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Melhores e Piores Leituras de Novembro de 2019

Olá mergulhadores! Chegamos a mais um final de mês e trazemos nossa infalível lista de melhores e piores leituras do mês! Em novembro foram mais de trinta leituras, entre as quais vinte e quatro foram boas e sete foram ruins. E não se esqueça que em dezembro começaremos nossas várias listas de melhores e piores de 2019. Você não pode perder! Enquanto isso, fique com nossas leituras de novembro, comentadas! Abraços submersos!

Melhores

REVISTA BANDA, VOLUME 1, DE VÁRIOS AUTORES

O maior defeito desta revista Banda é que podia ter mais. Ficou um baita gostinho de “eu quero mais” e “é disso que o Brasil precisa” (hahaha) no final da leitura. Uma revista redondinha bem pensada, bem feitinha, bonita, organizada e com artigos e temas que impressionam pela qualidade não apenas do texto mas da investigação feita com fontes de peso sendo utilizadas para dar suas declarações. Sim, a revista poderia ter um formato maior, ou com mais conteúdo como uma revista literária ou um tamanho maior, como é outra revista brasileira sobre quadrinhos, que é a Plaf!, feita no Recife. Mas este número de estréia dá pra entender o enorme potencial que a Revista Banda pode atingir. Neste primeiro volume, a revista se debruça sobre a condição de clássicos da história em quadrinhos brasileira se dirigindo então para Lourenço Mutarelli e seu Diomedes, bem como para Angola Janga do premiadíssimo Marcelo D’Salete. O surgimento de revistas como a Plaf! e a Banda é um sinal do amadurecimento do cenário de produção de quadrinhos no Brasil, com balizdores e críticos que realmente são especializados e dominam do tema que discorrem, desviando dos achismo e indo em direção a um embasamento mais próximo ao da academia que o da crítica de arte em si. Nesse sentido todos têm a ganhar: o leitor, com dicas preciosas, a crítica com a força da academia e os autores com curadores que realmente tem domínio do seu objeto de seleção. Longa vida às revistas sobre quadrinhos.

GUERRAS INFINITAS, VOLUME 9, DE GERRY DUGGAN, AL EWING, CHRIS SIMS E CHAD BOWERS, ADAM KUBERT, RAMON ROSANAS, MIKE DEODATO JR., TODD NAUCK

Neste sétimo volume de Guerras Infinitas, as histórias continuam imensamente divertidas. O escopo da edição dá uma melhorada em relação ao volume anterior, que foi um tanto fraquinho. Esta edição já apresenta as histórias e origens dos personagens mesclados Martelo de Ferro (Thor + Homem de Ferro) e Soldado Supremo (Capitão América + Doutor Estranho). Os roteiros são de Al Ewing e os desenhos ficam por conta de dois ótimos desenhistas da Casa das Ideias: Adam Kubert e Ramon Rosanas. O folego do conteúdo e do leitor, então, são renovados e ajudam a continuar acompanhando a trama principal e também a minissérie do Sonâmbulo, o aventureiro de outra dimensão que tem a missão de separar os heróis “amalgamados”. Guerras Infinitas tem sido divertido de ler e de acompanhar, mas eu me pergunto se a Panini Comics Brasil não programou edições demais para um mesmo evento, já que serão nove edições dessa minissérie. Eu sou um leitor fiel, mas acredito que o leitor esporádico não teria esse fôlego e vontade de continuar lendo vários encadernados durante nove meses. Dá pra fazer nascer um nenê nesse tempo, né, gemt?!

X-MEN: EQUIPE AZUL, VOLUME 2: SOBREVIVENDO À EXPERIÊNCIA, DE CULLEN BUNN, JORGE MOLINA, MARCUS TO, MATT MILLA, ANDRES GENOLET

Este encadernado fecha mutos ciclos. O ciclo da Equipe Azul. O ciclo de Cullen Bunn à frente de um título mutante. O ciclo dos x-novinhos no presente, que culmina com a saga Extermínio, que está sendo lançada na revista mensal X-Men. São oito edições neste encadernado, mas digamos que metade dele tenha história boas e metade histórias mais ou menos. Isso vai muito da temática e da narrativa visual aqui utilizada. Os desenhos, feitos por vários desenhistas, acabam numa irregularidade um pouco incômoda de se ter num encadernado assim. Já os roteiros acabam, como mesmo é explicitado na revista, de fechar as pontas soltas deixadas pela equipe ao longo de mais de trinta edições americanas desta fase. Para quem acompanhou o movimento desde o começo vai ser um prato cheio. Para quem caiu agora de pára-quedas, provavelmente não vai ser tão atraente assim, embora tenha o seu charme de descobrir posteriormente mais sobre tudo que está acontecendo. Na minha opinião, entre a equipe azul e a equipe dourada desta fase, a primeira acabou se saindo com enredos mais amarrados e interessantes e, portanto, com histórias melhores. Menos no crossover com o Venom, claro!

DOUTOR ESTRANHO, VOLUME 1: UNIVERSO AFORA, DE MARK WAID E JESÚS SAIZ

Que delicinha de aventura mágico-espacial que Mark Waid e Jesús Saiz prepararam para o Mago Supremo da Terra. Da Terra? Não! Da galáxia! Isso porque, ao parar de enxergar a magia no planeta Terra, Stephen Strange é aconselhado por Tony Stark que vá buscar artefatos mágicos para restaurar seus poderes no espaço, a fronteira final! Stephen então embarca em uma aventura num estilo que nunca teve. Uma coisa interessante sobre esse encadernado é que ele abraça elementos criados no Universo Cinemático do Marvel Studios. Por exemplo, Stephen Strange acaba de posse da Joia do Tempo. Mais para frente, ele também acaba se aliando ao anão Eoffren, o anão gigante dono da forja que faz uma novo martelo para Thor nos filmes do cinema, interpretado por Peter Dinklage. Eoffren ajuda o Doutor Estranho a forjar seu próprio artefato mágico, uma espada chamada o Bisturi de Strange, capaz de abrir rombos no espaço e provocar teleporte. Um ótimo encadernado para esse personagem que merece ótimas histórias e tem um enorme potencial para grandes e épicas sagas aventurescas.

