Todos os posts com a tag: graphic novel

Homem-Morcego Noir. Batman: Nove Vidas, de Dean Motter, Michael Lark e Matt Hollingsworth

Quem matou Selina Kyle? É a pergunta que os anúncios e o enredo dessa minissérie nos fazem. Quem investiga esse acontecido é o detetive particular Dick Grayson, lá nos atribulados anos 50, em Gotham City. Para isso, ele vai contar com a ajuda de Bruce Wayne, ou seria a ajuda do Batman?

Anúncios

10 Quadrinhos Autobiográficos Para Você Se Identificar

Quadrinhos autobiográficos talvez sejam os mais fáceis para um leitor se identificar. Afinal, eles estão contando as histórias dos próprios autores, o que faz com que elas ganhem maior verossimilhança e, portanto, geram maior identificação.Os quadrinhos autobiográficos também são aqueles que provocam mais reações emocionais nos leitores, por causa dessa estreita ligação com personagens reais. Agora ofereço a você uma pequena lista com alguns desses principais quadrinhos que saíram aqui no Brasil.

A Marvel dos Anos 90 e a AIDS

Dezembro é o mês de conscientização e de combate à AIDS. O dia 1 de dezembro é o Dia Mundial de Combate a AIDS. A epidemia abalou o mundo no final dos anos 80 e começo dos anos 90. Os quadrinhos, que sempre refletem a realidade, não deixaram esse assunto de fora. A Marvel abordou o assunto das mais diversas formas, algumas delas, bastante equivocadas. Mas nenhuma trouxe o assunto à baila tão exemplarmente como uma certa edição do Incrível Hulk.

Te vejo no inferno! Hasta la vista, baby

As 10 HQs Mais Bem-Avaliadas do Guia dos Quadrinhos

O Guia dos Quadrinhos, o maior banco de dados sobre publicações nacionais do Brasil, além de permitir o usuário catalogar sua coleção de gibis, também permite-o avaliar as revistas que leu. Dessa forma, nas guias laterais do site, existe um ranking das revistas mais colecionadas e, logo abaixo, das melhores avaliadas por seu público. Esses rankings são inconstantes e mudam de tempos em tempos, porém resolvi pegar uma amostra de hoje 21/03/15, às 22h, para trazer uma amostra das 10 HQs que o público brasileiro colecionador de quadrinhos considera as melhores edições já publicadas.

As Melhores Graphic Novels Estrangeiras que li em 2014

Aqui cabe uma explicação, graphic novels estrangeiras são todas as HQs que eu li que não são feitas nem nos EUA ou Brasil. Para as feitas nos EUA existe a categoria Graphic Novels Americanas. Não se esqueçam que ainda está para sair a lista das melhores HQs de super-heróis (Marvel e DC Comics) e da Vertigo, assim como um pequena lista de revistas para se evitar. Vamos a lista das Graphic Novels Estrangeiras: A Invenção de Morel, adaptado do livro de Adolfo Bioy Casares por JP Mourey (FRANÇA) Eu só costumo gostar de adaptações de quadrinhos se elas realmente são adaptações, ou seja, não apenas uma transcrição das palavras em imagens, mas que saibam usufruir dos recursos do meio quadrinhos. Uma história intrigante como A Invenção de Morel, de um dos grandes amigos de Jorge Luis Borges, Adolfo Bioy Casares, merecia uma adaptação ao seu nível. É o que JP Mourey realiza aqui, com sutileza, usando as cores para pontuar a narrativa de froma sábia e ajudando o leitor a entender a narrativa intrincada do …

Seleção de Quadrinhos!!!

Quadrinhos Para Quem Não Curte Quadrinhos

Vem chegando o Natal! Vamos presentear com quadrinhos? Aqui vão algumas sugestões. Você é fã de quadrinhos e não entende como as pessoas podem não gostar do que você gosta. Você não é fã de quadrinhos, mas gostaria de ser, só que é tudo tão complicado e difícil. Você até gosta das séries e dos filmes, mas sei lá… Talvez aqui tenha a solução para os seus problemas, como aprendemos na faculdade é uma questão de adequação, ou é o segredo dos gays: “introduzir devagarzinho”. Aos poucos, as pessoas vão entendendo que quadrinhos é um meio riquíssimo e que existem histórias para todo o tipo de pessoas, assim como os romances literários, basta entender o seu tipo e quando vir, já vai entender tudo sobre quadrinhos. Separei 10 quadrinhos para 10 tipos diferentes de pessoas. Vamos lá? SCOTT PILGRIM CONTRA O MUNDO Para quem: fãs de videogame O que é: Scott Pilgrim Contra o Mundo é um quadrinho que usa a linguagem do videogame para contar a história de… Scott Pilgrim, que se apaixona pela …

