Melhores e Piores Leituras de Setembro de 2019

Olá mergulhadores! Estamos de volta com nossa sessão mensal que expõe nossas melhores e piores leituras feitas durante o mês! Este mês tivemos poucas leituras, apenas 25 classificadas como boas e 5 classificadas como ruins. Mas você vai perceber que tivemos muitas leituras de livros sobre quadrinhos e que eles são importados, o que demanda uma leitura mais apurada e demorada. Mas está vindo um coisa muito legal nesse sentido, que só vou revelar quando estiver pronta. Enquanto você ficam especulando, aproveitem para dar uma olhada nas nossas leituras do mês de setembro. tem muita coisa legal (e outras, nem tanto!). 

Melhores

A SURDA ABSURDA, DE CECE BELL

Uma história em quadrinhos muito da bonitinha feito para todas as idades poderem ter mais empatia e conhecerem as adversidades que as pessoas surdas passam. A história de “A Surda Absurda”, de Cece Bell se foca mais na infância da menina e, claro, é uma história em quadrinhos autobiográfica. A trama mostra desde a descoberta da surdez de Cece até ela aceitar suas deficiências, que acaba encarando como poderes especiais que a fazem pensar que é uma super-heroína. Esse quadrinho foi bastante premiado e bastante comentado lá fora e agora chega no Brasil pela Geektopia, selo da Editora Novo Século para obras voltadas ao público geek/nerd. Os desenhos de Cece Bell, que é responsável também pelos roteiros é muito carismático, representando pessoas como se fossem coelhos ou lebres. Um desenho que não faria mal num livro infantil sobre esse mesmo tema, mas que a autora resolveu se expressar em quadrinhos porque, convenhamos, essa forma de se comunicar gera muito mais carisma e empatia pelos personagens e autores por parte do leitor. Recomendo fortemente esse quadrinho tão queridinho!

SHE CHANGED COMICS: THE UNTOLD STORY OF THE WOMEN WHO CHANGED FREE EXPRESSION IN COMICS, DE COMIC BOOK LEGAL DEFENSE FUND (CBLDF)

Este livro, She Changed Comics, é um livro muito bom que valoriza a trajetória das mulheres criadoras das histórias em quadrinhos. Parte perfil, parte entrevista, ele divide as criadoras em categorias como Era de Ouro, Era de Prata, Era Moderna, Mangás, Mulheres em Poder e Mulheres em Risco. Monta um painel bastante interessante e traz informações novas, bem como lança luz em termos e temas femininos que precisam ser discutidos nos quadrinhos. Mas o grande problemas do livro é que ele se apresenta por um olhar estadunidense do tema e, por isso, as mulheres americanas ganham o maior destaque, como sempre. Onde estão as mulheres latinas? Onde estão as mulheres europeias que não são da França? Onde estão as mulheres negras? Por isso o livro peca ao querer abraçar o mundo, literalmente, e não conseguir. Se ele tivesse se proposto a fazer perfis e entrevistas apenas de mulheres norte-americanas teria se saído com um resultado muito mais coeso e coerente. Contudo precisamos aplaudir essa iniciativa do Comic Book Legal Defense Fund (CBLDF) por ter pelo menos conseguido concretizar esse tipo de estudo por financiamento coletivo numa realidade dominada não apenas pelos machos mas pelo machismo.

MULHER-MARAVILHA E LIGA DA JUSTIÇA DARK: A HORA DA BRUXA, DE JAMES TYNION IV, JESUS MERINO, EMANUELA LUPACCHINO, ALVARO MARTINEZ BUENO E ROMULO FAJARDO JR.

James Tynion IV, seu safado! Tenho curtido muito as coisas que você tem feito. Te colocam sempre em segundo plano, e mais que os medalhões, você vai lá é ZAZ! acerta em cheio! Aqui neste encadernado que traz a união de Mulher-Maravilha e a equipe que ela lidera, a Liga da Justiça Dark, ele faz muitas homenagens ao passado editorial da DC Comics. A começar a vários elementos místicos que costumavam aparecer na série do Pacto das Sombras, de Bill Willingham e que eu adorava. Outro elemento é a presença da feiticeira Circe, inimiga figadal da Mulher-Maravilha e a sua deusa-patrona, Hécate, a deusa das bruxas. Hécate, para mim, é uma das mais misteriosas deusas dos panteões clássicos e ver ela sendo explorada assim em toda a sua magistralidade me encanta bastante, só para usar palavras relacionadas à magia. Os desenhos de Jesus Merino e Emanuela Lupacchino também estão lindíssimos e deixam as histórias ainda mais interessantes de se acompanharem. A forma como Tynion IV faz com que a Liga da Justiça oficial fique de fora do caso também é hilário. Acabar a leitura deste encadernado só me deixa com mais vontade de continuar acompanhando o resto das aventuras da Liga da Justiça Dark, que eu já gostava nos Novos 52, mas agora parece que está muito melhor.

