Todos os posts em: Citações

Alguém famoso citando quadrinhos.

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“Estão Faltando Vilões”, por Luis Fernando Veríssimo

Com tantos filmes de super-herói contra super-herói, como Batman v Superman e Capitão América: Guerra Civil, e filmes de vilões que se passam por heróis, como Esquadrão Suicida, levaram o escritor gaúcho a essa conclusão. Vamos destacar partes de sua coluna e comentar com nosso lastro nerd.

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Assustar Crianças é Mais Fácil que Esclarecer Adultos

Muito se discute o que colocar na frente dos olhos das crianças, mas o perigo mora mesmo nos adultos que se comportam como crianças: sem filtros. Enquanto são crianças, elas não tem o poder de ação e o entendimento do mundo. Entretanto, quando se tornam adultos e começam a se transformarem em cidadãos atuantes da sociedade é onde está o x da questão.

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Crise nas Múltiplas Terras: Ano Um

Gostou da aparição do Flash da Era de Ouro, Jay Garrick, no seriado do Flash? Aquele que tem o capacetinho de Mercúrio. Que já foi chamado de Joel Ciclone no Brasil. Sim, essa aparição abriu o mundo das séries da DC como nenhuma outra. Então aproveite para acompanhar esse texto de Mark Waid explicando como começou a confusão das várias terras que compõem o Universo DC.

Faça boa arte!

“Faça boa arte”, de Neil Gaiman

Ter recebido em casa um livro com o discurso memorável do Neil Gaiman, num período de cobranças e imposições não poderia ter vindo em melhor hora, para voltar a ter autoconfiança no que eu faço. Se você também anda desiludido com o seu trabalho e se achando um inútil porque não ganha dinheiro suficiente, dêem uma lida, ouvida ou olhada no discurso a seguir e renove sua autoestima, porque as pessoas e o mundo não dão trégua. Quem tem que saber o que é melhor é você mesmo, sem pessoas que te botem pra baixo. Obrigado, Samir Machado de Machado. A tradução abaixo é de Juliana Fajardini. Eu nunca realmente esperei me encontrar dando conselhos para pessoas se graduando em um estabelecimento de ensino superior. Eu nunca me graduei em um desses estabelecimentos. E nunca nem comecei um. Eu escapei da escola assim que pude, quando a perspectiva de mais quatro anos de aprendizados forçados antes que eu pudesse me tornar o escritor que desejava ser era sufocante. Eu saí para o mundo, eu escrevi, …

Federico Fellini fala sobre os Quadrinhos

“Histórias em Quadrinhos são a fantasmagórica fascinação daquelas pessoas de papel, paralisados no tempo, marionetes sem cordões, imóveis, incapazes de serem transpostas para os filmes, cujo encanto está no ritmo e dinamismo. É um meio radicalmente diferente de agradar os olhos, um modo único de expressão. O mundo dos quadrinhos pode, em sua generosidade, emprestar roteiros, personagens e histórias para o cinema, mas não seu inexprimível poder secreto de sugestão que reside na permanência e inabilidade de uma borboleta num alfinete”. “(…) Descobri, assim, com um sentimento de admiração, que, por trás de uma história em quadrinhos, sempre aparecendo regularmente nas bancas, há uma formidável organização eficientíssima e tecnicamente preparada. Como sabemos, nós do cinema pertencemos a uma casta; e os desenhistas, os roteiristas, os coloristas, e os letristas, capazes de preencher o balão com diálogos escritos em uma límpida letra de forma, fazem parte de uma casta de artistas e de artesãos que fascina e faz felizes milhões de leitores de todas as idades. Exatamente como nós do cinema estamos convencidos de fazermos o …

Os super-heróis na ficção popular, por Neil Gaiman

“Na minha opinião há duas maneiras principais de utilizar os super-heróis na ficção popular. Na primeira, o significado deles é pura e simplesmente o que se vê na superfície. Na segunda eles são o que significam na superfície: verdade. E não só isso. Por um lado, significam a cultura pop e por outro, esperanças e sonhos. Ou melhor, a interação das esperanças e sonhos, uma perda da inocência. A linhagem dos super-heróis é bem antiga. Começa, obviamente, na década de 1930. Então, volta aos primórdios das tiras de jornais e também à literatura, assimilando Sherlock Holmes, Beowulf e vários deuses e heróis pelo caminho. Superfolks, o livro de Robert Mayer, usa os super-heróis como uma metáfora para tudo aquilo que os Estados Unidos se tornaram nos anos 70: a perda do sonho americano significava a perda dos sonhos americanos, e vice-versa. Joseph Torchia pegou a iconografia do Superman e escreveu The Kryptonite Kid, um poderoso e belo romance epistolar sobre um garoto que acredita, literalmente no herói e que, num livro construído como uma série …