AQUAMAN, VOLUME 1, DE KELLY SUE DECONNICK, ROBSON ROCHA E DANIEL HENRIQUES

Essa fase de Kelly Sue DeConnick e do brasileiro Robson Rocha no Rei Arthur dos Sete Mares me lembrou muito a passagem de Cullen Bunn pelo título do Aquaman durante o finalzinho da fase de Os Novos 52. Também tratava de um Aquaman desmemoriado que singrava um lugar desconhecido para eles e os leitores. Para mim, essa foi o melhor arco do Aquaman em Novos 52, superando Geoff Johns, Jeff Parker e Dan Abnett. Mas o arco de Bunn não foi bem recebido pelo público e pela crítica na época. Creio eu, muito em função do desenhista que não se encaixava com desenhos aquáticos. Agora, como a chegada de DeConnick com uma temática parecida, parece que o arco foi bem recebido nos Estados Unidos, a ponto de lá e aqui o encadernado ter sido renumerado. A história é uma aventura bastante consistente e os desenhos de Robson Rocha casam muito bem com tudo, com as cores vívidas, na melhor tradição do outro brasileiro que revitalizou o personagem, Ivan Reis. Uma pena que já no próximo arco o Rei dos Sete Mares já vai deixar esses personagens e universo e retornará para Atlântida. Seria uma temática e personagens que poderia render muito mais que apenas um arco.

HOMEM-ARANHA: ARANHAGEDOM, VOLUME 2, DE CHRISTOS GAGE, SEAN RYAN, CARLO BARBERI, DAN SLOTT, JODI HOUSER, JORGE MOLINA E OUTROS ARTISTAS

Enquanto eu estava lendo esse Homem-Aranha: AranhaGedom, Volume 2, me dei conta de que estava lendo ele pela inércia. Por mais que eu tenha gostado dos desdobramentos de Homem-Aranha: Aranhaverso e da premiada animação Homem-Aranha no Aranhaverso. Ok, conhecer diversas versão de Homem-Aranha até é divertido no começo, mas depois dá uma canseiiiiraaa. Tanto é que dessa vez temos uma versão Homem-Aranha da Tia May, a Madame-Aranha. Neste segundo volume, talvez a história mais divertidinha seja a das Garotas-Aranha, em que May Parker, Anne Parker e Anya Corazón se reúnem para encontrar um Normie Osborn de três braços. As demais edições seguem os Herdeiros exterminando os totens aranha pelo mundo e a equipe liderada pelo Homem-Aranha Superior tentando evitar esse extermínio, ou melhor, esse AranhaGedom, que já levou o Capitão-Aranha, Brian Braddock, e o guardião da Tear, duas peças principais na extinta série Guerreiros da Teia. A Panini ainda não revelou quantos números essa minissérie terá, mas imagino que será cinco. O que me faz pensar se eu vou continuar acompanhando esse título até lá.

A MORTE DOS INUMANOS, DE DONNY CATES, ARIEL OLIVETTI E JORDIE BELLAIRE

Para começar, se você for buscar esse quadrinho por causa do Donny Cates do Venom ou do Motoqueiro Fantasma Cósmico, melhor não adquirir ou ler este quadrinho. Neste A Morte dos Inumanos, Cates cumpre a tabela, ele foi encarregado de diminuir o número de Inumanos no Universo Marvel, do jeito que foi feito alguns anos atrás com os mutantes. Isso porque os Inumanos haviam se tornado, como os mutantes, uma forma fácil de justificar poderes de heróis e assim se mutiplicaram como uma alternativa aos supracitados mutantes. Nessa história, os krees passam a perseguir os Inumanos após a morte da Inteligência Suprema, a líder daquele povo. Eles dizimam os Inumanos Universais e partem para Nova “Arctillan” (não entendi essa grafia nova e nem é justificada) para concluir seu trabalho com os Inumanos terrestres. Encontram, claro, a resistência de Maximus e Raio Negro. A grande baixa nessa “A Morte dos Inumanos” é a de Triton, o Inumano aquático. Todo o resto da família real Inumana se mantém. Um dos grandes problemas da saga é a quase ausência de Medusa na história, principalmente por ela ter tido grande destaque nos últimos tempos. Creio que cabia pelo menos uma notinha de recapitulação das duas revistas do Inumanos que a Panini Comics ignorou no Brasil durante o evento RessurXtion. Mas é a Panini, né, migues, não dá pra exigir demais

O VELHO GAVIÃO ARQUEIRO, VOLUME 2: O MUNDO INTEIRO CEGO, DE ETHAN SACKS, MARCO CHECCHETTO, IBRAHIM ROBERSON, FRANCESCO MOBILI E ANDRES MOSSA

Eu realmente não tinha gostado do primeiro volume de O Velho Gavião Arqueiro que a Panini Comics trouxe para o Brasil. Achei truncado, um roteiro sem graça. Um personagem que originalmente esbanjava carisma em sua versão Terras Desoladas acabou se tornando pasteurizadíssmo nessa minissérie. A coisa só melhora nesse segundo volume por causa de uma equipe. A equipe dos Thunderbolts, da qual o Gavião Arqueiro já fez farte por um tempo, como líder. Ele vai atrás deles, como uma lista negra, para se vingar dos amigos Vingadores que eles mataram. Um tema que parece recorrente nessas distopias de super-heróis que se tomam como fodões é que eles possuem uma lista para “acertar as contas”. O Velho Logan também tinha a sua. O que mais chama a atenção neste trabalho não é o roteiro, mas a arte sempre primorosa e competente de Marco Checchetto com o arremate das cores de Andres Mossa, que conferem o clima que o roteiro não consegue dar conta. O mais irônico é que o segundo volume é bem melhor que o primeiro, uma situação que foge da regra dos encadernados.