GRENDEL VERSUS O SOMBRA, DE MATT E BRENNAN WAGNER

Comprei esse encadernado em uma promoção das bancas em que dois quadrinhos de capa dura de O Sombra estavam por R$ 19,90. Uma promoção imperdível mesmo se os quadrinhos fossem ruins de doer. O que não é o caso. O caso é que, assim como a outra promoção dessas que dizia respeito ao universo de Jornadas nas Estrelas, dizem respeito a personagens bastante específicos e que possuem uma base de fãs e de conhecimento sobre eles limitada. A história é bastante banal do encontro de dois heróis, com a diferença que Grendel viaja no tempo para os anos 1930 de O Sombra que é o cenário de suas histórias. O enredo poderia ser bem melhor são não envolvesse tantos vai e vens sobre a organização da máfia que são extremamente desnecessários para a história. Se excetuarmos isso, teremos um quadrinho bastante divertido de se acompanhar, principalmente com a arte de Matt Wagner e as cores de Brennan Wagner, que é muito boa no que tange às narrativas visuais que ele concebe para colocar os personagens que criou e colocou em ação. Portanto, ter comprado esse quadrinho na promoção acabou valendo bastante a pena.

CAPITÃO AMÉRICA: BRANCO, DE JEPH LOEB E TIM SALE

Finalmente essa história em quadrinhos chegou no Brasil. Mas dessa vez o atraso não foi da Panini para trazer ela para cá, foi dos produtores da minissérie, Jeph Loeb e Tim Sale que fizeram com que Capitão América: Branco atrasasse por quase uma década. A HQ havia sido parada, se não me engano na terceira edição e só foi retomada muito recentemente. Ela faz parte da trilogia, agora quadrilogia, das cores da Marvel, que inclui Homem-Aranha: Azul, Demolidor: Amarelo e Hulk: Cinza. Essa HQ do Capitão América investiga o relacionamento desse personagem com James Buchanan Barnes, o Bucky, que por vezes, sim, assume ares de homoafetividade. Mas a história em quadrinhos é diferente das outras da quadrilogia porque diferente das demais, as origens do relacionamento entre Capitão América e Bucky não são tão exploradas assim como as dos demais relacionamentos colocados para análise nas publicações anteriores das sequências das cores. Mas é um trabalho muito bem realizado explorando essa origem que não costumamos poder acompanhar suas nuances, apenas pequenos vislumbres de acontecimentos durante a Segunda Guerra Mundial. Então, acho legal podermos ler esse tipo de história, mesmo que inadvertidamente ela destaque Capitão América e Bucky como um casal.

O UNIVERSO DE SANDMAN: LÚCIFER – VOL. 1, A INFERNAL COMÉDIA, DE NEIL GAIMAN, DAN WATERS, MAX FIUMARA, SEBASTIAN FIUMARA, DAVE MCCAIG

Estou gostando bastante do tratamento dado a esta nova versão dos quadrinhos ligados ao “Universo de Sandman”, eles fazem jus, como no volume de O Sonhar, com a série original Sandman e com as séries originadas deles. Mas se você está esperando que esse volume de Lúcifer seja, de alguma forma, parecido com a série de televisão ou com as séries pregressas do Estrela da Manhã nos quadrinhos, pode se decepcionar bastante. Esta série é muito peculiar, muito própria mesmo, mas isso não quer dizer que não mergulhe na mitologia de Lúcifer ou ainda na tradição do Sandman de Neil Gaiman. Do primeiro, ela traz alguns personagens conhecidos como Caliban, Mazikeen, e introduz novos. Da segunda, vem a tradição de ser uma história sobre histórias, que em cada edição foca em uma história dentro da história dando destaque a algum personagem em especial, sempre variando aquele que será apresentado. Ela também tem um elemento muito próprio dela, que é a atmosfera de terror, do “tudo pode acontecer então precisamos estar ao máximo protegidos das intempéries do desconhecido”. É um quadrinho estranho a princípio, que não vai agradar a todo mundo mesmo por tentar juntar dentro de si todos esses elementos que, para alguns, poderão soar como conflitantes. A arte dos Fiumara também não colabora muito: com traços grossos e rabiscados, elas lembram muito o começo da Vertigo dos anos 1990 quando os desenhos da maioria dos seus títulos”eram bonitos sendo feios” para implicar ainda mais na sensação de desespero e desamparo que aquelas histórias – em sua maioria de terror – queria nos passar. De qualquer forma, esse novo volume de Lúcifer nos traz uma nova perspectiva para o personagem e à série. perspectiva, essa, que se no começo me afastou da HQ, no final acabou me agradando bastante e me deixando curioso para ler mais.

Leia aqui um post que fala mais sobre O Universo de Sandman e os encadernados de Lúcifer e O Sonhar. 

MISTER NO: REVOLUÇÃO – VIETNÃ, DE MICHELE MASIERO, MATTEO CREMONA, LUCA SAPONTI E GIOVANNA NIRO

É por causa de histórias como essa que vale a pena continuar investindo em fumetti, os quadrinho italianos. Mister No: Revolução – Vietnam vem com a premissa de atualizar a origem do personagem Jerry Drake, o Mister No. Enquanto originalmente o personagem foi criado para ter saído dos flancos da Segunda Guerra Mundial, essa atualização de origem coloca o personagem nas florestas tropicais do Vietnã. É muito interessante essa ambientação do personagem nos anos 1960, que vai e vem na narrativa mostrando um quadro completo dos soldados entre a realidade americana e a realidade da guerra no sudoeste asiático. Lembra filmes como O Sobrevivente, de Werner Herzog e Across The Universe, de Julie Taymor ao mesmo tempo. O roteiro de Masiero é um drama que, como dito, poderia ser um belíssimo filme, casando com o traço impudico e vanguardista de Matteo Cremona, que não poderia ficar mais completo sem as tonalidades pastéis impactantes de Luca Saponti e Giovana Niro. Os quadrinhos italianos adultos da Bonelli rendem muito nas mãos e na imaginação do leitor trazendo um impacto narrativo e visual bem diferente daquele fornecido pelos quadrinhos adultos americanos.

