Todos os posts com a tag: graphic novels

Quadrinhos: Uma Arte Futurista e Atrasada

Os quadrinhos estão sempre inovando, seja na narrativa ou no estilo de desenho. Mas porque será que, se comparado com outras artes, os quadrinhos parecem que ainda não alcançaram todo seu potencial? Seriam os quadrinhos uma arte atrasada? E o que o movimento da arte moderna conhecido como futurismo tem a ver com tudo isso? As respostas, a seguir!

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Esqueça Seus Julgamentos. Nimona, de Noelle Stevenson

Noelle Stevenson é hoje conhecida pela aclamada série independente Lumberjanes. Mas antes dela, Noelle publicou a websérie Nimona, que conta a história de uma garota com o mesmo nome, que possui poderes transmorfos. Tudo que ela mais quer é ser a comparsa do maior vilão do reino, o Lorde Coração Negro. Mas nem tudo é o que parece nesse quadrinho que possui uma narrativa inovadora e revigorante nas formas de encarar certos paradigmas de personagens.

O Grande Problema das Coleções da Panini e da Salvat

Eu estava eufórico! Finalmente uma porrada de material da Marvel que nunca havia sido publicado no Brasil ia aparecer por aqui. E tudo isso, graças às coleções da Salvat e à Coleção Histórica Marvel. Mas alegria de pobre dura pouco e logo percebi que estava sendo engambelado mais uma vez pela poderosa Panini. Leia a minha dolorosa história de dor e gastos desnecessários a seguir.

“Nunca Assisti Nenhum Filme de Super-Heróis”, diz David Lloyd, autor de V de Vingança

Grande atração da Comic Con RS 2016, que ocorre neste final de semana na Ulbra – Canoas/RS, o criador do clássico dos quadrinhos V de Vingaça ao lado de Alan Moore, David Lloyd não simpatiza com os filmes de super-heróis. Ainda mais, com os super-heróis em geral. Apenas aqueles que oferecem algo a mais como Deadpool e KIck-Ass. Para saber mais sobre esse ponto de vista, leia a seguir.

Entrevista com Wagner Willian: O Desafio de Um Quadrinho Denso

Wagner Willian é um autor nacional ímpar. Primeiro ele causou estertores com seu Lobisomem Sem Barba, narrativa ganhadora do Prêmio Jabuti em 2015. Este ano ele veio com uma HQ com mais de 300 páginas chamada Bulldogma, contando a vida de uma ilustradora em meio a alienígenas e bizarrices. Através do estranho, Wagner nos aproxima do que é comum. Preparamos uma entrevista com ele, que você pode ler a seguir.

SplashPod – S01 E02 – Crossover: Capa Dura x Capa Mole (Brochura)

Neste segundo SplashPod apresentamos o crossover Capa Dura x Capa Mole, com a participação especial de Daniel HDR, Émerson Vasconcelos, Punch Comics e o Vinícius, do 2quadrinhos! Confere a set list: (00:00) Intro Batman (01:07) Acabamento Gráfico (07:56) Coleções Estilo Salvat (15:05) Quadrinhos Ostentação (18:35) Os Movimentos do Mercado (21:00) Daniel HDR (23:53) Qual você prefere? (33:25) O Trabalho Editorial: O case de Sandman da Conrad (35:50) Os Tipos de Papel (37:42) Os Paralelos com o Mercado Japonês (38:50) Émerson Vasconcelos (40:00) Os Encalhernados e os TPBs (43:45) Encadernadores Caseiros Anônimos (48:45) Punch Comics (50:44) Vinicius 2 quadrinhos (51:50) ISSN e ISBN (56:54) ByeBye SplashPod – S01 E02 – Crossover: Capa Dura x Capa Mole (Brochura). MÚSICAS (Anos 50 e 60): (00:36) Bobby Darin – Splish Splash (02:44) Ray Charles – Get Rythm (07:56) Herman Hermits – Into Something Good (20:41) Lesley Gore – It’s My Party (39:57) The Marcels – Blue Moon (56:54) The Beatles – Hello Good Bye CLIQUE NA IMAGEM ABAIXO PARA BAIXAR O PODCAST!!!

