Todos os posts com a tag: asilo arkham

Eu Matei Bruce Wayne

Uma das mais recentes sagas do Batman, de Tom King, traz a revelação de que o Batman gosta de arriscar sua vida porque tem tendências suicidas. Isso poderia explicar o comportamento arredio, sombrio e pouco amigável do Homem-Morcego. Mas as implicações e nuances psicológicas dessa afirmação poderiam ir muito mais longe, mostrando que o Batman matou um lado importante da sua psique: Bruce Wayne. E é sobre isso que vou discorrer agora.

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Melhores e Piores Leituras de Janeiro de 2017

Como diria Silvio Santos: “Olé, olé, olé, olé, feeling hot, hot, hot!”. Este verão está de matar! Mas pra refrescar (pelo menos a mente) a gente lê e esquece um pouco do bafão. Aqui está a minha seleção de melhores e piores leituras do mês. Não teve nenhuma leitura horrível esse mês, então fiquemos com as melhores apenas!

A Hogwarts do Batman – Academia Gotham: Mistério na Sala de Aula, de Becky Cloonan, Brenden Fletcher e Karl Kerschl

Academia Gotham é uma história em quadrinhos com mistério, aventura e personagens cativantes, assim como os livros de Harry Potter, personagem de J.K. Rowling. A HQ é uma maneira leve e interessante de começar a ler quadrinhos de super-heróis e, principalmente do universo do homem-morcego.

"Estou rezando por você..."

Vida + Significado = Magia. 10 Fatos Sobre Grant Morrison Que Talvez Você Não Saiba

Seguem aqui algumas anotações sobre a vida de Grant Morrison, que talvez você não saiba, encontradas no vídeo Falando com Deuses (Talking With Gods), do Grupo de Pesquisas Americano Sequart. O pai de Grant Morrison era a favor do desarmamento nuclear e tinha muito medo de uma Guerra Atômica. Nas HQs haviam pessoas que podiam deter as bombas nucleares, por isso o garoto Grant começou a gostar tanto deste tipo de arte. Algumas grandes influências de Grant Morrison: O Prisioneiro, Alesteir Crowley e 2001: Uma Odisséia no Espaço. Até os 19 anos não conhecia bebidas, garotas nem drogas. Só deixou de ser uma pessoa tímida e encabulada aos 30 anos. Ele tinha uma banda chamada: The Mixed. Quando Grant leu V de Vingança ele pensou “É isso que eu quero fazer. É assim que os quadrinhos devem ser.” Entretanto, quando escreveu uma história de Miracleman e a enviou para a editora, Alan Moore a vetou dizendo: “Não quero soar ameaçador como um mafioso, mas desista”. Essa história foi publicada este ano em Miracleman Annual #1, …

Death by Design, de Chip Kidd e Dave Taylor

Morte Pelo Design. Batman: Death by Design, de Chip Kidd e Dave Taylor

O lançamento de uma graphic novel pelo notável designer Chip Kidd foi muito celebrado nos EUA, porém não atende a tanto burburinho sobre ela. Chip Kidd é um designer de livros e capas de livros muito experiente, prolífico e bem cotado nos EUA. Ele trabalha bastante com quadrinhos e capas de encadernados e livros relacionados, principalmente aqueles que tem a ver com a DC Comics. Kidd fez o logotipo da minissérie Trindade e da linha Grandes Astros DC, por exemplo Ganhou prêmios como livro Mitology: The DC Comics Art of Alex Ross. Também com Peanuts: The Art of Charles M. Schulz e com Batman: Animated. Death By Design é a sua primeira graphic novel. A história tenta fazer que dois acidentes do mundo real em edificações passem a fazer sentido no mundo de Gotham City, envolvendo as Empresas Wayne, o Batman, o Coringa e as tão comentadas empreiteiras corruptas de hoje em dia. Apesar de ele não cometer erros de roteirista principiante, afinal teve assessoria de Neil Gaiman, alguns (vários) problemas são notados. Por outro …