Ellen Forney

A vida na gangorra: Parafusos – mania, depressão, Michelangelo e eu, de Ellen Forney

Depressão é coisa feia. Beijinho no ombro daqueles que dizem que se resolve com uma pia de louça suja para lavar. Se lessem a graphic novel de Ellen Forney, publicada esse ano no Brasil pela WMF Martins Fontes, com certeza se arrependeriam amargamente de suas palavras insensatas. No livro de Ellen, Parafusos – mania, depressão, Michelangelo e eu, ela tenta associar o pensamento criativo com “loucura”, ou seja, a necessidade de usar medicamentos para o transtorno mental. Enquanto isso, vai explicando como “funciona” sua bipolaridade e os gestos que vem fazendo para mudar esse quadro. Ellen sempre passou por fases. Uma delas é a mania, quando está eufórica, cheia de pensamentos. A outra, a depressão, quando se sente inútil e embotada para a vida. Ellen sempre aprendeu a dar significado às coisas. Mas não o significado aparente, ela buscava encontrar ali algo mais. Nas árvores, nas pessoas, nas gotículas do box do banheiro em que visualizava pessoas numa festa na floresta. Ela diz que esse é o trabalho do artista: encontrar mais significados nas coisas …

Chris Ware e Building Stories: uma mídia dentro da mesma mídia ad abismum

A Era dos Quadrinhos de Forma

Estamos vivendo uma era em que os quadrinhos precisam se fortalecer em seu suporte mais antigo: o papel. A concorrência está aí. São os webcomics, os motioncomics, os quadrinhos em app, os quadrinhos em PDF e digitais pirateados. Mas o papel continua forte. A razão é que, por mais arcaico que seja, a leitura em papel permite uma experiência única no caso dos quadrinhos. Através dele, o conhecimento está nas mãos do leitor, que controla o ritmo da história e da leitura. Hoje muitos quadrinhos brincam com a forma como são produzidos, seja no layout de página, seja no design gráfico, nas onomatopeias, enfim, os quadrinhos de hoje abusam dos recursos gráficos para tornar essa mídia plena. Mas como foi que chegamos a esse patamar? Vou explicar em alguns itens. INFLUÊNCIA DAS GRAPHIC NOVELS Na metade da primeira década do século XXI, as graphic novels começaram a se proliferar nos EUA e no Brasil da mesma forma que os álbuns fazem na Europa. Porém, a diferença é que as graphic novels vindas dos Estados Unidos …

Coisas que aprendi com Os Ignorantes, de Étienne Davodeau

Esta semana acabei de ler Os Ignorantes, de Étienne Davodeau, uma graphic novel de troca de experiências. O autor da obra, o quadrinista Étienne chega em uma vindima e pede para seu dono para que o ensine e o deixe trabalhar no seu parreiral. Ao mesmo tempo que Étienne ensina Richard Leroy sobre os segredos da produção dos quadrinhos. Enquanto Étienne aprendia sobre o solo, o plantio, barris de vinho, engarrafamento, pulverização de fertilizantes, porcentagens de enxofre, Richard Leroy lia muitos cânones dos quadrinhos, visitava grandes quadrinistas franceses, visitava feiras e convenções de quadrinhos, aprendia sobre estilos de desenhos e não gostava de Moebius. Bem, como esse é um blog sobre quadrinhos e coisas assemelhadas, não cabe aqui comentar os meandros da vinicultura, mas sim posso destacar algumas das coisas que aprendi ou que devo destacar com a leitura de Os Ignorantes: CONTA-FIOS: Esse é um instrumento que aprendemos lá na aula de Produção Gráfica na faculdade e não achava que se usava hoje em dia, ainda mais na produção de quadrinhos. Lá na França …

Vivir para contarlo

A fantasia se torna real: GABO – Memórias de Uma Vida Mágica, de Óscar Pantoja, Miguel Bustos, Felipe Camargo, Tatiana Córdoba e Julian Naranjo

