As Belezas e Cruezas do Japão Feudal. Chambara: O Caminho do Samurai, de Roberto Recchioni e Andrea Accardi

Essa coleção de fumetti voltados para o público adulto que a Panini Comics tem trazido para o Brasil tem se revelado um surpresa grata e recompensadora. Até agora todos os álbuns que a editora italiana radicada no Brasil trouxe nesse estilo foram de 100% de aproveitamento e cinco de cinco estrelas. O último álbum dessa leva a sair nas bancas foi Chambara: O Caminho do Samurai, de Roberto Recchioni e Andrea Accardi. Um quadrinhos lindíssimo, com histórias envolventes e que se usam de uma narrativa impressionante, tanto nos desenhos, nos diálogos quanto nas cores. É sobre ele que vamos falar um pouquinho mais agora.  

No começo deste álbum, o desenhista Andrea Accardi faz um agradecimento e uma dedicatória a Frank Miller, que o inspirou a fazer este álbum. Também vemos que o desenhista viajou até o Japão para captar com verossimilhança as paisagens daquele país. Mas a verdadeira homenagem que Accardi quis prestar ao mestre Frank Miller diz respeito ao que ele fez pela linguagem dos quadrinhos do ponto de vista da narrativa. Miller foi responsável por trazer os mangás japoneses para a cultura ocidental em meados dos anos 1980. Ele também usou e abusou da linguagem cinematográfica no storytelling dos quadrinhos, recursos, estes, que estão presentes em Chambara: O Caminho do Samurai.

Frank Miller ajudou a First Comics a trazer os primeiros mangás para os Estados Unidos, começando com Lobo Solitário, para o qual Miller realizou algumas capas e ajudou no trabalho de adaptação da leitura, espelhando as páginas para que o leitor pudesse acompanhar o sentido de leitura. Ao se apropriar dessa linguagem, Miller foi, então trabalhar naquele que eu acho o seu melhor trabalho, que é a saga do samurai caído em em desgraça e que vive em um  mundo futurista tecnológico, Ronin. Ali ele pode usar não apenas a linguagem dos mangás como despejar no enredo um pouco da cultura japonesa.

Daí os agradecimento do desenhista de Chambara: O Caminho do Samurai, Andrea Accardi para o mestre Frank Miller, pois ele e o roteirista Roberto Recchioni se inspiraram por demais em seus trabalhos para fazer este fumetto. Estão ali o pace mais lento das belíssimas paisagens do Japão feudal trazidas por Accardi. Também estão presentes as composições de cenas, visualizadas em planos abertos em sua maioria e em formato widescreen. As cores que Accardi usa ajudam a compor o ritmo e a troca de cenas e cenários da HQ, tanto na primeira história como na segunda dela, com a paleta demonstrando momentos da narrativa de acordo com a intenção dos autores para aquelas cenas. 

O compilado da Panini traz duas histórias. As duas estão interligadas por um mestre samurai cego que, aparentemente, pelo qual ninguém dá nada. Todos acham que ele é apenas um velho atarracado, sem dentes e sem visão que necessita da ajuda dos outros, mas, pelo contrário, ele está ali para oferecer sua sabedoria e conhecimento nas artes da guerra. Os dois contos se passam no Japão feudal e demonstram as belezas e as cruezas desse momento histórico da Terra do Sol Nascente e dos contextos culturais daquela época. 

Na primeira história um aprendiz de samurai deve buscar seu mestre samurai, que acabou desonrado e, por isso, não usa mais sua espada e sim, um pedaço de pau. Na sua jornada, ele vai se deparar com o velho mestre samurai desdentado e cego que vai ajudá-lo a se converter num verdadeiro e honrado samurai e também a buscar a redenção para seu antigo mestre. A segunda história acompanhamos uma poetisa que teve seu pai desonrado e morto na frente de nobres que debochavam da sua cara enquanto morria. A filha busca vingança para o pai. Com a ajuda do antigo mestre cego e desdentado, encurvado, ela vai aprender a caminho das Kunoichis, assassinas furtivas, uma espécie de ninjas mulheres da época feudal. Ao se aprimorar em seu treinamento, ela vai em busca de criar sorrisos de orelha a orelha, através do corte de sua espada, nas bocas dos nobres que outrora debocharam de seu pai. 


São dois contos de honra e desonra, vingança e redenção, ambos estimulados pelo velho mestre, através do qual os dois jovens encontram alguma espécie de sabedoria para conduzir o restante de suas vidas, nem sempre pelo caminho mais benévolo. Já falamos aqui sobre a linha de quadrinhos italiano adultos da Sergio Bonelli Editore. Dos três quadrinhos neste estilo que pude ser desta linha, este foi o que mais gostei. Vale muito a pena! Espero que vocês também gostem! Abraços submersos em estrelinhas ninja japonesas!

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