Todos os posts com a tag: marvel comics

10 Autores de Quadrinhos Eróticos Que Você Vai Adorar Conhecer

Para comemorar o ano novo que vem aí, que tal dar uma olhada em desenhos voluptuosos e com histórias sensuais? No final, você pode até soltar fogos de artifício! Bem, resolvemos elencar aqui não obras de quadrinhos eróticos, mas autores importantes com estilo e fama consagrados no meio dos quadrinhos. A maioria deles, claro, vem da Europa. Mas temos também brasileiros. Vamos a eles!

Anúncios

A Implosão da DC Comics nos Anos 70

Durante os final dos anos 60 e o início dos anos 70, a DC acabou comprando o maior sistema de distribuição americano e, por isso, colocou muitos título à venda. Mas com a chegada de Jeanette Khan à presidência da editora de Superman e Batman, esse número foi diminuído drasticamente devido às baixas vendas> Descubra quais foram esses títulos e como isso aconteceu.

"Oi, Seu Civita, vamos jogar Monopoly?" "Ah, não você já ganhou e colocou todo o mercado de quadrinhos na prisão da distribuição!"

A Nova Revista da Marvel/Panini e os Fantasmas do Monopólio

Essa semana saiu a notícia confirmando o que as “solicitações” de pré-venda da Panini Comics já sugeriam: uma nova revista de 148 páginas vai ser lançada substituindo as revistas Homem de Ferro & Thor e Capitão América & Gavião Arqueiro. A revista se chamará Vingadores: Os Maiores Heróis da Terra e aparentemente no seu mix conterá Captain America, Hulk, Savage Hulk, Iron Man, Thor: God of Thunder, Loki: Agent of Asgard e Secret Avengers. As revistas Young Avengers e Hawkeye aparentemente serão concluídas nas publicações atuais. O atual momento econômico, o mix desta nova revista e a monopolização do mercado está trazendo o fantasma derrotista e pessimista de Natais passados mais pobres.

Série Jonah Hex, de Justin Gray, Jimmy Palmiotti e Diversos Artistas

Os Melhores Quadrinhos de Super-Heróis que Li em 2014

Primeiramente, Feliz Natal! Dingou béu, dingou béu, acabou papel! Não acabou não! Tem muito quadrinho bom pra ler e eu vou estar aqui pra dar umas dicas! Então vamos lá, os quadrinhos nessa seção são só da Marvel e DC Comics, ok?! Então tá! Valendo! Antes de Watchmen: Minutemen, de Darwyn Cooke Ano passado a Panini publicou a iniciativa Antes de Watchmen no Brasil. Mas a Panini que é Panini não cumpre seus prazos e tudo chega no mês seguinte do calculado. Ou seja, esse Antes de Watchmen chegou a mim em 2014, não que isso importe para essa lista. Você pode conferir uma resenha completa dessa edição aqui. E da iniciativa toda de Antes de Watchmen neste link. Foi uma inciativa polêmica que não teve o apoio de seu criador Alan Moore, mas que em geral trouxe histórias muito boas para os leitores. Claro, houveram tropeços, mas essa edição dos Minutemen é um digno exemplar das melhores coisas que essa iniciativa poderia trazer. Batman: O Retorno de Bruce Wayne, de Grant Morrison e Vários …

Precisamos falar sobre Manara

Quadrinhos são hipersexualizados, isso é uma verdade. E os dos super-heróis, então, nem se fala. Pessoas que usam colantes grudados ao corpo e que revelam toda sua forma corporal para os leitores, costumam ter um teor masturbatório, com o perdão da palavra. Essa foi uma tendência muito grande nos anos 90, quando as chamadas bad girls se destacavam: Vampirella e sua roupa Borat, Lady Death e seus peitões, Witchblade e suas… suas coisas que tapavam suas coisinhas. Só para citar algumas. Mas aquele era um período em que o mercado de quadrinhos estava na sua adolescência, é só analisarmos o que saía por aqueles tempos. Grant Morrison em seu lindo Flex Mentallo, faz essa analogia. Se na Era de Ouro os quadrinhos de super-heróis engatinhavam, na Era de Prata eles eram voltados para crianças com suas aventuras mirabolantes, na Era Moderna, o alvo eram os adolescentes. O problema é chegar nos dias de hoje e insistir nessa tecla. Manara, como sabemos, é um ícone do mercado de quadrinhos eróticos. Não vejo sua Mulher-Aranha como um …

Os homens que não amavam o frio.

