Todos os posts em: Teoria dos Quadrinhos

Um pouco sobre teoria dos quadrinhos.

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A Importância do Humor nos Quadrinhos de Super-Heróis

Os quadrinhos de super-heróis sempre tiveram elementos de humor. Um prova evidente disso é que o nome americano dos gibis se chama comic books, dada a origem humorística das primeiras publicações nesse estilo e formato. Hoje, comics, é sinônimo de super-heróis. Claro, existem aqueles que não curtem o humor presente nos quadrinhos. “Super-herói bom não dá risada, dá socos”, diriam. Aqui vamos dar uma olhada superficial sobre o humor e como ele se encaixa nos quadrinhos.

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O Design da Página de Quadrinhos

Os estudos da História da Arte e do Design podem ajudar um quadrinista a compor o layout das páginas dos seus quadrinhos. Porém, também é preciso entender como se dá a leitura e a compreensão das palavras e imagens, sejam em separado ou em adição, para que a página de um quadrinho seja processada na nossa mente. Este artigo fala um pouco sobre estes estudos e processos.

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As Histórias Sem Fim dos Super-Heróis e As 1001 Noites

Na clássica história árabe das 1001 Noites, Sherazade tem a incumbência de entreter o sultão contando-lhe histórias por 1001 noites para evitar sua morte. É que o sultão tinha o costume de matar as suas mulheres após passar a primeira noite com ele. Contando histórias para o monarca, Sherazade acaba escapando de sua sina. Mas o que isso tem a ver com os super-heróis? Explico a seguir.

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Por Que a Ficção Nos Comove Mais Que a Realidade?

Muitas vezes a gente chora vendo o filme de uma mãe procurando a filha, mas ao ver uma mãe gritando pela filha na rua, o mesmo não acontece. Também nos preocupamos com o que vai acontecer com a Katniss, de Jogos Vorazes, se ela vai conseguir alimentar seu distrito, mas ao ver os refugiados africanos e da Síria morrendo em meio a uma travessia do Mediterrâneo, as lágrimas não sobem aos nossos olhos com a mesma facilidade. Mas por que isso acontece? É o poder da ficção de nos envolver e nos fazer identificar com o personagem que ele se torna parte da gente.

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A Importância do Fazer de Conta

Eu fiquei um tanto chocado quando ouvi que Pedro, um dos mais recentes eliminados da cozinha do Masterchef Brasil, declarou que nunca tinha lido um livro de ficção na sua vida. Porém, livros de culinária ele já havia lido muitos. Ele disse que não gostava de ficção. Dados alarmantes de pesquisas anuais revelam que o brasileiro médio lê por volta de dois livros por ano. Em tempos de redes sociais em que as pessoas querem conclamar a razão para si em todas as esferas da vida, se mostra importante haver embasamento teórico para nossos pensamentos. E é aí onde mora a importância da ficção.

Spirit de Porko!

A Questão dos Estereótipos nos Quadrinhos, por Will Eisner

Ébano Branco era o parceiro de aventuras, ou melhor, o taxista do Spirit, maior criação de Will Eisner. O problema era que a caracterização de Ébano enquanto pertencente à núbia raça deixava muito à desejar. Era um estereótipo dos mais horríveis: dentões, parecendo um macaca, cartunesco, enquanto o Spirit era um esbelto e atlético caucasiano. Veja o que Eisner tem a dizer sobre sua criação.

A Popozuda passa uma mensagem, sim!

Quadrinho nacional: um mercado de nicho ou um mercado popular?

Estava discutindo isso com um amigo no facebook. Os quadrinhos brasileiros devem seguir seu próprio caminho ou devem seguir as fórmulas de outros mercados como o americano e japonês para se tornarem populares? Vemos que desde 2010 os quadrinhos brasileiros têm amadurecido. Têm se tornado diversos e oferecem várias alternativas para quem quer conhecê-lo. Até existem super-heróis brasileiros, embora ninguém seja capaz de citar um de destaque. Nossa discussão começou com isso: super-heróis brasileiros. Não acho que esse estilo de história se popularize ou se dê bem no Brasil, pelo motivo de que super-heróis são um produto da cultura americana. Ninguém vê super-heróis franceses, polinésios ou argentinos. Ano passado um coletivo de quadrinistas brasileiros colocou no ar uma campanha no catarse para empenhar um álbum de crossover de super-heróis brasileiros chamado: A Ordem. Super-heróis se originam de tempos de dificuldades, como a grande depressão no anos 30 nos Estados Unidos ou a Segunda Guerra Mundial. Como falei nesse link sobre a intrínseca relação entre super-heróis e guerras. Ao mesmo tempo, no Brasil não existem guerras …

Mapas temporais

Painéis em pixels ≠ Painéis no papel: as diferenças entre o quadrinho digital e o analógico

