Todos os posts em: literatura

A “Teoria do Degrau” e a Mudança de Gostos na Leitura de Quadrinhos

Quem lê quadrinhos há muitos tempo, como eu, que leio há mais de vinte anos, sabe que nossos gostos e preferências de leitura vão mudando ao longo do tempo. Por isso resolvi trazer da literatura a “teoria do degrau” para discutirmos um pouco o avanço – ou regressão – desses gostos e hábitos.

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O “Complexo de Vira-Lata” dos Quadrinhos

Em 1950, em pleno Maracanã, a Seleção Brasileira foi derrotada pela Seleção Uruguaia de Futebol, na final da Copa do Mundo daquele ano. Uma crônica do jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues atribuiu a derrota do time brasileiro à uma espécie de trauma, que batizou de viralatismo. A seleção só se recuperaria do choque em 1958, quando ganhou sua primeira Copa do Mundo de Futebol. Mas isso não se aplica somente ao futebol ou aos brasileiros. Aqui, vamos ver como isso se aplica aos quadrinhos.

Entrevista com Wagner Willian: O Desafio de Um Quadrinho Denso

Wagner Willian é um autor nacional ímpar. Primeiro ele causou estertores com seu Lobisomem Sem Barba, narrativa ganhadora do Prêmio Jabuti em 2015. Este ano ele veio com uma HQ com mais de 300 páginas chamada Bulldogma, contando a vida de uma ilustradora em meio a alienígenas e bizarrices. Através do estranho, Wagner nos aproxima do que é comum. Preparamos uma entrevista com ele, que você pode ler a seguir.

A Obra-Prima Argentina: El Eternauta y Otras Historias, de Héctor Germán Oesterheld e Alberto Breccia

A maior história de ficção científica já produzida na América do Sul, com ares de uma história Alan Mooriana, é o Eternauta. A HQ já saiu aqui no Brasil pela editora WMF Martins Fontes, mas a edição que li se trata de uma história revisada. Apenas se mantem o escritor, Oesterheld, o desenhista muda de Francisco Solano Lopez para Alberto Breccia. Vamos falar mais sobre essa história em quadrinhos que envolve alienígenas e viagens no tempo e foi feita na década de 50. A história original de El Eternauta foi publicada em Hora Cero Semanal, em várias partes entre 1957 e 1961. Já a versão que li, foi publicada na revista Gente em 1969, revista e modificada, não contava mais com o desenhista original, Solano López, mas com outro artista famoso: Alberto Breccia, um uruguaio que fez fama na Argentina. Através da leitura de El Eternauta percebemos como a Argentina está avançada em termos de fabrico de histórias em quadrinhos se comparada a nós, brasileiros. O momento criativo que passamos hoje é o mesmo de …

Quadrinhos e palavras cruzadas: uma aproximação

Palavras cruzadas e quadrinhos: uma aproximação

Talvez as coisas eu mais se compre nas bancas hoje em dia seja isso mesmo: palavras cruzadas e quadrinhos. Ok, e cigarros, balinhas, cafezinhos e os famosos jornais populares de cinquenta centavos com “junte e ganhe”. Mas vamos às palavras cruzadas e quadrinhos: elas são duas formas de participação do leitor. Enquanto a primeira joga com as palavras fazendo das letras, imagens, a segunda já trabalha com as imagens propriamente ditas e o discurso que faz o leitor ir além nas páginas da revista para completar o joguinho. Vamos ver mais semelhanças entre as palavras cruzadas e os quadrinhos? TREINAR O CÉREBRO: Muito já se falou de ativar os dois hemisférios do cérebro, o esquerdo, do raciocínio, onde nós encontramos as letras e o direito, da criatividade, onde são processadas as imagens. Utilizando os dois lados do cérebro, tanto nas palavras cruzadas quanto nos quadrinhos, mantemos ele ativo e produtivo por mais tempo em nossa vida. Ficamos mais criativos e nosso raciocínio funciona mais rápido, de forma que nossos neurônios envelhecem mais lentamente; SEQUÊNCIAS DE …

De meninos e de corujas...