O Poder da Subjetividade: Soldado Invernal – Enterrando o Passado, de Jason LaTour e Nic Klein

Uma boa história policial com toques de crueldade e muita ficção científica, foi o que acabei achando em Soldado Invernal – Enterando o Passado, de Jason LaTour e Nic Klein, publicado este mês na edição especial de Avante, Vingadores! (Número 59.1). Utilizando o mesmo costume que Ed Brubaker, o “criador” do Soldado Invernal começou na série, LaTour e Klein exploram os esqueletos no armário de Bucky Barnes. Histórias de espionagem invariavelmente remetem à Guerra Fria, a James Bond e a uma estética dos anos sessenta. Nic Klein deixa isso muito claro em seus desenhos e na experimentação narrativa que produz aliado a Latour. Sequências de abertura fulminantes, com uma paleta de cores beirando o monocromático, que dão uma sensação de frieza para uma história ainda mais fria. O enredo da história envolve um momento piedoso de Bucky Barnes, o Soldado Invernal, em que ele deixa uma menina, filha de um gênio da física, sobreviver. Essa menina se torna uma assassina impiedosa e uma das grandes mentes da física. Ela acaba por estudar os usos dos …

Os melhores Quadrinhos de Super-Heróis que Li em 2013

ANTES DE WATCHMEN: DR. MANHATTAN, J. MICHAEL STRACZYNSKI E ADAM HUGHES A série Antes de Watchmen teve seus altos e baixos. Os altos, até agora – falta sair a minissérie dos Minutemen – , foram os volumes do Dr. Manhattan e da Espectral, ambos resenhados neste blog. Os piores, do Roscharch e do Ozymandias. O que faz das minisséries do Dr. Manhattan e da Espectral tão boas é a ousadia. Através da iniciativa de ir um pouco além da história apresentada por Alan Moore e Dave Gibbons, os autores destes contos do passado, mostram porque – além dos milhares de dólares envolvidos – era possível fazer novas histórias no universo de Watchmen. Por outro lado, histórias como as de Roscharch, que mostra um caso do anti-herói e de Ozymandias, um vergonhoso conto que só faz um apanhado preguiçoso da história do “salvador do mundo” em ordem cronológica, dizem para o leitor que em certos cânones não se deve mexer. Apesar das grandes polêmicas que estes retcons provocaram no mundo dos quadrinhos, como a óbvia e …

Um Bangue-Bangue de Palavras: Descaracterizando Bendis

Esta semana acabei de ler a fase de Brian Michael Bendis em Os Vingadores. Foram quase dez anos à frente dos Maiores Heróis da Terra, uma run que começou polêmica – a Queda dos Vingadores – e morte de alguns dos seus mais queridos personagens, como o Visão e o Gavião Arqueiro. A fase terminou com a megassaga Vingadores versus X-Men. A última equipe é a nova casa de Bendis na Marvel. À despeito de suas grandes maquinações para revolucionar a Casa das Ideias, suas sequências bombásticas, suas experimentações narrativas e seus diálogos velozes, Bendis, um dos grandes representantes dos roteiristas de super-heróis do início do século XXI não sabe escrever uma revista de grupo. Mas cooomooo? Você diz, afirmando que ele revolucionou os Vingadores e que eles só são um sucesso no cinema por causa do que o Sr. Careca de Cleveland fez com eles. Sim, realmente ele tem esse mérito de transformar os Vingadores numa Liga da Justiça da Marvel, unindo os seus heróis mais populares numa equipe onde deveriam estar os mais …

