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Melhores e Piores Leituras de Outubro de 2019

Olá amigos mergulhadores! Outubro está chegando no final! É hora da nossa seminal e costumeira listinha de melhores e piores leituras! Neste mês não tivemos tantas leituras como de costume, tivemos trinta e cinco no total, dos quais vinte e cinco estão entre as melhores do mês e dez delas estão entre as piores do mês! Lembre-se que o final do ano está chegando e teremos uma incrível variedade de posts com categorias para as melhores leituras do ano. Fiquem ligados! Enquanto dezembro não chega, aproveite para ver a lista de melhores e piores leituras de outubro! Vamos lá, confira!

Melhores

A LINGUAGEM DOS QUADRINHOS: O UNIVERSO ESTRUTURAL DE ZIRALDO E MAURICIO DE SOUSA, DE MOACY CIRNE

A Linguagem dos Quadrinhos: O Universo Estrutural de Ziraldo e Mauricio de Sousa, é hoje em dia um livro raro, difícil de se achar, apenas em bibliotecas públicas e universitárias, já que não teve reedições. O mestre Moacy Cirne nos deixou em 2014 legando uma vasta obra de livros teóricos sobre os quadrinhos, estes publicados em sua maioria na década de 1970. Contudo, nem por isso deixam de ser valiosas contribuições para o estudo dos quadrinhos, tendo sido um dos grandes pioneiros brasileiros neste tipo de pesquisa. Ele gostava de enfatizar os aspectos linguísticos dos quadrinhos, com ênfase na presença da onomatopéia, que o encantava e que está presente em grande parte de suas obras. Este livro em questão fala sobre os universos criados pelos quadrinistas brasileiros Ziraldo, cuja análise de Pererê ocupa quase três quartos do livro e de Mauricio de Sousa e a sua Turma da Mônica, que recebe o último quarto da publicação. Um ótimo livro para se começar a pensar o quadrinho feito no Brasil por brasileiros e que poderia servir como inspiração para novos estudos dentre deste recorte do objeto de estudos quadrinhos brasileiros.

LIGA DA JUSTIÇA ODISSÉIA, VOLUME 1, DE JOSHUA WILLIAMSON, STEPHAN SEIJIC, PHILLIPE BRIONES, CARMINE DI GIANDOMENICO E JEREMY COX

Essa nova equipe da Liga da Justiça – formação e nomes inéditos – surgiu após o evento Sem Justiça. Eu não ia comprar este encadernado, mas depois de ter lido o encadernado da Liga da Justiça Dark e ter gostado muito, resolvi dar uma chance para essa equipe também. Não me arrependi, embora a versão Dark seja melhor que essa versão Space Opera da liga dos maiores heróis da Editora das Lendas. O mote da história é que Darkseid acredita que Estelar, Cyborg e Azrael serão uma nova espécie de deuses cósmicos, que precisam ajudar os planetas da Zona Fantasma. Eles recusam a ajuda do deus sombrio de Apokolyps, mas em seguida percebem que o que ele diz tem um fundo de verdade. Para ajudá-los também está a Lanterna Verde brasileira Jessica Cruz. A historinha é bem divertida e fácil de se acompanhar. Um dos problemas dessa revista foi o atraso que o terceiro número sofreu por causa das artes pintadas e realistas de Stephan Seijic, que deveria ser o grande atrativo da publicação. Hoje em dia, a revista não possui uma arte realista, mas uma arte comum como as demais publicações. Vamos acompanhar para ver se a qualidade aumenta ou diminui por causa disso.

DC COMICS – A LENDA DO BATMAN: POR TRÁS DA MÁSCARA, PARTE 1, DE JUDD WINNICK, DOUG MAHKE, TOM NGUYEN, PAUL GULACY

Sempre tive curiosidade para ler esse arco em que o Capuz Vermelho se revela ser o Robin há muito falecido, Jason Todd. Mas era daquelas curiosidades mórbidas, guilty pleasures, de que você tem a certeza de que o negócio vai ser ruim para caramba e mesmo assim quer ler. Bem, não é exatamente o caso desse. Judd Winnick é um roteirista bastante mediano, mas que tem alguns acertos bons, como no caso a criação da equipe mutante dos Exilados. Aqui neste arco ele mostra toda sua verve de autor e consigo entender porque esse arco é tão celebrado a ponto de ter sido transformado em um longa de animação. Winnick começa a primeira história in media res, ou seja, já no ponto impactante da trama e segura a tensão do leitor até fazer a revelação final, seis edições depois. Eu fico imaginando o frisson que isso causou nos fãs durante o lançamento das edições e como o Jason Todd como Capuz Vermelho passou da rejeição total para a assimilação permanente no Universo DC a ponto de ganhar um título solo só seu, como é hoje em dia. Me surpreendi com a qualidade deste encadernado e agora preciso ler a continuação! Eba!

CHAMBARA: O CAMINHO DO SAMURAI, DE ROBERTO ROCCHIONI E ANDREA ACCARDI

Uia, que quadrinho ótimo! Que fumetti sensacional! Nossa, mas que aquisição recompensadora! 5 de 5 estrelas! Aproveitamento 100%! No início deste lindíssimo álbum o desenhista/artista faz um agradecimento para o mestre Frank Miller, pois ele e o roteirista Roberto Recchioni se inspiraram por demais em seus trabalhos para fazer este fumetto. Estão ali o pace mais lento das belíssimas paisagens do Japão feudal trazidas por Accardi. Também estão presentes as composições de cenas, visualizadas em planos abertos em sua maioria e em formato widescreen. As cores que Accardi usa ajudam a compor o ritmo e a troca de cenas e cenários da HQ, tanto na primeira história como na segunda dela, com a paleta demonstrando momentos da narrativa de acordo com a intenção dos autores para aquelas cenas. São dois contos de honra e desonra, vingança e redenção, ambos estimulados pelo velho mestre, através do qual os dois jovens encontram alguma espécie de sabedoria para conduzir o restante de suas vidas, nem sempre pelo caminho mais benévolo. Dos três quadrinhos da linha adulta dos fumetti da Sergio Bonelli Editore, este foi o que mais gostei. Vale muito a pena!

Leia uma resenha completa do quadrinho Chambara!

