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Avaliação: Os Quatro Primeiros Volumes de O Universo de Sandman

Neste mês de dezembro chegaram às bancas todas as quatro séries que compõem o selo O Universo de Sandman em seus relativos primeiros volumes. Fazem parte do selo os títulos: O Sonhar, Lúcifer, Os Livros da Magia e o título novíssimo A Casa dos Sussurros. Todos eles têm a bênção de Neil Gaiman e foram desenvolvidos a partir de ideias dele. Todos eles trazem em seu corpo o especial O Universo de Sandman, que é uma introdução aos personagens principais de cada série e de seus enredos que, aparentemente, se entrelaçam. Depois de termos lido todos esses quatro primeiros volumes de O Universo de Sandman, trazemos para vocês uma avaliação completa destes títulos com direito a ranking de estrelinhas. Venham ver o resultado a seguir!

Uma das grandes lástimas do mercado editorial de quadrinhos brasileiro do início do século XXI foi a diáspora da Vertigo por diversas editoras pequenas. Isso evitou que diversos materiais do selo de quadrinhos adultos fossem publicados regularmente por aqui. Os quadrinhos que hoje compõem o Universo de Sandman, como O Sonhar, Lúcifer e Os Livros da Magia nunca foram publicados na íntegra aqui no Brasil. Os títulos passaram por editoras como Brainstore, Tudo em Quadrinhos, Metal Pesado, Atitude e tantas outras, mas nenhuma durou o tempo suficiente para publicar esses títulos na íntegra. Então, nesta nova leva destas revistas, sob a chancela de Neil Gaiman, nós, brasileiros, não sabíamos o que esperar destes títulos. 

Diferente dos seus três amigos, A Casa dos Sussurros é um título inédito. Este também foi o título que consegui entender menos. Isso porque parece que falta um glossário que explicasse quem são as entidades vodu/orixás a que o quadrinho se refere. Tanto os leitores brasileiros como os americanos carecem de mais informações para compreender o todo da história. Não sei como foi a publicação nos Estados Unidos, mas é prática da Panini descartar informações adicionais e deixar o leitor boiando, sem notas explicativas necessárias. 

Passamos agora para a AVALIAÇÃO propriamente dita, nos quesitos de Roteiro, que é a qualidade da história; Arte, que é o seu valor estético e visual; Fator Gaiman que são os maneirismos e marcas de estilo que fizeram de Neil Gaiman um escritor tão venerado e como os autores da série incorporam essa maneira de escrever; Teor Adulto é um requisito próprio do falecido selo Vertigo, agora Black Label, em que a história precisa emprestar alguns elementos que sejam voltados a leitores maduros ou maiores de 18 anos; por fim, a Fidelidade, que é uma comparação com os enredos e cronologias das séries anteriores lançadas a partir do Universo de Sandman. No caso de A Casa dos Sussurros esse quesito não se aplica porque a HQ nunca havia sido publicada anteriormente. 

O primeiro dos títulos de O Universo de Sandman é O Sonhar, que possui um roteiro bastante inventivo, intrincado e envolvente de Simon Spurrier e uma arte belíssima com os desenhos da brasileira Bilquis Evely e as cores do também brasileiro Mat Lopes. A história em quadrinhos também abraça de maneira extensiva o “fator Gaiman”, emulando diversos maneirismos da escrita do autor, sem perder a originalidade. O teor adulto da história não está reservado apenas a material gráfico, mas a um teor filosófico contido nas digressões que os personagens fazem ao longo da história. Por fim, a fidelidade à série anterior do Sonhar, está toda ali com os personagens de Lucien, Caim e Abel, o Corvo Matthew, Eva e Merv Pumpkinhead bem apresentados e representados.

O segundo título de O Universo de Sandman, Lúcifer, pode surpreender os leitores por desestabilizá-los. Os leitores não vão se encontrar em terreno conhecido ao começar a ler essa história, pelo contrário, o Lúcifer aqui está repaginado de tal maneira que está irreconhecível e isso faz a HQ perder pontos em fidelidade. Ele não é nem o Lúcifer das séries anteriores do diabo e também não tem nada a ver com aquele interpretado por Tom Ellis na televisão. Contudo, o roteiro, como em O Sonhar, é bem estruturado, é recheado de mistério e coloca o leitor em posição de querer ir até o final. A arte dos irmãos Fiumara tem altos e baixos, em momentos parecendo linda em momentos perecendo esquisita. O fator Gaiman está presente, mas não se destaca muito, o que se destaca é o teor adulto, que confere a Lúcifer uma atmosfera de thriller e terror gore bastante especial. 

A Casa dos Sussurros, por sua vez se destaca pelo seu teor adulto. Se você está buscando uma arte em que aparecem bastante peitos de fora e cenas de sexo, então você deve ir direto à Casa dos Sussurros. Mas se você está buscando uma história com um roteiro inteligível, é melhor deixar ela de lado. Por mais que Nalo Hopkinson se esforce para inserir o leitor nas andanças e desafios de sua personagem principal, a mitologia cajun/creole/haitiana não é muito conhecida mundialmente para ser entregue à quem lê da forma como foi colocada. Infelizmente é preciso explicar muita coisa ali. A arte também não se destaca, mais cumpre tabela. O fator Gaiman está mais presente na estrutura da história, que entrelaça o mundo do Sonhar com o mundo real e as “doenças de sono” do que com o estilo de escrita. Por fim, não podemos avaliar a fidelidade uma vez que o título A Casa dos Sussurros não chegou a existir anteriormente. 

Os Livros da Magia possui uma peculiaridade: é o único arco dos quatro títulos que não se encerra, mas promete continuar na próxima edição. Assim fica aquele sentimento de desolação e abandono ao final da leitura do encadernado. Mas nada que seja desesperador, porque o roteiro é bem trabalhado de forma que deixe instigante para o leitor. A arte, como em A Casa dos Sussurros, mais cumpre tabela do que deslumbra. O fator Gaiman está timidamente presente e o teor adulto do quadrinhos está ligado às cenas mais violentas apresentadas. No quesito fidelidade, incomoda um pouco a autora querer recontar a história principal de Tim Hunter como a sua relação com Hettie Maluca, a inserção de Rose como diretora da escola e deixar a transformação de Ioiô para ser recontada. Mas também, incomoda, mas passa. 

Podemos dizer que, com a leitura deste último dos primeiros encadernados, o de Livros da Magia, entendemos que o Universo de Sandman enquanto inciativa, se saiu bem 75%: ou seja Sonhar, Lúcifer e Livros da Magia conseguiram acompanhar o compasso dos títulos anteriores e tiveram êxito em trazer histórias revigorantes. Já A Casa dos Sussurros não foi tão interessante assim. Opção editorial ou da roteirista, acreditamos que o selo Universo de Sandman ainda tem uma longa e próspera estrada pela frente.

1 comentário

  1. JEFERSON ALOISIO DE OLIVEIRA CARVALHO diz

    Gostei muito da Casa dos Sussurros e não achei nem um pouco complicado. Meu preferido foi Livros da Magia. Já O Sonhar foi disparado o pior gibi que li em 2019.

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