A Melhor Adaptação de Um Texto Literário Para História em Quadrinhos

 

Existem muitas adaptações literárias para os quadrinhos, principalmente no Brasil, onde aconteceu uma profusão desse material. As editoras de quadrinhos viram no PNBE uma mina de ouro para conseguir dinheiro através de adaptações literárias em quadrinhos. Assim, enormes atrocidades foram produzidas e, ao invés de valorizar publicações originais, pasteuriza-se mais do mesmo, apenas pelo dinheiro governamental. Por isso, para mim, adaptações literárias em quadrinhos eram sinônimo de baixa qualidade. Mas me enganei. Existem sim, adaptações de grande qualidade, que só adicionam à história e trabalham bem a linguagem dos quadrinhos. É o caso de Cidade de Vidro, uma adaptação em quadrinhos de Paul Karasik e David Mazzucchelli, de um conto de Paul Auster. Essa é, na minha opinião, a melhor adaptação de um texto literário para histórias em quadrinhos. Neste post você vai saber a razão.

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Quem Vai Ensinar Humanidade Para os Humanos? O Apelo do Visão de Tom King e Gabriel Hernandez Walta

Este mês saiu a conclusão da série do Visão por Tom King e Gabriel Hernandez Walta no Brasil. Foram 12 edições lá fora e dois encadernados de capa dura por aqui. A série lida, mais uma vez, com o sintozóide Visão tentando empreender e promover mais humanidade em sua vida. Dessa vez, ele cria uma família para si, com uma mulher, dois filhos e um cachorro sintozoides, que são robôs sintéticos, quase humanos. Para isso, e para serem aceitos, ele vão morar num subúrbio humano, como uma família estadunidense comum. Mas logo começam os problemas, ecoando a dificuldade humana para entender o que é ligeiramente diferente de si, como um robô, mas mesmo aqueles que, por enquanto – na visão da sociedade – são considerados humanos. Neste post vamos falar mais sobre essa incrível série, ganhadora de inúmeros prêmios, que eleva o gênero de super-heróis em quadrinhos a outro patamar. Continuar lendo “Quem Vai Ensinar Humanidade Para os Humanos? O Apelo do Visão de Tom King e Gabriel Hernandez Walta”

O Poder e a Alienação do YouTube. Quem Matou o Caixeta?, de Rainer Petter

É indiscutível que o youtube tomou proporções na vida das novas gerações da mesma forma que a TV fez com as gerações anteriores. Mas enquanto a TV se utilizava de filtro e ferramentas de alienação popular mais discretas e subliminares, a doutrinação através dos vídeos de streaming não tem nada de disfarces e muito menos nada de filtros. A forma massiva como essa comunicação chega á pessoas cria um comportamento de rebanho e anula o senso crítico, fazendo as pessoas cada vez mais radicais, ou apenas concordando ou discordando extremamente do que os youtubers apregoam. Quem Matou o Caixeta?, de Rainer Petter, é uma crua retratação dessa geração que quer mais postar sem realmente refletir o que está fazendo e quais as responsabilidades desses comentários e é sobre isso que vamos discutir agora. Continuar lendo “O Poder e a Alienação do YouTube. Quem Matou o Caixeta?, de Rainer Petter”

Aos Vestígios do Passado e Além: A Vida é Boa, Se Você Não Fraquejar, de Seth

Seth é um dos mais festejados quadrinistas canadenses. Ele também é um dos pioneiros a fazer quadrinhos indies autobiográficos, tendo começado ainda nos anos 90 esse tipo de história memorial que teve seu boom em meados dos anos 2000. A Vida é Boa, Se Você Não Fraquejar é o seu segundo trabalho publicado no Brasil, mas é de longe o mais famoso internacionalmente e o cartão de visitas da sua obra. Publicada pela Editora Mino em 2018, esse quadrinho é uma leitura obrigatória para aqueles que curtem artes sequenciais com teor autobiográfico. A seguir, descrevo um pouco melhor sobre esse quadrinho bem diferente do que estamos acostumados, mas com alguma coisinha em comum. Continuar lendo “Aos Vestígios do Passado e Além: A Vida é Boa, Se Você Não Fraquejar, de Seth”

A Leitura dos Quadrinhos: Mito, Ritual e Realidade

Acho que vocês, leitores inveterados de quadrinhos, já devem ter percebido que fazemos da nossa leitura, do nosso contato com os quadrinhos, um ritual. Todos visitamos um templo: uma banca, uma livraria, uma loja virtual. Todos comungamos da mesma história, do mesmo enredo, se lemos a mesma publicação. O ato ritualístico da leitura envolve sentidos e sentimentos, a visão, o toque das páginas, o peso do quadrinho, o cheiro do papel e da tinta. Nos acomodamos para poder nos sentir melhor ao ler quadrinhos. Entre muitas outras similaridades com um culto religioso. Afinal, muitos tratam Marvel e DC, e alguns criadores como verdadeiros e veneráveis deuses. Mas eu gostaria de analisar esse fenômeno um pouco mais a fundo e, por isso, fiz uma pequena pesquisa. Venham praticar esse rito comigo, sem cerimônia, por favor! Continuar lendo “A Leitura dos Quadrinhos: Mito, Ritual e Realidade”

Por Que Os Balões de Pensamento Foram Praticamente Extintos?