A Popozuda passa uma mensagem, sim!

Quadrinho nacional: um mercado de nicho ou um mercado popular?

Estava discutindo isso com um amigo no facebook. Os quadrinhos brasileiros devem seguir seu próprio caminho ou devem seguir as fórmulas de outros mercados como o americano e japonês para se tornarem populares? Vemos que desde 2010 os quadrinhos brasileiros têm amadurecido. Têm se tornado diversos e oferecem várias alternativas para quem quer conhecê-lo. Até existem super-heróis brasileiros, embora ninguém seja capaz de citar um de destaque. Nossa discussão começou com isso: super-heróis brasileiros. Não acho que esse estilo de história se popularize ou se dê bem no Brasil, pelo motivo de que super-heróis são um produto da cultura americana. Ninguém vê super-heróis franceses, polinésios ou argentinos. Ano passado um coletivo de quadrinistas brasileiros colocou no ar uma campanha no catarse para empenhar um álbum de crossover de super-heróis brasileiros chamado: A Ordem. Super-heróis se originam de tempos de dificuldades, como a grande depressão no anos 30 nos Estados Unidos ou a Segunda Guerra Mundial. Como falei nesse link sobre a intrínseca relação entre super-heróis e guerras. Ao mesmo tempo, no Brasil não existem guerras …

As Melhores Graphic Novels Estrangeiras que li em 2014

Aqui cabe uma explicação, graphic novels estrangeiras são todas as HQs que eu li que não são feitas nem nos EUA ou Brasil. Para as feitas nos EUA existe a categoria Graphic Novels Americanas. Não se esqueçam que ainda está para sair a lista das melhores HQs de super-heróis (Marvel e DC Comics) e da Vertigo, assim como um pequena lista de revistas para se evitar. Vamos a lista das Graphic Novels Estrangeiras: A Invenção de Morel, adaptado do livro de Adolfo Bioy Casares por JP Mourey (FRANÇA) Eu só costumo gostar de adaptações de quadrinhos se elas realmente são adaptações, ou seja, não apenas uma transcrição das palavras em imagens, mas que saibam usufruir dos recursos do meio quadrinhos. Uma história intrigante como A Invenção de Morel, de um dos grandes amigos de Jorge Luis Borges, Adolfo Bioy Casares, merecia uma adaptação ao seu nível. É o que JP Mourey realiza aqui, com sutileza, usando as cores para pontuar a narrativa de froma sábia e ajudando o leitor a entender a narrativa intrincada do …

Os Melhores Quadrinhos Brasileiros que Li em 2014

Aos Cuidados de Rafaela, de Marcelo Saravá e Marco Oliveira Quando escrevi a resenha sobre Aos Cuidados de Rafaela disse que seria uma das melhores HQs brasileiras do ano e realmente se manteve assim. Não pelo clima Nelson Rodrigues que a HQs traz, mas pra mim ficou parecendo mais uma HQ sobre uma sociopata ao estilo Janela Indiscreta de Alfred Hitchcock e tantos outros filmes do mestre do suspense. Na verdade a HQ revela a sordidez da alma humana e como as pessoas podem ser interesseiras até as últimas consequências, envolvendo-as numa turbulenta sequência de dominós interpessoais que podem ser derrubados a qualquer estalo.   A Vida de Jonas, de Magno Costa A história de um alcoólatra tentando se recuperar. Até aí tudo bem, mas o que um dos novos gêmeos revelação da cena quadrinística brasileira faz é usar fantoches. Isso aí: fantoches para contar quadrinhos. Não são fotos, mas parece que todos os personagens saíram ou da Vila Sésamo, ou do filme dos Muppets, ou da Exposição de 20 anos do Castelo Rá-Tim-Bum. Isso …

Seleção de Quadrinhos!!!