Gabriel García Márquez deveria ser o autor que qualquer fã de super-heróis deveria procurar ler. Principalmente o livro Cem Anos de Solidão. Explico: García Márquez foi um dos expoentes do realismo fantástico-maravilhoso latino-americano, ao lado de Júlio Cortázar e Mario Vargas Llosa. O realismo fantástico tem por pressuposto se utilizar de cenas mágicas e maravilhosas acatadas de maneira comum pelos seus espectadores. Assim como a Nova York da Marvel Comics ou Metrópolis e Gotham City da DC Comics, a cidade colombiana de Macondo também tem os seus seres superpoderosos. Depois que li GABO, me dei conta de como a obra dele (incluindo aí livros como Cem Anos de Solidão, O Amor nos Tempos do Cólera e Crônica de Uma Morte Anunciada) influenciou a minha literatura e meus gostos por livros. Apresentado a ele aos 14 anos por uma tia, fiquei encantado com a densidade dos relatos, maravilhado com as cenas de poderes sendo revelados, ao mesmo tempo que lidava com relações humanas de forma única. Era como ler super-heróis, ou melhor, como ler uma HQ …

Sentimentos Concretos: Azul é a Cor Mais Quente, de Julie Maroh

Depois de ser muito comentada por causa de sua adaptação em filme, Azul é a Cor Mais Quente saiu na sua forma original no Brasil: em graphic novel pela Martins Fontes. A graphic conta a história de Clémentine, uma jovem francesa descobrindo sua sexualidade através do amor que sente por Emma. No percurso ela também descobre o significado do amor. Nesse quesito, Azul é a Cor Mais Quente, é uma das obras em quadrinhos mais bem-sucedidas. Ela não descreve os sentimentos dos personagens somente em palavras, mas como se fosse um filme bem dirigido, as expressões dos personagens não estão somente nos seus diálogos ou em sua narrativa em off. Os personagens transbordam sentimentos, seja nos olhares, nos gestos, em um sorriso. Além disso, a autora Julie Maroh, se utiliza de intervenções visuais para concretizar sentimentos, quando imagens valem mais que mil palavras. Por exemplo, quando Clémentine se sente excitada por um uma mulher pela primeira vez. Ou o abismo em que ela cai quando percebe pela primeira vez que pode ser lésbica. É como …

Aproximações entre os quadrinhos e o movimento LGBT

Um gibi sobre um romance entre pessoas do mesmo sexo foi parar no cinema: Azul é a cor mais quente. Esteve em cartaz nas telas grandes durante o final do ano passado, início deste ano. O filme conta o descobrimento da sexualidade por uma garota francesa. Uma história de amor. Pouca gente sabe que, originalmente, a história foi contada em forma de graphic novel, ou os romances gráficos, ou gibi em forma de livro como tento explicar para os leigos. Deixando de lado as pessoas que se ofendem com o filme e saem durante uma cena de sexo, as pessoas não discutem mais se um filme desses deveria ou não ser exibido. Elas discutem a história, o uso das cores como uma inversão de Almodóvar, o sentimento entre as duas pessoas e dizem que é filmão. Preciso dizer que tanto a HQ como o filme foi sucesso de público e crítica, e já ostentam a tarja de Cult. Quem diria, lá no final dos anos oitenta, meados dos anos noventa, que isso aconteceria? Essa época …

As Melhores HQs Estrangeiras que li em 2013

* Por Estrangeiras quero dizer não Brasileiras e não Americanas. Já que ambas têm categorias próprias. A ARTE DE VOAR, ANTONIO ALTARRIBA E KIM ESPANHA Como eu falei em algum lugar, eu havia ouvido falar dessa HQ lendo no site espanhol Zona Negativa. Tenho um fraco (ou um forte?) para essas histórias que abordam relações familiares. Achei muito atraente a proposta, principalmente porque começa com o pai do autor – cuja história, e que história, será contada ao longo da graphic novel – se suicidando. Antonio Pai torna-se anarquista (pô, já tava na moda naquela época? ¬¬’), luta contra o franquismo, é obrigado a lutar na Segunda Guerra Mundial e em meio a tudo isso conhece lugares e participa de situações que nunca um humilde camponês sonharia em realizar. Torna-se um homem de “negócios”, constitui família e acaba depressivo, num abrigo para idosos. Para mim, a melhor parte é essa mesma: o final. Nem todas as grandiloquentes aventuras de Antonio Altarriba nas guerras ou seus negócios mafiosos são tão orquestrados quanto o final da sua …