Os Zeróis de Ziraldo, por Maria Gessy

“O ridículo existente por trás do mito americano da força, do podere da invencibilidade, evidenciado pela bem-humorada síntese visual do artista, permanece como uma leitura possível no momento presente, além, é claro, de demonstrar que a História e seu ator, o ser humano, se repetem indefinidamente. Mudam apenas os intérpretes e os cenários”. “”Sou filho dos comics americanos’ costuma dizer o artista, com razão. Sua estética original e inovadora segue os caminhos abertos pelos mestres da HQ, com o uso de cores primárias e da retícula, além do sentido narrativo presente em seus trabalhos, mesmo nos cartuns e nas charges”. Maria Gessy de Sales, em Os Zeróis de Ziraldo, São Paulo, Editora Globo, 2012.

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A Grade Hierárquica, por Ivan Brunetti

“Podemos comparar o ato de desenhar uma história em quadrinhos ao de criar uma realidade em miniatura numa página, ou, como disse Chris Ware, ‘sonhar no papel’. O sonho, por exemplo, é autobiografia ou ficção? Por um lado, os sonhos são saltos da imaginação, sinais da plasticidade das informações armazenadas no cérebro, as quais se recombinam de formas às vezes fantásticas, às vezes assustadoras, formas eu jamais poderiam ser imaginadas no estado de vigília – formas de ficção, portanto. Ao mesmo tempo, essa ficção específica só pode ter sido produzida por determinado cérebro, pelos estímulos que ele processou e armazenou. Num sonho seu, todas as personagens são essencialmente… você. Ou uma extensão devocê, seu autor inconsciente. No fim, autobiografia e ficção não constituem uma dicotomia, mas uma polaridade, um perpétuo cabo de guerra que não pode jamais ser definido e medido com precisão. A página de quadrinhos reflete o modo pelo qual o autor se lembra da sua própria existência da realidade, do fluxo de tempo, da importância das pessoas, lugares e coisas. Nas HQs, …

Eu cresci no Universo Marvel, por Joss Whedon

“Eu cresci no Universo Marvel. Eu tinha uns 10 anos quando entrei pela primeira vez. Ross Andru fazia o Homem-Aranha se balançar por toda Nova York. George Pérez tinha jogado os Vingadores na Contraterra. Foram os meus primeiros gibis, aquele pelos quais eu corria pra banca de jornal, mas logo estava lendo quase toda a linha da Marvel. Conhecia todas as histórias também; devorava todas as edições anteriores, origens e antologias que podia encontrar. Era um espaço rico e místico, cheio de grandes aventuras cósmicas e dramas pessoais. Um bom lugar para crescer. E a melhor parte de tido isso é que esse universo parecia estar crescendo junto comigo. Enquanto eu passava pela adolescência e me deparava com uma realidade sombria e mais complexa, a Marvel acompanhava cada um dos meus passos. As revistas, que já eram tão ricas, tornavam-se mais profundas e sombrias. Conceitos mais audaciosos, narrativa visual mais sofisticada. Os personagens era mais ambíguos, bem amarrados, torturados e adultos do que qualquer adulto pudesse suspeitar. Deathlock, Howard, o pato, Wolverine, Elektra. Estava a …

Henry James falando sobre quadrinhos?

Henry James, escritor consagrado de A volta do parafuso e Retrato de uma senhora, nasceu em Nova York, em 1834 e morreu em 1916, em Londres. Nessa época, os quadrinhos ainda estavam dando seus primeiros passos. Então, como Henry James poderia ter escrito sobre quadrinhos? A resposta é que ele não escreveu. Mas chegou muito próximo disso quando comparou a literatura com a arte plástica em seu ensaio “A arte da ficção”, incluído no livro A Arte da Ficção, de 1884. (Publicado no Brasil pela Editora Novo Século em 2011). SE A PINTURA É A REALIDADE, O ROMANCE É A HISTÓRIA Foi o que disse o autor, que a pintura representa o que a visão pode alcançar. (Claro, muito antes dos movimentos modernistas mudarem essa perspectiva). Mas se a pintura está relacionada com o espaço, a história, o romance, estão relacionados com o tempo. Os quadrinhos, por sua vez, representam o espaço e o tempo através de seus quadros justapostos. Ambos são uma representação da realidade. Segundo o autor, “um romance, em sua definição mais …