LIGA DA JUSTIÇA DARK, VOLUME 1, DE JAMES TYNION IV, ALVARO MARTINEZ BUENO E DANIEL SAMPERE

Uma coisa boa sobre esta nova encarnação da Liga da Justiça Dark é que ela não é bem a Liga da Justiça Dark. Veja bem, nada contra a Liga da Justiça Dark, mas é que ela tem a sua própria maneira de ser. A pegada dessa nova Liga da Justiça Dark é que ela se parece muito mais com outra equipe sobrenatural do Universo das Lendas, que é o Pacto das Sombras. Essa equipe surgiu depois dos eventos do Dia da Vingança, minissérie ligada à Crise Infinita e foi uma das melhores – na minha opinião – séries que a DC Comics publicava naquela época. A dinâmica estabelecida entre os membros da equipe pelo escritor e desenhista Bill Willingham, o mesmo criador da série adulta da Vertigo, Fábula, era muito boa. Nesta nova versão, o escritor James Tynion IV consegue estabelecer histórias extremamente divertidas e gostosas de se acompanhar com o “plus a mais” de se passar no universo místico e sombrio da DC Comics. James Tynion IV é um roteirista que usam sempre para tapar o buraco dos outros, mas é muito subestimado, porque possui um trabalho para lá de competente. Os desenhos da revista também são bastante agradáveis de leitura e narrativa. Uma ótima pedida esse encadernado, hein?!

OS CAMPEÕES, VOLUME 2: PRIMEIRA GUERRA ESTRANHA, DE JIM ZUB, SEAN IZAAKSE, NYLA INUUKSUK, KEVIN LIBRANDA, MAX DUNBAR E OUTROS ARTISTAS

Dizem que a Marvel não tem clássicos. Balela. Afinal quem decide o que é clássico? Pois é. provavelmente seja o sentimento de ser transportados para os lugares e tempos que uma história conta. Isso, esse quadrinho de Os Campeões faz muito bem quando transporta a equipe através do Portal do Destino (aqui traduzido erradamente como Portal Paralelo), o mesmo do X-Men. Ao adentrarem esse artefato místico eles são levados para o Mundo Estranho, onde se tornam todos versões de RPG de si mesmos, prato cheio para o roteirista Jim Zub que vem da série de RPG Skull Kickers. Ouso, portanto, dizer que Zub se deu melhor com a equipe de vingadoidos adolescentes do que Mark Waid e seu assecla Humberto Ramos. As histórias são incrivelmente mais divertidas e mais conectadas com o Universo Marvel e entre si mesmas. Muito bom. Só não vou dar cinco estrelas porque a edição anual focando na Guarda da Neve e escrita por outra pessoa deixa o nível mais fraco, exatamente por apostar e focar apenas nessa personagem deixando os outros Campeões de lado. Mas mesmo assim, esse encadernado é uma ótima pedida!

BATMAN & OS RENEGADOS, DE MIKE W. BARR E JIM APARO

Fazia um tempinho que eu queria ler essas histórias. Nem tanto por ser a primeira equipe coordenada e liderada pelo Batman, mas por trazer a primeira aparição e origem de diversos heróis populares da DC Comics como a Katana, o Geoforça e hã… nem tão popular assim, a Halo. Ao ler os extras desse encadernado li que a Batman and The Outsiders foi uma continuação natural da revista The Brave and The Bold, que na edição 200 e final apresentou a nova equipe. A história conta principalmente a origem de Geoforça e do reino de Markovia, que está em guerra civil. Batman rompe com a Liga da Justiça para poder se infiltrar no reino e recuperar seu a amigo e administrador das Indústrias Wayne, Lucius Fox, que foi capturado pela milícia ditatorial do Barão Bedlam. Este último foi um associado dos nazistas quando a Segunda Guerra Mundial irrompeu na Europa. Com a ajuda dos vários membros da equipe dos Renegados, a missão é um sucesso, mesmo um não tendo ciência dos seus colegas de equipe. Como alguns já falaram seria legal se a Panini lançasse esse material em Lendas do Universo DC. Material digital existe disponível.

Leia um post completo sobre Batman e os Renegados neste link.

QUADRINHOS & EDUCAÇÃO, VOLUME 5: ESPAÇOS PÚBLICOS, MEIO AMBIENTE E DIVERSIDADE, DE THIAGO MODENESI E AMARO XAVIER BRAGA JR. (ORGANIZAÇÃO)

Este é o quinto volume da coleção Quadrinhos & Educação, organizada pelos professores doutores Thiago Modenesi e Amaro Xavier Braga Jr. Nesta edição, tive a honra de fazer a capa do livro e colaborar com um artigo falando sobre o primeiro personagem homossexual da Turma da Mônica, de Mauricio de Sousa. Se trata de Caio, amigo da personagem Tina. O título do meu artigo é “A representação queer nos quadrinhos: educação para a ampliação dos direitos culturais?” e além de falar sobre como o personagem é apresentado também fala sobre atravessamentos da educação e dos direitos culturais nas mensagens transmitidas pelas histórias em quadrinhos. Além deste meu artigo, o livro traz mais oito textos, divididos em três temáticas: espaços públicos (em que temos um ótimo artigo sobre a HQ Retalhos); meio ambiente (que se foca nas produções de fanzines e na discussão da ecologia em sala de aula através dos quadrinhos) e diversidade (que além de apresentar o meu artigo também traz outro sobre a incrível série de Brian K. Vaughan e Cliff Chiang, Paper Girls). Fica a recomendação de leitura para os interessado no(s) tema(s).

A HISTÓRIA ATRAVÉS DA MÍDIA: REPRESENTAÇÕES, PERSONAGENS, FONTES, DE ARISTEU MACHADO LOPES, ARTUR RODRIGO LOPES E MARCO ANTONIO COLLARES (ORG.)

Muito interessante e oportuno este livro que traz aproximações entre História e as mídias, organizado pelos professores da UFPEL do Lipeem. Dos livros de compilados de artigos que eu tenho lido recentemente, este é um dos que tem uma composição de assuntos, mas redondinha, ou seja, que a grande maioria conversa entre si. Claro, existem poucos deles que destoam dos demais, como um que fala sobre videogames e outro sobre jornalismo, pois a maioria investe no universo dos desenhos e dos quadrinhos. São pesquisas que chamam bastante a atenção como a masculinidade de Conan, a raça na revista Young Allies, a resiliência dos super-heróis como representação para crianças vulneráveis, a análise da presença intermidiática da televisão nos quadrinhos de Persépolis e as influências artísticas no trabalho de Jim Steranko em Nick Fury: Agente da S.H.I.E.L.D.. Estes cinco artigos foram os que mais me conquistaram e trouxeram novas visões e arcabouços sobre objetos que já havia refletido sobre antes. Reitero os elogios à organização do livro e da qualidade de grande maioria dos artigos presentes neste livro.