Eram os Deuses Astronautas?, Terra X, de Alex Ross, Jim Krueger e John Paul Leon

“Morra antes de morrer. Não resta chance depois”. – C. S. Lewis Terra X, minissérie criada por Alex Ross e Jim Krueger, com desenhos de John Paul Leon, mostrava o Universo Marvel daqui a 20 anos, uma Terra onde todos os humanos possuem poderes. Publicada em 1999, depois do grande sucesso de O Reino do Amanhã (Kingdom Come, da DC Comics, de Mark Waid e Alex Ross, que também mostrava o futuro distópico do universo de Superman e Batman), a Marvel resolveu chamar Ross para fazer a sua versão do que aconteceria no Universo 616. A proposta era a de mostrar o que REALMENTE iria acontecer com o Universo Marvel, mas algumas discrepâncias editorias acabaram transformando aquelas histórias em uma dimensão alternativa. O QUE É O MAL? Na minha primeira aula de Cultura Religiosa na faculdade – a qual éramos obrigados a cursar, pois a PUCRS é uma universidade católica -, eu pensei que teria um repeteco das coisas que vi na catequese e nas inúmeras aulas de religião que tive ao longo de uma …

Eu cresci no Universo Marvel, por Joss Whedon

“Eu cresci no Universo Marvel. Eu tinha uns 10 anos quando entrei pela primeira vez. Ross Andru fazia o Homem-Aranha se balançar por toda Nova York. George Pérez tinha jogado os Vingadores na Contraterra. Foram os meus primeiros gibis, aquele pelos quais eu corria pra banca de jornal, mas logo estava lendo quase toda a linha da Marvel. Conhecia todas as histórias também; devorava todas as edições anteriores, origens e antologias que podia encontrar. Era um espaço rico e místico, cheio de grandes aventuras cósmicas e dramas pessoais. Um bom lugar para crescer. E a melhor parte de tido isso é que esse universo parecia estar crescendo junto comigo. Enquanto eu passava pela adolescência e me deparava com uma realidade sombria e mais complexa, a Marvel acompanhava cada um dos meus passos. As revistas, que já eram tão ricas, tornavam-se mais profundas e sombrias. Conceitos mais audaciosos, narrativa visual mais sofisticada. Os personagens era mais ambíguos, bem amarrados, torturados e adultos do que qualquer adulto pudesse suspeitar. Deathlock, Howard, o pato, Wolverine, Elektra. Estava a …

Sua arma mortal é a simplicidade: Invencível, de Robert Kirkman

Robert Kirkman foi responsável por uma revitalização da indústria de quadrinhos assim que sua série The Waking Dead começou a sair nos EUA. Quando os quadrinhos se transformaram  em série para a televisão, as vendas foram estratosféricas, atingindo patamares não vistos desde a década de 90. Mas não vou falar de Walking Dead aqui, embora ela “peque” pelo mesmos “deslizes” que a série em questão, que veio um pouco antes dos mortos-vivos. Estou falando de Invencível. Assim como Kurt Busiek fala na introdução do primeiro volume, eu custei a ler a série do super-herói de Kirkman, mas, quando engatei, não quis parar. Kirkman tem esse dom de envolver o leitor nas suas tramas, e ele não faz isso usando subterfúgios como o sensacionalismo ou a violência gratuita. Sua arma mortal é a simplicidade. Isso pode ser explicado se formos buscar as referências de Kirkman. Muitas vezes se fala que o autor é ardoroso fã de quadrinhos, assim como Busiek, porém representante nato de outra geração.  Uma geração que nos trouxe Brian Michael Bendis e seu …