A Internet é a Zona Fantasma, por Grant Morrison

“Em um e-mail recente para Mark Waid, eu estava reclamando e resmungando a respeito do conceito de “padronização”e comentei que isso era uma coisa que, particularmente, me incomodava bastante naquele dia. Nós dois tínhamos lido o mesmo, e um tanto quanto desanimador, artigo na revista New Scientist, onde se explicava que, a partir do momento que um dado grupo de pessoas passa a categorizar você de acordo com um ou outro modelo apropriado, torna-se praticamente impossível se livrar do rótulo, mesmo trabalhando de um jeito diferente. Para mim, isso simplesmente confirmava a terrível suspeita de que, por mais que eu tentasse criar enredos à prova de falhas, ou por mais bem estruturadas que as minhas narrativas ficassem, ou por mais que eu organizasse convencionalmente as minhas ideias, eu sempre seria considerado nos círculos dos fãs de quadrinhos como um frenético fornecedor de sandices imprevisíveis. Eu vi futuras gerações coçando as suas cabeças ,por causa do palavreado na minha lápide coberta de vegetação, considerando “incompreensível” o singelo nome da singela alma sob o solo. (…) Aquelas …

As mulheres de Guido Crepax, por Marco Giovannini

“As histórias de Crepax, na verdade, têm vários níveis de leitura. Um crítico bissexto de quadrinhos, o diretor de cinema Alain Resnais, afirmou: “Seguidamente, é necessário tomar uma página de Crepax e ler várias vezes para captar certos detalhes”. E tem razão. O primeiro nível de leitura, o mas simples, é aquele tradicional da leitura dos quadrinhos. A  vinheta, o diálogo, o balão, o rumor. E assim por diante. Até completar a história. É o mais simples e, é quese diga, o menos interessante em Crepax: ele, de fato, como narrador puro e simples, como criador de histórias de aventuras, não é o melhor autor de quadrinhos italiano e nem está entre os melhores. Existe um abismo entre os desenhos, sempre impecáveis, perfeitos, minuciosos, e os nexos, as relações, os movimentos da história que, “aventurosamente” falando, são simples demais ou, até mesmo, inexiostentes. E isso criou muitas discussões envolvendo leitores de Linus e também alguns críticos famosos como o espanhol Román Gubern (autor de um ensaio findamental “Il linguaggio dei comics”, Milano Libri). Falou-se muito …

Sobre Ben Affleck como Batman, por Mark Evanier e Sergio Aragonés

“(…) O primeiro Super-Homem que você viesse a conhecer seria o seu Super-Homem. É assim que você sempre irá ver o personagem. Você pode até gostar das outras versões. Você pode até achá-las melhor desenhadas ou mais interessante. Mas o primeiro Super-Homem você nunca esquece. (…) Acho que isso se aplica ao Batman também. Batman foi criado em 1939 por um homem chamado Bob Kane, que veio a falecer há alguns anos atrás. Um amigo dele, chamado Bill Finger, escreveu sua primeira história, bem como algumas das mais importantes dentre todas elas. E o Sr. Kane disse em sua autobiografia que ele sentia pelo Sr. Finger não ter recebido mais crédito pelo Batman. Kane desenhou por um tempo, mas um monte de outros artistas ajudaram-no no começo de tudo, e continuaram a desenhar quando Kane parou. Por alguma razão, todas as histórias eram assinadas por “Bob Kane” durante anos, como se fosse ele quem desenhasse todas elas. Mas na verdade, outras pessoas o faziam. Por um longo tempo. E alguns dos melhores que o desenharam …