FLASH: VELOCIDADE TERMINAL, DE MARK WAID, MIKE WIERINGO, CARLOS PACHECO E SALVADOR LARROCA

Que Mark Waid é um dos maiores escritores que já passaram pelas histórias do Flash, isso é inegável. Também é inegável que ele escreveu arcos marcantes para Wally West durante sua estadia de quase uma década com o personagem. Três destes arcos marcantes foram trazidos pela Eaglemoss na coleção de Graphic Novels da DC Comics que ela tem trazido para o Brasil: O Retorno de Barry Allen, Nascido para Correr e este, Velocidade Terminal, que é interligado com a megassaga dos anos 1990, Zero Hora. Contudo, dos três arcos, na minha humilde opinião, o arco que aqui se apresenta é o mais fraquinho de todos. Ele lida com a descoberta da força de aceleração que interliga todos os velocistas do Universo DC Comics e coloca Wally West em uma luta ara evitar que sua noiva, Linda Park, acabe vítima de um atentado do Kobra. Apesar de destacar personagens como Johnny e Jesse Quick, o arco é um tanto bobinho. O destaque maior mesmo é a origem do velocista Max Mercúrio, bastante interessante e diferente, principalmente em se falando de velocistas que costumam arrebentar a barreira do tempo e do espaço. Um bom arco, mas aquém da fase de Mark Waid no Flash.

FLORESTA DOS MEDOS, DE EMILY CARROLL

Fazer terror em quadrinhos é algo difícil. Ainda mais dar forma a um terror envolto por uma atmosfera de suspense da forma como é apresentado este Floresta dos Medos. Mas Emily Carroll tira isso de letra e ainda consegue trabalhar a linguagem dos quadrinhos, no seu jogo de esconder e mostrar, esquecer e lembrar, dizer e não dizer, que aumenta a esfera da ambiguidade nas histórias que ela quer contar aqui. Isso já era bem presente na mais premiada e conhecida história deste álbum de Emily, Sua Face Toda Vermelha, e se replica com igual, maior ou menor intensidade nas demais histórias, todas muito boas. Além disso, o livro, de edição caprichadíssima pela Darkside Books, traz duas histórias, uma de introdução e outra de encerramento, baseadas numa recriação do conto de fadas da Chapeuzinho Vermelho, que vai deixar uma grande sensação de desconforto no leitor no final do livro. Essa sensação também se dá nos demais contos. Imagino que esse era o objetivo da autora, Emily Carroll, ao nos trazer histórias de terror inquietantes e tão bem contadas seja na forma de texto ou de desenho, mas principalmente dentro da mídia quadrinhos. Se esse era objetivo, a autora deve comemorar, pois foi muito bem atingido!

MISS MARVEL: DEVASTAÇÃO ADOLESCENTE, DE G. WILLOW WILSON, NICO LEON E IAN HERRING

Eu sempre reitero a importância dos coadjuvantes nas histórias em quadrinhos, coisa que G. Willow Wilson faz muito bem nas revistas da Miss Marvel. Neste encadernado ela deu um passo além e deu aos coadjuvantes da série, Mike, Zoe, Nakia e Gabe, um arco praticamente deles. Neste arco, os amigos da Miss Marvel, e por consequência, de Kamala Khan, vão substituir a heroína de Nova Jersey combatendo seu maior e primeiro vilão, o Inventor! Depois disso, Kamala e companhia vão se ver com um inimigo mais recente, o DocX, que tomou uma nova forma, bastante inusitada que vai mexer com suas vidas. O arco é bem construído, os personagens são legais, mas nota-se que não tem mais o mesmo fôlego de histórias passadas da Miss Marvel. Talvez por isso os próximos arcos tenham sido os últimos de Willow Wilson na vida de Kamala Khan/Miss Marvel até então, quando ela é substituída por Saladin Ahmed. Os desenhos de Nico Leon e Ian Herring não decepcionam e trazem o mesmo efeito concebido por Adrian Alphona quando começou a desenhar a série, talvez numa pegada ainda mais legal. Miss Marvel não decepciona também, mas não é mais a mesma do início.

HOMEM-ARANHA SUPERIOR, VOLUME 1: PURO OTTO, DE CHRISTOS N. GAGE E MIKE HAWTHORNE, WADE VON GRAWBAGDGER E VICTOR OLAZABA

Nesta nova leva de aventuras do Homem-Aranha Superior, grande parte dos elementos legais que foram inseridos por Dan Slott e Giuseppe Cammuncoli na série inicial são usados aqui. Ainda bem, porque eles são muito bons para serem perdidos dessa maneira. Além da perspicácia e esperteza de Christos N. Gage para usar os elementos que vieram antes dele com maestria, também temos os lindíssimos desenhos de Mike Hawthorne enfeitando essa HQ. Guardem o nome desse desenhista que ele ainda vai dar o que falar. O Homem-Aranha Superior, que na verdade é o Doutor Octopus, neste encadernado está vivendo em São Francisco, onde os Laboratórios Horizonte e sua amada Anna-Marie se mudaram. Ele também contratou uma equipe de vilões para ajudá-lo a realizar seus serviços de herói. Sim, uma lógica de Octopus. O primeiro arco, então é muito bem realizado, redondinho, interessante. Mas o segundo arco, em que junto com o Doutor Estranho, num encontro de Doutores, os dois combatem o Mestre Pandemônio, é bastante fraquinho. De qualquer forma, esse encadernado foi um ótimo início para uma nova e superior fase do Homem-Aranha Superior!