Leia aqui mais sobre o selo adulto da Sergio Bonelli Editore, o Audace. 

DEADWOOD DICK: NEGRO COMO A NOITE, VERMELHO COMO O SANGUE, VOLUME 1, DE MICHELE MASIERO E CORRADO MASTANTUONO

Que fumetto FODA, minha gente! Que fumetto FODA! E eu digo foda porque é um fumetto voltado para o público adulto da Sergio Bonelli Editore. Isso quer dizer que ele tem sexo e violência? Sim, mas ele traz o sexo e violência não da maneira americana que costumamos acompanhar mais de perto, mas da maneira européia, como vemos nos filmes franceses, italianos, eslavos e quetais. Se os americanos se fixam muito mais na violência crua e desmedida, os europeus têm menos pudores quanto à eroticidade gráfica. Mas não é só isso que faz esse fumetto interessantíssimo. Também é a forma como o escritor Michele Masiero nos conta a história de Nat Love, o Deadwood Dick, um dos Buffalo Soldiers da Guerra de Secessão americana. É uma história contada em primeira pessoa, mas também bastante diferente da maneira que os americanos contam. Masiero usa do humor e da ironia para construir a sua história de Deadwood Dick. Além disso, os maravilhosos e super detalhados desenhos em chiaroscuro – apenas preto no branco – de Corrado Mastantuono, ficam em algum lugar muito especial entre os tradicionais fumetti e o que há de melhor na mais vanguardista arte realista dos quadrinhos. Nossa, eu simplesmente adorei esse quadrinho. Que venham mais, por favor para completar essa minissérie da Bonelli. Ainda falarei mais sobre esses quadrinhos no blog!

STAR WARS: A CIDADELA DOS GRITOS, DE KIERON GILLEN, JASON AARON, MARCO CHECCHETTO, SALVADOR LARROCA E ANDREAS BROCCARDO

Fora a incrível semelhança do título deste quadrinho com o que acontece na minha vizinhança, que está sempre recheada de gritos que drenam nossa energia vital, ela também lembra um jogo de RPG que eu gostava muito (e me dava muito medo) que era A Cidadela do Caos. Esse é o segundo crossover do universo de Star Wars que Jason Aaron e Kieron Gillen escrevem junto e se o primeiro já foi sensacional, esse segundo tem aquele gostinho de quero mais e senso de maravilhamento que todo quadrinho de aventura deveria ter. Os personagens que circulam as histórias da Doutora Aphra são interessantíssimos e as histórias da personagem já são, de longe, as minhas favoritas do universo em quadrinhos de Star Wars. Esse quadrinho eu recomendo para ser lido durante uma noite chuvosa porque combina bastante com a atmosfera do trabalho. A arte da história é bastante competente, contando com o maravilhoso traço de Marco Checchetto, que já ilustrou outras obras do universo de quadrinhos de Star Wars. Estes quadrinhos costumam ter bastante altos e baixos, mas A Cidadela dos Gritos, com certeza é um ponto alto das séries de uma galáxia distante há muito tempo atrás.

TINA: RESPEITO, DE FEFÊ TORQUATO

Muito se falou sobre o tema do abuso sexual que é abordado nesta nova Graphic MSP da Tina pela Fefê Torquato. Muitos incels, ancaps, trolls, ogros, vieram dar seu depoimento em contrário a essa história em quadrinhos. Mas aparentemente eles nem chegaram a pegar a mesma para ler. Ficaram de mimimi exatamente porque são gente burra e ignorante. Afinal, o tema do abuso – que está mais para abuso moral que sexual – só aparece na história nos 45 minutos do segundo tempo, e a discussão sobre isso mal “arranha a superfície”, algo que é feito de maneira bem diferente em Jeremias: Pele, que o tema do preconceito preenche a história em quadrinhos. Para mim, o grande feito de Tina: Respeito é mostrar como é uma redação jornalística por dentro. Meus tios são jornalistas e eu fiz algumas cadeiras de jornalismo, alguns amigos meus também trabalham com isso, e a Fefê consegui traduzir essa realidade lindamente. Também a forma como ela estabelece o ritmo mais cadenciado da narrativa é bem diferente das demais Graphics MSP, o que faz esse trabalho ser todo dela. Mas o fato do abuso sexual? Muito alarde para pouca “notícia”, como esse tipo de gente reacionária costuma reagir para o que não é espelho.