A eternidade está catatônica: representações recorrentes na obra de Jim Starlin

Mais conhecido como o criador do personagem Thanos, Jim Starlin também é renomado por suas space operas no universo de quadrinhos de super-heróis, redefinindo o conceito de sagas cósmicas. Além de desenvolver grandes arcos de histórias e de ter trabalhado com praticamente todos os super-heróis da Marvel e da DC, Starlin também é dono de características próprias, que definem suas obras. Uma de suas maiores criações independentes, Dreadstar, é um de seus melhores trabalhos. Através de Dreadstar, – que foi publicado primeiro pela Epic (Marvel), depois pela First e compilado pela Dynamite – podemos visualizar toda sua temática e narrativa visual. Então vamos falar de alguns desses elementos mais utilizados por Starlin. Em itens!!! 1. ASPECTOS EM UMA PÁGINA Assim como Neil Gaiman, Starlin trabalha muito com conceitos, mas, diferente do inglês, Starlin lida, vamos dizer, “de frente”, com eles. Há uma encarnação da morte e há uma encarnação da eternidade. Temas religiosos, como suicídio, morte e ressurreição (Starlin teve educação católica) se mesclam com temas “cósmicos”, como o caos, a ordem, a eternidade e …

Imagine a Marvel (opa, Stan Lee) criando a DC Comics

Uma análise das revistas Imagine DC Comics de Stan Lee que saíram aqui no Brasil no início da década passada. No início dos anos 2000, com o desligamento total de Stan Lee da Marvel Entertainment Group, logo depois da empresa pedir falência e quase deixar de existir, “O CARA” criou seu próprio universo de super-heróis para a web, a Stan Lee Media e, depois, a POW! Entertainment. Então, em 2001, a DC o convidou para reimaginar seu universo através da visão da Marvel (opa, de Stan Lee) na série Just Imagine Stan Lee Creating…, No Brasil, as revistas saíram no ano seguinte, apenas chamadas Imagine… de Stan Lee.  O resultado foi bem, hã, interessante na maioria dos casos. Mas há certos ícones que, por mais que se mexa, não se pode mudar sua essência. A não ser que se invente uma história totalmente nova.  Antes de analisar brevemente caso a caso, com alguns gráficos, gostaria de explicar os critérios. Roteiro e arte, todo mundo sabe o que é. Marvelismo é como os personagens ficaram semelhantes a …

Matt Fraction: Less is More, Moore is Lessie, and why try to be a Grant Morrison wannabe?

Ah, Matt Fraction, eu não sei o que faço com você. Se te amo ou te odeio, ou se continuo a ficar no meio. Termo. O fato é que o trabalho de Matt Fraction é inconstante. Lendo as páginas do especial que a Panini lançou de Os Defensores, percebi o quão bom narrador ele é. Não que eu já não tenha percebido isso em outras publicações, mas porque todo esse esforço exagerado para parecer cool e criar um estilo “próprio” em Casanova? Ou eu sou muito muito burro, ou não entendi a que veio a série. Era pra ser divertida? Talvez. Mas ela usa as referências de uma maneira que afasta e não envolve o leitor. Fraction começou como escritor independente, nas publicações The Five Fists of Science e Casanova, esta última em parceria com os ótimos artistas brasileiros Gabriel Bá e Fábio Moon. Logo depois, apadrinhado por Ed Brubaker, iniciou uma parceria com o mesmo no elogiadíssimo O Imortal Punho de Ferro, da Marvel, que reimaginava a mitologia de Danny Rand, o lutador de …

A História em Quadrinhos de Super Heróis Definitiva

E se eu perguntasse qual seria para você a obra que define o gênero dos quadrinhos de super-heróis? O que você me responderia prontamente? Watchmen? O Cavaleiro das Trevas? Grandes Astros: Superman? Eu discordaria. Não acho que seja nenhuma daquelas. E talvez a resposta surpreenda você. Primeiro vou justificar porque as obras acima não cabem no pressuposto: todas elas sim, homenageam a indústria e a mitologia dos super-heróis, mas todas de certa medida se utilizam da reconstrução do gênero. Elas não reverenciam o gênero em si, mas o refazem, o repensam, refletem. Sim, são muitos RE’s. “A sociedade Ocidental legitimou o invencível Superman, que os serviu quando o sistema era ameaçado por um inimigo invencível. O Batman apareceu quando Dick Tracy não estava mais disponível para lidar com os grandes crimes. O Homem-Aranha se juntou ao elenco de heróis quando nós não éramos mais inocentes o suficiente no que tangia à perfeição dos nossos super-heróis; e o Spirit veio quando deveria haver um caso perfeito de heroísmo que não eraa terá natal de homens e …

Super-herói tem é que ser é bem macha!