PAPER GIRLS, VOLUME 4, DE BRIAN K. VAUGHAN E CLIFF CHIANG

Eu tenho uma teoria sobre séries autorais que são publicadas de forma contínua em encadernado, como é o caso desta, Paper Girls, de Brian K. Vaughan e Cliff Chiang. A minha teoria é que conforme os volumes vão avançando nossa sensação de memória durée, ou seja, a duração da nossa sensação de leitura, fica menor. Isso porque já conhecemos o mundo das histórias e os personagens implicados. Assim, neste quarto volume me dá a impressão de que eu li muito menos do que no volume um porque já estou envolvido com a história de uma maneira tal, que não preciso me prender mais em detalhes e explicações. É um fenômeno estranho e gostaria de saber se ocorre só comigo ou com vocês, leitores das minhas resenhas, também acontece. Bem, não é preciso dizer, mas eu digo mesmo assim, que este volume continua o trabalho incrível da dupla Vaughan e Chiang, dando mais pistas sobre os motivos das meninas estarem se deslocando freneticamente no tempo. É adorável de ler e tem momentos muito tocantes e engraçados, com várias sensações sobre a história se misturando da mesma forma que essas sensações se misturam na vida. E se um quadrinho consegue emular sensações tão verossimilhantes, é porque ele é sensacional,não é mesmo?

DAMPYR, VOLUME 2, DE MAURO BOSELLI, LUCCA ROSSI, MAURIZIO DOTTI, NICOLA GIANZANELLA E MAURIZIO COLOMBO

Todo mundo sabe quando uma comida é gostosa. Ela tem sabor, ela nos faz babar só de pensar nela, ela tem textura e equilíbrio. Dampyr é assim. Uma história de quadrinhos gostosura de ler. Ela tem sabor, que é o clima que a história nos transporta para. Ela nos faz babar (sangue?) só de pensar nos enredo mirabolantes que Mauro Boselli vai colocar na nossa frente. Ela tem textura porque não se sustenta apenas no personagem Harlan Draka, o Dampyr, tem outras camadas, como numa massa folheada, que estruturam a história, além das subtramas. Ela tem equilíbrio porque não é sensacionalista nem sem sal demais, ela sabe dosar o terror e a aventura, o mistério com o suspense. Este segundo volume começa com uma fascinante história sobre a lenda do Golem no gueto de Praga. Depois continua com uma história em duas partes, onde os personagens principais precisam se defrontar com dois lordes da noite africanos cujos interesses entram em conflito. Por fim, um grimório preservado durante séculos dá início a uma revelação de seres e interesses mórbidos e nefastos sobre este livro, tudo isso com a intervenção de Harlan Draka atuando como professor de vampirologia! Isso mesmo! Foi Dampyr que me fez voltar mais precisamente minha atenção para os fumetti e tenho sido regiamente recompensado. Agora é partir para o terceiro volume de Dampyr!

LILITH, VOLUME 1, DE LUCA ENOCH

Você gosta de quadrinhos com mulheres fortes e poderosas? Você gosta de quadrinhos com viagens no tempo para salvar uma civilização inteira de uma ameaça que não é nem percebida e que existe toda uma conspiração para que, ao mesmo tempo, ela prevaleça e ela pereça? Você gosta de quadrinhos que dão a impressão que tem alguma coisa errada, uma pulga atrás da orelha, de que alguém, nessa história toda está sendo enganado e pode muito bem ser você, leitor? Lilith é um quadrinho que tem o melhor que os fumetti da Sergio Bonelli Editore da última geração têm a oferecer. É uma trama em 18 edições originais, que serão 6 no Brasil, por isso, o leitor não precisa se comprometer tanto com o título como um Tex por exemplo. A arte de Luca Enoch é de babar, cheia de detalhe e totalmente atual, assim como sua narrativa incrível. A impressão é em papel offset que valoriza o quadrinho, que traz as 3 primeiras edições originais de Lilith, uma mulher do futuro que precisa matar, através do tempo, pessoas infectadas por um vírus que decretou o fim da humanidade. Ela precisa impedir que suas cepas se desenvolvam. É um quadrinho para os amantes da história da humanidade, já que Lilith, nesses três volumes, se aventura pela Guerra de Tróia, pelo Caribe dos Corsários e pela Primeira Guerra Mundial. É um deleite narrativo e visual, delicinha de leitura em quadrinhos rara de se ter. Aproveitamento de 100% na minha humilde opinião. Acabou de chegar em minhas mãos pela campanha do Catarse da Editora Red Dragon, cujo trabalho é impecável. Devorei todas as quase 400 páginas de Lilith numa noite apenas tal é a qualidade excepcional das suas histórias.

HELLBOY OMNIBUS, VOLUME 2: PARAGENS EXÓTICAS, DE MIKE MIGNOLA, RICHARD CORBEN E GARY GIANNI

Tenho sentido que o meu tipo de leitura em quadrinhos favorita deu uma “evoluída” neste último ano. Muito em função da ausência de títulos novos de quadrinhos adultos mainstream americanos para eu me agarrar. Uma das soluções que se abriu, tanto no mercado como no meu “gosto”, foi optar por materiais mais alternativos, mas ainda assim, mainstream. Tenho adorado cada vez mais ler fumetti e eles tem me agradado imensamente, como os quadrinhos de super-heróis costumavam fazer. Hellboy nunca foi muito minha praia. Costumava achar as histórias bobas. Mas a iniciativa da Mythos Editora em trazer para o Brasil a coleção de Omnibus do vermelhão dos infernos, em ordem cronológica, foi uma sacada também… dos infernos. Agora comecei a curtir Hellboy para valer e tudo que me fez me apaixonar infernalmente pelo vermelhão no primeiro volume, eu passei a continuar curtindo neste segundo volume, que parece estar ainda mais aventuresco e maravilhador ainda por causa das tais “paragens exóticas” que Hellboy visita. Por favor, se você for como eu que não gostou de Hellboy numa primeira olhada, olhe de novo, dê mais uma chance. Não vai se arrepender!