Harry Potter e a Magia dos Quadrinistas Ingleses

Quero propor uma reflexão aqui com vocês, caros leitores. Se possível, deixem seus comentários. Há quase vinte anos venho acompanhando quadrinhos com mais atenção e uma coisa que mais gosto é identificar os estilos dos autores, os temas que são caros para eles, a maneira como constroem seus universos e seus personagens, as referências que usam, quem eles inspiram e de onde se inspiraram. Mas a reflexão que quero propor é perguntar e tentar responder é: quando o estilo se torna repetição? E a resposta que eu tenho para dar é: quando o escritor começa a plagiar a si mesmo. Dito isso, vou falar, é claro, dos supracitados escritores da invasão inglesa, pois eles são os mais fáceis de identificar estilo e influências. Como falei nesse link, as influências da maioria deles vem da revista 2000 a. D. e seus criadores, Alan Grant e John Wagner, mas também da literatura inglesa de fantasia, Charles Dickens, George Orwell, Lewis Carrol, P. L. Travers, J. R. R. Tolkien e C. S. Lewis, Roald Dahl. Sem esquecer William …

Páginas 36 e 37 da HQ A Bandeira do Elefante e da Arara: O Encontro Fortuito.

Entrevista com Christopher Kastensmidt, autor de A Bandeira do Elefante e da Arara

Saci-Pererê, Boitatá, figuras lendárias do folclore brasileiro ganhando um lugar nos quadrinhos de hoje. Para além das aparições em Pererê, do Ziraldo ou das páginas de Chico Bento, de Mauricio de Sousa, esses personagens tomam uma dimensão fantástica e aventuresca nas páginas de A Bandeira do Elefante e da Arara: O Encontro Fortuito, de Christopher Kastensmidt, Carolina Mylius e Ursula Dorada, lançada nesse final do ano pela Editora Devir. Com prefácio do autor de ficção científica Roberto Causo e vários extras mostrando o processo de criação da história em quadrinhos, a obra foi viabilizada pela Lei de Incentivo à Cultura, Ministério da Cultura do Governo Federal do Brasil, e patrocinada pelo Banco De Lage Landen. “O projeto faz parte do mundo ficcional de A Bandeira do Elefante e da Arara, com planos para lançamentos futuros de romance, jogo de tabuleiro, RPG de mesa, game, audiovisual e outros”, comenta Christopher Kastensmidt, que carrega em seu currículo a publicação de diversos contos, poemas, games, artigos e livros didáticos. “A Bandeira do Elefante e da Arara é um hino …

Faça boa arte!

“Faça boa arte”, de Neil Gaiman

Ter recebido em casa um livro com o discurso memorável do Neil Gaiman, num período de cobranças e imposições não poderia ter vindo em melhor hora, para voltar a ter autoconfiança no que eu faço. Se você também anda desiludido com o seu trabalho e se achando um inútil porque não ganha dinheiro suficiente, dêem uma lida, ouvida ou olhada no discurso a seguir e renove sua autoestima, porque as pessoas e o mundo não dão trégua. Quem tem que saber o que é melhor é você mesmo, sem pessoas que te botem pra baixo. Obrigado, Samir Machado de Machado. A tradução abaixo é de Juliana Fajardini. Eu nunca realmente esperei me encontrar dando conselhos para pessoas se graduando em um estabelecimento de ensino superior. Eu nunca me graduei em um desses estabelecimentos. E nunca nem comecei um. Eu escapei da escola assim que pude, quando a perspectiva de mais quatro anos de aprendizados forçados antes que eu pudesse me tornar o escritor que desejava ser era sufocante. Eu saí para o mundo, eu escrevi, …

Seleção de Quadrinhos!!!