Parábola, por Jean “Moebius” Giraud

“Era a primeira vez na vida que eu trabalhava usando o ‘Método Marvel’, Stan me deu um enredo razoavelmente detalhado – em torno de seis páginas – , mas sem esboços ou diálogos. Isso era novidade para mim. Quando eu faço o Blueberry com Jean-Michel  Chartier, ele me dá o script completo, mesmo que eu não o siga fielmente. Jodorowsky trabalha comigo de uma forma única, mas, também, quando eu começo a desenhar, já tenho todos os elementos visuais no lugar. Esse não era o caso aqui. Colocar a história no caderno de esboços era a parte preferida do meu serviço. Era como desenhar storyboards. Eu via a história se desenrolar na minha frente, no papel. Quando terminei, havia feito 46 páginas, o que  mostra quanto Stan era bom. Eu não precisei aumentar nem cortar nada de história. Stan não pareceu particularmente surpreso com meus esboços, o que indica que os mesmos devem ter sido o resultado lógico do desenvolvimento de todas as informações que ele me  deu. A história é maravilhosa. Está cheia de …

Frequência Global Vol. 1, de Warren Ellis e Vários Artistas (Citações)

Por que parar de ler V de Vingança e começar a ler Frequência Global? Para começar, Frequência Global trata das smart mobs, mobilização de um grupo de pessoas ao redor do mundo em prol de um objetivo comum. Muito parecido com o esforço das ONGs, porém espalhada pelo globo, a Frequência Global é uma organização que salva o mundo. Claro que a história tem um viés super-heróico, como naquela em que uma praticante de le parkour percorre a cidade de Londres para livrá-la de uma bomba viral. Também tem muito de ficção científicas e de sociedades secretas. Miranda Zero é a comandante da organização e Aleph, uma espécie de oráculo, é quem contata seus mais de mil agentes ao redor do planeta. Esse esforço conjunto em favor do salvamento, reconstrução, preservação do globo é a mensagem que a HQ passa. Aqui, volto a dizer, Warren Ellis faz um ótimo trabalho, se redime comigo por Transmetropolitan, contando histórias curtas e fechadas, com um muito de fantasioso, porém aplicável aos nossos dias. Para comprovar isso, seguem algumas …

“O mangá é minha esposa e o anime é minha amante”, por Osamu Tesuka

“Eu sempre produzo vários mangás ao mesmo tempo. Criá-los em paralelo é como uma catarse para mim. Quando sou obrigado a me concentrar em um só tema, acabo frustrado. Em outras palavras, sou do tipo que gosta de se envolver com muitas coisas ao mesmo tempo. Isso serve para arejar a cabeça. Enquanto escrevo a história A, vou inserindo em B elementos que não exitem em A. Quando me canso de A, espaireço me concentrando em B. É assim que faço. Minhas obras sempre têm um caráter ou muito positivo ou muito negativo. É um exemplo meio estranho, mas o escritor Morio Kita sempre diz que suas melhores obras nascem quando ele está transitando entre o estado de depressão e o de euforia, porque as emoções são instáveis. Por isso eu tento me manter sempre instável. Concentrar-se em apenas uma coisa é sinônimo de fechar-se em um único ambiente. É de um estado constantemente mutável que nascem as ideias mais livres e criativas. Desenho uma comédia ao mesmo tempo em que publico um drama; crio …

Krazy Kat e o 11 de Setembro, por Art Spiegelman

“(…) Mas quem me pegou em cheio foi Krazy Kat. O triângulo amoroso Kat-Pupp-Mouse, de George Herriman, foi universalmente acolhido como a joia no  chapéu de bobo da minha forma de arte; e ao menos uma vez aceito entrar no coro que incluiu juízes culturais como cummings e Umberto Eco. Houve muitas tiras de “uma nota só” na história dos quadrinhos, como o efêmero Little Sammy Sneeze, de Winsor McCay, sobre um vira-latas de roncos potentes que derrubam o que estiver por perto: um carrinho de vendedor ambulante e, quem sabe, toda uma cidade. Mas nunca nada se comparou a Krazy Kat: a tira lírica e idiossincrática em estilo rabisco-deco apresentava um Kat que adora ser “esmagado por um tijolo” jogado por um rato de maus bofes, Ignatz, que em seguida é perseguido por um certo Ofissa Pupp (um buldogue discretamente apaixonado por Kat), que arremessa o vilão numa prisão feita de… tijolos! Os admiradores da tira podiam ler – e liam – as variações cotidianas de Herriman: da alegoria política (Mouse como anarquista, Kop …