JESSICA JONES: PONTO CEGO, DE KELLY THOMPSON E MATTIA DE IULIS

Kelly Thompson, a escritora de quadrinhos com duas fotos apenas, ficou responsável por substituir Brian Michael Bendis nas histórias de Jessica Jones. Essas histórias fora criadas primeiro de forma digital e depois, foram publicadas em formato físico. Thompson consegue conduzir a história de modo bastante convincente, usando alguns truques de narrativa como Bendis costumava fazer. A história, mais uma vez gira em torno de abuso feminino e abuso de poderes extranormais e Jessica Jones e outra mulheres poderosas e B do universo Marvel estão envolvidas, como Misty Knight e Elsa Bloodstone. A narrativa chega a ser melhor que algumas de Bendis na primeira fase dele em Alias, mais interessante e mais envolvente. Os desenhos de Mattia de Iulis são bastante realistas e feitos no digital, bem diferentes dos desenhos de Michael Gaydos na publicação. Porém, o fato destoante da publicação é a última história, que é a comemoração do aniversário de Danielle Cage e é desenhada pelo brasileiro Marcio Takara. O problema não é a arte, mas a história, que incia o que parece ser um novo arco de histórias, completamente separado do anterior e que finaliza em um gancho não explicado. Bastante frustrante. Em geral, o quadrinho é muito bom, mas essa última história destoa demais do resto em clima, ação, visual e intenção.

OS DESVIANTES, DE GABRIEL WAINER, RAFA KRAUS, JULIANO HENRIQUE E ALZIR ALVES

Os Desviantes é uma trama ambiciosa, que lembra bastante os esquemas desenvolvidos por Warren Ellis em seus Authority e Planetary. Isso acontece principalmente no começo do quadrinho, quando os quadrinistas nos apresentam para a situação pós-apocalíptica global ocorrida após a devastação do mundo pelas potências nucleares em guerra. Depois, então a realidade macro, também em estilo das histórias de Jonathan Hickman, é substituída por uma realidade micro, nos subúrbios do Rio de Janeiro. Acompanhamos Fiote, um menino que ganha poderes elétricos e graças à sua atuação com Tom, acaba ativando a desligada usina nuclear de Angra dos Reis e torna o Brasil, instantaneamente, de uma terra de ninguém a uma potência atômica. Isso mexe com diversos poderes que querem capturar Fioti e seus amigos Tom e Anita, uma indígena com poderes elementais. Olhando assim, Os Desviantes pode parecer uma leitura empolgante. Mas ela apresenta alguns obstáculos para o leitor. Um deles é o sotaque carioca presente em pelo menos um terço da publicação, que é extremamente cansativo – pelo menos para quem não é carioca e não se identifica com essas expressões “malandras”. Outro obstáculo é que a HQ poderia ter sido encerrada, mas ela não deixa um final em aberto ou final algum. Ela acaba com um gancho para a edição dois. Ela satisfaria o leitor mais plenamente se fosse autocontida. De toda forma, é a segunda melhor história em quadrinhos do selo Guará Entretenimento.

O DOUTRINADOR: COMPILAÇÃO DAS TRÊS EDIÇÕES LANCADAS, DE LUCIANO CUNHA, MARCELO YUKA E GABRIEL WAINER

O Doutrinador se tornou um grande fenômeno nas redes sociais, nas mídias tradicionais, nas histórias em quadrinhos. Ele representa uma era que ainda não acabou. A era dos revoltados e daqueles que pretendem fazer justiça com as próprias mãos e que, ao fazer isso, estão corretos. Por isso ele se tornou o herói brasileiro mais famoso do século XXI. Por outro lado, se tornou associado à direita por causa de seu modus operandi – semelhante a outros personagens com esses valores como Justiceiro, Capitão Nascimento e Juiz Dredd. Três personagens que saíram das intenções de seus criadores. A virada política do Doutrinador a partir do imaginário social fica bastante aparente ao se comparar os roteiros das três edições lançadas compiladas neste encadernado de capa dura. Essa virada pode ter ocorrido tanto pelo contexto político nacional quanto pela rotatividade de roteiristas no três volumes. Analisar os quadrinhos de O Doutrinador é uma forma excelente de analisar a política brasileira e nosso contexto social, nossa realidade política através da manipulação do, pelo e por consequência do imaginário social. Nesse sentido, o Doutrinador não podia ser mais Brasileiro com B maiúsculo.

SANTO, DE LUCIANO CUNHA, GABRIEL WAINER, MIKHAEL RAIO SOLAR E ALZIR ALVES

Santo é, de longe, o melhor quadrinho da Guará Entretenimento, casa publicadora de O Doutrinador e de outros heróis brasileiros. Isso tem a ver tanto com a estrutura da história como pelo fascinante tema do sincretismo religioso que atravessa nosso Brasil. Isso faz com que este quadrinho possua um tipo de brasilidade que os outros da linha de heróis não possuem e, ainda assim, não precisa fugir para o folclore. Ele se mantêm urbano e impacta no cotidiano de seus possíveis leitores. O quadrinho também tem desenhos e cores maravilhosos feitos, respectivamente, por Mikhael Raio Solar e Alzir Alves. O quadrinho também bate numa tecla importante para a realidade brasileira que é a intolerância religiosa e a perseguição dos cristãos contra as religiões de matriz africana, que vem se desmitificando e popularizando no Brasil, como uma alternativa mais aberta do que o catolicismo e o neopentecostalismo. Importante destacar que o quadrinho é o primeiro de uma série, então a história não é encerrada nesta edição. Mas o gancho é bastante empolgante a ponto de o leitor querer retornar para a história e os personagens mais vezes. E tomara que isso aconteça!