Quadrinhos Para Quem Não Curte Quadrinhos

Vem chegando o Natal! Vamos presentear com quadrinhos? Aqui vão algumas sugestões. Você é fã de quadrinhos e não entende como as pessoas podem não gostar do que você gosta. Você não é fã de quadrinhos, mas gostaria de ser, só que é tudo tão complicado e difícil. Você até gosta das séries e dos filmes, mas sei lá… Talvez aqui tenha a solução para os seus problemas, como aprendemos na faculdade é uma questão de adequação, ou é o segredo dos gays: “introduzir devagarzinho”. Aos poucos, as pessoas vão entendendo que quadrinhos é um meio riquíssimo e que existem histórias para todo o tipo de pessoas, assim como os romances literários, basta entender o seu tipo e quando vir, já vai entender tudo sobre quadrinhos. Separei 10 quadrinhos para 10 tipos diferentes de pessoas. Vamos lá? SCOTT PILGRIM CONTRA O MUNDO Para quem: fãs de videogame O que é: Scott Pilgrim Contra o Mundo é um quadrinho que usa a linguagem do videogame para contar a história de… Scott Pilgrim, que se apaixona pela …

O incrível desenho de David M. Buisán. Adoro esse cara!

Por que os quadrinhos são mais importantes hoje do que jamais foram?

“Por mais de um século, os quadrinhos têm se mostrado uma forma de comunicação que casa a sequência linear da tipografia com a percepção global de uma matrix internetesca de partes simultâneas”, essa é uma das razões que tornam os quadrinhos uma mídia tão atual. Para além disso, listei algumas outras razões, inspirado no artigo de Bill Kartalopoulos, para o Huffington Post, que você pode ler aqui. Kartalopoulos é o editor da versão 2014 da incrível coletânea Best American Comics. A MUDANÇA DE PARADIGMA DAS GRAPHIC NOVELS As graphic novels alçaram os quadrinhos a um outro patamar. Os “romances gráficos” levaram alguns jornalistas e teóricos a compararem e até incluírem quadrinhos como literatura, mas, conforme expliquei neste link, quadrinhos não são literatura, eles são mais que isso. São um meio puro, uma narrativa híbrida de palavras e imagens. Ainda assim podem abarcar artes tão grandiosas como a literatura e a pintura, mesmo estando enclausurados no meio de produção industrial e se caracterizando como um meio de comunicação de massa. Esse fenômeno das graphic novels tem …

A Távola Redonda é a Terra!

10 Motivos Para Ler Camelot 3000

Saiba um pouco mais sobre uma série de histórias que mudou a indústria dos quadrinhos para sempre. Ainda que nem sempre seja creditada por isso. PASSADO.. : Como o nome já diz, Camelot 3000 lida com os personagens de Rei Arthur e a Távola Redonda. Lá estão nossos cavaleiros reluzentes, lutando ao lado do Mago Merlin contra a sensual e irascível Morgana. … E FUTURO: E como o resto do nome diz, a saga se passa no ano 3000. Carros voadores, ciborgues e alienígenas estão na ordem do dia. Estes últimos se aliam à Morgana para conquistar a Terra, que se vê indefesa contra as forças invasora. O que eles não contavam era com a… REENCARNAÇÃO: dos nossos poderosos heróis arturianos. Após a descoberta do túmulo do Rei Arthur por um jovem descuidado, um a um, os cavaleiros da Távola Redonda vão sendo despertados em seus corpos do ano 3000. Que Chico Xavier o quê? Nós temos Merlin. Um Merlin desenhado por alguém muito próximo de outro mago, só que Northampton… BRIAN BOLLAND: Um dos …

O negócio tá MAUS pra eles...

Por que ler os (quadrinhos) clássicos?

Muitos se perguntam por que quadrinhos um leitor iniciante da mídia deveria começar. É verdade que existem inúmeros “cânones” dos quadrinhos como Little Nemo in Slumberland, Terry e os Piratas, Os Sobrinhos do Capitão, Popeye, Mandrake e até certas obras dos quadrinhos de super-heróis. Mas o que são os clássicos dos quadrinhos? Na literatura podemos contar com a Odisséia, as Metamorfoses de Ovídio, a Divina Comédia, e até a Bíblia como livros clássicos. Mas e os “clássicos dos nossos tempos”, onde se encaixam? Para isso invoco o livro Por que ler os clássicos, de Ítalo Calvino, para tentar nos fazer compreender essa clássica bagunça. No livro de Calvino, antes de definir clássicos, ele busca definir o que é um clássico e faz isso através de 14 itens, os quais vou tentar transportar para o âmbito da nona arte, as nossas tão queridas histórias em quadrinhos. Vamos lá, então. Apertem seus cintos e a qualquer caso de despressurização, máscaras de personagens de quadrinhos cairão automaticamente na sua cabeça. As setas laterais você pode utilizar para fugir …