Os Melhores Quadrinhos Brasileiros Que Li em 2013

ESTÓRIAS GERAIS, WELLINGTON SRBEK E FLÁVIO COLIN Esperava que essa fosse mais uma daquelas histórias em quadrinhos brasileiras que glorificam o país, mas acabei me deparando com uma história rica. A riqueza de Estórias Gerais fica por conta de seu traço cultural sem cair no exagero ou no ufanismo.  São “estórias” – assim grafada da maneira antiga que diferenciava a narrativa dos acontecimentos humanos – , porque elas têm aquele gostinho de cousas antigas, de causos que nossos avós contavam. Ela permite um paralelo com as novelas fantástico-maravilhosas da Globo, como Saramandaia e Roque Santeiro e tantas outras que seguem nessa tradição de Dias Gomes, mas cuja fonte mesmo é a inovadora literatura moderna de Guimarães Rosa. Estórias Gerais traz vários causos de um interior do Brasil situado numa fronteira entre o nordeste e o sudeste rural,ou  talvez no centro-oeste do país, que se entrelaçam formando um painel único dessa tradição. ENTREQUADROS – CIRANDA DA SOLIDÃO, MÁRIO CÉSAR Esta foi uma das HQs que eu incentivei a produção através do site Catarse, e acabei fazendo …

O camundongo e o mestre dos magos. Três dedos: um escândalo animado, de Rich Koslowski

O que aconteceria se os desenhos animados vivessem lado a lado com pessoas reais? Você poderia dizer que isso já foi feito em Uma cilada para Roger Rabbit e em vários filmes da Disney bem antigos como Alô, Amigos e Mary Poppins. Pois é, mas é bem deste Walt Disney que trata Três Dedos e, também, de sua maior criação, Mickey Mouse. Porém, nesta HQ, o criador é Dizzy Walters e a criatura é Rickey Rat. A graphic novel, listada como uma das 500 essenciais pela Harper Collins,  começa com depoimentos de várias pessoas e de toons, relatando a vida de Dizzy e Rickey e o envolvimento dos dois. Cada um desses depoimentos tem lugar em uma página do livro e se repetem, conforme necessário. Paralelo a isso, temos uma linguagem documental, em letras de máquina, acompanhada de “fotos” que retratam a história do cinema e dos Estados Unidos. Dessa forma é contada a biografia dos dois, com muito mais to tell e pouquíssimo to show, conferindo a Três Dedos a exceção que confirma a …

Pinturas Inquietas. Moving Pictures, de Kathryn & Stuart Immonen

Moving Pictures, na minha humilde opinião, é uma das graphic novels que melhor trabalha o personagem multifacetado, com uma evolução semelhante à de um romance, mostrando, através de pequenas nuances, suas contradições e seu comprometimento com seus valores. Os personagens em questão são a curadora Ila Gardner e o oficial nazista Rolf Hauptmann, cada um empenhado com os esforços de seus países, respectivamente, a França e a Alemanha, em recuperar, catalogar e armazenar as obras de arte perdidas na França durante a Segunda Guerra Mundial. Em primeiro lugar é preciso dizer, que esta, assim como outras HQs, é uma obra dedicada ao amor à arte. Ela mostra como o amor pela arte pode ser maior que o amor por si mesmo. Mostra que mesmo entre as penúrias da Segunda Guerra, enquanto passam fome, as mesmas pessoas se esforçam para manter a arte viva, e preservar ícones da civilização ocidental para as futuras gerações. Enquanto composição, a história vem e vai no tempo, entremeada de passagem que poderiam ser elipses de um filme, ou de uma …