HELTER SKELTER, DE KYOKO OKAZAKI

Caramba! Carambinha! Carambolas! Carambraia! Que quadrinho incrivelmente impactante, nossa, ainda estou passado, chocado, bege, com ele! Ele conta a história de uma top model que faz de tudo pela fama e que manipula a sua assistente de maneiras que vão muito além da moral e da ética de um trabalho desta natureza. Comecei folheando o quadrinho, em pé, como quem não quer nada, que só ia olhar como eram os desenhos e a narrativa e, quando percebi já tinha lido mais da metade das mais de trezentas páginas que compõem esse compilado de mangá de Kyoko Okazaki trazido ao Brasil pela editora New Pop. Por falar em New Pop, eu costumo reclamar bastante do trabalho de edição deles, mas desta vez não consegui encontrar nenhum erro flagrante, ou seja, a editor está mais cuidadosa com isso. Parabéns pela mudança e por trazer um quadrinho tão fora do comum, tão excedente de limites e que nos faz arregalar os olhos e continuar lendo as barbaridades da top model Lilico a cada virada de páginas. Se você está procurando uma leitura diferente, principalmente no reino dos mangás, Helter Skelter, título inspirado na música dos Beatles, é uma ótima pedida!

GUERRAS INFINITAS, VOLUME 5, DE GERRY DUGGAN, MIKE DEODATO JR., BEN ACKER, BEN BLACKER, CHRIS SIMS, CHAD BOWERS, ALE GARZA, GERARDO SANDOVAL E TODD NAUCK

Eu já estava curtindo para valer essa saga, mas agora com essa reviravolta, ou melhor, “torção” na história, estou gostando anida mais. Acontece que, para não seguir os passos de seu pai, Thanos, a mulher mais perigosa da galáxia, Gamora, decide estalar o dedo não para eliminar metade do universo, mas para fundir uma metade com a outra. Começa, então Torções Infinitas (Infinity Warps). Assim, temos um revival do que foi o saudoso e festejado Universo Amálgama da DC Comics e da Marvel, mas apenas dentro da Marvel. Surgem personagens como o Cavaleiro Aranha, mescla de Aranha e Cavaleiro da Lua e Arma Bruxa, mescla de X-23 e Feiticeira Escarlate, cujas minisséries são publicadas na íntegra nessa edição. Que, aliás, são extremamente divertidas e com bons desenhos, brincando com a mitologia dos personagens e de todo Universo Marvel. Um deleite para os fãs da casa das ideias. Este volume também traz a minissérie do Sonâmbulo, um herói esquecido dos anos 1990, que vai ter a missão de separar as fusões dos heróis através do plano mental, onde se encontram os adormecidos e os despertos. Louco pra ler a continuação! (e o Cavaleiro Aranha também está).

FILOSOFANDO COM OS SUPER-HERÓIS, DE GELSON WESCHENFELDER

Este livro do “filósofo dos quadrinhos”, Gelson Weschenfelder traz um apanhado de aproximações entre temas da filosofia e os super-heróis das histórias em quadrinhos. O livro me parece ter sido concebido para o formato didático e ser usado e distribuído em escolas ao redor do país para criar consciência crítica nos alunos da matéria de filosofia, pois ele tem o formato e design de uma publicação do gênero. Pensando nisso, a linguagem do livro está em consonância com esse tipo de público, bastante lúdica e dialógica. Contudo, para mim como um leitor inciante através de O Mundo de Sofia me pareceu que falou dialogar com os super-heróis em outros tipos de filosofia e filósofos. O livro se concentra basicamente em Aristóteles e Simone de Beauvoir e seria interessante tanto para os alunos e leitores como para o autor e editora que mais heróis e filosofias fossem abordados com outros tipos de interpretações ou até mesmo uma interpretação ser confrontada com outra, até para diluir o maniqueísmo dos super-heróis. O livro tem muito para render e, quem sabe, um segundo volume não possa preencher essas lacunas? Vamos aguardar!

COLEÇÃO MARVEL HORROR: A TUMBA DO DRÁCULA. VOL. 8, DE MARV WOLFMAN, ARCHIE GOODWIN, GENE COLAN, JOHN BUSCEMA E NEAL ADAMS

Este foi o último volume da Coleção Marvel Terror: A Tumba do Drácula, Vol. 8 que a Panini Comics trouxe para as terras do Brasil. Infelizmente não é nele que as aventuras de Drácula se encerram e, por enquanto não temos previsão de que a Panini Comics vai dar continuidade a essas histórias com mais um lance de quatro edições. Neste volume vemos Drácula em busca de uma nova noiva, que acaba encontrando em um culto satanista, onde ela, Domini, acredita que Drácula não é o rei dos vampiros, mas o demônio-mor em pessoa. As histórias também contam uma subtrama que gira em torno de Blade lidando com o caçador de vampiros Hannibal King enquanto buscam o nefasto Deacon Frost. Também nesta edição o grande lorde dos vampiros acaba travando um confronto com ninguém menos do que o arauto cósmico e celestial de Galactus, o poderoso Surfista Prateado. Depois desse enfrentamento, aparentemente Drácula mata Blade. E por aí acaba o encadernado. Fica, então, a vontade de saber como a história se encerra. Fica então o apelo à Panini Comics para dar continuidade à linha de encadernados de Tumba do Drácula até o final.