SUPERGIRLS: FASHION, FEMINISM, FANTASY AND THE HISTORY OF COMIC BOOKS HEROINES, DE MIKE MADRID

Este livro é fantástico porque traz análises e contextualizações por parte do autor que nos faz perceber que ele realmente entende e ama o objeto do seu estudo, que são as super-heroínas. O livro se concentra bastante na Era de Ouro e na Era de Prata dos super-heróis das histórias em quadrinhos, revelando bastante detalhes sobre heroínas que são muito conhecidas, mas que ao mesmo tempo, a grande parte das pessoas não as conhece tão bem quanto aos super-heróis masculinos. É o caso de Mulher-Maravilha, Supergirl e Batgirl. Seira interessante um estudo que desvendasse as razões por trás desse desconhecimento, seria ele de fundo criativo? É de fundo comercial? De poder? De gênero? De público? Bem, isso fica para um outro momento e outra pessoa pensar. Um dos poucos problemas do livro é que se percebe que ele dá muito mais ênfase às heroínas do passado do que das heroínas de um passado mais recente e do presente. Mas esse é um defeito de grande e da maior parte dos livros que pretende analisar o todo de algum elemento histórico do universo dos super-heróis. Isso, talvez porque seus autores devem amar muito mais os aspectos passados dessa indústria do que se colocar a par do estado atual da mesma, ao qual muito apresentam resistência. O que é uma pena, pois todos saem perdendo.

O UNIVERSO DE SANDMAN: O SONHAR, VOL.1 – CAMINHOS E EMANAÇÕES, DE NEIL GAIMAN, SIMON SPURRIER, BILQUIS EVELY E MAT LOPES

Em primeiro lugar, uma coisa a se ter em mente quando você for buscar por essa série ou esse encadernado, você precisa saber que ela não é uma continuação de Sandman. Ela é uma continuação da série O Sonhar, um título que nós, brasileiros, não tivemos a oportunidade de acesso a muitas edições, devidos às idas e vindas da Vertigo em editoras e mais editoras brasileiras nos anos 90 e 2000. Dito isso não se pode exigir que a série esteja à altura de Sandman, mas de O Sonhar. E isso, ela o faz com maravilhosa desenvoltura, com personagens extremamente cativantes, com um texto rico de metáforas ao estilo Gaiman e o desenho caprichadíssimo da virtuose brasileira Bilquis Evely. Mais que isso, parece que Simons Spurrier nas seis edições de O Sonhar que “herdou” de Neil Gaiman, parece desenvolver mais aquele lugar, seus contextos e seus habitantes do que o próprio pai da série original, que deixava esse reino tangenciar apenas as histórias de Sandman. Fora isso, essa história é uma forte metáfora dos nossos tempos, principalmente da realidade brasileira, pois encontramos um juiz nefasto que a tudo quer mandar, julgar e culpabilizar no lugar de quem deveria estar deixando O Sonhar e a realidade nos eixos. Quem deve ser essa pessoa que vai instaurar a ordem? Nem a própria revista responde. Corta para cenas dos próximos capítulos.

X-MEN: EQUIPE AZUL, VOLUME 1 – BRADO DESTRUTOR, DE CULLEN BUNN, JORGE MOLINA, R. B. SILVA E MARCUS TO

Ai que saborzinho de nostalgia tem esse gibi! Nham, nham, nham. Lembra todas as vezes que a equipe principal dos X-Men teve um contratempo, estava no espaço, fora do tempo, foi capturada ou teve que ir no banheiro por infecção alimentar e teve de ser substituída por uma equipe B e temporária. Os leitores de longa data provavelmente vão sentir esse saborzinho de Novos Mutantes, X-Men da Ilha Muir e outros nesta edição, os mais novos não sei se vão entender a homenagem. A Panini Comics resolveu publicar os dois últimos arcos de X-Men Blue em encadernados separados para dar prioridade para X-Men Gold na revista mensal. Isso porque os títulos mutante estão extremamente atrasados em relação aos demais títulos Marvel. Viram a falta que faz uma revista X-Men Extra? Pois é, Geração X e Homem de Gelo que o digam. Enquanto isso temos Batman à rodo até em preto e branco. Fazer o quê, né? Gostei bastante dessa edição de X-Men Azul como vinha curtindo mais as suas histórias dentro da revista dos X-Men. Vale dizer que a arte do Jorge Molina está linda, lembrando muito o estilo do John Cassaday. Se tivesse que escolher entre Azul e Dourada escolheria Azul. Mas eu sou um verme dos X-Men e não tem isso de escolher. Tem de ter todos e quanto mais, melhor!

SEX IN THE COMICS, DE MAURICE HORN

Se pensarmos que este livro é dos anos 1990, podemos levar em consideração que o sexo nos quadrinhos evoluiu muito mais nas produções mainstream durante essas duas décadas do que todo este período visto por este livro. Claro, isso acontece porque o sexo nos quadrinhos por muitas vezes ficou relegado à periferia e, pelos quadrinhos serem considerados uma mídia essencialmente infantil por muitos, a produção deste tipo de comunicação e cultura passou distante da percepção da maioria das pessoas. Neste livro, os quadrinhos mainstream norte americanos a.k.a. principalmente os de super-heróis apresentava um sexo tímido, praticamente assexuado em seus personagens. Já os quadrinhos undergrounds e europeus sempre trouxeram uma grande variedade de representações da sexualidade humana desde, praticamente, suas origens. O livro também traz lâminas coloridas para o tema e um apêndice onde é apresentado as diferenças na retratação do sexo em diversos países, onde podemos perceber como cada cultura trata – de forma diferente – o tema. Um livro incrivelmente interessante que deveria receber uma atualização.