Hoje em dia os quadrinhos digitais vêm se proliferando de maneira incrível, principalmente aqueles em aplicativos para dispositivos móveis. O que ainda não chegou a um consenso foi a maneira como esses quadrinhos devem ser apresentados. Não existe um padrão e provavelmente nunca existirá. Erik Loyer, um criador de quadrinhos digitais, responsável pelas séries Upgrade Soul e Ruben & Lullaby acabou de lançar um vídeo sensacional sobre quadrinhos digitais chamado Timeframing: The Art of Comics on Screens, uma análise profunda de como as telas e os quadrinhos podem trabalhar em conjunto. O vídeo, você pode assistir abaixo, mas eu vou fazer aqui um apanhado geral para você acompanhar se não entende inglês. PARA ALÉM DA DEFINIÇÃO Em seu revolucionário livro Desvendando os Quadrinhos, Scott McCloud cunhou a seguinte definição para os quadrinhos: “Imagens pictóricas ou outras justapostas em sequência deliberada”, porém, com o advento dos quadrinhos digitais, em seu livro seguinte, Reinventando os Quadrinhos, McCloud resolveu transformar sua definição no seguinte termo, os quadrinhos agora são “um mapa do artista para o próprio tempo”. Segundo …

Chris Ware e Building Stories: uma mídia dentro da mesma mídia ad abismum

A Era dos Quadrinhos de Forma

Estamos vivendo uma era em que os quadrinhos precisam se fortalecer em seu suporte mais antigo: o papel. A concorrência está aí. São os webcomics, os motioncomics, os quadrinhos em app, os quadrinhos em PDF e digitais pirateados. Mas o papel continua forte. A razão é que, por mais arcaico que seja, a leitura em papel permite uma experiência única no caso dos quadrinhos. Através dele, o conhecimento está nas mãos do leitor, que controla o ritmo da história e da leitura. Hoje muitos quadrinhos brincam com a forma como são produzidos, seja no layout de página, seja no design gráfico, nas onomatopeias, enfim, os quadrinhos de hoje abusam dos recursos gráficos para tornar essa mídia plena. Mas como foi que chegamos a esse patamar? Vou explicar em alguns itens. INFLUÊNCIA DAS GRAPHIC NOVELS Na metade da primeira década do século XXI, as graphic novels começaram a se proliferar nos EUA e no Brasil da mesma forma que os álbuns fazem na Europa. Porém, a diferença é que as graphic novels vindas dos Estados Unidos …

Olha! À sua direita! É o Luciano Huck? É o Rei do Camarote? Não! É o SUPERCOXINHA!

Seria o Superman uma alegoria ao Fascismo? (ou ele só é um coxinha?)

Em sua HQ Superman: Entre a Foice e o Martelo, Mark Millar imaginava o que aconteceria se o foguete que trouxe Superman de Krypton tivesse caído na URSS e não nos EUA. Durante a Guerra Fria, a “posse” de um super-homem não só beneficiaria a guerra para o lado dos soviéticos, como também garantiria o controle de todo o poder do mundo nas mãos do Superman. Kal-El havia se tornado um fascista tão horrível quanto Hitler, Mussolini ou Stalin. Por outro lado, crescendo nos EUA, o Superman se tornou o símbolo da liberdade. Mas será isso mesmo? Em Gargantua, Rabelais criticava àqueles que colocavam um sentido cristão nas obras de Homero, uma vez que as obras haviam sido compostas séculos antes do cristianismo. O mesmo é feito com o Superman, de Siegel e Shuster que, dizem ter uma interpretação messiânica. O herói kriptoniano seria uma alegoria de Moisés, uma vez que seus criadores eram judeus. Mas como saber se esta foi realmente a intenção dos autores? Continuando com o homem de aço, sabe-se que sua primeira versão foi criada poucos anos depois da quebra …

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A Cultura dos Spoilers

Spoiler você sabe o que é, ao menos se lê quadrinhos. É aquela informação bombástica, que muda toda a história. Uma revelação do que vai acontecer no futuro. É como o que as revistas de fofoca estilo Contigo e TiTiTi fazem com as novelas. Só que, no mundo dos quadrinhos, os melhores representantes de revistas de fofocas são os fóruns da internet. Antes da internet, não havia toda essa comoção ao redor dos spoilers, era preciso garimpar muito para achar o que ia acontecer na próxima edição, mesmo as revistas brasileiras tendo uma defasagem de dois anos com os EUA. Já fui um caçador de spoilers, fuçava em fóruns para ficar sabendo o que ia acontecer em cada série, e, bem, já estava me frustrando com os quadrinhos. Mesmo depois, toda hora saía uma notícia bombástica estragando minha surpresa. Como dizem, o melhor não é susto, é o suspense. O melhor não é chegada, mas o caminho trilhado. Se fosse assim, nascíamos mortos. Se fosse assim, Lost não teria feito sucesso. Minha opinião mudou quando o …

