Todos os posts com a tag: literatura

As Melhores HQs da Vertigo que Li em 2015

Abram alas! Que passado o Natal damos continuidade a coisas mais tenebrosas: o Ano Novo as HQs da Vertigo! Sim, este selo que comporta uma variedade imensa de narrativas, porém todas elas voltadas a um público mais maduro, porém ainda mainstream! Então, sem mais delongas, vamos à elas:

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De meninos e de corujas...

Harry Potter e a Magia dos Quadrinistas Ingleses

Quero propor uma reflexão aqui com vocês, caros leitores. Se possível, deixem seus comentários. Há quase vinte anos venho acompanhando quadrinhos com mais atenção e uma coisa que mais gosto é identificar os estilos dos autores, os temas que são caros para eles, a maneira como constroem seus universos e seus personagens, as referências que usam, quem eles inspiram e de onde se inspiraram. Mas a reflexão que quero propor é perguntar e tentar responder é: quando o estilo se torna repetição? E a resposta que eu tenho para dar é: quando o escritor começa a plagiar a si mesmo. Dito isso, vou falar, é claro, dos supracitados escritores da invasão inglesa, pois eles são os mais fáceis de identificar estilo e influências. Como falei nesse link, as influências da maioria deles vem da revista 2000 a. D. e seus criadores, Alan Grant e John Wagner, mas também da literatura inglesa de fantasia, Charles Dickens, George Orwell, Lewis Carrol, P. L. Travers, J. R. R. Tolkien e C. S. Lewis, Roald Dahl. Sem esquecer William …

Faça boa arte!

“Faça boa arte”, de Neil Gaiman

Ter recebido em casa um livro com o discurso memorável do Neil Gaiman, num período de cobranças e imposições não poderia ter vindo em melhor hora, para voltar a ter autoconfiança no que eu faço. Se você também anda desiludido com o seu trabalho e se achando um inútil porque não ganha dinheiro suficiente, dêem uma lida, ouvida ou olhada no discurso a seguir e renove sua autoestima, porque as pessoas e o mundo não dão trégua. Quem tem que saber o que é melhor é você mesmo, sem pessoas que te botem pra baixo. Obrigado, Samir Machado de Machado. A tradução abaixo é de Juliana Fajardini. Eu nunca realmente esperei me encontrar dando conselhos para pessoas se graduando em um estabelecimento de ensino superior. Eu nunca me graduei em um desses estabelecimentos. E nunca nem comecei um. Eu escapei da escola assim que pude, quando a perspectiva de mais quatro anos de aprendizados forçados antes que eu pudesse me tornar o escritor que desejava ser era sufocante. Eu saí para o mundo, eu escrevi, …

Seleção de Quadrinhos!!!

Quadrinhos Para Quem Não Curte Quadrinhos

Vem chegando o Natal! Vamos presentear com quadrinhos? Aqui vão algumas sugestões. Você é fã de quadrinhos e não entende como as pessoas podem não gostar do que você gosta. Você não é fã de quadrinhos, mas gostaria de ser, só que é tudo tão complicado e difícil. Você até gosta das séries e dos filmes, mas sei lá… Talvez aqui tenha a solução para os seus problemas, como aprendemos na faculdade é uma questão de adequação, ou é o segredo dos gays: “introduzir devagarzinho”. Aos poucos, as pessoas vão entendendo que quadrinhos é um meio riquíssimo e que existem histórias para todo o tipo de pessoas, assim como os romances literários, basta entender o seu tipo e quando vir, já vai entender tudo sobre quadrinhos. Separei 10 quadrinhos para 10 tipos diferentes de pessoas. Vamos lá? SCOTT PILGRIM CONTRA O MUNDO Para quem: fãs de videogame O que é: Scott Pilgrim Contra o Mundo é um quadrinho que usa a linguagem do videogame para contar a história de… Scott Pilgrim, que se apaixona pela …

A Távola Redonda é a Terra!