THE COMIC BOOK FILM ADAPTATION: EXPLORING MODERN HOLLYWOOD’S LEADING GENRE, DE LIAM BURKE

Diferente da maioria dos livros que temos por aí falando sobre adaptações de filmes de quadrinhos para cinema, ou ainda de filmes de super-heróis para cinema, que são rasos, trazem um monte de figuras, mas poucas análises, este livro mergulha no escuro profundo da análise das adaptações. Ele não apenas fala sobre o circuito de criação e de produção e também das escolhas feitas para a adaptação desses filmes, como a maioria dos livros costuma oferecer. Na verdade, este livro também fala bastante sobre o uso das linguagens dos quadrinhos nesse tipo de produção cultural e também como a estética dos quadrinhos influencia na hora de verter o conteúdo de uma mídia para a outra. O autor também dedica um capítulo para falar da Maneira Marvel de se fazer quadrinhos bem como as adaptações entre os quadrinhos e filmes da Casa das Ideias. Um livro extremamente completo que explora diversas nuances sobre os quadrinhos e suas adaptações, dos mais variados tipos, desde os quadrinhos de super-heróis, até os quadrinhos mais alternativos e undergrounds, claro, tudo dentro de uma óptica de produção Hollywoodiana.

BATMAN DESDE LA PERIFERIA: UN LIBRO PARA FANÁTICOS O NEÓFITOS, DE LAURA FERNÁNDEZ, ENRIC CUCURELLA Y ANA S. PAREJA (ORG.)

Este livro, cuja tradução do título seria “Batman a partir da periferia: um livro para fãs ou novatos” não traz apenas artigos escritos por autores que estão na periferia cultural do mundo, mas também textos que apresentam uma ótica periférica para esse tipo de produções envolvendo o Homem-Morcego, Batman. Assim, os textos mais interessantes contidos neste livro, na minha opinião são La Bienal de Gotham, de Eloy Fernandez Porta, que traz um olhar ao mesmo tempo artístico e ao mesmo tempo queer para intervenções na arte feitas a partir da iconografia do homem-morcego. Também é muito bom o texto de Laura Fernandez que é intitulado Breve Historia (y Sentido) de Las Chicas Murciélago, em que analisa o papel de Batgirl e Batwoman em suas diversas encarnações em busca de um sentido para sua existência na mitologia batmaniana. O livro também fecha com um texto do “filósofo mais perigoso do mundo” Slavoj Zizek, que analisa o sistema de classes na Gotham City do Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan. Um livro com análises sobre o universo do Batman bem diferentes e bem mais ricas do que estamos acostumados a nos deparar.

DEADLY CLASS, VOLUME 1: OS FILHOS DE REAGAN, DE RICK REMENDER, WES CRAIG E LEE LOUGHRIDGE

Quando comprei esse quadrinho, encantado pela arte da capa, não havia me dado conta de que se tratava do quadrinho que virou a série de televisão que tanto foi anunciado no estande da Netflix na CCXP do ano passado. Talvez, se tivesse feito a ligação entre as duas coisas desde o começo nem tivesse comprado. Mas a HQ é muito mais do que uma historinha “massaveio” sobre uma escola de ensino médio dedicada a ensinar assassinos, no melhor estilo Hogwarts para matar os outros. Não, não. Esse quadrinhos nos brinda com todas as possibilidades da forma e da mídia quadrinhos, trabalhando elas com uma precisão cirúrgica para se obter os efeitos desejados da narrativa no entendimento do leitor. Não sei exatamente de quem é o mérito da escolha dessa linguagem, se do roteiristas Rick Remender ou se do artista Wes Craig. Acredito que seja do último, pois conheço bem o trabalho do primeiro e não costuma ser assim. As cores de Lee Loughridge também emprestam a atmosfera necessária para o quadrinho ser lindíssimo visualmente. Deadly Class é praticamente uma aula de como fazer de uma história em quadrinhos uma História em Quadrinhos. Por isso me surpreende bastante que uma história tão arraigada na linguagem de quadrinhos tenha sido escolhida para ser adaptada para a televisão. De qualquer forma, já estou aqui com o segundo volume para uma bela leitura!

PANSY, VOLUME 3, DE KATIÚSCIA “BUNDA” NUNES

Chegamos ao clímax da minissérie yaoi da Katiúscia “Bunda” Nunes e quando eu falo clímax quero dizer que a HQ contém sexo e não é qualquer um sexo. É sexo explícito e sexo explícito entre dois homens, o que é melhor ainda. Por mais que o mangá independente se valha das regras binárias do yaoi, de quem um personagem do casal deve ser mais afeminado e o outro mais masculinizado, a autora sabe trabalhar bem as expectativas do leitor nas han, han, preliminares deste clímax. Ela prepara todo um jogo de imagens e significados para conduzir o leitor para um caminho de raciocínio sobre a sexualidade dos personagens, que, neste volume da minissérie ela parece ter dado um arremate sobre esta questão. Os desenhos estão mais fluidos que nas edições anteriores, as expressões mais destacadas, o que significa que Bunda fica mesmo mais à vontade no terreno da narrativa em quadrinhos quando a coisa ruma para a consumação do relacionamento de modo carnal, ou seja, na cenas de sexo, muito bem orquestradas. Assim, esperamos pela última parte e desfecho de Pansy, a minissérie que explora de maneira bastante consolidada um relacionamento entre dois homens.