HOMEM-ARANHA: ARANHAGEDOM, VOLUME 1, DE CHRISTOS N. GAGE, SEAN RYAN, JODY HOUSER, JAVIER GARRÓN, JORGE MOLINA, JUAN FRIGHERI, CLAYTON CRAIN, SCOTT CURIEL, ENTRE OUTROS

Dando continuidade ao sucesso dos quadrinhos de Aranhaverso e da animação do cinema Homem-Aranha no Aranhaverso, essa saga AranhaGedom traz de volta os inimigos de todos aqueles que usam uma aranha como símbolo: Os Herdeiros. Liderados por Morlun, estes personagens querem devorar aranhar ao redor do Multiverso. Mais uma vez, cabe ao Doutor Octopus, Otto Otavius, no corpo de Peter Parker, reunir um exército de Homens e Mulheres-Aranhas para defender suas versões e a própria existência do universo como o conhecemos. A graça, eu imagino, para a maioria das pessoas é ver as versões de Homem-Aranha que vão aparecendo nas histórias, para mim, a graça é dinâmica que se estabelece entre essas diversas versões através das realidades. Os desenhos de Javier Garrón, de Jorge Molina e de Juan Frigueri estão incríveis, talvez em sua melhor fase até então, emulando traços de Olivier Coipel e de John Cassaday. A história, se comparada com o Aranhaverso original, não é tão empolgante, mas serve como um tipo de animação trazida por um sentimento de nostalgia que invade ao ver tantas versões-aranhas juntas.

OS MAIS PODEROSOS HERÓIS DA MARVEL: HOMEM-MÁQUINA, DE JACK KIRBY, TOM DEFALCO, RON WILSON E BARRY WINDSOR-SMITH

Nesta avaliação e mini-resenha eu só irei avaliar as histórias que não dizem respeito à minissérie futurista do Homem-Máquina criadas por Tom De Falco e Barry Windsor-Smith. Voltarei minha atenção para o primeiro número da revista Machine Man feita por Jack Kirby, que é uma aventura divertida, mas que, por alguma razão a Salvat decidiu colocar neste encadernado somente o primeiro número deste volume de oito histórias. Além desta história e da minissérie de 1984 citada anteriormente, este volume da coleção vermelha da Salvat também vem com um arco de duas histórias da revista Marvel Two-In-One, que era estrelada pelo coisa. Neste volume ele recebe o Homem-Máquina e a Jocasta, a noiva de Ultron, que já foi Vingadora. A história é bastante divertida e lança raízes para o relacionamento entre Homem-Máquina e Jocasta utilizado agora na revista do Homem de Ferro. Contudo, os desenhos de Ron Wilson são pra lá de ruins, deixando a narrativa bastante complicada de se apreciar. Mas gostei muito de ver essa história que resulta na “morte” da ex-Vingadora Jocasta.

NORI E EU, DE MASANORI NINOMIYA E SONIA NINOMIYA

Bastante interessante este relato de si que conta, ao mesmo tempo a história da mãe do menino autista e do menino autista, por ele mesmo. As histórias dos dois se entrelaçam nos roteiros feitos pela mãe e nos desenhos em estilo mangá/underground do menino com autismo (na verdade, síndrome de Asperger). O interessante é que os dois passaram por oficinas com o quadrinista Caeto, um dos primeiros a abordar a autobiografia em quadrinhos aqui no Brasil. Fizeram um trabalho bastante tocante e envolvente e que nos faz pensar como avaliamos e julgamos as pessoas com problemas relacionados com o espectro autista ou outras deficiências de aprendizagem. Nota-se o quanto mãe filho são ligados, mas por outro lado me coloquei a pensar qual o papel do pai nessa história toda, que parece imensamente ausente, tanto para a mãe, como para o filho autista como para os outros irmãos, já que ele é mal citado no começo do quadrinho. Parece que essa mãe teve de cortar um dobrado para dar conta de todos os problemas da família. Mas esse é o problema das autobiografias: elas têm um peso, a balança sempre pende para o lado do autor. As autobiografias não são confiáveis em termos de veracidade, mas em termos de autenticidade. Nisso, Nori e Eu traz um trabalho originalíssimo e que devia ser estudado mais profundamente.

CARA-UNICÓRNIO, CAPÍTULO 5, DE ADRI A.

Continuamos nossa programação com o herói LGBT mais quebrador de estereótipos, que é o Cara-Unicórnio do Adri A. É bem interessante acompanhar a evolução deste personagem desde sua criação (eu me lembro de ouvir o Adri falar que ia criar um super-herói unicórnio) até seu amadurecimento como está hoje. É interessante também acompanhar a evolução dos personagens coadjuvantes, como o Tim e suas mãos que agora são quase garras do Wolverine, a Tia Ellie, que é uma homenagem a uma certa cartunista brasileira e trans, e muitos outros personagens que vão aparecendo ao longo da jornada do Cara-Unicórnio. Mas o Adri ainda está, como dizem “arranhando a superfície”, tem muito a ser explorado neste universo que ele criou e neste personagem. Por exemplo: como era a vida do Cara-Unicórnio antes do acidente? O “Ano Zero” do personagem, antes de sua origem. De qualquer forma, esse Capítulo 5 mantém o mesmo ritmo aventuresco e as piadas afiadas que foram estabelecidas nos quatro capítulos anteriores. Ainda me falta ler o Capítulo 6 para, depois, me preparar para o novíssimo Capítulo 7 a ser lançado na CCXP. Vai, Unicórnio!

DUPLO EU, DE NAVIE E AUDREY LAINE

Duplo eu é um quadrinho que fala o quanto nos escondemos nos nossos vícios e o quanto esse fato acabam nos mostrando cada vez mais e nos mostrando cada vez mais frágeis através deles. Duplo eu é uma história muito bem construída, com reflexões maravilhosas e desenhos encantadores. Ela não serve para refletirmos apenas sobre distúrbios alimentares ou outros vícios, mas também sobre a forma como conduzimos nossas vidas. Duplo eu é o quadrinho de uma luta real de uma pessoa que é mais forte que uma super-heroína porque ela não decidiu enfrentar o inimigo comum, que são os outros, mas a um inimigo muito mais poderoso, que é a si mesma. O grande trunfo é que essa heroína conseguiu sair vitoriosa desse embate, não através do combate, mas abraçando o inimigo e aceitando dentro de suas possibilidades. Outro elemento que está de parabéns na edição brasileira de Duplo Eu é a bela adaptação feita pela Editora Nemo para as letras feitas pela desenhista original, incrivelmente bonitas e casando com a história. Fato essa, que temos que destacar sempre, pois editora com maior poderio econômico dispensam detalhes como esse e entregam um trabalho ruim de adaptação visual dos quadrinhos. Parabéns então para a Nemo pela escolha do título e pelo trabalho desempenhado na edição do mesmo.