Os gays ainda são vistos com grande preconceito pelos leitores de quadrinhos de super-heróis e, ainda por cima, pela mídia especializada, principalmente no Brasil. Apesar dos esforços da indústria de entretenimento, que vê no segmento gay uma mina de ouro, por causa do Pink Money, essa estigmatização parece estar longe de acabar. Este é mais um texto influenciado pela leitura de Flex Mentallo, que apesar de eu ter dito aqui que tem subtexto erótico, nessa última leitura percebi que não é bem sub esse texto. Ele está lá pra quem quiser ver. Mas não vou me fixar no Flex, não. Mas nas reações dos fãs e, principalmente dos brasileiros e da mídia especializada quando se trata da homoerotização dos super-heróis. Todos nós sabemos que essa indústria de entretenimento é famosa por suas heroínas voluptuosas, de seios e coxas grandes, de decotes e collants apertados. Apesar das críticas “feministas”, muitos fãs adoram isso. Não há nada de errado em glorificar um corpo saudável. Ora, então, porque não adorar que super-heróis homens usem collants agarrados na pele …

Mais Blá, blá, blá…

Ou como aprender com a evolução do conflito entre super-heróis pode ajudar nos conflitos dos dias de hoje. Não é de agora que os fãs de super-heróis debatem para saber quem é o ser mais poderoso: Thor ou Hulk? Superman ou Capitão Marvel? E não faltaram histórias para ilustrar estes embates, mesmo quando trataram do enfrentamento entre heróis de editoras rivais. Em resumo, sim, histórias de super-heróis sempre envolvem dar e levar porrada e resolver as coisas através da violência, que sempre deve ser canalizada de uma forma construtiva. Mas trazem também conflito de ideais. O vilão quer destruir a cidade e o herói quer salvá-la. Ou ainda, o Superman quer salvar Metrópolis e o Homem-Aranha quer salvar Nova York. E, na base dos socos e pontapés, eles resolvem tudo. Discutir posições nem sempre foi o forte desta indústria de entretenimento. Geralmente, as motivações e caracterizações dos heróis estão lá, disponíveis todo o mês, e elas não mudam. As motivações dos vilões são reveladas no último instante da história enquanto o herói está amarrado ou …

Os Arquétipos e os Super-Heróis da Marvel

Os arquétipos funcionam de certa forma como instintos que guiam e moldam nosso comportamento. As mitologias, bem como os arquétipos, ajudam as pessoas a encontrarem suas identidades, ajudam-nas a em sua luta para entender o universo e o lugar que ocupam nele. Segundo Randazzo (1997, p. 32), os meios de comunicação têm o papel de transmissores da mitologia dos arquétipos, capitaneados pela publicidade geradora de modas e padrões que orientam as massas. No âmbito racional, os super-heróis se identificam com o arquétipo das Cenas do Cotidiano, quando em sua identidade secreta, seu alter-ego mortal. Ao demonstrar, incertezas, pouco conhecimento de si, ao se projetarem em oura pessoa que admiram, como fazem os super-heróis humanizados da Marvel, se aproximam mais dos leitores por serem identificados em suas fraquezas. Esses personagens além de lutar contra seus inimigos têm de batalhar para sobreviver, portanto, têm uma forte consciência das suas responsabilidades e obrigações, conforme diz o lema do Homem-Aranha: “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”, tendo para si a crença de que tudo se realiza com esforço, mesmo …

Peripécias de Publicações dos Periódicos dos Paladinos Premium e Platinum Passando Posteriormente Para a Poderosa Panini