O IMORTAL HULK, VOLUME 1, HOMEM, MONSTRO… OU AMBOS?!, DE AL EWING, JOE BENNETT E OUTROS ARTISTAS

Realmente este quadrinho do O Imortal Hulk, escrito pelo inglês Al Ewing e desenhado, em grande parte, pelo brasileiro Joe Bennett é muito bem feitinho. É realmente tão sensacional como havia alardeado por aí uma pura história de terror que, por acaso, tem elementos de super-heróis. Levando em conta que ele era um dos quadrinhos mais adiantados dessa fase nova da Marvel, demorou bastante para aportar em solo brasileiro, mas quando chegou não decepcionou. É um terror tão bem elaborado, que, na minha opinião bebe na fonte de um outro tipo de quadrinho de horror com elementos de super-heróis, que é o Monstro do Pântano de Alan Moore. Inclusive estou desenvolvendo um post para o blog que fala sobre essa semelhança entre as séries e seus paralelos narrativos e no desenvolvimento dos personagens. Não é à toa que a série foi indicada ao prêmio Eisner e que está sendo celebrada por todos os tipos de leitores, inclusive dos fãs raiz do Hulk, que são incrivelmente difíceis de se agradar. O Imortal Hulk é um dos melhores materiais da Marvel saindo no momento e seria de bom grado, se você é fã da Casa das Ideias, que acompanhasse.

Leia mais sobre a nova fase de O Imortal Hulk neste link. 

BEN REILLY: ARANHA ESCARLATE, VOLUME 3: PACTO COM O DIABO, DE PETER DAVID, WILL SLINEY, BRUNO OLIVEIRA E ANDRÉ LIMA ARAÚJO

Tchau, tchauzinho, Ben Reilly, foi bastante divertido acompanhar suas diabólicas e demoníacas aventuras, que culminaram com o evento Danação, do Doutor Estranho, pelo maluco escritor Donny Cates. Claro, amigo clone do Homem-Aranha, você era escrito pelo Peter David e foi desenhado pelo Will Sliney por quase toda sua jornada, mas que tomou um estilo bastante estranho neste último encadernado. Você tentou se disfarçar de médico e se infiltrar em um cassino de Las Vegas prometendo a uma magnata dos jogos que iria curar a filhinha dela, acometida de um mal desconhecido. Nesse meio tempo você lutou muito. Lutou até mesmo contra si mesmo. Mas quando digo lutar contra si mesmo é contra o seu clone imperfeito, o Kaine, que também assumiu a alcunha de Aranha Escarlate. Isso gerava uma dinâmica totalmente diferente para a história, nos levando a refletir quem era realmente o protagonista e quem era o herói e quem era o vilão. No fim de tudo, você assumiu os dois papéis, como a maioria das pessoas faz durante a sua existência. O importante é que passamos horas divertidas juntos. Foi bom acompanhar esse “novo” Aranha Escarlate.

JUSTICEIRO, VOLUME 1, FRANK CONTRA O MUNDO, DE MATTHEW ROSENBERG E SZYMON KUDRANSKI

Todo mundo sabe que eu não sou o maior fã de Frank Castle, o Justiceiro, mas que tenho um certo “guilty pleasure” em ler as histórias dele. Esta aqui, parece ser mais interessante do que as histórias que vinham sendo publicadas anteriormente a essa fase. Esta, escrita pelo roteirista Matthew Rosenberg, parece ter acertado um pouco mais na mão, mostrando aquele Frank Castle que tem um modus operandi anterior às modificações que Garth Ennis fez com o personagem no início dos anos 2000 e que todos os autores posteriores se puseram a copiar desde então. Neste encadernado, Frank Castle luta para cancelar as ações da Hidra, organização para a qual ele trabalhou enganado pelo Steve Rogers de Império Secreto. Contudo, essa “fase” do Justiceiro não foi explorada em suas histórias e, por isso, não conseguimos perceber o impacto desse enredo impactando no personagem. Essa edição, que a Panini retoma o número um, em sua versão brasileira também possui um tipo diferente de papel. Se trata de um couchê mais encorpado, com uma gramatura um nível acima do que se costuma usar neste tipo de publicação e, por isso, a lombada ficou maior e a publicação com maior peso.