Barbelith, Immateria, Leviatã: Bem-Vindos à Matrix

Quem nunca viu o filme Matrix? Foi um filme que mudou os conceitos mundiais de realidade, apresentando a velha e manjada confrontação: tudo o que você sabe é mentira. Tudo o que você vê e sente é apenas uma representação de mundo. O mundo real está a muitas camadas abaixo disso tudo. Nos quadrinhos de reconstrução do final dos anos oitenta, capitaneados pela “invasão inglesa”, essa nova realidade é muito comum. Seja no “tudo que o personagem sabia sobre si mesmo era uma mentira”, de Alan Moore em Miracleman, Capitão Bretanha, Monstro do Pântano e tantos outros. Ou no Homem-Animal de Grant Morrison que se encontrou com seu próprio criador, ele mesmo, o próprio Morrison e acabou descobrindo que não passava de um personagem de histórias em quadrinhos. Ou quando Neil Gaiman nos mostra o Sonhar, um mundo onde o herói da Era de Prata, Sandman, teve um filho com Hipólita Hall nos seus próprios sonhos.   OS QUADRINHOS SÃO A PRÓPRIA MATRIX Os quadrinhos são a própria Matrix, eles nos afastam da realidade e …

A Paralisia da Leitura e da Escrita e a Resenha das Pessoas

Ou por que nos sentimos intimidados para ler e escrever sobre as grandes obras? Como isso está atrelado aos relacionamentos? Sempre deixo para depois para ler as grandes obras de quadrinhos. Building Stories e Wednesday Comics ainda estão aguardando ali na minha estante para quem sabe, um dia serem lidas. É que para mim, tem de se criar um momento todo especial para se ler uma coisa também tão especial e tão bem criticada. É como aquela pessoa que você tem como sonho de consumo e que quer preparar um momento especial para vocês dois. Você arruma a casa, o quarto, se perfuma, coloca a sua melhor roupa íntima e vai. Com a leitura é o mesmo. Precisa ser num final de semana, que você tenha tempo para apreciar a obra com calma, sentado ou deitado confortavelmente, com uma boa bebida ao lado. A bebida pode depender do clima e da disposição psicotrópica do tipo de leitura. Mas intimidação é algo como um tipo de ansiedade e também é algo como um tipo de expectativa …

Rafaela, Cravo e Canela

Um Jogo com Você: Aos Cuidados de Rafaela, de Marcelo Saravá e Marco Oliveira

Uma das melhores histórias em quadrinhos brasileiras lançadas esse ano, Aos Cuidados de Rafaela, é como um jogo de provocações, é um gato e rato ao melhor estilo Nelson Rodrigues, como diz a quarta capa da HQ. A trama é a seguinte: após muitas tentativas, Nicolas acaba contratando Rafaela para cuidar de sua mãe, Aureliana, uma decadente cantora da Era de Ouro do rádio. Ele acaba se afeiçoando à garota e a desejando, embora Rafaela não dê motivos para isso. Com a morte de sua mãe, ele acaba, um conluio com seu amigo médico, inventando uma síndrome que o faz merecer os cuidados de Rafaela. Em, Aos Cuidados de Rafaela, os autores trabalham bem o silêncio na reação dos personagens, volta e meia aparece um quadro sem palavras apenas com os personagens encabulados ou escondendo uma emoção que está à flor da pele e que a imagem disso não pode negar. Também temos muitas interações aditivas entre quadros de coisas distintas que junto acarretam numa nova situação. Elas muito bem utilizadas aqui, como por exemplo …