Quadrinhos Para Quem Não Curte Quadrinhos

Vem chegando o Natal! Vamos presentear com quadrinhos? Aqui vão algumas sugestões. Você é fã de quadrinhos e não entende como as pessoas podem não gostar do que você gosta. Você não é fã de quadrinhos, mas gostaria de ser, só que é tudo tão complicado e difícil. Você até gosta das séries e dos filmes, mas sei lá… Talvez aqui tenha a solução para os seus problemas, como aprendemos na faculdade é uma questão de adequação, ou é o segredo dos gays: “introduzir devagarzinho”. Aos poucos, as pessoas vão entendendo que quadrinhos é um meio riquíssimo e que existem histórias para todo o tipo de pessoas, assim como os romances literários, basta entender o seu tipo e quando vir, já vai entender tudo sobre quadrinhos. Separei 10 quadrinhos para 10 tipos diferentes de pessoas. Vamos lá? SCOTT PILGRIM CONTRA O MUNDO Para quem: fãs de videogame O que é: Scott Pilgrim Contra o Mundo é um quadrinho que usa a linguagem do videogame para contar a história de… Scott Pilgrim, que se apaixona pela …

Ellen Forney

A vida na gangorra: Parafusos – mania, depressão, Michelangelo e eu, de Ellen Forney

Depressão é coisa feia. Beijinho no ombro daqueles que dizem que se resolve com uma pia de louça suja para lavar. Se lessem a graphic novel de Ellen Forney, publicada esse ano no Brasil pela WMF Martins Fontes, com certeza se arrependeriam amargamente de suas palavras insensatas. No livro de Ellen, Parafusos – mania, depressão, Michelangelo e eu, ela tenta associar o pensamento criativo com “loucura”, ou seja, a necessidade de usar medicamentos para o transtorno mental. Enquanto isso, vai explicando como “funciona” sua bipolaridade e os gestos que vem fazendo para mudar esse quadro. Ellen sempre passou por fases. Uma delas é a mania, quando está eufórica, cheia de pensamentos. A outra, a depressão, quando se sente inútil e embotada para a vida. Ellen sempre aprendeu a dar significado às coisas. Mas não o significado aparente, ela buscava encontrar ali algo mais. Nas árvores, nas pessoas, nas gotículas do box do banheiro em que visualizava pessoas numa festa na floresta. Ela diz que esse é o trabalho do artista: encontrar mais significados nas coisas …

Chris Ware e Building Stories: uma mídia dentro da mesma mídia ad abismum

A Era dos Quadrinhos de Forma

Estamos vivendo uma era em que os quadrinhos precisam se fortalecer em seu suporte mais antigo: o papel. A concorrência está aí. São os webcomics, os motioncomics, os quadrinhos em app, os quadrinhos em PDF e digitais pirateados. Mas o papel continua forte. A razão é que, por mais arcaico que seja, a leitura em papel permite uma experiência única no caso dos quadrinhos. Através dele, o conhecimento está nas mãos do leitor, que controla o ritmo da história e da leitura. Hoje muitos quadrinhos brincam com a forma como são produzidos, seja no layout de página, seja no design gráfico, nas onomatopeias, enfim, os quadrinhos de hoje abusam dos recursos gráficos para tornar essa mídia plena. Mas como foi que chegamos a esse patamar? Vou explicar em alguns itens. INFLUÊNCIA DAS GRAPHIC NOVELS Na metade da primeira década do século XXI, as graphic novels começaram a se proliferar nos EUA e no Brasil da mesma forma que os álbuns fazem na Europa. Porém, a diferença é que as graphic novels vindas dos Estados Unidos …

O incrível desenho de David M. Buisán. Adoro esse cara!

Por que os quadrinhos são mais importantes hoje do que jamais foram?