HOMEM-ARANHA/DEADPOOL: CLONEPOOLS!, DE ROBBIE THOMPSON E VÁRIOS ARTISTAS

Caras, carinhas e caretas, guardem esse nome: Robbie Thompson. Eu não sei em que título ele anda trabalhando no momento, mas ele fez muitos trabalhos bons dentro do universo do amigão da vizinhança, o Homem-Aranha. Neste encadernado, trabalhando num título bastante complicado de se estabelecer, com uma dupla se heróis que só foi juntada por exigência dos fãs, ele se sai enormemente bem ao criar os enredos para esses personagens. Não só isso, ele também estabelece versões “old man” de Deadpool e Homem-Aranha e fazem elas se concatenarem de uma forma coerente com suas versões do presente. Ah, eu mencionei que ele resolve também estabelecer uma origem para os autômatos Modelos de Vida Artificiais, os MVAs da SHIELD? Pois é, ele faz isso, recheando as páginas das HQs com personagens que você até mesmo esqueceu que já haviam existido. Neste encadernado a Panini aglutina dois dos originais e então temos mais de 200 páginas de aventuras muito gostosas de se ler e de acompanhar as subtramas e estripulias dos personagens coadjuvantes como uma boa HQ de super-heróis deve ser!

GUERRAS INFINITAS, VOLUME 4, DE GERRY DUGGAN, MIKE DEODATO JR., DONNY CATES E OUTROS ARTISTAS

Depois de três edições com a minissérie Contagem Regressiva para as Guerras Infinitas, finalmente entramos, com este volume 4 na minissérie principal. Essa, então, toda completa com a maravilhosa arte de Mike Deodato Jr. (embora a nova mania dele de fazer o layout todo quadriculado chega a comprometer a narrativa e tornar ela meio over). Nesse volume temos diversas reviravoltas que vão chocar o leitor, embora eu prefira poupar você de spoilers e não dizer quais são elas. Só que são bem legais e mudam o status quo de muitos personagens. Além disso o envolvimento de Loki, Kang e outros personagens que você ficará sabendo torna tudo ainda mais divertido, como exatamente um filme de Sessão da Tarde bem feito. E numa época em que as histórias dos super-heróis estão de medianas para ruins, um filme de Sessão da Tarde é um oásis, não é mesmo? Está sendo um verdadeiro prazer narrativo acompanhar a pegada de Gerry Duggan no universo cósmico da Marvel Comics. Na próxima edição as coisas vão pegar e vão esquentar bastante, ou será que a expressão correta seria “aglutinadas pela metade”? Bem, fica aí o gancho para você ficar curioso!

JOVENS TITÃS, VOLUME 1, DE ADAM GLASS, ROBSON ROCHA, BERNARD CHANG, MARCELO MAIOLO E HI-FI

Este especial é o pontapé inicial para a construção de uma nova equipe dos Jovens Titãs, ainda liderada pelo Robin Damian Wayne, o filhinho de papai assassino que todo mundo adora odiar. Nele, a dinâmica da equipe é bem trabalhada e faz lembrar a articulação existente entre os personagens na época em que eram escritos por Marv Wolfman e desenhados por George Pérez. Robin, ainda é o Robin, mas com outros modus operandi que deixariam Dick Grayson bastante preocupado. Com personalidades tão complementares e diferentes que estabelecem uma dinâmica divertida e nostálgica para as histórias dos Jovens Titãs como não se via desde a época em que Geoff Johns uniu os Novos Titãs com a Justiça Jovem, essa série me empolgou bastante. Isso também porque não estava esperando muito dessa nova formação. Assim, espero que essa nova nova nova novíssima pela enésima vez equipe de Jovens Titãs se saia melhor que seus antecedentes desde Os Novos 52, que não duraram muitas edições e tiveram histórias de fracas a medianas, sem conseguir empolgar por mais que três edições.

Leia mais sobre essa nova fase e nova formação dos Jovens Titãs neste link.

Piores

A ESPADA SELVAGEM DE CONAN, A COLEÇÃO, VOLUME 1, DE ROY THOMAS, BARRY WINDSOR-SMITH, NEAL ADAMS E JIM STARLIN

“Os bárbaros que me desculpem, mas sutileza é fundamental”. Este é o primeiro volume da Coleção A Espada Selvagem de Conan. Nunca fui um grande fã do personagem, mas pelo preço convidativo de nove reais e noventa centavos valia a pena experimentar. Mas o resultado da leitura era aquele mesmo que eu pensava. Encontrei um texto datado, difícil de se acompanhar. A arte de Barry Windsor-Smith que aparece no encadernado é bastante irregular. Em partes é maravilhosa, em outras parece apenas cumprir tabela. Um outro problema é a transformação dos originais desenhados para o digital, em que muito da qualidade se perdeu. As histórias de A Espada Selvagem de Conan não me empolgaram não. Os melhores desenhos, no final das contas, acabaram sendo os de Neal Adams e os de Jim Starlin e não do badalado Windsor-Smith. Por isso, no final das contas não me empolguei muito com esse encadernado e certamente não continuarei colecionando essa nova coleção que a Panini Comics trouxe para as bancas. Um gasto mensal a menos e um encadernado feito de capa dura que vai rodar e bailar nos sebos.