Se você pegar uma revista em quadrinhos nas bancas ou nas livrarias que sejam de pelo menos dez anos atrás de lançamento vai perceber que os balões de pensamento estão praticamente ausentes dessas publicações. Principalmente nas revistas mainstream de super-heróis. Na revistas infantis, eles continuam, de certa forma, mais comuns. Mas o que foi que fez o pensamento desaparecer praticamente dos quadrinho que lemos e que mecanismos se colocaram no lugar dele? É o que vamos saber neste artigo. Continuar lendo “Por Que Os Balões de Pensamento Foram Praticamente Extintos?”

Como Funciona Uma Adaptação DE Quadrinhos e Uma Adaptação PARA Quadrinhos?

Hoje temos uma explosão de adaptações de quadrinhos para o cinema, para a televisão, para os videogames e também para os livros. Ao mesmo tempo, vemos um movimento contrário: de filmes para quadrinhos, mas principalmente da prosa escrita para a arte sequencial. Claro, não existe uma fórmula mágica para uma adaptação boa ou correta, mas deve-se focar nos pontos fortes de cada mídia e em suas particularidade. Se isso não for levado em conta, a adaptação fracassa. Nesse post vamos discutir um pouco sobre conceitos e formas de adaptações que envolvem quadrinhos e porque podemos nos frustrar tanto quando nossas expectativas não são atendidas nesses trabalhos. Vem comigo! Continuar lendo “Como Funciona Uma Adaptação DE Quadrinhos e Uma Adaptação PARA Quadrinhos?”

Jim Shooter e Suas Histórias: Mania por Controle e Complexo de Deus

Jim Shooter foi o mais novo contratado de uma editora de quadrinhos da História, ele também foi editor-chefe da Marvel Comics e um dos criadores e fundadores da Valiant Comics. Embora Shooter tenha todo esse currículo, ele não era bem quisto por seus pares. Autoritário, com sede de poder e de controle, pouco a pouco ele foi construído inimizades na indústria dos quadrinhos. Mas ele também tinha outra característica: criar personagens quase divinos ou totalmente divinos, que eram todo-poderosos. Será que isso era um reflexo das características de Shooter como chefe? Leia aqui e conheça um pouco mais. Continuar lendo “Jim Shooter e Suas Histórias: Mania por Controle e Complexo de Deus”

Conheça a HQ em que o Estrela Polar se Assumiu Gay

Sempre ouvimos aqui no Brasil de que Jean-Paul Beaubier, o Estrela Polar, integrante da equipe canadense Tropa Alfa, foi o primeiro herói da Marvel a se assumir como gay. O fato é que os brasileiros nunca puderam ler essa história, pois a Tropa Alfa, havia anos, não era mais publicada no Brasil quando essa história saiu. Por isso, resolvi dar uma lida nessa edição e ver como essa revelação é feita, já que ela envolve muita polêmica nos bastidores da Marvel e também falava sobre AIDS e heróis da Era de Ouro. Então, sem demora, vamos à história! Continuar lendo “Conheça a HQ em que o Estrela Polar se Assumiu Gay”

X-Force: Mão Aberta ou Punho Fechado?

Hoje em dia a frase “Magneto Estava Certo” pulula por camisetas e sites na internet. Ela surgiu na fase de Grant Morrison nos X-Men. Muitos acreditam que os métodos dele, de encarar o conflito entre mutantes e humanos é o correto. Usar de meios violentos, assim como os humanos que atacam os mutantes. Essa é uma questão premente para os defensores da diversidade, como Martin Luther King e Malcolm X, que pregavam diferentes maneiras de encarar o problema da não-aceitação de minorias. Afinal, o movimento pela defesa das minorias deve oferecer a seus detratores a mão aberta ou o punho fechado? Em uma incrível história dos anos 90 da X-Force (sim, você leu corretamente), Sam Guthrie, o Míssil, tem a resposta. Continuar lendo “X-Force: Mão Aberta ou Punho Fechado?”