A MÃO DO PINTOR, DE MARÍA LUQUE

Este é o mais novo lançamento da editora paulista Lote 42, um quadrinho da quadrinista argentina María Luque. A artista usa como tema uma parte da história da América do Sul bastante explorada nos quadrinhos, mas não nos quadrinhos contemporâneos, que é a Guerra do Paraguai. A maneira como María Luque explora este tema também não poderia ser mais contemporânea. Ela o faz num misto de autobiografia com romance histórico, trazendo à baila nas suas conversas um espírito do pintor Cândido, que lutou durante a Guerra do Paraguai e lá perdeu um braço, perdendo também suas habilidades de pintura. É ele quem faz os relatos da Guerra para María enquanto ela mantém suas tarefas no cotidiano como se conviver com um fantasma fosse algo comum – um elemento emprestado do realismo fantástico maravilhoso sul-americano. Os desenhos de Luque, que são representantes bastante expressivos da arte naïve, casam perfeitamente com os relatos também inocentes do pintor que se coloca na pior guerra do continente pela primeira vez num cenário como aquele. Gostei bastante desse quadrinho: diferente, fora do comum e com uma linguagem toda própria.

O MUNDO SOMBRIO DE SABRINA, VOLUME 1, DE ROBERTO AGUIRRE-SACASA E ROBERT HACK

Assim como eu havia gostando bastante de Archie no Mundo dos Mortos, acabei gostando bastante deste O Mundo Sombrio de Sabrina. Ambos têm em comum serem escritos pelo também editor Roberto Aguirre-Sacasa, que foi o grande responsável pela renovação do universo Archie e da série de Riverdale. A nova história em quadrinhos da Sabrina começa bem, contando a origem da bruxinha e seus principais conflitos no mundo em que foi situada nas histórias em quadrinhos que são os anos 1960. Depois, a história dá uma esfriada, mas volta com tudo quando a personagem Madame Satã – resgate dos anos 1940 da Archie Comics – é apresentada ao leitor. Tudo começa a entrar num redemoinho rocambolesco culminando numa tragédia na vida de Sabrina. A arte do quadrinho por Robert Hack ajuda no clima de horror cru da série. Mas o que incomoda um pouco no começo é a presença de muitos elementos nas páginas, tanto de desenho como de diálogos. Contudo, pelo que pude reparar conversando com meu irmão, a série e os quadrinhos guardam bastante elementos em comum, por isso os quadrinhos devem acertar em cheio os fãs da série.

TOMMY E TUPPENCE: O ADVERSÁRIO SECRETO, DE AGATHA CHRISTIE E EMILIO VAN DER ZWINDEN

Eu não sei por que, mas existem alguns quadrinhos que são lançados no Brasil que ficam fora do radar dos veículos de comunicação brasileiros sobre quadrinhos. Os quadrinhos que a editora gaúcha L&PM são um exemplo desses “lançamentos fora do radar”, que não encontramos noticiados nos sites especializados. Eu sempre me deparo com eles nas bancas e livrarias sem ter ouvido “um pio” sobre. Foi o caso deste quadrinho que adapta as aventuras do casal de aventureiros Tommy e Tuppence, criado pela rainha do mistério Agatha Christie. É um quadrinho bastante divertido, com uma arte linda de morrer, um traço com nuances de espessura que o deixam ainda mais encantador, servido pelo responsável pela adaptação, Emilio Van Der Zwiden. Mas claro, este quadrinho também tem seus problemas. A começar pela experimentação narrativa do layout de páginas que, às vezes funciona muito bem e às vezes não funciona. Outro problema que me irrita muito é o letreiramento em que a fonte varia no tamanho dentro dos balões, provavelmente um problema próprio da edição nacional. A mim me parece importante que a L&PM estreite sua comunicação com canais de comunicação do nicho quadrinhos, pois aparentemente está faltando investimento na divulgação desse tipo de produto.

EROTIC COMICS: A GRAPHIC HISTORY, VOLUME 1, FROM BIRTH TO 1970S, DE TIM PILCHER

Fazia tempo que eu estava buscando encontrar livros que falassem sobre quadrinhos eróticos e, principalmente que abordassem a sua história e desenvolvimento de maneira crítica. Me deparei com este livro de Tim Pilcher, que é ricamente ilustrado, mas que, infelizmente eu só consegui achar na versão em formato EPUB, que eu acho horrível de ler no desktop. Foi por isso que enrolei para ler um livro simples por vários meses. Mas ainda assim o conteúdo do livro fica mediano, merecendo três estrelas de cinco. Isso porque o texto começa todo analítico sobre as origens do erotismo visual na cultura humana, explorando diversas culturas e depois dessa explicação, como todo livro norte-americano, se foca no seu umbigo e praticamente só fala do desenvolvimento dessa indústria nos Estados Unidos. Além disso, os textos passam a ser menos analíticos e pensados para serem mais pontuais e explanativos, descritivos, sem o mesmo aprofundamento que acabamos nos deparando no começo do livro. Existe uma segunda parte deste livro, que vou partir para a leitura em breve, que dá conta dos quadrinhos eróticos a partir dos anos 1970. Vamos ver se essa segunda parte logra mais sucesso comigo!

^O, DE ALEXANDRE DE NADAL

Acompanhei o desenvolvimento desta primeira HQ do Alexandre desde o começo, embora não soubesse do teor da história, que ele queria manter em segredo. Quando me deparei com a história, que é totalmente sem diálogos, algo que eu já estava preparado para encontrar, gostei bastante e, mais que isso também gostei que este quadrinho pode dar espaço para mais continuações dentro da mesma pegada experimental. O próprio título “^O”, já é bastante críptico como toda a intenção do quadrinho. Seria uma forma de fugir do serviço mainstream como o Prince fez durante os anos 90 com seu símbolo impronunciável, ou apenas uma forma de se relacionar com o impronunciável da imagem, que possui sua própria linguagem narrativa e que se pronuncia de uma forma diferente do que as palavras? Acredito na segunda, porque ^O vem da linguagem computacional do ASCI, e significa “movimento para dentro”, um movimento que é de subjetividade bem como acontece quando interpretamos as imagens, de uma forma que não é objetiva e bem própria de nossas convicções e conhecimentos. Viu como o quadrinho tem pano pra manga para continuações?

