Todos os posts com a tag: quadrinho underground

Os Tipos de Conflito Que Encontramos nos Quadrinhos

Quando falamos em conflito nos quadrinhos não queremos dizer apenas confrontos violentos e físicos, que são encontrados mais facilmente nos quadrinhos de super-heróis. Quando falamos em conflito queremos falar sobre os embates que o personagem principal de uma história em quadrinhos precisa enfrentar para atingir seu objetivo, ou então, para levar a sua vida com tranquilidade, retornando ao ponto de descanso do início da história. Assim, resolvemos trazer para vocês algumas das várias formas que o conflito pode assumir nas histórias em quadrinhos e alguns exemplos das mesmas. Sigam-me os brigões!

Gen: Pés Descalços: o Célebre Mangá Autobiográfico de Keiji Nakazawa

Enquanto os americanos possuem uma extensa tradição em produzir quadrinho autobiográficos, principalmente a partir do advento dos quadrinhos undergrounds, é difícil ver mangás autobiográficos que cruzam a fronteira do Japão e chegam ao Ocidente. Uma honrosa exceção é Gen: Pés Descalços, o célebre mangá sobre a queda da bomba atômica sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. Composto de dez volumes em mangá, foi publicado no Brasil pela Editora Conrad e também foi transformado em anime. Gen serve como um aviso para as próximas gerações dos horrores que a guerra e seu último recurso, a bomba atômica podem causar nas vidas das vítimas. Vamos falar um pouco mais sobre Gen: Pés Descalços e a sua importância.

Melhores e Piores Leituras de Fevereiro de 2019

Cinquenta! Cinquenta, caros mergulhadores! Temos cinquenta miniresenhas de quadrinhos e de livros sobre quadrinhos de diversos tipos neste mês de fevereiro. Com certeza um recorde! Nem um (ou nenhum) site que é mantido por diversas pessoas traz esse número de minirresenhas para vocês por mês! E esse aqui, na prática, é mantido apenas por um (com algumas colaborações bem esporádicas). Então, sente-se num lugar bem confortável que tem muito muito muito texto para ser lido a seguir e muitos quadrinhos (bons e ruins) para você chegar (ou não) a uma conclusão sobre eles!

Melhores e Piores Leituras de Janeiro de 2019

Janeiro está indo embora. Mas o calor, ah amigos mergulhadores, esse parece que chegou para ficar… Quem pode, foge para os ares condicionados ou para a festa na piscina do Tony Stark. E quem não pode, bem, continua como sempre ficou: sofrendo. E esse nosso amigo Donald Trump e seu séquito terraplanista que acha que efeito estufa não existe, né? Para quem pode ficar no ar condicionado com limusine, não existe mesmo. Bem, meus amores, agora está na hora das nossa melhores e piores leituras do mês de janeiro, depois da batelada de melhores e piores leituras de 2018. São 30 minirresenhas dos mais diversos tipos de quadrinhos, então acompanha aí, vai!

Melhores e Piores Leituras de Outubro de 2018

Olá mergulhadores! Vocês se lembram daquele videogame e daquele quadrinho em que o Superman usa seus poderes para estabelecer uma ditadura tirânica sobre o planeta Terra e o Batman e aliados tentam derrubar o déspota? Pois é, se lembrem dessa história. Querem saber o motivo? Hum… É que tem o review do volume final de Injustiça: Deuses Entre Nós esse mês (e o começo de outra leva de Injustiça… cof… cof…). Este mês temos 32 mini reviews para todos os gostos. De tirinhas a livros teóricos, de super-heróis a autobiografias em quadrinhos. Trinta e dois ao todo, quatro mais ou menos e cinco ruins, o resto tudo bão. Aproveite enquanto ainda podem ler minhas resenhas. Tomorrow never knows.