10 Motivos Para Ler Camelot 3000

Saiba um pouco mais sobre uma série de histórias que mudou a indústria dos quadrinhos para sempre. Ainda que nem sempre seja creditada por isso. PASSADO.. : Como o nome já diz, Camelot 3000 lida com os personagens de Rei Arthur e a Távola Redonda. Lá estão nossos cavaleiros reluzentes, lutando ao lado do Mago Merlin contra a sensual e irascível Morgana. … E FUTURO: E como o resto do nome diz, a saga se passa no ano 3000. Carros voadores, ciborgues e alienígenas estão na ordem do dia. Estes últimos se aliam à Morgana para conquistar a Terra, que se vê indefesa contra as forças invasora. O que eles não contavam era com a… REENCARNAÇÃO: dos nossos poderosos heróis arturianos. Após a descoberta do túmulo do Rei Arthur por um jovem descuidado, um a um, os cavaleiros da Távola Redonda vão sendo despertados em seus corpos do ano 3000. Que Chico Xavier o quê? Nós temos Merlin. Um Merlin desenhado por alguém muito próximo de outro mago, só que Northampton… BRIAN BOLLAND: Um dos …

Não Editora lança novela de Guilherme Smee

Um triângulo amoroso com pitadas pop da música e do cinema e um jovem perdido entre muitas vontades e poucas realizações, além de golpes financeiros e tráfico de medicamentos. Esta é a receita de Loja de Conveniências, novela de Guilherme Smee, sua estreia na narrativa longa. Loja de Conveniências, de Guilherme Smee, lançamento da Não Editora, terá sessão de autógrafos no dia 2 de agosto (sábado), a partir das 17h, na Palavraria, em Porto Alegre. Como um romance erótico às avessas, o livro traz a história de um jovem que se deixa levar pela inércia até o momento em que é abordado por uma garota, que se dispõe a fazer dele seu “projeto pessoal”. Ante a expectativa da chegada do namorado dela, seu mundo vai se modificando aos poucos, e passa a viver num pós-apocalipse emocional. Com personagens que vagam sempre isolados e devastados, colocam-se em discussão o amor, o sexo e a culpa pelas escolhas que são (ou deixam de ser) feitas. Loja de Conveniências é narrado em primeira pessoa e traz as situações …

Vivir para contarlo

A fantasia se torna real: GABO – Memórias de Uma Vida Mágica, de Óscar Pantoja, Miguel Bustos, Felipe Camargo, Tatiana Córdoba e Julian Naranjo

Gabriel García Márquez deveria ser o autor que qualquer fã de super-heróis deveria procurar ler. Principalmente o livro Cem Anos de Solidão. Explico: García Márquez foi um dos expoentes do realismo fantástico-maravilhoso latino-americano, ao lado de Júlio Cortázar e Mario Vargas Llosa. O realismo fantástico tem por pressuposto se utilizar de cenas mágicas e maravilhosas acatadas de maneira comum pelos seus espectadores. Assim como a Nova York da Marvel Comics ou Metrópolis e Gotham City da DC Comics, a cidade colombiana de Macondo também tem os seus seres superpoderosos. Depois que li GABO, me dei conta de como a obra dele (incluindo aí livros como Cem Anos de Solidão, O Amor nos Tempos do Cólera e Crônica de Uma Morte Anunciada) influenciou a minha literatura e meus gostos por livros. Apresentado a ele aos 14 anos por uma tia, fiquei encantado com a densidade dos relatos, maravilhado com as cenas de poderes sendo revelados, ao mesmo tempo que lidava com relações humanas de forma única. Era como ler super-heróis, ou melhor, como ler uma HQ …

Por que as HQs (e livros) são tão caros? Ou, “sabe de nada, inocente”!

Seguidamente vejo reclamações sobre o preço de publicações na internet. Porém, acho que, ao fazer isso, as pessoas não sabem que desestimulam as compras de outros. Ao mesmo tempo lhes falta um pouco de contexto para entender os valores que envolvem a produção de uma publicação. Ler scans e não comprar o quadrinho impresso, mesmo ele sendo sensacional, também auxilia na contração do mercado. Outro fator que deixa o mercado de quadrinhos impenetrável é a velha arrogância dos fãs antigos que sempre pensam saber muito mais que os novatos. Sempre haverá um velhaco mais velho e um novato mais verde. Inspirado pelo artigo de Paulo Cecconi no Pipoca & Nanquim, resolvi escrever aqui um pouco sobre o que leva uma HQ a ser cara, utilizando uma liçãozinha básica de Marketing, os 4 P’s de Phillip Kotler: Produto Para se fazer um produto que encha os olhos, é preciso um bom acabamento gráfico. Esta talvez seja a parte mais cara do processo. Quanto mais frufrus ele tiver, mais caro vai ser. Capa dura, papel couchê, verniz …

Injustiça é não ler: Injustiça – Deuses Entre Nós, de Tom Taylor, Jheremy Raapack e Mike S. Miller

