Todos os posts com a tag: alison bechdel

Autobiografias em Quadrinhos ou Autoficções em Quadrinhos?

As graphic novels atuais estão muito ligadas à autobiografia, ou melhor, à escrita de si, contando histórias que marcaram a vida dos autores e suas relações com essas histórias. Mas chamar um quadrinho de autobiografia é correto, será que não existiria um termo melhor para descrevê-los? Vamos ver a seguir.

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10 Quadrinhos Autobiográficos Para Você Se Identificar

Quadrinhos autobiográficos talvez sejam os mais fáceis para um leitor se identificar. Afinal, eles estão contando as histórias dos próprios autores, o que faz com que elas ganhem maior verossimilhança e, portanto, geram maior identificação.Os quadrinhos autobiográficos também são aqueles que provocam mais reações emocionais nos leitores, por causa dessa estreita ligação com personagens reais. Agora ofereço a você uma pequena lista com alguns desses principais quadrinhos que saíram aqui no Brasil.

Será Que Ele É? 10 Criadores LGBT de Comics

Já foi o tempo em que essa pergunta andava nas bocas das pessoas. Hoje saber se uma pessoa é gay ou não só importa para os próprios gays que podem ter um interesse na pessoa. Tá, e a alguns moralistas que ainda acham isso um absurdo fora do comum. Talvez por essa razão a maioria dos criadores LGBT dos quadrinhos se encontra no meio indie, como é o caso de Alison Bechdel, Howard Cruse, Dean Haspiel, Ralph Konig e Julie Maroh, nomes proeminentes do gueto quadrinístico LGBT.

Seleção de Quadrinhos!!!

Quadrinhos Para Quem Não Curte Quadrinhos

Vem chegando o Natal! Vamos presentear com quadrinhos? Aqui vão algumas sugestões. Você é fã de quadrinhos e não entende como as pessoas podem não gostar do que você gosta. Você não é fã de quadrinhos, mas gostaria de ser, só que é tudo tão complicado e difícil. Você até gosta das séries e dos filmes, mas sei lá… Talvez aqui tenha a solução para os seus problemas, como aprendemos na faculdade é uma questão de adequação, ou é o segredo dos gays: “introduzir devagarzinho”. Aos poucos, as pessoas vão entendendo que quadrinhos é um meio riquíssimo e que existem histórias para todo o tipo de pessoas, assim como os romances literários, basta entender o seu tipo e quando vir, já vai entender tudo sobre quadrinhos. Separei 10 quadrinhos para 10 tipos diferentes de pessoas. Vamos lá? SCOTT PILGRIM CONTRA O MUNDO Para quem: fãs de videogame O que é: Scott Pilgrim Contra o Mundo é um quadrinho que usa a linguagem do videogame para contar a história de… Scott Pilgrim, que se apaixona pela …

Ellen Forney

A vida na gangorra: Parafusos – mania, depressão, Michelangelo e eu, de Ellen Forney

Depressão é coisa feia. Beijinho no ombro daqueles que dizem que se resolve com uma pia de louça suja para lavar. Se lessem a graphic novel de Ellen Forney, publicada esse ano no Brasil pela WMF Martins Fontes, com certeza se arrependeriam amargamente de suas palavras insensatas. No livro de Ellen, Parafusos – mania, depressão, Michelangelo e eu, ela tenta associar o pensamento criativo com “loucura”, ou seja, a necessidade de usar medicamentos para o transtorno mental. Enquanto isso, vai explicando como “funciona” sua bipolaridade e os gestos que vem fazendo para mudar esse quadro. Ellen sempre passou por fases. Uma delas é a mania, quando está eufórica, cheia de pensamentos. A outra, a depressão, quando se sente inútil e embotada para a vida. Ellen sempre aprendeu a dar significado às coisas. Mas não o significado aparente, ela buscava encontrar ali algo mais. Nas árvores, nas pessoas, nas gotículas do box do banheiro em que visualizava pessoas numa festa na floresta. Ela diz que esse é o trabalho do artista: encontrar mais significados nas coisas …

O teste Bechdel

Alison Bechdel, já conhecida dos leitores deste blog por suas graphic novels autobiográficas Fun Home e Você é Minha Mãe?, e também por suas tirinhas sobre o mundo lésbico Dykes To Watch Out For. Foi nessa tirinha, em 1985, que surgiu o teste Bechdel, um teste para estabelecer se uma obra de ficção (geralmente filmes) fazia um retrato igualitário de gênero. Segundo Bechdel e sua instrutora de karatê, que deu a ideia do teste, a obra precisa concordar com estas 3 perguntas: Se pararmos para pensar, muitas obras, sejam quadrinhos ou filmes, não atendem a estas solicitações. Um exemplo gritante é Sex and The City, em que as mulheres só falam sobre relacionamentos, como se suas vidas fossem reduzidas a pensar sobre homens. Por outro lado, muitos filmes de ação apresentam apenas personagens masculinos. Isso bate com uma declaração de uma estudante da UCLA que disse que seus professores afirmavam que a audiência pedia por protagonistas homens e heteros e não, como um profissional da indústria cinematográfica falou “um monte de mulheres falando sobre sabe-se …