A Editora Abril foi a editora que teve os direitos de publicação dos super-heróis por mais tempo, mas apresentava alguns problemas que desagradavam os leitores. Os cortes de páginas, o salto nas cronologias, edições não publicadas, quadrinhos redesenhados. “Tudo isso levou alguns leitores a consumir as edições originais americanas, criando um mercado que até então não existia” (Diogo, 1997, p.31). Com a chegada do primeiro filme dos X-Men aos cinemas, em 2000, a Abril resolveu mudar sua tática e o formato de suas revistas de super-heróis. Com o mercado de quadrinhos em retração, e a não-renovação do seu público, os editores resolveram se voltar aos colecionadores com o que foi chamado de Super-Heróis Premium, conforme descrito no site do Correio Brasiliense: “(…) a editora vai cancelar doze revistas e substituí-las a partir de agosto, por cinco publicações em formato americano (o formatão de 17 cm x 25,8 cm), com capa em cartão plastificado e 160 páginas em papel tipo de luxo (tipo couché). A nova concepção da editora modificará uma tradição dentro do mercado de …

A Trajetória da Publicação dos X-Men no Brasil

A primeira revista a trazer uma história dos X-Men editada no Brasil foi Edições GEP, da GEP – Gráfica e Editora Penteado –, lançada em 1969, segundo a revista Wizard[1]. Com um formato próximo ao das revistas americanas, a revista trazia a capa colorida enquanto o miolo era preto e branco. O diferencial desta revista é que, devido ao seu formato, algumas páginas eram preenchidas por histórias inéditas dos X-Men desenhadas por artistas nacionais, entre eles Gedeone Malagola. A revista durou apenas 13 números. Nem todos eles continham histórias dos mutantes. Após dez anos sem histórias próprias publicadas no Brasil, os X-Men voltaram às bancas em 1979 pela RGE – Rio Gráfica e Editora –, atual Editora Globo, no título Almanaque do Hulk. Em 1984, com a passagem dos direitos de publicação da Marvel Comics para a Editora Abril, os X-Men passaram a ser publicados em formatinho na revista Superaventuras Marvel do número 14 ao 72. Depois de uma passagem pelo último número da revista Heróis da TV e  cinco anos sendo publicados em Superaventuras …

Breve História do Grotesco nos Quadrinhos Americanos

Antes de entrarmos na área dos quadrinhos, seria interessante traçarmos uma definição de Grotesco. Segundo Thiane Nunes em seu livro Configurações do Grotesco, “O Grotesco marca a modernidade, principalmente pela dissonância que revela entre o homem e o mundo. É uma marca de mal-estar. Quando o que se é familiar se torna estranho ou sinistro, as proporções naturais se dissolvem, dando lugar ao sonho, à imaginação ou à realidade que transcende a normalidade”. Assim exposto como o Grotesco marcando a modernidade, é seguro afirmar que quando mais avançamos no tempo, mais representações do grotesco teremos em nossa sociedade. Não por acaso, aconteceu a mesma coisa com os comics, uma forma de arte e expressão recente, que, como todas as artes, teve sua dose de crítica e castração, mas acima de tudo sempre foi considerada uma arte menor, devido aos preconceitos de público, formato e difusão enquanto cultura massificada. Por isso, expor o grotesco nos quadrinhos sempre foi uma contradição devido a esses preconceitos, porém, segundo o esteta francês Jean Onimus: “o grotesco é um estado …

Desmitificando os Super-Heróis, por Manuel Jofré

“A ideologia burguesa tem como função objetiva inverter a realidade. Nega a existência de classes sociais, definindo os homens como um todo coerente e unido, por exemplo. Ou, em outro momento histórico, não se preocupa em negar as classes sociais, as quais aceita, senão que nega a luta de classes e propõe, em toca, a possibilidade de ascensão social para alguns (arrivismo). Também pode propor soluções universais pra os conflitos: o amor (assexuado, evidentemente). O papel da ideologia é eliminar as contradições que os homens e o sistema social capitalista possuem. Nega ou deforma o fato histórico de que existem países desenvolvidos e subdesenvolvidos (fixando o espaço das histórias em quadrinhos numa terra de ninguém, como, por exemplos, nos casos do oeste, da selva ou da Gotham City de Batman), nega a existência da burguesia e do proletariado (colocando o rico como paternalista e o pobre como delinquente, vivendo em harmonia), nega a transformação social (propondo um mundo circular onde sempre triunfam os super-heróis, seja Batman, Tarzan ou Zorro), nega a propriedade privada dos meios …