“Por mais de um século, os quadrinhos têm se mostrado uma forma de comunicação que casa a sequência linear da tipografia com a percepção global de uma matrix internetesca de partes simultâneas”, essa é uma das razões que tornam os quadrinhos uma mídia tão atual. Para além disso, listei algumas outras razões, inspirado no artigo de Bill Kartalopoulos, para o Huffington Post, que você pode ler aqui. Kartalopoulos é o editor da versão 2014 da incrível coletânea Best American Comics. A MUDANÇA DE PARADIGMA DAS GRAPHIC NOVELS As graphic novels alçaram os quadrinhos a um outro patamar. Os “romances gráficos” levaram alguns jornalistas e teóricos a compararem e até incluírem quadrinhos como literatura, mas, conforme expliquei neste link, quadrinhos não são literatura, eles são mais que isso. São um meio puro, uma narrativa híbrida de palavras e imagens. Ainda assim podem abarcar artes tão grandiosas como a literatura e a pintura, mesmo estando enclausurados no meio de produção industrial e se caracterizando como um meio de comunicação de massa. Esse fenômeno das graphic novels tem …

O Quinto Beatle: A História de Brian Epstein, de Vivek J. Tiwary, Andrew C. Robinson e Kyle Barker (Editora Aleph, 2014, 168 páginas, R$ 59,90. Tradução: Delfin)

O Quinto Beatle: A História de Brian Epstein, de Vivek J. Tiwary, Andrew C. Robinson e Kyle Barker

Talvez você não conheça Brian Epstein, mas com certeza conhece os Beatles. A história dos quatro rapazes de Liverpool é difundida mundo afora em diversos filmes, documentários, memorabilia, livros, biografias, shows tributo, mas pouco se sabe da força por trás do fenômeno. E essa força foi Brian Epstein. Se fossemos comparar Brian com um personagem de filme, eu chamaria a atenção para a película The Wonders – O Sonho Não Acabou. No caso, o personagem de Tom Hanks teria sido inspirado em Epstein. Brian foi o primeiro empresário da banda e esteve junto com eles até o sucesso de Sargent Peppers’ Lonely Hearts Club Band. A vida de Epstein até conhecer os Beatles, havia sido lotada de fracassos. Quer dizer, não na sua vida profissional, mas no seu âmbito artístico. Brian era uma alma livre que era constantemente aprisionada. Suas ambições não davam certo, apesar do apoio incondicional da família. Para piorar, ele era gay, coisa que nos anos 60 era considerado crime e doença na Inglaterra. Além de não libertar sua alma para a …

Graphic Novel é um gibi vitaminado. E é BomBril.

O termo graphic novel já virou lugar comum. A prova disso é a utilização da expressão na Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel da Salvat. Nenhuma da obras ali publicadas é, em essência, uma graphic novel. Muito menos foram escritas/produzidas para serem vendidas como tal. Porém, de um tempo para cá, qualquer quadrinho encadernado se torna uma graphic novel. Não importa se é uma coletânea de histórias publicadas anteriormente, se são coloridas ou em tinta preta, qual o acabamento do papel, se são capa dura ou brochura. Mas eu já falei sobre como funciona essa diferenciação na minha maneira de ver as coisas. Sabe qual a diferença entre gibi e quadrinhos? Tem aqueles que ficam na mentalidade gibi, que o mundo é maniqueísta, preto e branco, que nadam no volume morto dos super-heróis. Já os quadrinhos é toda essa vastidão oceânica que permite diversas comparações com um mundo aberto e sem barreiras, em que existem matizes e as coisas não são certas, em que deve se defender seus valores, podendo custar sua vida, mas lutando …

Aproximações entre os quadrinhos e o movimento LGBT

Um gibi sobre um romance entre pessoas do mesmo sexo foi parar no cinema: Azul é a cor mais quente. Esteve em cartaz nas telas grandes durante o final do ano passado, início deste ano. O filme conta o descobrimento da sexualidade por uma garota francesa. Uma história de amor. Pouca gente sabe que, originalmente, a história foi contada em forma de graphic novel, ou os romances gráficos, ou gibi em forma de livro como tento explicar para os leigos. Deixando de lado as pessoas que se ofendem com o filme e saem durante uma cena de sexo, as pessoas não discutem mais se um filme desses deveria ou não ser exibido. Elas discutem a história, o uso das cores como uma inversão de Almodóvar, o sentimento entre as duas pessoas e dizem que é filmão. Preciso dizer que tanto a HQ como o filme foi sucesso de público e crítica, e já ostentam a tarja de Cult. Quem diria, lá no final dos anos oitenta, meados dos anos noventa, que isso aconteceria? Essa época …