A ORDEM MÁGICA, VOLUME 1, DE MARK MILLAR E OLIVIER COIPEL

Existem algumas artes que tem o dom de revigorar nossa mente. Como se fossem tão bonitas, que lavassem elas e as deixassem novinhas, como o frescor de um banho. Isso é o que a arte de Olivier Coipel provoca em mim. É um banho de beleza, de relaxamento, de narrativa bem feitinha. Casar a arte do francês com tema magia foi um golpe baixo de Mark Millar, mas um golpe certeiro. Mal posso esperar para ver essa série se transformar em live action pela Netflix. Claro, A ordem Mágica tem todos aqueles elementos prosaicos das formulazinhas prontas de Millar, com seus momentos de choque, traição, sexo e violência costumeiros. Mas isso acaba sendo deixado de lado pela construção de mundo e belos personagens que Olivier Coipel nos traz aliados à misticidade misteriosa dos personagens que você quer descobrir mais e mais sobre eles. As últimas leituras do Millarworld haviam sido meio decepcionantes para mim, que bom que essa A Ordem Mágica veio para restaurar minha fé e esperança nesse universo se é que eu já tive alguma, hahaha! De qualquer forma se você está em dúvida sobre qual dos últimos quadrinhos de Mark Millar adquirir, vá direto em A Ordem Mágica.

O RETORNO DE WOLVERINE, VOLUME 5, DE CHARLES SOULE, STEVE MCNIVEN, DECLAN SHALVEY, TOMM COCKER E STEVE MOORE

Estou bastante empolgado com esse Retorno de Wolverine simplesmente porque não é tão ruim como eu esperava que fosse ser – e eu esperava uma ruindade máxima depois do que li sobre -, e também porque gostei da forma como a Panini Comics está lançando a série, de uma forma agradável de se acompanhar na revista mix. Esta edição conta com uma arte belíssima de Steve McNiven tentando emular o estilo de Barry Windsor-Smith, famoso por sua passagem na série Arma X que conta a (uma das) origem(s) de Logan, o Wolverine. Uma pena que essa linda arte fica só na primeira edição, que é completada por uma arte de Declan Shalvey, que fica longe, longe do seu melhor. Completa o número cinco a edição Wolverine: Under The Boadrwalk, publicada quase dez anos atrás. A arte de Tomm Cocker é fenomenal, mas o roteiro de Steve Moore deixa bastante a desejar. Outra coisa interessante dessa edição é a participação dos X-Men, que se deparam com Wolverine pela primeira vez desde que descobrem que seu amigo está vivo. O problema é que esse encontro não é nada amigável e vai se encerrar no próximo número.

Piores

GWEN-ARANHA: ARANHA-FANTASMA -ARANHAGEDOM, DE SEANAN MCGUIRE, ROSI KÄMPE E TAKESHI MIYAZAWA

Ai, ai, então… vamos lá! Quem me conhece sabe que eu adoro personagens femininas e adoro também as suas histórias. Mas a Gwen-Aranha, gente, a Gwen Aranha, não me desce pela garganta. Tudo começa porque ela é uma personagem que é apenas um uniforme bonitinho. As histórias dela, pelo Jason Latour, eram fracas, chatas, insossas, qualquer coisa. Bom, se o problema era a equipe criativa, se muda a equipe criativa, certo? A Marvel então colocou a premiada escritora de livros de ficção científica young adult Seanan McGuire como encarregada para as histórias da bendita Gwen-Aranha. E vocês acham que mudou alguma coisa? Nossa, não. Não mudou nada, continua horrível, horrendo, sem graça, sem sal, uma coisa empurrada goela abaixo do leitor como comida de hospital. Nem mesmo os desenhos de Takeshi Myiazama que costumam ser bons em Miss Marvel estão prestando nesta revista. Para vocês terem ideia de como é superficial essa história, eu li toda ela em cinco minutos esperando um pastel na praça de alimentação. Nossa, poderia ser pior? Só se o pastel fosse ruim, Por sorte, o pastel era bom.

GUERRAS INFINITAS, VOLUME 6, DE GERRY DUGGAN, JED MCKAY, CHAD BOWERS, CHRIS SIMS, MIKE DEODATO JR., JEFTE PALO, E OUTROS ARTISTAS

Eu estava achando bastante divertido essa história de “amálgama-só-no-universo-Marvel-entre-personagens-da-Marvel” que é essa “saga-dentro-da-saga” de Torções Infinitas em Guerras Infinitas. E se você já lê Marvel há um tempinho essa confusão toda é fácil de entender, mas se você chegou agora, melhor não começar por aqui. Então, eu estava achando essa historinha toda muito divertida, até que me deparei com a versão Torções Infinitas do Pantera Fantasma, que além de ter um roteiro horrível tem desenhos horríveis. Além disso, outra minissérie, que traz diversos personagens amalgamados da Marvel, Torções Infinitas Especial, conta com umas histórias pra lá de abobalhadas, que chegam a dar vergonha de ler. Se eu tinha gostado do Cavaleiro Aranha e do Diamante Caolho na edição anterior, odiei a Dupla Incrível e o Quarteto Justiceiro. E o que é o Observador X? E o Homem-Infinifuleiro? Pois é, espero que as outras minisséries desse universo de Torções Infinitas salve o coreto, porque senão fica difícil te defender, Marvel! Pelo visto termos ainda mais três edições dessa saga vindo por aí, então segura essa marimba, Inês Brasil!

BATMAN: LENDAS DO CAVALEIRO DAS TREVAS – ARCHIE GOODWIN, VOLUME 1, DE ARCHIE GOODWIN, ALEX THOTH, WALT SIMONSON E JIM APARO

Com raríssimas exceções eu não me dei bem com essa coleção Batman: Lendas do Cavaleiro das Trevas. É um material muito para fanzoca do Batman que engole todo material lançado da morcega. Além disso, como eu prezo mais as boas histórias que os bons desenhos, e como as coleções são compiladas por desenhistas, eu acabo me frustrando bastante. Essa, que era baseada, então, no renomado roteirista dos anos 1970, Archie Goodwin, atiçou minha curiosidade. Também porque não ficava só no Batman, mas no herói Caçador (Manhunter) que ele criou com outra lenda, Walter Simonson. Mas olha, fora a narrativa visual e gráfica das histórias, que são muito bonitas e bem cuidadas para encher os nossos olhares de ação, o enredo é bastante nhé, qualquer coisa, que não faz jus à lenda que cresceu ao redor dessas histórias de Goodwin e do Homem-Morcego. Como eu falei acima, precisa ser muito fanzoca de um personagem para engolir todas essas histórias. E do Batman é fácil, se publicar uma revista em papel branco impressa em branco e disser que é do Batman, vende. Fazer o que né, tem fã que é cego… cego de amores por seu personagem.