Não Editora lança novela de Guilherme Smee

Um triângulo amoroso com pitadas pop da música e do cinema e um jovem perdido entre muitas vontades e poucas realizações, além de golpes financeiros e tráfico de medicamentos. Esta é a receita de Loja de Conveniências, novela de Guilherme Smee, sua estreia na narrativa longa. Loja de Conveniências, de Guilherme Smee, lançamento da Não Editora, terá sessão de autógrafos no dia 2 de agosto (sábado), a partir das 17h, na Palavraria, em Porto Alegre. Como um romance erótico às avessas, o livro traz a história de um jovem que se deixa levar pela inércia até o momento em que é abordado por uma garota, que se dispõe a fazer dele seu “projeto pessoal”. Ante a expectativa da chegada do namorado dela, seu mundo vai se modificando aos poucos, e passa a viver num pós-apocalipse emocional. Com personagens que vagam sempre isolados e devastados, colocam-se em discussão o amor, o sexo e a culpa pelas escolhas que são (ou deixam de ser) feitas. Loja de Conveniências é narrado em primeira pessoa e traz as situações …

Vivir para contarlo

A fantasia se torna real: GABO – Memórias de Uma Vida Mágica, de Óscar Pantoja, Miguel Bustos, Felipe Camargo, Tatiana Córdoba e Julian Naranjo

Gabriel García Márquez deveria ser o autor que qualquer fã de super-heróis deveria procurar ler. Principalmente o livro Cem Anos de Solidão. Explico: García Márquez foi um dos expoentes do realismo fantástico-maravilhoso latino-americano, ao lado de Júlio Cortázar e Mario Vargas Llosa. O realismo fantástico tem por pressuposto se utilizar de cenas mágicas e maravilhosas acatadas de maneira comum pelos seus espectadores. Assim como a Nova York da Marvel Comics ou Metrópolis e Gotham City da DC Comics, a cidade colombiana de Macondo também tem os seus seres superpoderosos. Depois que li GABO, me dei conta de como a obra dele (incluindo aí livros como Cem Anos de Solidão, O Amor nos Tempos do Cólera e Crônica de Uma Morte Anunciada) influenciou a minha literatura e meus gostos por livros. Apresentado a ele aos 14 anos por uma tia, fiquei encantado com a densidade dos relatos, maravilhado com as cenas de poderes sendo revelados, ao mesmo tempo que lidava com relações humanas de forma única. Era como ler super-heróis, ou melhor, como ler uma HQ …

Por que as HQs (e livros) são tão caros? Ou, “sabe de nada, inocente”!

Seguidamente vejo reclamações sobre o preço de publicações na internet. Porém, acho que, ao fazer isso, as pessoas não sabem que desestimulam as compras de outros. Ao mesmo tempo lhes falta um pouco de contexto para entender os valores que envolvem a produção de uma publicação. Ler scans e não comprar o quadrinho impresso, mesmo ele sendo sensacional, também auxilia na contração do mercado. Outro fator que deixa o mercado de quadrinhos impenetrável é a velha arrogância dos fãs antigos que sempre pensam saber muito mais que os novatos. Sempre haverá um velhaco mais velho e um novato mais verde. Inspirado pelo artigo de Paulo Cecconi no Pipoca & Nanquim, resolvi escrever aqui um pouco sobre o que leva uma HQ a ser cara, utilizando uma liçãozinha básica de Marketing, os 4 P’s de Phillip Kotler: Produto Para se fazer um produto que encha os olhos, é preciso um bom acabamento gráfico. Esta talvez seja a parte mais cara do processo. Quanto mais frufrus ele tiver, mais caro vai ser. Capa dura, papel couchê, verniz …

10 Razões Por Que O Inescrito Pode Ser o Substituto de Sandman

Nenhuma série em quadrinhos alternativos é tão cultuada ao redor do mundo como Sandman, de Neil Gaiman. Muitas outras séries tentaram seguir o caminho da família de Morpheus, e muitas foram nomeadas como suas substitutas. Entre elas, Fábulas e Y: O Último Homem. A primeira por sua proximidade com as histórias e a segunda pelo mundo revigorante que apresenta e seus personagens cativantes. Mas acho que há um série que se aproxima mais de Sandman, e essa série é O Inescrito (The Unwritten), criada por Mike Carey e Peter Gross. Não por acaso, os dois já haviam trabalhado juntos no spin-off de Sandman, a revista de Lúcifer. Mas vamos ao motivos: SONHOS E HISTÓRIAS: Enquanto a base de Sandman são os sonhos e sua influência sobre as pessoas, em O Inescrito temos as histórias e suas influências. Enquanto em Sandman temos o Sonhar, em O Inescrito temos O Leviatã. Ambos, sonhos e histórias, são narrativas, a diferença é que sonhos são produções internas, íntimas, já as histórias são, de certa forma, uma maneira de difundir …