HQs baseadas em games geralmente não caem nas graças dos fãs. Nem dos fãs de games, nem dos fãs de quadrinhos. Mas Injustiça é um caso à parte. É uma história em quadrinhos que não deve nada ao jogo. Uma vez que o jogo não tem muito enredo, é apenas uma disputa de força e poder, a HQ preenche muitas brechas que poderiam ser exploradas de maneira mais detalhada. Depois de ter produzido o jogo Mortal Kombat x DC Universe e ter falhado fragorosamente, a casa de Superman, Batman e cia, resolveu encarregar Ed Boon, dono do NetherRealm Studios e um dos criadores do Mortal Kombat para criar um novo jogo. Ed Boon é aquele carinha que aparecia no canto da tela gritando alguma palavra que você não conhecia quando criança. Isso acontecia quando se usava o ninja das sombras, Noob Saibot – que não por acaso é um anagrama do nome de Ed. Concedendo aos heróis um visual mais moderno, Ed criou uma realidade em que o Superman enlouquece, após matar acidentalmente Lois Lane …

Os Melhores Quadrinhos da Vertigo que li em 2013

FLEX MENTALLO, GRANT MORRISON E FRANK QUITELY Quiçá Flex Mentallo seja a obra-prima do careca escocês. Quiçá seja a obra que melhor resuma seu trabalho e estilo. Quiçá seja a história de Morrison mais difícil de dizer: ela trata disso e não daquilo. Mas deixando os Quiçás de lado o fato é que Flex Mentallo permite várias leituras, sejam elas sobre super-heróis e maturidade; sejam sobre a origem e o destino das ideias; seja sobre sexualidade ou até mesmo sobre seus próprios leitores. Só aqui no blog ela já rendeu todas essas interpretações. Foi um grande acerto da Panini Comics ao lançar a edição aqui no Brasil com extrema rapidez, visto que sua reprodução estava proibida nos EUA e fora de lá. OCEANO, WARREN ELLIS, CHRIS SPROUSE E KARL STORY Oceano é uma ficção científica. Oceano é um drama. Oceano é uma história de super-heróis. Oceano é um thriller de espionagem. Oceano é da Wildstorm e não é da Verigo, mas tem um gostinho do selo também.  Já falei bastante da história e algumas análises …

Os Melhores Quadrinhos Brasileiros Que Li em 2013

ESTÓRIAS GERAIS, WELLINGTON SRBEK E FLÁVIO COLIN Esperava que essa fosse mais uma daquelas histórias em quadrinhos brasileiras que glorificam o país, mas acabei me deparando com uma história rica. A riqueza de Estórias Gerais fica por conta de seu traço cultural sem cair no exagero ou no ufanismo.  São “estórias” – assim grafada da maneira antiga que diferenciava a narrativa dos acontecimentos humanos – , porque elas têm aquele gostinho de cousas antigas, de causos que nossos avós contavam. Ela permite um paralelo com as novelas fantástico-maravilhosas da Globo, como Saramandaia e Roque Santeiro e tantas outras que seguem nessa tradição de Dias Gomes, mas cuja fonte mesmo é a inovadora literatura moderna de Guimarães Rosa. Estórias Gerais traz vários causos de um interior do Brasil situado numa fronteira entre o nordeste e o sudeste rural,ou  talvez no centro-oeste do país, que se entrelaçam formando um painel único dessa tradição. ENTREQUADROS – CIRANDA DA SOLIDÃO, MÁRIO CÉSAR Esta foi uma das HQs que eu incentivei a produção através do site Catarse, e acabei fazendo …

A Terceira Via, Você é Minha Mãe? – Um Drama em Quadrinhos, de Alison Bechdel

Depois de contar seu relacionamento com o pai, um bissexual enrustido, que acaba – ou não – cometendo suicídio, Alison Bechdel lançou um novo livro, desta vez falando sobre suas interações com a mãe – ou quase isso. Enquanto no primeiro livro, Fun Home – Uma Tragicomédia em Família, Alison usava de citações da literatura, como Ulisses, Retrato de Uma Senhora e O Grande Gatsby, nesta segunda graphic novel, a autora usa dois principais autores: Virginia Woolf e Donald Winnicott. A primeira, autora de Mrs. Dalloway e outros livros famosos e o segundo um dos pioneiros da análise psicanalítica entre mãe e filho. A VIA PSICOLÓGICA Esse é o grande tema da graphic novel. Mais que tratar do relacionamento com sua mãe, Alison propõe com essa autobiografia uma autoanálise, sem poupar a mãe, mas claro, sem poupar a si mesma. Afinal, uma das razões para fazer análise ou terapia é permitir se conhecer, reconhecer os erros e trabalhar em cima deles. Uma das coisas mais fascinantes em psicologia e, mais precisamente, na psicanálise, é os …

Henry James falando sobre quadrinhos?