O RETORNO DE WOLVERINE, VOLUME 6, DE CHARLES SOULE, FRANK TIERI, DECLAN SHALVEY, STEVE MCNIVEN, PAUL GULACY, PACO DIAZ LUQUE

Eu vinha gostando de uma forma não muito intensa dessas minisséries que a Panini compilou na minissérie O Retorno de Wolverine, principalmente da parte The Hunt for Wolverine que envolveu boa parte do Universo Marvel. Tinha gostado também do começo da minissérie The Return of Wolverine, principalmente por causa da arte de Declan Shalvey e Steve McNiven. Mas essa edição que traz as histórias finais da minissérie, nossa, deu uma piorada de nível absurda. Isso porque chegou a hora da vilã Perséfone se explicar e dizer porque ressuscitou Wolverine e, adivinhem, a explicação obviamente não convence. Para piorar, a Panini colocou o especial Wolverine: Wendigo! para tapar os buracos da publicação. As duas histórias que são apresentadas, Wendigo (estrelada pelo Wendigo) e Wolverine versus Thor (com um plot pra lá de despirocado) são risíveis, bobas, enfadonhas. Os desenhos do veterano Paul Gulacy e do superstar Paco Diaz Luque também não ajudam um roteiro ruim de Frank Tieri. Assim que o fechamento da minissérie O Retorno de Wolverine foi desastroso, bastante marcado por roteiros ruins e descabidos.

STAR WARS: LANDO, DE CHARLES SOULE E ALEX MALEEV

Tenho acompanhado a maioria dos materiais dessa nova leva de quadrinhos de Star Wars que tem sido lançados pela Marvel. A grande maioria são história bastante boas, cheias de aventura e cativantes, diferentes das histórias do universo expandido de Star Wars que eu havia experimentado nas editoras anteriores. Mas esse quadrinho do Lando, simplesmemte não me cativou. Pode ser que seja por Lando Calrissian não ser um dos principais personagens das trilogias Star Wars, embora ele tenha o seu charme próprio. Mas desconfio que a combinação do roteiro de Charles Soule, que é mais aberto, mas liberto, não combinou com os traços de Alex Maleev, que é algo mais sombrio, mais cheio de nuances. O traço de Maleev é próprio para quadrinhos em estilo noir, e o roteiro que Soule nos traz é mais uma aventura ao estilo Robin Hood. Percebemos que as nuances do traço de Maleev, tão características de seu trabalho, aqui também estão ausentes, com o desenhista assumindo um outro estilo para a minissérie de Lando. Por essas e outras, de longe, essa é um dos especiais de Star Wars que eu menos gostei entre os demais.

A ESPADA SELVAGEM DE CONAN – A COLEÇÃO, VOLUME 2: A LIBERTAÇÃO DE THUGRA KOTHAN, DE ROY THOMAS, JOHN BUSCEMA, PABLO MARCOS, ALFREDO ALCALA, TONY DEZUÑIGA

Ai gente, não adianta! Eu juro que tenho me esforçado, mas essas histórias do Conan não são para mim, definitivamente. Elas são muito datadas tanto em conceitos como em narrativas, as aventuras só enchem os olhos por causa da arte de babar de gente como Alfredo Alcala e Tony de Zuñiga, bem como os artistas triviais da Marvel, mas o enredo do Roy Thomas, me perdoem os puristas, é enfadonho demais. Coisas que poderiam ser resolvidas em dois quadros levam duas páginas e às vezes o contrário também acontece. Talvez por serem adaptações de histórias consagradas do personagem Conan em quadrinhos elas não me passem todo aquele sentimento de maravilhamento que muitos dizem ter com as histórias do bárbaro cimério. E, convenhamos, por mais que me atraia a ideia de ver um homem musculoso brandindo sua espada seminu para lá e para cá, eu preciso ter alguma identificação com o personagem, levar ele em consideração. A construção do personagem Conan até onde já li do personagem é bastante rasa, mesmo para esse tipo de história. Então, sorry amiches, mas esse homenzarrão seminu não me conquistou ainda.

QUARTETO FANTÁSTICO, VOLUME 1, ETERN4MENTE, DE DAN SLOTT, SARA PICHELLI, STEFANO CASELLI E NICO LEON

A grande espera pelo novo novíssimo título da equipe do Quarteto Fantástico finalmente acabou! Mas, infelizmente as histórias não são tão divertidas assim como consta na tradição da primeira família da Marvel Comics. Também os desenhos da italiana Sara Pichelli, que eu já não achava lá aquelas coisas, estão, a cada edição menos caprichados, tanto é verdade que a desenhista teve de ser substituída pelo também italiano Stefano Caselli no título. A trama gira em torno do retorno do Senhor Fantástico, da Mulher Invisível e do resto da Fundação Futuro, que estão criando universos e agora voltam para a realidade 616 desde sua ausência no final do megaevento Guerras Secretas. Um dos motivadores da resposta aos apelos de seus colegas Tocha Humana e Coisa é o casamento deste último, Ben Grimm, com a escultura deficiente visual Alicia Masters. Contudo, as histórias não são muito interessantes, prendem a atenção, mas não o coração e a alma do leitor, como as HQs do Quarteto Fantástico costumam fazer. Eu sou fã da equipe e continuarei acompanhando, mas fico me perguntando que decisão tomará o leitor informal deste encadernado.