Injustiça é não ler: Injustiça – Deuses Entre Nós, de Tom Taylor, Jheremy Raapack e Mike S. Miller

HQs baseadas em games geralmente não caem nas graças dos fãs. Nem dos fãs de games, nem dos fãs de quadrinhos. Mas Injustiça é um caso à parte. É uma história em quadrinhos que não deve nada ao jogo. Uma vez que o jogo não tem muito enredo, é apenas uma disputa de força e poder, a HQ preenche muitas brechas que poderiam ser exploradas de maneira mais detalhada. Depois de ter produzido o jogo Mortal Kombat x DC Universe e ter falhado fragorosamente, a casa de Superman, Batman e cia, resolveu encarregar Ed Boon, dono do NetherRealm Studios e um dos criadores do Mortal Kombat para criar um novo jogo. Ed Boon é aquele carinha que aparecia no canto da tela gritando alguma palavra que você não conhecia quando criança. Isso acontecia quando se usava o ninja das sombras, Noob Saibot – que não por acaso é um anagrama do nome de Ed. Concedendo aos heróis um visual mais moderno, Ed criou uma realidade em que o Superman enlouquece, após matar acidentalmente Lois Lane …

A Zebra: Dark Horse Apresenta #1

A nova aposta da HQM Editora para as bancas é a última encarnação da revista Dark Horse Presents. Em 1988, quando a editora independente foi lançada, a DHP era o carro-chefe da casa publicadora, trazendo nomes como Paul Chadwick e seu Concreto. A editora ganhou corpo e logo tinha sob sua posse os direitos de publicação de diversas linhas de quadrinhos do cinema, entre elas, Star Wars, Aliens e Predador. Foi também por ela que saíram o coelho-samurai, Usagi Yojimbo, de Stan Sakai e a cultuadíssima Sin City, de Frank Miller. Na Dark Horse, Miller executou a maioria dos seus trabalhos dos últimos tempos, como Liberdade, com Dave Gibbons; Big Guy e Rusty, o Menino-Robô e Hard Boiled, com o ultradetalhista Geoff Darrow, e a aclamada 300. E pegando carona com o lançamento do novo filme do universo de 300, A Ascensão de um Império, que a revista apresenta um preview da nova graphic novel de Frank Miller, Xerxes. Mas quem rouba a cena são os quadrinhos que vão mais para o estilo independente do …

Eu não quero ser você

  Eu não quero ser você. Não é insensibilidade, apenas deixei de querer me mirar em alguém, de procurar um role model para a minha vida. Uma vez escrevi um texto dizendo que queria ser você. É, mas foi escrito sem nenhuma inveja na intenção. Apenas queria deixar de ser eu. Experimentar uma existência nova, mas o fato é que eu não posso. E, aos poucos, estou me acostumando com isso. Sei que posso não saber como é ser você, mas isso, se você quiser, pode me contar. A inveja é um sentimento egoísta, porque eu não posso tê-la por você e nem você pode ter por mim. Não podemos nos colocar um no lugar do outro com este sentimento. Invejo, sim, mas invejo menos os outros do que a mim mesmo. Invejo-me do que fui e do que poderei ser, dificilmente invejo-me do que sou, porque aí a inveja seria orgulho. Não tenho orgulho de mim mesmo, nem me acho uma pessoa íntegra, mas acho que hoje, pelo menos, eu não quero ser você. …