A ENTREVISTA, DE MANUELE FIOR

Eu havia lido e ouvido muitas críticas falando imensamente bem dos álbuns em quadrinhos de Manuele Fior. Precisava, então, conferir. O trabalho de Fior é estupendo, não apenas no enredo, metafísico, filosófico, surrealista, que implanta diversas dúvidas divertidas e contemporizadoras nos leitores, mas também na forma como ele usa a sua arte para contar a história. Principalmente na forma como apresenta a presença alienígena na história, através dos padrões geométricos cuja ideia e realização surgiu de sua colaboradora. A arte de Fior é uma mescla entre realismo e cartunismo, bem como é a sua ficção um pouco realista e um tanto nonsense. O traço de Fiori me lembrou do nosso talentoso quadrinista brasileiro Wagner William, que também possui essa capacidade de assombro e verossimilhança nos seus traços e nos seus enredos. Ler e admirar esta história em quadrinhos, A Entrevista, de Manuele Fior, foi uma jornada muito recompensadora, nem tanto para outros mundos, mas para outros espaços e tempos que a narrativa de quadrinho nos permite sermos levados. Quer um quadrinho diferente? Leia A Entrevista. É ótimo.

CINCO MIL QUILÔMETROS POR SEGUNDO, DE MANUELE FIOR

Comprei esse quadrinho durante o Fuzuê Nerd, uma porque estava em promoção na banca da Devir e outra porque eu havia lido o A Entrevista, feito pelo mesmo autor, só que pela editora Mino, e adorei. Então fui ler este aqui, que diferente de A Entrevista, é todo colorido, e as cores auxiliam a compor um narrativa diferente. Mas diferente do A Entrevista, Cinco Mil Quilômetros Por Segundo não me atraiu de cara. Demorou um pouquinho para eu adentrar a narrativa, mas, quando eu consegui embarcar naquilo que imagino que o autor queria de mim enquanto leitor, o resultado foi bastante satisfatório. O quadrinho fala sobre dois ex-namorados que estão separados a cinco mil quilômetros um do outro, um no Cairo, no Egito e outra em Oslo, na Noruega e como eles se reconectam em um momento especial para ambos. Como num belo filme indie, Manuele Fior nos conduz pelos dramas dos personagens de uma maneira fenomenalmente peculiar, como ele também realiza em A Entrevista. Apesar de eu achar A Entrevista melhor, fica fácil entender como Cinco Mil Quilômetros Por Segundo ganhou o grand prix d’Angoulême em 2011.

A CASA DOS SUSSURROS, VOLUME UM, PODER APARTADO, DE NALO HOPKINSON, DOMINIQUE “DOMO” STANTON E JOHN RAUCH

A Casa dos Sussurros, dentro das quatro séries iniciais que compõem o Universo de Sandman e, dentro das três que li até agora é a mais fraquinha e que eu consegui entender menos. Isso porque parece que falta um glossário que explicasse quem são as entidades vodu/orixás a que o quadrinho se refere. Tanto os leitores brasileiros como os americanos carecem de mais informações para compreender o todo da história. Não sei como foi a publicação nos Estados Unidos, mas é prática da Panini fazer isso e deixar o leitor boiando, sem notas explicativas necessárias. O que é um lástima, porque não pretendo continuar acompanhando essa série porque não tive o entendimento do contexto, tão importante para um história em quadrinhos, uma vez que não sou um conhecedor das entidades e deuses da cultura creole e cajun de Nova Orleans e arredores. Os desenhos também não tem aquele capricho que estamos acostumados a acompanhar, parecem terem sido feitos às pressas. A história diverte e entretém, isso é verdade, mas fica aquele entrave de conhecer melhor essa cultura para ir mais adiante. Uma pena que tenha sido publicada dessa maneira.

MADRE PÂNICO, VOLUME 2: SOB A PELE, DE JODY HAUSER, JOHN PAUL LEON, SHAWN CRYSTAL, DAVE STEWART E JEAN-PAUL BEAULIEU

Dos quadrinhos da Linha Young Animal, Madre Pânico juntamente com a Patrulha do Destino de Gerard Way foi um dos títulos que mais se deu bem e foi melhor realizado. Claro, um dos fatores dele ter se dado bem é que se passa em Gotham City, cidade base do Universo do Homem-Morcego. Nisso, o Batman também acaba aparecendo e fazendo uma breve aparição especial neste quadrinho. Mas muito mais que o background que cerca a Madre Pânico e seu alter-ego o que faz esse quadrinho interessante são os coadjuvantes peculiares e as interações que se estabelecem entre eles. Como quase todos os quadrinhos que fazem parte da linha Young Animal, este também possui um second feature que é a Radio Gotham que apesar de não ter muito a ver com a história da Madre Pânico, está envolta em seu universo gothamita. Os desenhos desta edição, tem uma metade sensacional que é feita por John Paul Leon e uma metade marromenos que é feita por Shawn Crystal. Este é o encadernado que encerra a primeira fase de Madre Pânico, que é seguido pelas Guerras Lácteas e, depois por Madre Pânico no futuro! Eita nóis!

CINEMA PURGATÓRIO, VOLUME 3, DE ALAN MOORE, KEVIN O’NEILL, GARTH ENNIS, RAULO CÁCERES, MAX BROOKS, MICHAEL DIPASCALE, GABRIEL ANDRADE, KIERON GILLEN, NAHUEL LOPEZ, CHRISTOS GAGE

Este terceiro volume, comparado com o segundo e o primeiro, que foram bastante empolgante, foi mais amornado. Talvez porque já estejamos acostumados com os enredos das histórias e eles entram em um estágio em que não devem trazer muitas revoluções para não deixar o leitor em alerta. do mesmo jeito que os outros volume, Cinema Purgatório, de Alan Moore, se destaca das demais, seguida por Código PRU, de Garth Ennis. Em seguida, na segunda categoria vêm os trabalhos de Kieron Gillen e Christos Gage com seus pokémonstros e kaijus e, por fim o mais fraquinho, chato e enfadonho feature desses compilados, aquele que é feito por Max Brooks e fala sobre a Guerra de Secessão norte-americana. Não tenho certeza se essa série se encerrou lá na gringa, mas espero que não demore muito para se encerrar aqui no Brasil também, porque esse terceiro volume já está dando alguns sinais de cansaço para o leitor e, possivelmente esses sinais de cansaço tenha vindo também para aqueles que produzem Cinema Purgatório. Isso dito porque o brasileiro Gabriel Andrade já teve que fazer um fill-inn na série de Max Brooks nesta edição. Espero que tudo termine bem!