PRODÍGIO, VOL. 1: A TERRA MALIGNA, DE MARK MILLAR, RAFAEL ALBUQUERQUE E MARCELO MAIOLO

Eu havia lido a primeira edição – distribuída gratuitamente na CCXP do ano passado no estande da Netflix – de Prodígio e havia gostado muito da premissa. Mas lendo esse quadrinho me parece que a fórmula de Mark Millar de fazer personagens fodões com explosões e momentos chocantes fodões e com sensos de moral fodões está dando no saco. Além disso tudo o quadrinho tem outra marca de estilo de Millar que é inserir bem no final de tudo, um deus ex machina que muda toda a situação do jogo estabelecido por aqui. Mas o companheiro artístico de Millar em suas empreitadas também conta bastante. Aqui neste Prodígio a arte fica a cargo do gaúcho Rafael Albuquerque, que também desenvolve um trabalho incrível na primeira edição e depois decai um monte nas edições seguintes. Esses fatores tornam os trabalhos da dupla nesse Prodígio menos admiráveis, ou ainda, menos prodigiosos como gostam de divulgá-los. Comparar este trabalho com Huck, outro trabalho dos dois, daria uma bela análise que eu não vou fazer, mas recomendaria a vocês tentarem estabelecer os paralelos entre a engenhosidade de uma obra e a simplicidade de outra.

BATMAN: FACTS AND STATS FROM THE CLASSIC TV SHOW, DE RIAN HUGHES E Y. Y. FLURCH

Então que esse livro não é bem o que eu pensava quando o adquiri pelas intewebs da vida. Eu pensava que ele teria uma análise do “fatos e estatísticas” dos episódios do seriado clássico do Batman dos anos 1960. Mas estava enganado. Ele está mais para, sei lá, um compêndio ilustrado e rapidinho de ler sem compromisso, ou um mini Coffee table book para não inciados e curiosos sobre essa série de televisão. É um livro com muitas muitas muitas figuras e tem um design bastante interessante que é condizente com o visual da série de televisão. Mas é o texto que é incrivelmente sem sal e despreocupado demais para ser colocado num livro. Se a intenção fosse produzir um livro para crianças eu até entenderia, mas que criança de hoje em dia seria fã de uma produção feita nos anos 1960? Pois é. Esse livro Batman: Facts and Stats from the Classic TV Show fica servindo mais como um livrinho bontinho para se ter e mostrar para os amigos num dia chuvoso e entediante ou ainda para se ler esperando para cortar o cabelo ou na fila do dentista. Certamente como um antídoto para momentos chatos ele serve.

ASA NOTURNA, VOLUME 7, DE BENJAMIN PERCY, CHRIS MOONEYHAM, KLAUS JANSON E VÁRIOS OUTROS

Booooring! As histórias de Dick Grayson, nosso ex-Robin favorito e atual Asa Noturna estão entrando numa espiral de chatice amargurada que não tem tamanho. Foi uma pena tirarem Tim Seeley das histórias do personagem porque ele estava construindo um universo bastante interessante dentro da revista. Mas não é só esse arco, de responsabilidade do escritor de Arqueiro Verde, Benjamin Percy que é sem pé e nem cabeça e sem nenhuma condição de fisgar o leitor. Os desenhos dessa edição também são bastante esquisitos e a justificativa para isso não é outra senão a arte final de Klaus Janson, o mesmo cara que faz as finalizações das polêmicas artes de Frank Miller e John Romita Jr. O arco gira em torno de um inteligência artificial que faz o corpo das pessoas de hospedeiros e passa a projetar uma nova realidade. Em nenhum momento, contudo, é explicado como essa nova realidade é produzida, de onde vem e etc e tal. Para piorar, a história não acaba e ficamos sabendo que para entender tudo que foi feito nesse encadernado vamos precisar ler uma determinada edição de Batman, que não é dita qual. Que bela porcaria, hein, DC Comics?


É isso aí, caros mergulhadores! Aguardem até o final de ano, quando faremos o peneirão dos melhores e piores do ano! Abraços submersos em pilhas de leitura! =)

4 comentários

  1. Dessas piores que você citou, realmente Asa Noturna virou uma chatice muito grande. Tentei acompanhar, mas de bom mesmo, só encontrei até o volume em que o personagem faz um duo com Damian Wayne (Robin) – mas também não foi lá essas coisas.

    Pelo que percebo, essa revista, assim como Batgirl e Capuz Vermelho, formam uma trinca de encadernados chatos e que ficam perambulando em torno do personagem principal (o Batman) e não representam nada no aspecto macro do universo do Morcego – mas faço uma ressalva, em que as aventuras do Capuz, Artemis e Bizarro tenham me agradado um pouco mais. Enfim, larguei de mão desse Asa Noturna e Batgirl. Vou economizar para comprar outras coisas melhores.

    Também não leio Conan, não sei explicar esse auê que o povo tem com ele. Para mim, só vende pra caramba, é a galinha dos ovos de ouro da Marvel mas não representa nada para mim. Histórias fracas, sem tempero e datadas. Passo longe.

    E, devido a ter achado no passado, as histórias multiversais do Aranha bem sem graça, resolvi não aderir ao repeteco de AranhaGeddom. Esse mal não me pega. Menos uma para minha coleção.

    E como faço para adquirir o livro de pesquisas em que você escreve? Tenho as outras edições que um amigo adquiriu no evento Jornada em Quadrinhos deste ano – 02, 03 e 04. Faltam o volume 01 e este 05. Se puder me ajudar na aquisição, através de algum contato, agradeço.

    Abraços.

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    • Guilherme Smee diz

      Olha, eu até gostei do Capuz Vermelho e os Foragidos, achei divertida a dinâmica entre os três. Não gosto de Conan, gosto de Aranhaverso! =)

      Para adquirir o livro, pode mandar um e-mail praquele mesmo que trocamos anteriormente e posso te colocar em contato com os organizadores para saber da disponibilidade da primeira edição!

      Valeu pelos comentários!
      Grande Abraço!
      =)

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  2. Marcos Henry diz

    Boa Noite!
    Neste encadernado da panini salvat comprei só a numero 1 e 2, e realmente tem historias muito bem datadas, estou lendo por scans as historias antigas e também atuais da marvel( a espada selvagem de conan e conan, o barbaro)

    O que mais me agrada na leitura do Conan são mesmo os contos, são fantasticos e intringam ao leitor por este universo extenso do personagem

    Estou em 3 grupos do Conan no facebook, além de expressarem o “seu conservadorismo” aonde postam apenas imagens de mulheres nuas, ficam dando piti porque o conan terá histórias em sagas como foi feito o homem aranha, hulk e x-men em 2099 , estão indignados porque o personagem está em outros universos da Marvel, junto dos Vingadores (Selvagens) por exemplo, e também uma história em que ele é “mandado” pro Brasil, Rio Grande do Sul em procurar um vilão que está escravizando mulheres.

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