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A Grade Hierárquica, por Ivan Brunetti

“Podemos comparar o ato de desenhar uma história em quadrinhos ao de criar uma realidade em miniatura numa página, ou, como disse Chris Ware, ‘sonhar no papel’. O sonho, por exemplo, é autobiografia ou ficção? Por um lado, os sonhos são saltos da imaginação, sinais da plasticidade das informações armazenadas no cérebro, as quais se recombinam de formas às vezes fantásticas, às vezes assustadoras, formas eu jamais poderiam ser imaginadas no estado de vigília – formas de ficção, portanto. Ao mesmo tempo, essa ficção específica só pode ter sido produzida por determinado cérebro, pelos estímulos que ele processou e armazenou. Num sonho seu, todas as personagens são essencialmente… você. Ou uma extensão devocê, seu autor inconsciente. No fim, autobiografia e ficção não constituem uma dicotomia, mas uma polaridade, um perpétuo cabo de guerra que não pode jamais ser definido e medido com precisão. A página de quadrinhos reflete o modo pelo qual o autor se lembra da sua própria existência da realidade, do fluxo de tempo, da importância das pessoas, lugares e coisas. Nas HQs, …

Um Bangue-Bangue de Palavras: Descaracterizando Bendis

Esta semana acabei de ler a fase de Brian Michael Bendis em Os Vingadores. Foram quase dez anos à frente dos Maiores Heróis da Terra, uma run que começou polêmica – a Queda dos Vingadores – e morte de alguns dos seus mais queridos personagens, como o Visão e o Gavião Arqueiro. A fase terminou com a megassaga Vingadores versus X-Men. A última equipe é a nova casa de Bendis na Marvel. À despeito de suas grandes maquinações para revolucionar a Casa das Ideias, suas sequências bombásticas, suas experimentações narrativas e seus diálogos velozes, Bendis, um dos grandes representantes dos roteiristas de super-heróis do início do século XXI não sabe escrever uma revista de grupo. Mas cooomooo? Você diz, afirmando que ele revolucionou os Vingadores e que eles só são um sucesso no cinema por causa do que o Sr. Careca de Cleveland fez com eles. Sim, realmente ele tem esse mérito de transformar os Vingadores numa Liga da Justiça da Marvel, unindo os seus heróis mais populares numa equipe onde deveriam estar os mais …

Henry James falando sobre quadrinhos?

Henry James, escritor consagrado de A volta do parafuso e Retrato de uma senhora, nasceu em Nova York, em 1834 e morreu em 1916, em Londres. Nessa época, os quadrinhos ainda estavam dando seus primeiros passos. Então, como Henry James poderia ter escrito sobre quadrinhos? A resposta é que ele não escreveu. Mas chegou muito próximo disso quando comparou a literatura com a arte plástica em seu ensaio “A arte da ficção”, incluído no livro A Arte da Ficção, de 1884. (Publicado no Brasil pela Editora Novo Século em 2011). SE A PINTURA É A REALIDADE, O ROMANCE É A HISTÓRIA Foi o que disse o autor, que a pintura representa o que a visão pode alcançar. (Claro, muito antes dos movimentos modernistas mudarem essa perspectiva). Mas se a pintura está relacionada com o espaço, a história, o romance, estão relacionados com o tempo. Os quadrinhos, por sua vez, representam o espaço e o tempo através de seus quadros justapostos. Ambos são uma representação da realidade. Segundo o autor, “um romance, em sua definição mais …

A eternidade está catatônica: representações recorrentes na obra de Jim Starlin

Mais conhecido como o criador do personagem Thanos, Jim Starlin também é renomado por suas space operas no universo de quadrinhos de super-heróis, redefinindo o conceito de sagas cósmicas. Além de desenvolver grandes arcos de histórias e de ter trabalhado com praticamente todos os super-heróis da Marvel e da DC, Starlin também é dono de características próprias, que definem suas obras. Uma de suas maiores criações independentes, Dreadstar, é um de seus melhores trabalhos. Através de Dreadstar, – que foi publicado primeiro pela Epic (Marvel), depois pela First e compilado pela Dynamite – podemos visualizar toda sua temática e narrativa visual. Então vamos falar de alguns desses elementos mais utilizados por Starlin. Em itens!!! 1. ASPECTOS EM UMA PÁGINA Assim como Neil Gaiman, Starlin trabalha muito com conceitos, mas, diferente do inglês, Starlin lida, vamos dizer, “de frente”, com eles. Há uma encarnação da morte e há uma encarnação da eternidade. Temas religiosos, como suicídio, morte e ressurreição (Starlin teve educação católica) se mesclam com temas “cósmicos”, como o caos, a ordem, a eternidade e …