. Você vai conhecer um pouco mais sobre ela neste post. 

No livro She Changed Comics, organizado pelo Fundo de Defesa Legal dos Quadrinhos (Comic Book Legal Defense Fund – CBLDF) e editado pela Image Comics, são apenas três as mulheres que se tornaram destaque na Era de Prata. A primeira é Marie Severin, que faleceu há poucos anos e foi figura importantíssima no começo da Marvel Comics, como descrevemos neste post, a segunda delas foi Hilda Terry, autora de Teena, uma personagem adolescente dos anos 1950 calcada em Archie Andrews e sua turma e, por fim, mas não menos importante, temos nossa autora homenageada neste post, Ramona Fradon.

Ramona não trabalhou apenas com o Aquaman, mas também histórias tão diferentes como Homem-Borracha, Metamorfo e as tiras de jornal da repórter Brenda Starr. Mas o primeiro trabalho de Ramona foi com o Cavaleiro Andante no número 165 da revista Adventure Comics. Com a rotatividade de personagens mudando dentro do mix da revista, Ramona acabou assumindo as histórias do Aquaman, personagem que substituiria o feature do Cavaleiro Andante a partir de então. Foi assim que, durante dez anos Fradon se tornou a principal desenhista do Aquaman. Naquela época, na indústria dos quadrinhos de super-heróis eram apenas Ramona na DC Comics e Marie Severin na Marvel marcando a presença feminina neste tipo de trabalho. 

No número 269 de Adventure Comics, de 1960, Ramona Fradon e o escritor Robert Bernstein criaram o sidekick do Aquaman, Aqualad. Esse menino, o atlante Garth, viria alguns anos mais tarde fazer parte da equipe fundadora dos Jovens Titãs. Outro grande personagem da DC Comics que foi criado por Ramona Fradon foi o Rex Mason, o Metamorfo, que foi membro da Liga da Justiça e hoje faz parte da equipe de Os Incríveis (The Terrifics), ainda inédita no Brasil. Ela também foi a responsável pelo primeiro encontro de heróis entre o Batman e um amigo na revista The Brave and The Bold #59, em que o homem-morcego fazia uma parceria com o Lanterna Verde. 

Nos anos 70 e início dos anos 80, Fradon ficou responsável por desenhar diversas edições do título Super Friends, que adaptava para os quadrinhos o desenho animado sucesso da televisão dos Superamigos. Outro personagem que, por causa de sua adaptação para a televisão também retornava aos quadrinhos nos anos 1970 era Eel O’Brian, o Homem-Borracha, que também ficou sob responsabilidade dos lápis de Ramona. Ela disse em uma entrevista que preferia trabalhar os personagens que exerciam um pouco do humor, como o Homem-Borracha, por causa de suas expressões do que os super-heróis carrancudos, que lembravam apenas meros decalques. Por essa época, Ramona chegou a trabalhar para a Marvel também, mas foi em uma edição de Quarteto Fantástico nunca publicada e para a quinta e derradeira edição de The Claws of The Cat, cujo título nós já abordamos neste post.  

Nos anos 1980, foi a vez de Fradon migrar para outro caminho: as tiras de jornais, tipo de histórias em quadrinhos que começava a definhar naquela época. Ramona Fradon foi trabalhar nas tiras diárias de Brenda Starr, a intrépida jornalista criada por Dale Messick, que foi um dos grandes nomes femininos da Era de Ouro dos quadrinhos. Ramona contou que quando fazia as tirinhas de Starr, metade da pensão de Messick paga pelos Syndicates ia para seu salário. Ramona ficou a cargo das tiras diárias de jornal de Brenda Starr por 15 anos, quando Dale Messick faleceu.

Em entrevista para Andy Mangle na revista Amazing Heroes, em que recebeu um perfil artístico dedicado a ela, Ramona Fradon falou sobre seu estilo de desenho:

[Trina Robbins] observou que a maioria das mulheres costuma ter um estilo mais aberto, usa menos sombra e trabalha com padrões abertos maiores. Eu acho que isso provavelmente é verdade – pelo menos sempre trabalhei desse jeito. Eu pensava que era uma grande falha minha, que eu não conseguia imitar esse tipo de estilo de reprodução fotográfica. Quando li que isso parecia ser uma característica das cartunistas, me senti um pouco melhor… Algo que sempre chamou minha atenção foi procurar o tipo de peso e feiura na maioria das artes dos quadrinhos. Não existe muita doçura nisso. É a tradição, e acho que não tem nada a ver com os artistas individuais. É apenas a tradição… algo visual. Isso sempre me incomodou (FRADON in MANGLE, 1988).

Nascida em 1926 e atualmente chegando na casa dos noventa e poucos anos, Ramona Fradon continua com sua alegria de viver e diz que adora se encontrar com os fãs para celebrar os quadrinhos. 

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