As Melhores HQs Estrangeiras que li em 2013

* Por Estrangeiras quero dizer não Brasileiras e não Americanas. Já que ambas têm categorias próprias. A ARTE DE VOAR, ANTONIO ALTARRIBA E KIM ESPANHA Como eu falei em algum lugar, eu havia ouvido falar dessa HQ lendo no site espanhol Zona Negativa. Tenho um fraco (ou um forte?) para essas histórias que abordam relações familiares. Achei muito atraente a proposta, principalmente porque começa com o pai do autor – cuja história, e que história, será contada ao longo da graphic novel – se suicidando. Antonio Pai torna-se anarquista (pô, já tava na moda naquela época? ¬¬’), luta contra o franquismo, é obrigado a lutar na Segunda Guerra Mundial e em meio a tudo isso conhece lugares e participa de situações que nunca um humilde camponês sonharia em realizar. Torna-se um homem de “negócios”, constitui família e acaba depressivo, num abrigo para idosos. Para mim, a melhor parte é essa mesma: o final. Nem todas as grandiloquentes aventuras de Antonio Altarriba nas guerras ou seus negócios mafiosos são tão orquestrados quanto o final da sua …

Pinturas Inquietas. Moving Pictures, de Kathryn & Stuart Immonen

Moving Pictures, na minha humilde opinião, é uma das graphic novels que melhor trabalha o personagem multifacetado, com uma evolução semelhante à de um romance, mostrando, através de pequenas nuances, suas contradições e seu comprometimento com seus valores. Os personagens em questão são a curadora Ila Gardner e o oficial nazista Rolf Hauptmann, cada um empenhado com os esforços de seus países, respectivamente, a França e a Alemanha, em recuperar, catalogar e armazenar as obras de arte perdidas na França durante a Segunda Guerra Mundial. Em primeiro lugar é preciso dizer, que esta, assim como outras HQs, é uma obra dedicada ao amor à arte. Ela mostra como o amor pela arte pode ser maior que o amor por si mesmo. Mostra que mesmo entre as penúrias da Segunda Guerra, enquanto passam fome, as mesmas pessoas se esforçam para manter a arte viva, e preservar ícones da civilização ocidental para as futuras gerações. Enquanto composição, a história vem e vai no tempo, entremeada de passagem que poderiam ser elipses de um filme, ou de uma …

A Fé (Não) Costuma Falhar: A Matter of Life, de Jeffrey Brown

A Matter of Life, é outra graphic novel autobiográfica. Não poderia deixar de ser, dado o título. A diferença é que esta trata de dois temas que têm e não têm a ver um com o outro: a paternidade e a fé. Já se falou muito sobre assuntos de paternidade nos quadrinhos, desde o Batman até o Invencível, de Maus a Fun Home, no recente One Soul, de Ray Fawkes e nas tirinhas brasileiras de A Vida com Logan, de Flávio Soares. A HQ de Jeffrey Brown – autor dos megassucessos Darth Vader and Son e Vader Little Princess – traz um pouco de todas as anteriores, mas, com o diferencial de abordar a religião que vêm dos nossos pais e que somos encarregados de repassar para nossos filhos. Ela não discute qual religião vale mais, nem tenta criar uma tese sobre a cristandade. A Matter of Life cria um mosaico de momentos que envolvem temas cristãos atuais e o esforço para ser um bom pai. Tudo começa quando Jeff, filho de um dos ministros …