Quadrinhos LGBT para todo o tipo de público (Lá Fora)

Azul é a cor mais quente foi apenas um dos quadrinhos que podem ser considerados “LGBT”, a ganharem notoriedade. Exemplos temos vários. Um dos pioneiros dos quadrinhos undergrounds gays, Howard Cruse conseguiu emplacar com a Paradox Press, um selo da DC Comics, sua graphic novel Stuck Rubber Baby em 1995. A história um pouco inspirada na experiência de Cruse, conta a luta de Toland Polk ao lidar com sua sexualidade e também com o racismo em sua comunidade. Já nos quadrinhos europeus, um dos pioneiros é o alemão Ralf König, de quem eu já falei aqui. Seu quadrinho de maior sucesso é O Homem Ideal (Maybe… Maybe not/ Der bewegte Mann). Aqui no Brasil já saíram outros dois álbuns seus: Como Coelhos e E agora os noivos podem se beijar… . Todas as suas obras têm um tom carregado de humor sempre explorando as diferenças e semelhanças entre homo e heterossexuais. König já tem quatro adaptações de suas obras para o cinema, entre elas O Homem Ideal (Der bewegte Mann, 1994) e Como Coelhos (Wie …

As Melhores Graphic Novels Americanas que li em 2013

BONE – THE COMPLETE CARTOON EPIC IN ONE VOLUME, JEFF SMITH Se alguém me parasse na rua e me suplicasse: “Guilherme, eu PRECISO de um quadrinho bom, os que eu tenho lido são uma mesmice disparatada. O que você me recomenda para salvar minha vida?” Eu diria que recomendo Bone. Essa HQ é épica e ao mesmo tempo é simples. É uma aventura disparatada e também tem uns personagens fofinhos. Parece Senhor dos Anéis e Game of Thrones, mas também tem um quê de Calvin, Peanuts e a gente entende de onde o Frank Cho tirou inspiração para o Liberty Meadows. O cenário é medieval, tem feitiço, tem sonhos premonitórios, mas também é lotado de humor e reflexões irônicas. Eu acho que não tem como não gostar de Bone. É preciso ser uma pessoa bem chata para isso. Ele tem elementos do Carl Barks, tem coisas de Cerebus, tem um pouquinho de coisas Gaimanianas. O traço de Jeff Smith é suave, lembrando muito a linha clara, mas dá pra ver que a inspiração dele vem …

Entrevista com Mário César Oliveira, autor de EntreQuadros

“Para quem não conhece o meu trabalho, eu já fui colaborador e um dos editores da Front, uma antologia que revelou grandes nomes do quadrinho brasileiro e sou um dos desenhistas e coeditor de Pequenos Heróis, um projeto criado pelo Estevão Ribeiro que homenageia diversos super-heróis e que já foi publicado nos EUA. Eu também sou o criador de EntreQuadros, uma série de quadrinhos em que eu busco retratar, com a devida licença poética, essa coisa complicada chamada vida”. – Mário César se apresentando no site de apoio do Ciranda da Solidão no Catarse.me. Depois de ter resenhado os quatro álbuns que Mário lançou sob o título Entrequadros (aqui), agora é a vez de conversar um pouco com o autor para conhecermos mais o que ele pensa sobre seus trabalhos, suas influência e refênrecnias e também seu relacionamento com o mundo LGBT, tem de sua última HQ. Splash Pages: Lendo um volume do EntreQuadros atrás do outro podemos perceber uma evolução. Tanto no texto, quanto nos desenhos, na experimentação e na forma narrativa. Por que você decidiu fazer o EntreQuadros …

A Mágica Acontece Entre um Quadro e Outro – Entrequadros, de Mário César

Desde 2009, Mário César de Oliveira vêm publicando a série Entrequadros. Primeiro, ela surgiu como um fanzine, publicado pelo 4º Mundo. Os dois seguintes foram publicados pela Balão Editorial e o último, Entrequadros – Ciranda da Solidão, abordando histórias do universo LGBT, foi financiado através do apoio do público, por meio do site de crowdfunding catarse.me . O lançamento será hoje, às 19h, no Testar Hostels, em São Paulo. O lançamento acontecerá junto com uma festa de Halloween. O PRIMEIRO ENTREQUADROS Como o próprio Mário conta na entrevista (que será publicada aqui no sábado), este fanzine foi uma compilação de trabalhos que ele já tinha prontos e que não foram publicados em coletâneas, como a Front. Mas nesse volume, já nos encontramos com a Morte, um dos personagens recorrentes de Mário, algo como um amálgama entre a Dona Morte de Maurício de Souza e a Morte, irmã do Sandman de Neil Gaiman. Neste volume também há a adaptação de um conto, artifício que se repetiria no volume seguinte. Mas, para mim, o destaque deste volume …