Piores

HIT-GIRL: COLÔMBIA, DE MARK MILLAR E RICARDO LOPEZ ORTIZ

Se existe uma história em quadrinhos do histriônico e famosérrimo Mark Millar que merece o título de seu pior trabalho (so far), essa minissérie da Hit-Girl na Colômbia está concorrendo fortemente ao posto. A impressão que dá é que o autor pensou que a história iria vender de qualquer forma e então ele estava liberado para fazer qualquer estrondo narrativo que pudesse imaginar. É sangue e corpos, desmembramento, explosões, mortes sem sentido e esquartejamento pra mais de metro quadrado. Tudo isso para uma competição de quem é mais fodão, de a Hit-Girl ou o traficante colombiano Mano. O que me lembra outro quadrinho do tipo, que também concorre ao posto de pior trabalho de Mark Millar, que é o Nêmesis: uma corrida de morte, sangue e mutilação com o único propósito psicótico de mostrar qual dos dois, herói ou vilão, numa perspectiva que assusta os dois lados, é o mais fodão. Dá uma peguiçooooonaaaaa esses tipos de quadrinhos de Mark Millar. O problema é que de vez em quando ele nos sai com alguma pérolas. Como vocês podem ver, Hit Girl: Colômbia não é nenhuma pérola. Merece uma estrela pelo esforço do desenhista.

DEMOLIDOR, VOLUME 20, DE CHARLES SOULE, PHIL NOTO, ERICA SCHLTZ E FELIPE WATANABE

Este seria o encadernado que traria o arco anunciado como “A Morte do Demolidor”, que se encontra em coma após uma luta ferrenha contra o Rei Do Crime, que agora é prefeito de Nova York, e seus asseclas. Mas não é bem isso que acontece. Temos uma história confusíssima, que não dá pra entender o que está realmente acontecendo, até que o roteirista nos revela que aqueles acontecimentos… pasmem… (mas não pelos motivos óbvios, ou melhor, pelos motivos óbvios…) aquilo tudo não se passava de um sonho. Porra, Charles Soule! Tu é capaz de mais, meu filhote! Não aprendeu na aula de roteiro que tudo era um sonho ou ele era um robô não se usa como final de história? Aff! De toda forma, os desenhos do magnífico Phil Noto estão em seu auge, trazendo uma arte pintada digitalmente maravilhosa, incrível. Para fechar o encadernado temos um anual do Demolidor, escrito por Erica Schulz e desenhada pelo brasileiro Felipe Watanabe que conta o primeiro encontro de Matt Murdock com Misty Knight em uma história que é tão confusa como a história principal. Ufa, ainda bem que esse era o último encadernado dessa fase! Que venha Chip Zadarsky!

INJUSTIÇA: DEUSES ENTRE NÓS, VOLUME 13, DE CHRISTOPHER SEBELA, TOM DERENICK, DANIEL SAMPERE E POP MHAM

Entonces, amigos, Injustiça: Deuses Entre Nós, a adaptação em quadrinhos do famoso videogame da DC Comics em que o Superman se torna um tirano fascista e começa a matar heróis e vilões à torto e direito, começou muito bem com Tom Taylor à frente dos roteiros. Quando mudou para o roteirista Brian Buccellatto, as histórias deram uma bela de uma decaída. Neste volume 13, em que um terceiro roteirista assume o título, Christopher Sebela, a coisa fica bem pior. Este volume traz a última parte da minissérie Injustice: Ground Zero, que faz a ligação entre os jogos um e dois de Injustice. Ela é contada a partir da perspectiva da Arlequina. O problema é que os personagens são mal construídos, diferente da fase de Tom Taylor. Aqui, a Arlequina uma hora odeia o Coringa, depois o liberta e se alia a ele, depois o trai, o prende, o tortura e o entrega para o Batman. O bom disso tudo é que essa minissérie acaba aqui abrindo as portas para Injustiça 2, essa sim, já escrita novamente por Tom Taylor. Mas depois de tantos sobes e desces do primeiro jogo, será que os leitores brasileiros terão saco para ler o segundo? Eu tenho minhas dúvidas…

COLEÇÃO DE GRAPHIC NOVELS DA DC COMICS SAGAS DEFINITIVAS. SUPERMAN: O REINADO DE APOCALYPSE, DE PAUL CORNELL E DIVERSOS ARTISTAS

Este foi o primeiro exemplar da coleção de graphic novels DC Comics Sagas Definitivas da Eaglemoss que eu adquiri em uma promoção com mais outros dois exemplares da mesma coleção. Esta é uma saga que aconteceu um pouco antes da saga Ponto de Ignição (Flashpoint) que decretou o fim da velha DC e abriu as portas para Os Novos 52. O Superman e suas revistas eram um dos grandes problemas da editora, segundo o corpo responsável por elas. Esta saga, que foi encabeçada pelo competente escritor inglês Paul Cornell, além de contar com uma equipe de variados escritores e artistas de títulos que tangenciavam a saga como Aço, Superboy, Superman/Batman e Liga da Justiça. O resultado é que as partes mais interessantes são os títulos que não são Action Comics, o principal da saga, principalmente por oferecer a origem da história de perspectivas diferentes. O que ocorre na Action Comics vai mais no estilo de “batalha épica sem sentido” do que no desenvolvimento da história propriamente. Definitivamente, Superman: O Reinado de Apocalypse não é uma Saga Definitiva da DC Comics. Você pode passar incólume por ela.