Henry James, escritor consagrado de A volta do parafuso e Retrato de uma senhora, nasceu em Nova York, em 1834 e morreu em 1916, em Londres. Nessa época, os quadrinhos ainda estavam dando seus primeiros passos. Então, como Henry James poderia ter escrito sobre quadrinhos? A resposta é que ele não escreveu. Mas chegou muito próximo disso quando comparou a literatura com a arte plástica em seu ensaio “A arte da ficção”, incluído no livro A Arte da Ficção, de 1884. (Publicado no Brasil pela Editora Novo Século em 2011). SE A PINTURA É A REALIDADE, O ROMANCE É A HISTÓRIA Foi o que disse o autor, que a pintura representa o que a visão pode alcançar. (Claro, muito antes dos movimentos modernistas mudarem essa perspectiva). Mas se a pintura está relacionada com o espaço, a história, o romance, estão relacionados com o tempo. Os quadrinhos, por sua vez, representam o espaço e o tempo através de seus quadros justapostos. Ambos são uma representação da realidade. Segundo o autor, “um romance, em sua definição mais …

De onde vêm as ideias?

Ou “Por que é impossível não despirocar lendo Flex Mentallo e o que o inconsciente coletivo e o Enrique Iglesias têm a ver com isso tudo”. Acontece que essa semana reli Flex Mentallo, de Grant Morrison e Frank Quitely. Uma edição que estava fadada a não ser publicada no Brasil, devido a problemas com direitos autorais. Mas os obstáculos foram rompidos e, este mês, a Panini Comics lançou a obra aqui no Brasil. Antes de você ler esse texto, seria bom dar uma lida no que escrevi anteriormente sobre a mesma obra, que acabei lendo em scans na época. Aqui o link. A versão brasileira, com tradução de Érico Assis e edição de Fabiano Denardin e Daniel Lopes, é muito caprichada, numa encadernação melhor que a americana, cheia de extras, como o texto introdutório de Morrison e os rascunhos de Quitely. A história de Flex Mentallo é cheia de metalinguagem, cheia não, submersa em metalinguagem. Dizem que a metalinguagem é uma literatura masturbatória, cheia de autorreferências, que é muito fácil criar uma história sobre histórias …

Coisas belas e sujas – 02 – Fábulas

Nessa onda de reinterpretar os contos de fadas para um contexto adulto, surgiu a série Fábulas, criada por Bill Willingham em 2002. A série conta a história de vários personagens dos contos de fadas, fugidos de suas Terras Natais, que encontraram morada em Nova York, num povoado secreto chamado a Cidade das Fábulas. Lá, todos os personagens tiveram, ao longo dos anos, que se adaptar ao mundo real. Branca de Neve, por exemplo, é a vice-prefeita da Cidade das Fábulas e Bigby Lobo (O Lobo Mau) é o xerife, que cuida dos crimes perpetrados pelas fábulas “más” e também mantém a segurança e o sigilo daquele universo tão peculiar. Há o cafajeste Príncipe Encantado, que, diferente das historinhas, pegou todas as princesas da DisneyTM, e os bizarros habitantes da Fazenda, uma comunidade isolada onde as fábulas não-humanas podem vivem “livremente” em nosso mundo. A série de Willingham preencheu o vácuo de histórias de fantasia deixado por Neil Gaiman após o encerramento de Sandman. Até hoje a série recebeu 14 vezes o prêmio Eisner. Paulo Ramos, …

Cinema vs. Quadrinhos, por Will Eisner

As diferenças entre as mídias, segundo Will Eisner, em seu livro Narrativas Gráficas: FILMES O público é transportado através da narrativa. Ela não deixa o tempo para contemplar ou saborear as passagens. O observador é um espectador da realidade artificial. TEXTO A aquisição requer a capacidade de ler, o que envolve pensamento, aquisição e lembrança… Os leitores convertem palavras em imagem. QUADRINHOS A aquisição exige menos do que o texto porque as imagens são fornecidas. A qualidade da narrativa depende da disposição de textos e imagens. Espera-se que o leitor participe. Ler a imagem requer experiência e permite a aquisição no ritmo do observador. O leitor deve fornecer internamente o som e a ação das imagens.