Cidade-Maquete! Minimundo

10 Razões Por Que GOTHAM Merece Ser Assistida

Eu havia assistido o primeiro episódio de GOTHAM na TV e tinha gostado bastante da pegada, do enfoque e tudo mais, mas acabei me passando nos episódios e fiz uma maratona para assistir aos outros. E gostei muito do que vi em geral. Então se você não tá dando muita bola pra GOTHAM, aqui estão 10 razões para assistí-la: UM BOM COMEÇO: Para quem não conhece nada ou muito pouco sobre super-heróis, Gotham é um bom ponto de partida. Ela mostra a infância de Bruce Wayne, o Batman e o início da carreira de James Gordon no Departamento de Polícia de Gotham City. MOMENTOS SABOROSOS: E como Gotham não é uma série de super-heróis qualquer, ela tem mais tramoias, investigações, e menos soc, tum, pof, o que torna os momentos mais saboreáveis do que uma série de ação qualquer. Com certeza Gotham é mais cerebral, num estilo Law and Order ou The Good Wife. MÁFIA: Aaah, a boa e velha máfia… Quem não gosta de ver ela em ação? Na TV claro, porque de Máfia …

10 Motivos Para Ler Jonah Hex

Ele é sanguinário, e veio do velho oeste. Ele busca vingança. Ele é Django? Não, ele é Jonah Hex. Nosso herói de um passado distante. Mas também de um futuro distante. Ele foi publicado em mais de sete volumes ao longo dos anos. Mas vamos falar aqui do penúltimo volume dele, que trouxe a dupla Gray/Palmiotti para o cowboy desfigurado, pouco antes dos Novos 52. FAROESTE: Foi no velho oeste que ele nasceu, com índios e coiotes ele aprendeu, caçar, caçar, caçar, com todos os nativos brigar, assim Xuxerife Jonah Hex cresceu. Quem não gosta de faroeste? Tem um encanto naquela terra desconhecida, cheia de promessas, em que tudo ainda é permitido e tudo é conquistado na base do olho por olho e do dente por dente. Os duelos, o carteado, o deserto e as minas (tanto as dos bordéis, quanto as de ouro). HISTÓRIA: Há um bocado de história nas narrativas de Hex. Pra começar, Jonah foi um soldado que lutou pelos confederados (os que era a favor da escravidão) na Guerra de Secessão. …

É muito triste ser o Batman ou Pobre Menino Rico

Ele é Bruce Wayne. Milionário. Playboy. Filantropo. Detetive. Pegador. Mas ele é um caso de psiquiatra. Ah se ele é! Ele luta contra os maníacos do Asilo Arkham, julgando a todos por suas psicoses, mas pouco reflete que essa luta que ele trava é uma exteriorização do seu próprio trauma. Seja bem-vindo a mais um: Guilherme’s Hate List: destilando sua raiva contra os personagens. (também é uma terapia!) Pisc, pisc! Quando ele tinha 5 anos, o pobre menino rico Bruce Wayne viu seus pais serem assassinados na sua frente. Ele podia estar roubando, ou matando, desfilando ricos Porsches ornados com diamantes de sangue na sua concessionária de carros importados. Mas não, ele resolveu percorrer o mundo e se tornar o Batman! <música dramática ao fundo> Em suas andanças pelo mundo, ele aprendeu artes marciais, ambidestria, ataque furtivo, defesa, ele aprendeu todos os talentos da sua lista de RPG, até lambada ele aprendeu. Mas nessas andanças, ele não ficou sabendo de um cara barbudo que fumava charuto, o tal pai da psicanálise, o tal Sigmund Freud. …

De Super e de Louco Todo Mundo tem um Pouco (III)