O TransGênero Super-Heróis

“Girls who want boys who like boys to be girls who do boys like they’re girls who do girls, like they’re boys Always should be someone you really love”. Blur – Girls and Boys Essa semana a DC Comics anunciou a revelação do que seria o primeiro personagem abertamente transgênero dos quadrinhos mainstream. Ela seria Alysia, a companheira de casa de Barbara Gordon, a Batgirl. A personagem já havia aparecido desde o primeiro número da série da filha do Comissário Gordon, mas a revelação aconteceu somente no número 19, deste mês. A  roteirista responsável pela criação de Alysa, Gail Simone, foi demitida pela DC Comics através de um e-mail e foi substituída por duas edições. Até que a manifestação dos fãs fez com que a escritora retornasse ao título. Além de conhecida por seu humor em séries como Deadpool, Agente X, Aves de Rapina e Sexteto Secreto, Simone, também é uma grande debatedora dos papéis de gênero nos quadrinhos. Antes de se destacar como roteirista, Gail possuía um site chamado Women in Refrigerator, que aludia …

As Eras dos Quadrinhos – Post Scriptum

Contrariando as previsões de Mark Millar, de que a indústria de comics teria um ritmo de crescimento menor na década de 2010 e também a despeito da crise econômica mundial que se abateu sobre os EUA e o mundo a partir de 2008, o mercado de quadrinhos vai muito bem, obrigado. Segundo dados do ICV2, entre 2003 e 2013, o crescimento foi de 96%. Isso se deve, em grande parte, para o grande destaque dos comics em outras mídias, seja em animações, séries de TV, filmes e até mesmo a internet. Em 2 de maio de 2008 estreava o filme do Homem de Ferro, o primeiro do Marvel Studios, que pretendia fazer nas telonas o que já era feito nos gibis: um universo interligado. A estratégia deu certo, e nos anos seguintes seriam lançados Thor, Capitão América – O Primeiro Vingador, além do segundo filme do latinha. Tudo isso para culminar em 2012 com um dos maiores fenômenos do cinema, The Avengers – Os Vingadores, reunindo todos estes personagens. O filme teve a maior abertura …

As Eras dos Quadrinhos – Parte 8

A Era da Incerteza – Eu sou o melhor no que faço, mas o que faço não é nada bonito! Com a influência dos quadrinhos independentes, do mercado direto e restrito e o código menos rígido, o caminho estava aberto para obras como Batman, o Cavaleiro das Trevas e Watchmen, que, para o bem ou o mal, redefiniram os modelos de quadrinhos de super-heróis. Foi o tempo em que os heróis não precisavam de motivos para ser violentos, e a grande maioria era cruel e raivosa, numa tradução literal do termo grim’n’gritty, uma expressão cunhada para representar o resultado da má interpretação do tom que empregaram Moore e Miller por autores menos célebres. Os protagonistas eram sombrios, portavam grandes armas e faziam cara de mau, rangendo os dentes nas capas. Fazia-se um contraponto à nobreza da Era de Prata e ao cinismo da Era de Bronze. Nesse período, a arte passou a ser mais valorizada. Grandes desenhistas passaram a receber grandes quantias por seus trabalhos e os fãs compravam revistas em grandes quantidades. As bad …