Clássicos Ilustrados, por George R. R. Martin

“(…)E então havia a Classics Illustrated. Talvez tenham sido as primeiras graphic novels: romances seminais da cultura ocidental (misturadas com alguns que eram, hum, menos seminais) adaptados para os quadrinhos. Não colecionei a Classics Illustrated com a mesma assiduidade que colecionava os títulos da Marvel e da DC, mas comprei alguns deles ao longo dos anos. Mais tarde, no colégio e na faculdade, eu iria ler muitos dos trabalhos originais nos quais os quadrinhos foram baseados, mas isso foi anos depois. Os funny books vieram primeiro. Um conto de duas cidades, A máquina do tempo, A guerra dos mundos,  Grandes Esperanças, Moby Dick, Ivanhoé, A Ilíada, O último dos moicanos, A casa das sete torres, Os  três mosqueteirios, As mil e uma noites, até mesmo Macbeth… Eu li primeiro como funny books. Muityo antes de ler uma palavra de Dickens, Wells, Melville, Dumas ou Shakespeare, me deparei com Sydney Carton, O Viajante do Tempo, Capitão Ahab, D’Artagnan e Lady MacBeth nas páginas de papelk-jornal e impressas em quatro cores. E embora (ainda) não tivesse lido …

Quadrinhos e Violência, por Mikal Gilmore

“(…) Orquídea Negra chega a uma conclusão redentora e imprevisível. Aliás, em 1988, quando a obra apareceu pela primeira vez nas lojas especializadas em quadrinhos, em três episódios, diversos leitores tiveram dificuldade em aceitar que o conto realmente terminara no ponto e da forma como se encerrou, e ficaram na espera por um quarto volume que o encerrasse em terreno mais familiar. Afinal, no mundo dos quadrinhos – assim como no do cinema, da literatura e da política internacional –, qualquer conto que começa com violência necessariamente deve terminar com violência (afinal, fora matar o oponente, são poucas as táticas que resolvem uma disputa com a mesma eficácia). Além disso, a violência tem ganhado certo prestígio estético nos quadrinhos. Há momentos em que parece que a mídia foi projetada para fazer convite à contemplação de atos brutais e conflitos físicos. Numa página de quadrinhos, você pode congelar um ato enquanto ele acontece ou mesmo antes de ele acontecer; pode estudá-lo em detalhe, sua lógica e sua arte, e ao fazê-lo talvez possa conjeturar quanto aos …

"Sou Lésbica!" "Legal, posso contar pras minhas amigas?"

Fun Home – Queer as Family

Em 2006 uma graphic novel (HQ) foi escolhida como livro do ano pela revista americana Time. A obra superou nesta escolha autores consagrados como Cormac McCarthy. Por causa deste prêmio tomou corpo uma polêmica de que quadrinhos deveriam ser encarados e reconhecidos como literatura. No ano seguinte, conquistou o prêmio maior dos quadrinhos americanos, o Eisner Award por melhor obra baseada em fatos. A The New York Times Book Review o definiu como “uma obra pioneira, que eleva dois gêneros (quadrinhos e relato autobiográfico) a novos patamares”.  O “livro” em questão é Fun Home – Uma Tragicomédia em Família, de Alison Bechdel. A história é baseada na vida da própria autora e lida com temas como homossexualismo, morte e relação entre pais e filhos. Um dos pontos chaves da trama se dá depois de Alison contar à família que é lésbica, sua mãe liga para ela revoltada e conta que o pai manteve relações sexuais com outros homens durante o casamento. Toda a graphic novel trata desta conexão entre Alison e seu pai Bruce e …

Lançamento do Ficção de Polpa vol.3

No próximo dia 13, acontece no Cult Bar, o lançamento do terceiro volume do Ficção de Polpa. Desta vez, participo do livro com uma HQ, conforme já havia comentado.  Se chama “O Quarto Desejo” e foi desenhada pelo Jader Corrêa. O endereço do Cult é Comendador Caminha, 348 e a função começa às 19 horas. Segundo algumas fontes confiáveis essa é a melhor edição do livro feita até então.

Editora do Ano

Caros leitores, no início desta semana os sócios da Não Editora tiveram a honra de ganhar o Prêmio Açorianos de Editora do Ano 2008.  No mesmo dia coloquei um piercing na sobrancelha.  Não doeu. Nada. Não estou pagando promessa. ThingsMag #5 no ar, minha participação com uma resenha de Epiléptico 1 e 2 do David B.  Pra acessar clique aqui.