A Terceira Via, Você é Minha Mãe? – Um Drama em Quadrinhos, de Alison Bechdel

Depois de contar seu relacionamento com o pai, um bissexual enrustido, que acaba – ou não – cometendo suicídio, Alison Bechdel lançou um novo livro, desta vez falando sobre suas interações com a mãe – ou quase isso. Enquanto no primeiro livro, Fun Home – Uma Tragicomédia em Família, Alison usava de citações da literatura, como Ulisses, Retrato de Uma Senhora e O Grande Gatsby, nesta segunda graphic novel, a autora usa dois principais autores: Virginia Woolf e Donald Winnicott. A primeira, autora de Mrs. Dalloway e outros livros famosos e o segundo um dos pioneiros da análise psicanalítica entre mãe e filho. A VIA PSICOLÓGICA Esse é o grande tema da graphic novel. Mais que tratar do relacionamento com sua mãe, Alison propõe com essa autobiografia uma autoanálise, sem poupar a mãe, mas claro, sem poupar a si mesma. Afinal, uma das razões para fazer análise ou terapia é permitir se conhecer, reconhecer os erros e trabalhar em cima deles. Uma das coisas mais fascinantes em psicologia e, mais precisamente, na psicanálise, é os …

Henry James falando sobre quadrinhos?

Henry James, escritor consagrado de A volta do parafuso e Retrato de uma senhora, nasceu em Nova York, em 1834 e morreu em 1916, em Londres. Nessa época, os quadrinhos ainda estavam dando seus primeiros passos. Então, como Henry James poderia ter escrito sobre quadrinhos? A resposta é que ele não escreveu. Mas chegou muito próximo disso quando comparou a literatura com a arte plástica em seu ensaio “A arte da ficção”, incluído no livro A Arte da Ficção, de 1884. (Publicado no Brasil pela Editora Novo Século em 2011). SE A PINTURA É A REALIDADE, O ROMANCE É A HISTÓRIA Foi o que disse o autor, que a pintura representa o que a visão pode alcançar. (Claro, muito antes dos movimentos modernistas mudarem essa perspectiva). Mas se a pintura está relacionada com o espaço, a história, o romance, estão relacionados com o tempo. Os quadrinhos, por sua vez, representam o espaço e o tempo através de seus quadros justapostos. Ambos são uma representação da realidade. Segundo o autor, “um romance, em sua definição mais …

V de Vingança e Miracleman: Contrastes e Correspondências

Para quem não sabe, essas máscaras que o povo anda usando nas ruas durante as manifestações, são originadas da graphic novel e do filme V de Vingança. A HQ é de Alan Moore e David Lloyd  e o filme é dos Irmãos Wachowski. A máscar também representa Guy Fawkes, que tentou explodir o parlamento inglês, e é muito usada no dia de Guy Fawkes, na Inglaterra, quando as pessoas costumam enforcá-lo, como na malhação de Judas aqui no Brasil. Acontece que a obra de Moore é levada ao pé da letra. A intenção de Alan Moore, como o mesmo já disse, não foi de apoiar movimentos, mas “a questão é: este cara está certo? Estará ele louco? O que você, leitor, pensa disto? O que para mim é uma pequena e perfeita solução anarquista. Eu não digo às pessoas o que pensarem, eu só quero que dizer às pessoas para que pensem, e reconsiderem estes pequenos elementos e assumidamente extremos, que são bastante regulares na História humana”. Alan Moore, junto a Alan Davis, outro mestre …

15 HQs Ao Redor do Mundo

Além das pioneiras HQs franco-belgas, Tintin e Asterix, que nos apresentaram o mundo do passado e do presente visto dos olhos dos francófonos, existem outras HQs que retratam o estilo de vida nas mais diferentes partes do mundo. Aqui vai uma lista de 15 delas que li e recomendo: Adeus, Tristeza – A História de Meus Ancestrais, de Belle Yang China. Os desenhos, seguindo a tradição de Persépolis, parecem terem sido feitos por uma criança. Entretanto, a história dos ancestrais de Belle conta, além de muitas traições, casos de amor e brigas em família, a história da China. Cem anos de história: a invasão da Manchúria pelos japoneses, a Segunda Guerra Mundial, a grande fome e a ascensão dos comunistas ao poder. Apesar dos desenhos serem quase infantis, eles ostentam no contraste inocência/brutalidade uma grande carga de poesia.   A Arte de Voar, de Antonio Altarriba e Kim Espanha. Da mesma forma que Yang faz em Adeus, Tristeza, Antonio Altarriba volta no tempo para contar a história do seu pai que percorre praticamente todo o …