IMPERATRIZ, DE MARK MILLAR E STUART IMMONEN

Esse Mark Millar é muito do espertinho (bom, e isso quem não sabe?). Ele se valeu do hype que foi feito sobre as space operas, principalmente no auge do sucesso de filmes como Guardiões da Galáxia e quadrinhos como Saga, para lançar seus esforços nesse sentido. Só que aparentemente não deu certo. Afinal, em lugar nenhum eu vi as pessoas comentarem sobre esse quadrinho, Imperatriz. E nem é porque tem uma mulher protagonista, porque ela nem protagoniza nada, só está ali pra dizer que está. Talvez esse seja o grande erro desse quadrinho que, no meu ranking, acaba ficando com o segundo quadrinho pior de Mark Millar em matéria de roteiro, ficando atrás somente de Nêmesis. Já a arte do desenhista Stuart Immonen está mais sensacional e incrível do que nunca. Ficou muito valorizada tanto pela finalização quanto pelas cores. Os conceitos dele para os gadgets espaciais são incríveis. Pena que o roteiro seja tão qualquer coisa e com um deus ex machina meio bobão no final. Mark Millar quis fazer o próximo Star Wars e acabou fazendo um seriado de ficção científica das cinco horas na Manchete. É, Marquito, não se pode ter tudo.

STAR WARS: CAPITÃ PHASMA, DE KELLY THOMPSON E MARCO CHECHETTO

Preciso confessar uma coisa: eu ainda não assisti a nenhum filme da novíssima trilogia de Star Wars, essa feita depois da Lucas Filmes ter sido comprada pela Disney. Meu primeiro contato com esse material foi, portanto, este encadernado da Capitã Phasma, que eu não fazia (e ainda não faço) ideia de quem é. Então não sei se posso julgar ele direito. Acontece que a primeira parte do encadernado e da história é aquele lado ruim das histórias de Star Wars, que é a “guerra de navezinhas do espaço” em que nada acontece fora batalhas e explosões. A minissérie demora muito para engrenar tanto que pensei que poderia ser só isso. Mas quando finalmente a Capitã Phasma e a Piloto entram em contato com o povo planeta que pretendem “ajudar”, só ali, percebemos que a tal Capitã não é uma personagem tão plana assim e a história então começa a ficar mais interessante. Mas mesmo assim não deu para entender o contexto da novíssima trilogia de Star Wars feita pela Disney. Pelo menos não através desse minissérie. Então fico receoso em adquirir mais materiais que dizem respeito a esses filmes sem tê-los assistido. Será que vou conseguir entender, ou vai ser como este, que tanto faz como tanto fez?

BLACK SCIENCE, VOLUME 1: COMO CAIR PARA SEMPRE, DE RICK REMENDER, MATTEO SCALERA E DEAN WHITE

Existem alguns quadrinhos que precisam ser muito muito bons para continuarem sendo acompanhados. Este Black Science é um exemplo. A razão é muito simples: o preço praticado na capa do quadrinho. Este aqui, por exemplo, custa sessenta e cinco reais. Um preço absurdo levando-se em conta que outros quadrinhos do tipo saem por menos da metade do valor. A história também não é lá tão surpreendente assim e gira em volta não dê aquilo que poderíamos pensar de uma tal “ciência sombria”, mas sobre camadas da realidade e realidades alternativas, assunto que nas revistas de super-heróis já foi explorado à exaustão. O quadrinho também demora muito a engrenar, levando praticamente metade da publicação para se tornar de alguma forma interessante. Por outro lado, a arte do quadrinho é muito muito boa. O estilo limpo/sujo e caricato/realista de Matteo Scalera casa muito bem com a proposta dual da série. As cores de Dean White conferem o clima e a atmosfera dúbias e aventuresca proposta aqui. Mas uma série desse estilo, infelizmente, para mim, com esse tipo de preço praticado, não dá para manter no meio de outras séries, ou mais acessíveis ou mais interessantes, mesmo no própria editora Devir Brasil.

OS FANTÁSTICOS MUNDOS DE MOEBIUS, DE JEAN “MOEBIUS’ GIRAUD

Talvez muitos venham a querer me matar depois desta declaração, mas a boa da verdade é que eu não consigo gostar tanto assim do Moebius como as pessoas que curtem quadrinhos dizem que gostam. Eu, para minha sorte ou para meu azar, sou um cara muito mais de enredo e significado do que imagens e sensações e, por isso, as histórias que Jean “Moebius” Giraud conta não fazem o menor sentido para mim. Pegue por exemplo As Férias do Major que até é engraçadinha mas nada a além disso e a famosérrima Garagem Hermética, que para mim de hermético é só o sentido de existência de um trabalho com esse. Essas duas histórias estão incluídas neste encadernado dos anos 1990 editado pela Editora Globo, além de muitas outras sem pé nem cabeça, como – talvez a melhor e mais a ver de todas – a de um homem feiozérrimo que possui priapismo e que não consegue desfazer seu pau duro. Isso o coloca em deleites e desgostos através da história no espaço sideral. Mas no mais, bah, é de chorar no cantinho as histórias, desculpae fãs do Moebius! A edição da Globo com as cores supersaturadas também não ajuda muito nesse sentido. É, tem poucas histórias do Moebius que são pra mim, mesmo…

É isso aí, mergulhadeiros, espero que tenham curtido tudo isso! Abraços submersos em pilhas de gibis e até o próximo mês! =)

2 comentários sobre “Melhores e Piores Leituras de Setembro de 2019

Deixe um comentário, caro mergulhador!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.