A Terceira Via, Você é Minha Mãe? – Um Drama em Quadrinhos, de Alison Bechdel

Depois de contar seu relacionamento com o pai, um bissexual enrustido, que acaba – ou não – cometendo suicídio, Alison Bechdel lançou um novo livro, desta vez falando sobre suas interações com a mãe – ou quase isso. Enquanto no primeiro livro, Fun Home – Uma Tragicomédia em Família, Alison usava de citações da literatura, como Ulisses, Retrato de Uma Senhora e O Grande Gatsby, nesta segunda graphic novel, a autora usa dois principais autores: Virginia Woolf e Donald Winnicott. A primeira, autora de Mrs. Dalloway e outros livros famosos e o segundo um dos pioneiros da análise psicanalítica entre mãe e filho. A VIA PSICOLÓGICA Esse é o grande tema da graphic novel. Mais que tratar do relacionamento com sua mãe, Alison propõe com essa autobiografia uma autoanálise, sem poupar a mãe, mas claro, sem poupar a si mesma. Afinal, uma das razões para fazer análise ou terapia é permitir se conhecer, reconhecer os erros e trabalhar em cima deles. Uma das coisas mais fascinantes em psicologia e, mais precisamente, na psicanálise, é os …

My Friend Dahmer, de Derf Backderf (I)

My Friend Dahmer é uma graphic novel assustadora, impressionante, bombástica, real e atraente. Mas não é atraente da forma comum, mas sim, da forma que provoca os brios, da forma que nos arrepia e faz querer mais, como um passeio de montanha-russa ou no túnel do terror da vida real. Como assistir à um episódio de Law & Order: SVU ou a algum desses filmes de serial killers que pipocam por aí. Jeff Dahmer é um serial killer. Com mais de quinze vítimas em seu currículo, meticuloso e metódico, o criminoso só foi pego em Ohio quando um homem saiu correndo de seu apartamento, algemado e nu. Dahmer matava suas vítimas e mantinha relações sexuais com seus cadáveres. A graphic novel é contada do ponto de vista do autor, Backderf, que foi colega de Dahmer no ensino médio, onde o serial killer era mais um daqueles que não se encaixavam no cruel princípio de winners e losers do sistema educacional estadunidense. A diferença é que ele não estava nem aí para isso. Autobiografia x Biografia …

"Sou Lésbica!" "Legal, posso contar pras minhas amigas?"

Fun Home – Queer as Family

Em 2006 uma graphic novel (HQ) foi escolhida como livro do ano pela revista americana Time. A obra superou nesta escolha autores consagrados como Cormac McCarthy. Por causa deste prêmio tomou corpo uma polêmica de que quadrinhos deveriam ser encarados e reconhecidos como literatura. No ano seguinte, conquistou o prêmio maior dos quadrinhos americanos, o Eisner Award por melhor obra baseada em fatos. A The New York Times Book Review o definiu como “uma obra pioneira, que eleva dois gêneros (quadrinhos e relato autobiográfico) a novos patamares”.  O “livro” em questão é Fun Home – Uma Tragicomédia em Família, de Alison Bechdel. A história é baseada na vida da própria autora e lida com temas como homossexualismo, morte e relação entre pais e filhos. Um dos pontos chaves da trama se dá depois de Alison contar à família que é lésbica, sua mãe liga para ela revoltada e conta que o pai manteve relações sexuais com outros homens durante o casamento. Toda a graphic novel trata desta conexão entre Alison e seu pai Bruce e …

Quadrinhos e literatura

A escolha de Fun Home – Uma tragicomédia em família, de Alison Bechdel como livro do ano pela revista Time, em 2006 e American Born Chinese, de Gene Luen Yang, ter concorrido ao National Book Award gerou a polêmica: quadrinhos são literatura? O histórico de prêmios diria que sim. Afinal, Maus, de Art Spiegelman ganhou o Pulitzer em 1992. E a história Sonho de Uma Noite de Verão, de Neil Gaiman em Sandman ganhou o World Fantasy Award como melhor história curta em 1991. E Chris Ware, com seu Jimmy Corrigan ganhou em 2001 o Guardian First Book Award. Watchmen foi escolhido como um dos 100 melhores romances do século XX pela Time novamente. Mas o fato é que quadrinhos NÃO são literatura. Assim como quadrinhos NÂO são cinema. Eles são as duas coisas e também não são. As histórias em quadrinhos CONTÉM literatura e cinema. Assim como contém a pintura, por exemplo. Os quadrinhos não são um subgênero literário, ou uma divisão artística. Eles são uma coisa à parte. Eles são a nona arte, …