Melhores e Piores Leituras de Setembro de 2018

Neste mês que passou, mais conhecido como setembro de 2018, foi o mês em que estive na Bienal de Quadrinhos de Curitiba, participando de alguns painéis e do artist alley. Também aproveitei para ler bastante por lá, muita coisa que comprei e troquei lá mesmo. Mas eu ando reparando que estou me tornando um velho chato e que ninguém escapa disso. Nos outros anos, havia no máximo três quadrinhos ruins na seção de ruins, agora são no mínimo quatro. Ou sou eu ou os quadrinhos tão ficando piores. Sei lá. Bem, neste post temos quase quarenta minirresenhas do mês de setembro, dentre as quais sete são ruins. Leia por sua conta e risco e tire suas próprias conclusões.

O Potencial Poético dos Quadrinhos

Existem alguns quadrinhos que, além de apenas contar uma história, uma narração, acabam trazendo um terceiro significado, que pode ser interpretado ou não, mas deixa o leitor com uma pulga atrás da orelha. Isso é aquilo que o grande teórico francês dos quadrinhos, Thierry Groensteen chama de quadrinhos poéticos. Ou seja, quadrinhos que ultrapassam a sua função enquanto prosa e alçam vôo para novos sentidos além da mera narrativa. Os quadrinhos poéticos, em um nível restrito, possuem uma significação que vai além do que está impresso na página e pode gerar um “terceiro” sentido. A presença de uma interpretação além do que está mostrado e ocorrendo em uma história em quadrinhos poderia justificar a dissonância cognitiva que existe na leitura de pessoas que não enxergam algumas mensagens humanistas em trabalhos como X-Men e Star Wars.

10 Capas de Álbuns de Rock Inspirados na Linguagem dos Quadrinhos

Duas coisas que não saberia viver sem são quadrinhos e música. Mas nem sempre que eles se encontram as coisas saem direitinho, mas algumas vezes saem. Existem muitas capas de rock que foram desenhadas por renomados artistas de quadrinhos, assim como existem alguns artistas de quadrinhos, como Mike Allred, que já se aventuraram a gravar álbuns de rock. Os quadrinhos undergrounds de Robert Crumb e o rock tem muito a ver entre si e a contracultura. Mas neste post escolhemos 10 capas de álbuns de rock que se utilizam da linguagem dos quadrinhos (layouts, requadros, balões, personificação) para comunicar com seus comunicadores. Então, estão preparados? Let’s rock! (and roll).

Os Embasbacantes Quadrinhos de Lino Arruda e Sua Vida como Homem Trans

Se encontrarmos mulheres trans fazendo quadrinhos já é difícil, imagine só encontrar um homem trans realizando essas atividades? Sabemos que a indústria, o mercado e a criação de quadrinhos é um meio incrivelmente machista, tanto por parte daqueles que produzem como daqueles que os produzem. Portanto, dar visibilidade para pessoas que, apesar das dificuldades e dos preconceitos conseguem fazer com seu trabalho seja visto, é algo de se aplaudir. Dando continuidade ao mês da visibilidade e do orgulho LGBTQI+, vamos apresentar para você um pouco do trabalho do Lino, que tem por base a comparação das transformações do corpo (e dos gêneros) com as transformações dos monstros.

Existe “Lugar de Fala” Para Personagens de Quadrinhos?

Mesmo hoje em dia, quando as discussões de lugar de fala e sujeito do discurso, de apropriação de xingamentos pelas minorias, as editoras continuam publicando e republicando expressões errôneas em seus lugares de fala. E elas nem sempre são proferidas por vilões. São personagens dizendo “viado”, “crioulo”, “boiola”, e tanto outros xingamentos que, se fossem publicados em quadrinhos undergrounds, passariam ilesos, dado o caráter da publicação. Mas e quando essas palavras estão na boca de personagens mainstream queridos e conhecidos, quais problemas podem ocorrer? Vamos ver Kitty Pryde xingando negros e Luke Cage sendo homofóbico (mas só no Brasil!). É sobre isso que vamos falar agora!

1972: O Ano do Start dos Quadrinhos Autobiográficos

Se 1986 foi o ano que alavancou os quadrinhos mainstream dos Estados Unidos para um outro patamar com a publicação de Watchmen e Cavaleiro das Trevas, com certeza sem o anos de 1972 isso não teria acontecido. 1972 foi o ano em que os quadrinhos undergrounds americanos encontraram um caminho que viria a fazer eco ainda hoje: a verve autobiográfica. Vamos saber um pouco mais porque esse ano foi tão importante.