Superman e o Merchandising, por Gerard Jones

O Merchandising no Mundo dos Quadrinhos “Na sexta história publicada de Superman, talvez a primeira concebida para sair num gibi (N.B.: Sim! As primeiras revistas do Super eram recortes e colagens de tiras de jornais), Jerry (Siegel) e Joe (Shuster) mostrarm que partilhavam com os leitores o conflito entre cinismo e sonhos. Eles jogaram o herói contra um aspirante a empresário que vende o nome do herói a um fabricante de carros, coloca uma cantora de cabaré gemendo uma canção de amor não correspondido para ele e patrocina um programa de rádio do herói. “Ora, ora, eu até já providenciei para que ele apareça nos quadrinhos”. Eles parodiaram o gênero antes de o gênero existir. Primeiro o super-herói desafia esse mesmo público a acompanhá-lo a sério nas fantasias de poder. Depois de todas as gags, é um prazer ver o substituto do Super-Homem que o empresário havia contratado, quebrar o punho no peito de aço do verdadeiro herói. O Merchandising no Mundo Real (…) Todas as cadeias de rádio rejeitaram a oferta (de um programa …

Desmitificando os Super-Heróis, por Manuel Jofré

“A ideologia burguesa tem como função objetiva inverter a realidade. Nega a existência de classes sociais, definindo os homens como um todo coerente e unido, por exemplo. Ou, em outro momento histórico, não se preocupa em negar as classes sociais, as quais aceita, senão que nega a luta de classes e propõe, em toca, a possibilidade de ascensão social para alguns (arrivismo). Também pode propor soluções universais pra os conflitos: o amor (assexuado, evidentemente). O papel da ideologia é eliminar as contradições que os homens e o sistema social capitalista possuem. Nega ou deforma o fato histórico de que existem países desenvolvidos e subdesenvolvidos (fixando o espaço das histórias em quadrinhos numa terra de ninguém, como, por exemplos, nos casos do oeste, da selva ou da Gotham City de Batman), nega a existência da burguesia e do proletariado (colocando o rico como paternalista e o pobre como delinquente, vivendo em harmonia), nega a transformação social (propondo um mundo circular onde sempre triunfam os super-heróis, seja Batman, Tarzan ou Zorro), nega a propriedade privada dos meios …

Deuses, Deusas e Super-Heróis Atuais, por Miranda Bruce-Mitford

“Alguns personagens modernos de ficção alcançaram um status de semideuses similar ao dos antigos heróis gregos. Ninguém imagina que o Super-Homem e assemelhados sejam  pessoas reais, mas eles encarnam o arquétipo masculino da força poderosa e heroica que luta pelo bem. Ao consertar as coisas erradas do mundo, atendem a uma necessidade inata de todos nós. Astros das artes e do esporte também cumprem esse papel. Desde a morte de Elvis Presley, por exemplo, sua moradia em Graceland, nos Estados Unidos, se tornou um verdadeiro santuário, um centro de peregrinação para milhões de seguidores devotados. Heróis esportivos, como Ayrton Senna, ta,bem atraem um grande número de adeptos, principalmente homens, despertando neles a identidade de grupo. Essas necessidade também são atendidas em apresentações de rock, quando a plateia acende fósforos, isqueiros e velas para exprimir devoção a seus astros. O conjunto de pequenas chamas resultante remete ao simbolismo do fogo nas religiões e culturas ao longo da história”. Retirado de O Livro Ilustrado dos Símbolos, de Miranda Bruce-Mitford (Publifolha, 2001), pág. 11.

Clássicos Ilustrados, por George R. R. Martin

“(…)E então havia a Classics Illustrated. Talvez tenham sido as primeiras graphic novels: romances seminais da cultura ocidental (misturadas com alguns que eram, hum, menos seminais) adaptados para os quadrinhos. Não colecionei a Classics Illustrated com a mesma assiduidade que colecionava os títulos da Marvel e da DC, mas comprei alguns deles ao longo dos anos. Mais tarde, no colégio e na faculdade, eu iria ler muitos dos trabalhos originais nos quais os quadrinhos foram baseados, mas isso foi anos depois. Os funny books vieram primeiro. Um conto de duas cidades, A máquina do tempo, A guerra dos mundos,  Grandes Esperanças, Moby Dick, Ivanhoé, A Ilíada, O último dos moicanos, A casa das sete torres, Os  três mosqueteirios, As mil e uma noites, até mesmo Macbeth… Eu li primeiro como funny books. Muityo antes de ler uma palavra de Dickens, Wells, Melville, Dumas ou Shakespeare, me deparei com Sydney Carton, O Viajante do Tempo, Capitão Ahab, D’Artagnan e Lady MacBeth nas páginas de papelk-jornal e impressas em quatro cores. E embora (ainda) não tivesse lido …