Quadrinho Brasileiro com Brasilidade

“O Brazil não conhece o Brasil”, diria a letra de Elis Regina. O quadrinho brasileiro viu um boom em sua diversificação e nas suas produções, por volta de duas décadas. Entretanto, vamos concordar, nem todos esses quadrinhos possuem brasilidade.  Claro, não necessariamente necessitam ter. Longe da discussão da legitimidade dos super-heróis nacionais, mas indo além. Pensando na representação do país sem ufanismo, sem maneiras pejorativas, sem comemorações e sem condenações, quais são os quadrinhos brasileiros que contém essa tal brasilidade? É sobre isso que vamos falar nesse artigo. Continuar lendo “Quadrinho Brasileiro com Brasilidade”

Escrevendo Diálogos Para Quadrinhos x Para Cinema, por Jules Feiffer

Jules Feiffer é um dos mais renomados cartunistas americanos, tendo trabalhado como braço-direito de Will Eisner, criador do Spirit, nos anos 40. Ele é ganhador de muitos prêmios e possui um Pulitzer por quadrinhos editoriais (charges e cartuns). Um dos seus últimos trabalhos publicados no Brasil foi Mate Minha Mãe, publicado aqui pela Companhia das Letras. Ele também trabalhou como dramaturgo e como criador de roteiros para cinema, escrevendo os diálogos do filme live-action do Popeye. Ele também foi um dos primeiros a escrever livros teóricos sobre super-heróis, em 1965, com o livro The Great Comic Book Heroes. Aqui, Feiffer dá dicas da escrita de diálogos, tanto para quadrinhos como para teatro e cinema. Dê uma checada! Continuar lendo “Escrevendo Diálogos Para Quadrinhos x Para Cinema, por Jules Feiffer”

A História dos X-Men Acaba Nos Anos 90?

Se você gosta dos X-Men, tem muito a agradecer a um cara de cabelo e barba grisalhos que se chama Christopher Claremont. Ele vinha de uma escola de teatro shakespeariana e conferiu essa teatralidade às histórias dos mutantes quando evoluiu na Marvel de estagiário para roteirista nos anos 70. Foram mais de 17 anos ininterruptos na revista Uncanny X-Men e demais títulos, criando uma imensa mitologia para esses personagens. Claro que Claremont voltou mais tarde, mas o cenário já não era o mesmo. Por isso eu pergunto: com a saída de Claremont no início dos anos 90, a história dos X-Men acabou? Continuar lendo “A História dos X-Men Acaba Nos Anos 90?”

A Evolução do “Grande Inimigo” nos Quadrinhos de Super-Heróis

Os quadrinhos de super-heróis estão sempre travando uma guerra. A diferença é que com o passar dos anos e das eras, o “grande inimigo” retratado nos quadrinhos de super-heróis vai mudando. Eu gostaria de falar aqui um pouco sobre essa necessidade dessas publicações de tratar o inimigo como uma massa amorfa e homogênea e como isso influi na nossa cultura. Cidadãos “de bem”, acesse a seguir! Continuar lendo “A Evolução do “Grande Inimigo” nos Quadrinhos de Super-Heróis”

Os Diálogos Transformadores de “Mulher-Maravilha”

O filme da Mulher-Maravilha está conquistando corações e mentes por todo o mundo (onde é permitido ser assistido) e cativado adultos e crianças com sua mensagem de luta e união. Muito dessa conquista vem da direção de Patty Jenkins e dos roteiros do filme, mas também da química entre Gal Gadot e Chris Pine. Vamos falar um pouco sobre esses diálogos? Continuar lendo “Os Diálogos Transformadores de “Mulher-Maravilha””

Os 10 Piores Grandes Escritores dos X-Men

Apesar de Chris Claremont ser a referência quando se fala em roteiristas dos X-Men, muitos escritores o seguiram após seus mais de 17 anos à frente dos títulos mutantes. Quando se fala em escritor ruim – e principalmente dos X-Men, o primeiro nome que vêm é Chuck Austen. Mas ele não é o único ruim. Você vai se surpreender com os nomes que contam na lista que segue. Continuar lendo “Os 10 Piores Grandes Escritores dos X-Men”

O Sanctum Sanctorum do Doutor Estranho Enquanto Personagem

Você já reparou como a casa do Doutor Estranho, o Sanctum Santorum, possui um papel importante nas histórias dele, principalmente nessa nova fase por Jason Aaron? Pois é, e mesmo no filme de Stephen Strange, o local, novo para ele, também possui um grande destaque. Então agora vamos falar desse local sagrado e santo para a magia do Universo Marvel. Continuar lendo “O Sanctum Sanctorum do Doutor Estranho Enquanto Personagem”

Cullen Bunn: O Roteirista dos Supervilões

Cullen Bunn é um dos principais nomes dos roteiristas de quadrinhos da nova geração. Em pouco tempo já angariou inúmeros títulos sob seus cuidados, tendo participado da criação e da reintrodução de diversos personagens famosos tanto da Marvel quanto da DC. Não sabe de quem eu estou falando? Então me acompanhe e conheça mais do trabalho de Cullen Bunn. Continuar lendo “Cullen Bunn: O Roteirista dos Supervilões”