O HERÓI DÁ DEPRESSÃO Robert Reynolds, o Sentinela, assim como o Hulk, compartilha as identidades tanto de herói, como o Sentinela, quanto a de vilão, como o Vácuo. Mas o mais interessante das patologias do herói talvez seja a depressão que o acometeu quando o mundo se esqueceu dele. Isso mesmo, o MUNDO INTEIRO se esqueceu de que ele era um herói, e o mundo inteiro se esqueceu de que Reynolds era o supervilão Vácuo. Para conter o vilão, Reed Richard, o Senhor Fantástico, do Quarteto Fantástico, resolveu construir um dispositivo para que todos na Terra, inclusive Reynolds e sua esposa, esquecessem de que o Vácuo e o Sentinela já existiram. Assim, Reynolds caiu em depressão e no alcoolismo. Numa história subsequente, ele é analisado por um psiquiatra do qual ninguém tem conhecimento e, que numa reviravolta rocambolesca revela ser o Vácuo. Aliás, psiquiatras são a especialidade médica em que temos mais supervilões. O Sentinela/Vácuo acabou morto, durante a saga O Cerco, estripado por uma descarga energética desferida por Thor. O FIM DO MUNDO ESTÁ …

De onde vêm as ideias?

Ou “Por que é impossível não despirocar lendo Flex Mentallo e o que o inconsciente coletivo e o Enrique Iglesias têm a ver com isso tudo”. Acontece que essa semana reli Flex Mentallo, de Grant Morrison e Frank Quitely. Uma edição que estava fadada a não ser publicada no Brasil, devido a problemas com direitos autorais. Mas os obstáculos foram rompidos e, este mês, a Panini Comics lançou a obra aqui no Brasil. Antes de você ler esse texto, seria bom dar uma lida no que escrevi anteriormente sobre a mesma obra, que acabei lendo em scans na época. Aqui o link. A versão brasileira, com tradução de Érico Assis e edição de Fabiano Denardin e Daniel Lopes, é muito caprichada, numa encadernação melhor que a americana, cheia de extras, como o texto introdutório de Morrison e os rascunhos de Quitely. A história de Flex Mentallo é cheia de metalinguagem, cheia não, submersa em metalinguagem. Dizem que a metalinguagem é uma literatura masturbatória, cheia de autorreferências, que é muito fácil criar uma história sobre histórias …

Corujas, Morcegos e Gotham City

Este mês encerrou-se apoteoticamente no Brasil o arco Noite das Corujas, na revista do Batman. Orquestrado por Scott Snyder e Greg Capullo, com histórias de back-ups co-roteirizadas por James Tynion IV e a arte por Rafael Albuquerque, este arco e o anterior, Corte das Corujas, fizeram parte da inciativa Os Novos 52 da DC Comics. A intenção era dar um novo início para os personagens da editora. O Cavaleiro das Trevas foi uma exceção. Sua cronologia continuou valendo, com pequenas (ou talvez grotescas, na opinião de alguns leitores) alterações. Desde o começo, a série publicada na revista americana Batman, sob a batuta dos nomes acima, se destacou das demais. Foi dado à Snyder, por assim dizer, o “controle” do bat-universo, visto o excelente trabalho que o mesmo havia feito nas derradeiras edições de Detective Comics, no pré-reboot. O roteirista é formado em escrita criativa pela Brown University, já trabalhou na Walt Disney World, e leciona escrita em várias universidades, entre elas a Columbia e a New York University. É a densidade de seus roteiros que …

O que aconteceu com o Cavaleiro das Trevas?

Batmen morrem, Robins vivem para sempre

É, o Batman morreu. Mas todo mundo sabe que ele vai voltar. Pra quem não sabe, ele morreu disparando uma arma contra Darkseid, que também morre no processo. Tudo isso em Final Crisis #6. Grant Morrison tentou justificar a morte dele remontando à origem do cruzado embuçado, que começou quando uma arma derrubou os pais de Bruce Wayne, e que nada seria mais justo que, ao fim, Batman empunhasse uma arma (do tipo que jurou nunca usar) e erradicasse a face do mal no Universo DC. Só que Batman nunca foi um herói cósmico, longe disso, era o herói mais humano da DC. Era como uma espécie de deus grego no meio de divindades monoteístas. Como já nos mostrou Kurt Busiek em LJA/Vingadores, os heróis da DC são vistos como deuses no seu universo. Todos menos o Batman. Ele tem essa diferença. Ele não é o herói puro. Ele usa meios escusos para atingir fins incontestáveis. Ele é psicótico, tão psicótico quanto seus vilões, como foi contado pelo mesmo Morrison no ótimo Asilo Arkham. Não …