As Eras dos Quadrinhos – Parte 7

Período de Transição C – Avante, compradores! No início dos anos 1980, um organizador de convenções de quadrinhos chamado Phil Seuling abordou as principais editoras de quadrinhos dos Estados Unidos para desenvolver um sistema de compra e distribuição de suas revistas diferente do que estavam costumados a utilizar. O mercado direto dos comic books se iniciava com a edição de estréia da mutante Cristal (Dazzler#1, de 1981) pela Marvel Comics. A edição vendeu mais de 400 mil cópias, praticamente o dobro da média de vendas dos gibis normais. A principal característica do mercado direto era, no início, a compra de revistas pelas empresas diretamente da editora, sem a possibilidade de retornar as edições não vendidas em troca de créditos, como era feito no sistema de consignação, com bancas de revistas e outros pontos informais de venda. No lugar deste benefício perdido, ganhavam maiores descontos, facilidades na compra e, principalmente, exclusividade. Algumas edições eram lançadas apenas neste tipo de mercado: assim, o custo de oportunidade de novos títulos se tornou menor, e as editoras passaram a …

As Eras dos Quadrinhos – Parte 6

A Era de Bronze – Morte, o grande momento da vida O exemplo utilizado por Blumberg como a crise que estabelece novos paradigmas é a morte de Gwen Stacy, namorada do Homem-Aranha, publicada originalmente em Amazing Spder-Man #141 (Junho de 1973). A história, aqui, serve como o divisor de águas, a crise mencionada por Kuhn. A história inovava ao condenar uma personagem querida dos leitores a uma fatalidade, coisa até então impensada para o gênero. Os editores discutiram se o melhor para Peter Parker e Gwen Stacy era o casamento ou a morte. Decidiram pela morte. Este acontecimento redefiniu estatutos, os mesmos de que Eco falava anteriormente, de que o herói não deve se consumir. O fim de Gwen abriu espaço para mortes mais grandiosas como da Fênix e de Elektra. Era isso que o zeitgeist pedia. No início da década de 70, muitos jovens americanos tinham de encarar a morte de frente, sendo levados a combater no Vietnã por uma derrota anunciada. O escândalo Watergate desfez a imagem icônica que os ianques tinham de …

As Eras dos Quadrinhos – Parte 4

Era de Prata – Uma nova esperança Para estabelecer uma nova era, conforme a teoria de Kuhn, uma mudança de paradigma deve ser identificada. Essa transformação era preparada com o período de transição, pois um novo plano de fundo para as histórias já estava presente em algumas edições de horror e crime que abordavam os avanços da ciência. A ficção científica era um gênero novo e uma boa saída, já que guerra, crime e horror estavam fora da ordem do dia. A ciência nunca foi tão festejada como na Era de Prata, principalmente nos heróis re-imaginados por Julius Schwartz. “Se nos anos de ouro muitos dos heróis tinham suas histórias calcadas no místico e no mitológico, no final da década de 50, com a corrida espacial e a iminência de uma guerra nuclear entre a URSS e os EUA, parecia mais apropriado que os heróis fossem produtos legítimos da ciência, mesmo que fantásticos demais”, nos diz Roberto Guedes, confirmando que não apenas as revistas em quadrinhos estavam mudando, mas todo o mundo ao redor delas. …

As Eras dos Quadrinhos – Parte 2

A Era de Ouro – Agradando Gregos e Romanos            A expressão “Era de Ouro” é geralmente usado para classificar um período de tempo em que um determinado gênero, arte, ciência ou civilização atingiu seu auge, e manifestou com maior esplendor os valores que o norteiam. Dessa maneira, no que se refere à sociedade, temos, por exemplo, a Era de Ouro da China, do Islã, da Inglaterra.   A origem do termo vem da Grécia e da Roma antigas, da referência que seus poetas faziam a um tempo em que a humanidade vivia em uma utopia e era pura. O autor grego Hesíodo descreve as Cinco Eras do Homem, dividindo-as em Era de Ouro, de Prata, de Bronze, Heróica e de Ferro. Todas elas se iniciam com a criação de uma nova raça humana e se encerram com a destruição da mesma, seja pelo titã Cronos ou por Zeus. A exceção é a Era Heróica, em que viveram Hércules, Teseu, Perseu e Aquiles, encerrada com a Guerra de Tróia, na qual muitos campeões pereceram. A mitologia …