Clássicos Ilustrados, por George R. R. Martin

“(…)E então havia a Classics Illustrated. Talvez tenham sido as primeiras graphic novels: romances seminais da cultura ocidental (misturadas com alguns que eram, hum, menos seminais) adaptados para os quadrinhos. Não colecionei a Classics Illustrated com a mesma assiduidade que colecionava os títulos da Marvel e da DC, mas comprei alguns deles ao longo dos anos. Mais tarde, no colégio e na faculdade, eu iria ler muitos dos trabalhos originais nos quais os quadrinhos foram baseados, mas isso foi anos depois. Os funny books vieram primeiro. Um conto de duas cidades, A máquina do tempo, A guerra dos mundos,  Grandes Esperanças, Moby Dick, Ivanhoé, A Ilíada, O último dos moicanos, A casa das sete torres, Os  três mosqueteirios, As mil e uma noites, até mesmo Macbeth… Eu li primeiro como funny books. Muityo antes de ler uma palavra de Dickens, Wells, Melville, Dumas ou Shakespeare, me deparei com Sydney Carton, O Viajante do Tempo, Capitão Ahab, D’Artagnan e Lady MacBeth nas páginas de papelk-jornal e impressas em quatro cores. E embora (ainda) não tivesse lido …

Sobre quadrinhos, por Antonio Altarriba

“Eu sempre fui um grande amante de histórias em quadrinhos. Tanto nos textos teóricos quanto em roteiros, defendi o potencial narrativo desse meio culturalmente subestimado. Seu caráter misto, combinando elementos plásticos e literários, reunindo expressividade gráfica ao diálogo teatral, conjugando o espaço da figuração e o tempo da narração em uma organização sequencial muito diferente daquela proposta pelos meios de expressão audiovisual, permite-lhe veicular todos os tipos de narrativas. Seu recurso à imagem oferece-lhe uma grande capacidade de representação, no sentido etimológico de “tornar presente”. Os quadros oferecem a possibilidade de uma reconstituição fiel dos cenários, dos costumes, dos objetos, das situações… Quando dispomos de documentação apropriada, os lugares do passado renascem com uma grande veracidade, animados pelos personagens que os habitam. Tudo isso deveria ser levado em consideração para abordar uma história em que a reconstituição das atmosferas é tão importante. Os personagens também adquirem uma presença particular na história em quadrinhos. Seus traços e sua fisionomia retornam, quadros após quadro, expressivos, dotados de uma vida própria. Sua consistência gráfica precede sua existência psicológica, …

As 20 Melhores HQs que li em 2012

Bom, a proposta é mesmo essa aí. Listar as 20 melhores histórias em quadrinhos que eu li em 2012, na minha humilde e particular opinião. Não constam só HQs que foram lançadas em 2012, mas aquelas que tive acesso neste ano que passou. Em 2008 fiz uma coisa parecida, mas escolhi somente 10. Neste ano como tive mais de 120 leituras entre livros de ficção, não-ficção, graphic novels e encadernados, sem contar gibis mensais e minisséries resolvi colocar mais. E não pense que foi um ano improdutivo por causa das muitas leituras. Trabalhei muito este ano, fiz cursos, escrevi pra valer, lancei um livro e houveram prêmios. Claro que houveram maus momentos, como a doença e morte da minha avó, mas no saldo geral foi um ano bem produtivo. Um dos mais. Mas vamos ao que importa: a lista. Ela não segue nenhuma ordem de importância, apenas alfabética. A Chegada, Shaun Tan Uma HQ sem palavras pode dizer muita coisa? A Chegada é uma prova disso e além: cria um universo totalmente diferente, mas não …