As múltiplas personalidades do Homem-Múltiplo

X-Factor Citações

Peter David sempre nos brinda com histórias sensacionais na sua nova “temporada” com o grupo mutante X-Factor.  Seja na história de abertura da série ou naquela em que Madrox descobre que uma de suas cópias é um pastor com família. E sobram sempre boas reflexões. No último arco publicado no Brasil, “O Isolacionista”, temos uma série de pensamentos de Jamie Madrox no mínimo interessantes. Vou colocar alguns aqui: “Você pode pensar que é capaz de viver sozinho… e talvez até consiga por um tempo… mas no fim tem que sai da toca e entrar no mundo real. Claro que é arriscado. Nunca se sabe o que vai aocntecer. Mas é or sico que se corre. É… existe um mundo assustador lá fora. E, às vezes, é bom saber que não estamos sós. Talvez seja genético. Afinal, nosso maior instinto é o de sobrevivência. Quanto mais pessoas existirem, maiores as chances de perpetuar a vida. É fácil eliminar indivíduos isolados, mas a união faza força, mesmo que seja a união de só duas pessoas”. “Às vezes …

Quadrinhos e Recepção

A teoria da recepção é um pressuposto bastante novo. Começou a ser estudada há menos de 40 anos. Ela examina o papel do leitor na literatura. Como assim, o leitor? Trata da obra vista da perspectiva do leitor, não do autor ou do texto como outras teorias literárias já estudaram. A Teoria da Recepção vai buscar as deduções que o leitor vai fazer quando exposto a um determinado texto. Podemos usar essa mesma teoria nos quadrinhos. É o leitor quem completa a história fazendo a ligação entre um quadro e outro. Ele próprio, conforme o ritmo que ele mesmo estabelece para sua leitura, vai estabelecendo as conexões implícitas no texto e nas imagens em seqüências. Ao longo da narrativa o leitor vai fazendo deduções e comprovando suposições usando de seu conhecimento de mundo e do contexto em que está inserido. Diz Terry Eagleton: “Na Teoria da Recepção, o leitor ‘concretiza’ a obra literária, que em si mesma não passa de uma cadeia de marcas negras organizadas numa página” – ou de diversos quadros coloridos, balões …

A Maldição do Último Prato

Ir a um restaurante em grupo, é batata. Sou sempre servido por último. É a minha maldição. Meu carma. Chame como quiser. Assim como tenho uma tremenda sorte pra conseguir um ônibus sempre quando eu quero, tenho um baita azar quando se trata de vir a comida. Todo mundo já comendo, e eu babando. Se é pra dar errado com um prato: o meu! o meu! Claro, que sempre tem as minhas frescuras de ah, tira os champinhons, coloca mais queijo ralado, pode substituir o arroz por purê de batata? É, batata! Batata, vem errado. Outro dia fomos comer um bauru, sabe, aquele sanduíche com formato de bunda? Pedi com tomates secos. Veio com bacon. Eu odeio bacon. O pior é que eu comi na boa até metade do bauru pra me dar conta… É aquele negócio psicológico: se a gente não sabe o que é, nem sente o gosto. Ou era a renite pegando forte. O fato é que hoje fui almoçar em bando no Paná Paná, dica da Dídi, que está, excruzive, na …

Quadrinhos e literatura

A escolha de Fun Home – Uma tragicomédia em família, de Alison Bechdel como livro do ano pela revista Time, em 2006 e American Born Chinese, de Gene Luen Yang, ter concorrido ao National Book Award gerou a polêmica: quadrinhos são literatura? O histórico de prêmios diria que sim. Afinal, Maus, de Art Spiegelman ganhou o Pulitzer em 1992. E a história Sonho de Uma Noite de Verão, de Neil Gaiman em Sandman ganhou o World Fantasy Award como melhor história curta em 1991. E Chris Ware, com seu Jimmy Corrigan ganhou em 2001 o Guardian First Book Award. Watchmen foi escolhido como um dos 100 melhores romances do século XX pela Time novamente. Mas o fato é que quadrinhos NÃO são literatura. Assim como quadrinhos NÂO são cinema. Eles são as duas coisas e também não são. As histórias em quadrinhos CONTÉM literatura e cinema. Assim como contém a pintura, por exemplo. Os quadrinhos não são um subgênero literário, ou uma divisão artística. Eles são uma coisa à parte. Eles são a nona arte, …