Sentimentos Concretos: Azul é a Cor Mais Quente, de Julie Maroh

Depois de ser muito comentada por causa de sua adaptação em filme, Azul é a Cor Mais Quente saiu na sua forma original no Brasil: em graphic novel pela Martins Fontes. A graphic conta a história de Clémentine, uma jovem francesa descobrindo sua sexualidade através do amor que sente por Emma. No percurso ela também descobre o significado do amor. Nesse quesito, Azul é a Cor Mais Quente, é uma das obras em quadrinhos mais bem-sucedidas. Ela não descreve os sentimentos dos personagens somente em palavras, mas como se fosse um filme bem dirigido, as expressões dos personagens não estão somente nos seus diálogos ou em sua narrativa em off. Os personagens transbordam sentimentos, seja nos olhares, nos gestos, em um sorriso. Além disso, a autora Julie Maroh, se utiliza de intervenções visuais para concretizar sentimentos, quando imagens valem mais que mil palavras. Por exemplo, quando Clémentine se sente excitada por um uma mulher pela primeira vez. Ou o abismo em que ela cai quando percebe pela primeira vez que pode ser lésbica. É como …

Os Melhores Romances que Li em 2013

1Q84 – Livro 1, Haruki Murakami Ler esse novo sucesso do autor japonês mais cultuado no mundo de hoje, me fez embarcar na vida dos personagens. Fez com que eu fizesse parte de um Japão moderno, nada tradicional. Fui buscar por mais leituras de obras orientais – estou falando dos mangás – que comportassem aquele clima que o livro me passou. Mas ainda fico na dúvida do que se trata o livro e a que ele veio: um mistério que só vou conseguir entender quando ler os Livros 2 e 3. Ele trata de amor, em primeiro lugar, claro, os dois personagens principais possuem uma relação que só será elucidada no fim da trilogia (espero). O livro é uma homenagem a 1984, de George Orwell – o ano em que nasci – e se passa também no mesmo ano. Entretanto, se você está esperando o Grande Irmão, ministérios, duplipensar, censura, vai demorar um pouco para entender como esses elementos estão presentes. Talvez a maior qualidade de Murakami seja a sutileza, mas não se trata de …

Os super-heróis na ficção popular, por Neil Gaiman

“Na minha opinião há duas maneiras principais de utilizar os super-heróis na ficção popular. Na primeira, o significado deles é pura e simplesmente o que se vê na superfície. Na segunda eles são o que significam na superfície: verdade. E não só isso. Por um lado, significam a cultura pop e por outro, esperanças e sonhos. Ou melhor, a interação das esperanças e sonhos, uma perda da inocência. A linhagem dos super-heróis é bem antiga. Começa, obviamente, na década de 1930. Então, volta aos primórdios das tiras de jornais e também à literatura, assimilando Sherlock Holmes, Beowulf e vários deuses e heróis pelo caminho. Superfolks, o livro de Robert Mayer, usa os super-heróis como uma metáfora para tudo aquilo que os Estados Unidos se tornaram nos anos 70: a perda do sonho americano significava a perda dos sonhos americanos, e vice-versa. Joseph Torchia pegou a iconografia do Superman e escreveu The Kryptonite Kid, um poderoso e belo romance epistolar sobre um garoto que acredita, literalmente no herói e que, num livro construído como uma série …

Cinema vs. Quadrinhos, por Will Eisner

As diferenças entre as mídias, segundo Will Eisner, em seu livro Narrativas Gráficas: FILMES O público é transportado através da narrativa. Ela não deixa o tempo para contemplar ou saborear as passagens. O observador é um espectador da realidade artificial. TEXTO A aquisição requer a capacidade de ler, o que envolve pensamento, aquisição e lembrança… Os leitores convertem palavras em imagem. QUADRINHOS A aquisição exige menos do que o texto porque as imagens são fornecidas. A qualidade da narrativa depende da disposição de textos e imagens. Espera-se que o leitor participe. Ler a imagem requer experiência e permite a aquisição no ritmo do observador. O leitor deve fornecer internamente o som e a ação das imagens.

Editora do Ano

Caros leitores, no início desta semana os sócios da Não Editora tiveram a honra de ganhar o Prêmio Açorianos de Editora do Ano 2008.  No mesmo dia coloquei um piercing na sobrancelha.  Não doeu. Nada. Não estou pagando promessa. ThingsMag #5 no ar, minha participação com uma resenha de Epiléptico 1 e 2 do David B.  Pra acessar clique aqui.