Parábola, por Jean “Moebius” Giraud

“Era a primeira vez na vida que eu trabalhava usando o ‘Método Marvel’, Stan me deu um enredo razoavelmente detalhado – em torno de seis páginas – , mas sem esboços ou diálogos. Isso era novidade para mim. Quando eu faço o Blueberry com Jean-Michel  Chartier, ele me dá o script completo, mesmo que eu não o siga fielmente. Jodorowsky trabalha comigo de uma forma única, mas, também, quando eu começo a desenhar, já tenho todos os elementos visuais no lugar. Esse não era o caso aqui. Colocar a história no caderno de esboços era a parte preferida do meu serviço. Era como desenhar storyboards. Eu via a história se desenrolar na minha frente, no papel. Quando terminei, havia feito 46 páginas, o que  mostra quanto Stan era bom. Eu não precisei aumentar nem cortar nada de história. Stan não pareceu particularmente surpreso com meus esboços, o que indica que os mesmos devem ter sido o resultado lógico do desenvolvimento de todas as informações que ele me  deu. A história é maravilhosa. Está cheia de …

X-Men para Novatos

Se você curtiu os filmes dos X-Men e não sabe por onde começar nos quadrinhos porque tudo é muito confuso, são muitos personagens, as histórias começam de um ponto em que você não consegue se situar e você precisa ter uma bagagem de informações para ficar atualizado… (ufa!). Aqui vai uma lista de recomendações de leituras que o ajudarão a começar sua aventura nos quadrinhos dos heróis mutantes. Se você gostou de: X-Men – O Filme Provavelmente vai gostar de: Marvel Millennium: X-Men Por quê? A linha Ultimate (Marvel Millennium no Brasil) foi criada exatamente para capturar o público vindo dos filmes. Você vai reparar que os uniformes também são de couro com alguns detalhes em amarelo. Outra correlação com o filme é que Magneto é o vilão principal e sua irmandade é muito parecida com a do filme (com exceção de Mística). Em uma das cenas de Marvel Millennium, inicialmente produzida por Mark Millar e Adam Kubert, Magneto ataca a Casa Branca e deixa o presidente George W. Bush nu na frente das câmeras …

Sem piadinha com espírito e Will Eisner, por favor...

Ao Coração da Tempestade, Will Eisner

Will Eisner (1917-2005) é um artista ímpar e, apenas para apresentá-lo, para os poucos que não o conhecem, já rende-se algumas linhas: foi criador do Spirit (que virou um filme contestável nas mãos de Frank Miller em 2008), dá nome ao prêmio Eisner, o Oscar dos quadrinhos, e foi vencedor de alguns destes prêmios ainda em vida. Eisner influenciou quadrinistas de Ziraldo a Alan Moore (ou seja, de A a Z) e foi um dos pioneiros na experimentação de técnicas narrativas nos quadrinhos – principalmente com o Spirit. Ele também foi o criador e divulgador do termo graphic novel, com Um Contrato com Deus, em 1978 e com sua prolífica obra. Uma de suas HQs, talvez a seminal, seja Ao Coração da Tempestade. Uma autobiografia quase escancarada como diz o autor na apresentação: “Numa obra como esta, fatos e ficção se misturam com a memória seletiva, resultando numa realidade bem específica. Fui obrigado a confiar na veracidade da memória visceral”. A capa, produzida em papel sem acabamento, aumenta a sensação de pureza e ligação às …

Umbigo Sem Fundo: Uma Família de Imagens e Palavras

Um dos aspectos principais na produção de histórias independentes dos últimos anos é ter como temas principais o deslocamento e a disfuncionalidade. Cada uma trata de temas diferentes e desenvolve estes aspectos de forma a se adaptar com eles. Em Umbigo Sem Fundo, lançada mês passado pela Companhia das Letras, o tema central é a família e as relações que se dão entre seus vários integrantes. Tudo começa quando, depois de quarenta anos de casados, os pais da família Loony (maluco, em inglês) resolvem se divorciar. Para passar uma última semana juntos, os membros da família, filhos, netos e cunhados voltam a morar na casa na beira da praia onde cresceram. Os filhos, retratados bastante diferentes um dos outros, ecoam suas visões diversas sobra a família e divórcio. Dennis, o mais velho, se mostra nervoso e preocupado com o fim do casamento, ele é pai de família e acredita que as família são o pilar para uma vida de sucesso. Claire, a filha do meio, que já se divorciou, é atormentada pelo passado e pela …

"Sou Lésbica!" "Legal, posso contar pras minhas amigas?"