PÈROLA, DE GABRIEL WAINER, KIKA HAMAOUI, PÉRICLES JÚNIOR E OSMARCO VALLADÃO

Pérola é a história em quadrinhos mais fraquinha do selo Guará Entretenimento. Isso tem muito a ver com o roteiro da história e, principalmente, com a temática, que gira em torno do mundo da prostituição. A forma como os personagens homossexuais são retratados também é bastante estranha e traz à tona alguns furos no roteiro, que parece ter bastante deles. Falo isso porque não consegui captar direito a história. parece que ela sofreu alguns cortes da versão original e acabou sendo publicada sem que esses recortes tivesse sido cicatrizados, digamos assim. A relação entre Pérola e sua irmã me lembra bastante a relação que Tom Taylor estabeleceu entre Gabby e Laura Kinney, a X-23, que também possui um passado no mundo da prostituição e sofreu interferências de experiências de uma indústria farmacêutica. Os desenhos de Péricles Júnior e as cores de Osmarco Valladão fornecem mais dinâmica para a história em quadrinhos e alguns visuais bastante impactantes e interessantes. Enfim, esse quadrinho não me agradou. Ele acessa temas bastante delicados para os gays e para as mulheres que não foram muito bem trabalhados aqui.

SONJA, A GUERREIRA: CRÂNIOS FLAMEJANTES, DE MIKE CAREY, MICHAEL AVON OEMING E MEL RUBI

Eu tinha gostado tanto do encontro da Sonja com o Homem-Aranha, que resolvi ir atrás dessa minissérie- Crânios Flamejantes – publicada pela Dynamite e, aqui no Brasil, pela Panini. Não sei por que razão eu tinha na minha cabeça que era a Gail Simone quem escrevia essas história. Ledo engano. As revistas são escritas em conjunto por Mike Carey e Michael Avon Oeming, dois caras que eu costumo curtir bastante aquilo que escrevem. Mas, amigos, me desculpem, vou ter que furar com vocês. Não curti nadica essa história em quadrinhos. Ela lembra em muito aqueles quadrinhos de bad girls dos anos 1990, até porque, pensem, amigas leitoras, o primeiro quadro da revista é um close na busanfa da Sonja. Cool, huh? Os desenhos são realizados por Mel Rubi, que é um expoente dos anos 1990 nas revistas mais diversas possíveis e que sempre tinham uma beldade beldando. A história é bem qualquer coisa, tanto é que nos Estados Unidos o encadernado nem subtítulo tem. Só no Brasil a minissérie em 3 edições se chama Crânios Flamejantes. Não, leitores, a nossa cabeça não pega fogo lendo essa HQ. Está mais pra congelar de chatice.

OS DEFENSORES: A MELHOR DEFESA, DE AL EWING, GREG SMALLWOOD, JOE BENNETT, JASON LATOUR, CARLOS MAGNO E OUTROS

Que tiro foi esse? Que tiro foi esse? Que quadrinho mais esquisito no termo horrível do termo! Começa com uma história até interessante do Imortal Hulk e vai degringolando (de gringo mesmo, é da Marvel!) conforme vão passando as histórias. O interessante – de um jeito ruim- é que essas histórias, aparentemente, não têm conexão uma com as outras. Temos uma história do Namor, com uns belos desenhos do brasileiro Carlos Magno, mas que me fez dormir em cima duas vezes porque é sem pé nem cabeça. Uma história do Doutor Estranho com os belos desenhos de Greg Smallwood, que é bem surreal e de um jeito bom, mas sem pé nem cabeça também. Depois temos uma história do Surfista Prateado pelo Jason Latour, que eu eu acho uó como roteirista, apesar de não mandar bem no desenho. Pra finalizar como cereja podre do bolo temos uma história dos Defensores, agora todos reunidinhos todos todos se achando, combatendo um verme dimensional bizarrê tão bizarrê como essas histórias desse encadernado. Cara… que viagem lisérgica essa gente compartilhos together, hein? Que plus a mais só que não. Até o meu texto ficou viajante. Efeitos colaterais desse encadernado… Oloko, bicho!

JAMBO & RUIVÃO, DE HOWARD CHAYKIN E MAC REY

Ykes! Fujam desse quadrinho, ele não faz sentido nenhum na maior parte do tempo. É Howard Chaykin fazendo suas críticas sociais que só ele entende. Ao mesmo tempo que ele acaba usando como referências inúmeras que os brasileiros médios, como eu, não vão entender direito porque a história em quadrinhos se baseia em se referir a programas antigos da televisão americana. Além disso se perde na tradução uma enormidade de piadas feitas com a junção entre humanos e animais daquele mundo. Piadas bem ruins diga-se de passagem e olha que eu entendo bem de fazer piadas beeeem ruins. Quando a piada é ruim e ainda se perde na tradução é bem complicado. Você chega no fim deste quadrinho se perguntando ou porque comprou essa joça ou porque ela foi trazida aqui para o Brasil. O que atrai bastante na HQ é o desenho de Mac Ray que, graças aos céus, não é o de Chaikyn e suas colorizações com padrões bizarros. Os desenhos de Mac Ray lembram bastante desenhos animados porque eles dispensam o contorno, dando um efeito legal para a história. Mas sabem que não existe arte que salve um roteiro ruim, embira um roteiro bom salva uma arte ruim. Mantenham-se longe de Jambo e Ruivão para seu próprio bem e segurança!

Eae, mergulhadores? Que acharam das minirresenhas? Não deixe de tecer os seus comentários! Abraços! =)

2 comentários

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