Fun Home – Queer as Family

Em 2006 uma graphic novel (HQ) foi escolhida como livro do ano pela revista americana Time. A obra superou nesta escolha autores consagrados como Cormac McCarthy. Por causa deste prêmio tomou corpo uma polêmica de que quadrinhos deveriam ser encarados e reconhecidos como literatura. No ano seguinte, conquistou o prêmio maior dos quadrinhos americanos, o Eisner Award por melhor obra baseada em fatos. A The New York Times Book Review o definiu como “uma obra pioneira, que eleva dois gêneros (quadrinhos e relato autobiográfico) a novos patamares”.  O “livro” em questão é Fun Home – Uma Tragicomédia em Família, de Alison Bechdel. A história é baseada na vida da própria autora e lida com temas como homossexualismo, morte e relação entre pais e filhos. Um dos pontos chaves da trama se dá depois de Alison contar à família que é lésbica, sua mãe liga para ela revoltada e conta que o pai manteve relações sexuais com outros homens durante o casamento. Toda a graphic novel trata desta conexão entre Alison e seu pai Bruce e …

Persépolis – Estrangeira no próprio país

O ano era 1979, e a revolução iraniana caiu feito uma bomba na cabeça da pequena Marji. Engana-se quem pensa que a revolução foi obra dos fundamentalistas muçulmanos. Como é mostrado na autobiografia em quadrinhos Persépolis – Completo, de Marjane Satrapi, a revolução começou com ares socialistas, com manifestações populares nas ruas. Era uma revolução do proletariado, usando a religião apenas como mais um pretexto para derrubar o tirano Xá que os governava. Mais tarde, seria controlada e contida pelos “barbudos”, como são chamados pela autora os representantes do setor fundamentalista, que impedem que a antiga monarquia se transforme em uma república laica. Fortemente influenciado pela religiosidade islâmica, o Irã se vê despojado da liberdade que conquistara nas últimas décadas. Marjane, por sua vez, se viu separada dos meninos na escola e forçada a usar véu aos dez anos de idade. O uso do véu era obrigatório, já que as autoridades afirmavam que os cabelos das mulheres emanavam raios que atraiam os homens. Como é mostrado na história, quando pequena, Marjane queria ser profeta e …

Retalhos (Blankets): Poesia Visual

Retalhos (Blankets), segunda graphic novel de Craig Thompson é uma história semi-autobiográfica que, segundo o autor, conta como é “dividir a cama com alguém pela primeira vez”. A obra tem 582 páginas, uma das mais extensas do seu gênero, mas a fluidez da narrativa de Thompson, seu texto emocional e seus traços livres retiram o peso que um livro tão extenso poderia colocar sobre o leitor. Muitos consideram Blankets, lançada em 2003, um marco na história das graphic novels, não apenas pelo seu número de páginas, mas por sua narrativa, apuro técnico e graça visual. Ganhou quatro prêmios Harvey, dois Eisner e dois Ignatz. Foi listada pela Time como uma das 10 melhores graphic novesl de todos os tempos. A Companhia das Letras promete publicá-la no Brasil em maio de 2009. O conto que Craig Thompson traz mistura uma narrativa linear com momentos de flashback e conta uma história sobre o primeiro amor e sobre crescimento. O autor começa na infância para mostrar a origem de seus medos, traumas e desilusões, depois, já na adolescência, …

Graphic Novel ou Encadernado?

Bom, Graphic Novel foi um termo inventado pelo Will Eisner em 1976 quando ele lançou seu primeiro romance gráfico (a tradução literal de graphic novel), Um Contrato com Deus. Até meados da década de 80 esse termo designava histórias que foram pensadas como um romance e que foram ilustradas na forma de arte seqüencial (quadrinhos). Mas aí surgiu uma certa minissérie chamada Batman – O Cavaleiro das Trevas (Dark Knight Returns), por Frank Miller, a mini foi publicada de uma forma diferente de como as minisséries vinham sendo lançada até então. Com papel de luxo, capa encorpada, formato um pouco maior sem contar nas cores aquareladas de Lynn Varley a missérie foi um sucesso imediato, tanto é que mudou o status quo do Batman para sempre. A DC, muito esperta que é, resolveu lançar a minissérie em um TPB (Trade Paperback – Encadernado) e para consolidar as vendas chamou a compilação das histórias de Graphic Novel. Não tardou muito para que outras obras seguissem esse mesmo caminho (como Watchmen) e o sentido original de Graphic …