O negócio tá MAUS pra eles...

Por que ler os (quadrinhos) clássicos?

Muitos se perguntam por que quadrinhos um leitor iniciante da mídia deveria começar. É verdade que existem inúmeros “cânones” dos quadrinhos como Little Nemo in Slumberland, Terry e os Piratas, Os Sobrinhos do Capitão, Popeye, Mandrake e até certas obras dos quadrinhos de super-heróis. Mas o que são os clássicos dos quadrinhos? Na literatura podemos contar com a Odisséia, as Metamorfoses de Ovídio, a Divina Comédia, e até a Bíblia como livros clássicos. Mas e os “clássicos dos nossos tempos”, onde se encaixam? Para isso invoco o livro Por que ler os clássicos, de Ítalo Calvino, para tentar nos fazer compreender essa clássica bagunça. No livro de Calvino, antes de definir clássicos, ele busca definir o que é um clássico e faz isso através de 14 itens, os quais vou tentar transportar para o âmbito da nona arte, as nossas tão queridas histórias em quadrinhos. Vamos lá, então. Apertem seus cintos e a qualquer caso de despressurização, máscaras de personagens de quadrinhos cairão automaticamente na sua cabeça. As setas laterais você pode utilizar para fugir …

Quadrinhos LGBT para todo o tipo de público (Lá Fora)

Azul é a cor mais quente foi apenas um dos quadrinhos que podem ser considerados “LGBT”, a ganharem notoriedade. Exemplos temos vários. Um dos pioneiros dos quadrinhos undergrounds gays, Howard Cruse conseguiu emplacar com a Paradox Press, um selo da DC Comics, sua graphic novel Stuck Rubber Baby em 1995. A história um pouco inspirada na experiência de Cruse, conta a luta de Toland Polk ao lidar com sua sexualidade e também com o racismo em sua comunidade. Já nos quadrinhos europeus, um dos pioneiros é o alemão Ralf König, de quem eu já falei aqui. Seu quadrinho de maior sucesso é O Homem Ideal (Maybe… Maybe not/ Der bewegte Mann). Aqui no Brasil já saíram outros dois álbuns seus: Como Coelhos e E agora os noivos podem se beijar… . Todas as suas obras têm um tom carregado de humor sempre explorando as diferenças e semelhanças entre homo e heterossexuais. König já tem quatro adaptações de suas obras para o cinema, entre elas O Homem Ideal (Der bewegte Mann, 1994) e Como Coelhos (Wie …

My Friend Dahmer, de Derf Backderf (I)

My Friend Dahmer é uma graphic novel assustadora, impressionante, bombástica, real e atraente. Mas não é atraente da forma comum, mas sim, da forma que provoca os brios, da forma que nos arrepia e faz querer mais, como um passeio de montanha-russa ou no túnel do terror da vida real. Como assistir à um episódio de Law & Order: SVU ou a algum desses filmes de serial killers que pipocam por aí. Jeff Dahmer é um serial killer. Com mais de quinze vítimas em seu currículo, meticuloso e metódico, o criminoso só foi pego em Ohio quando um homem saiu correndo de seu apartamento, algemado e nu. Dahmer matava suas vítimas e mantinha relações sexuais com seus cadáveres. A graphic novel é contada do ponto de vista do autor, Backderf, que foi colega de Dahmer no ensino médio, onde o serial killer era mais um daqueles que não se encaixavam no cruel princípio de winners e losers do sistema educacional estadunidense. A diferença é que ele não estava nem aí para isso. Autobiografia x Biografia …

Breve História do Grotesco nos Quadrinhos Americanos

Antes de entrarmos na área dos quadrinhos, seria interessante traçarmos uma definição de Grotesco. Segundo Thiane Nunes em seu livro Configurações do Grotesco, “O Grotesco marca a modernidade, principalmente pela dissonância que revela entre o homem e o mundo. É uma marca de mal-estar. Quando o que se é familiar se torna estranho ou sinistro, as proporções naturais se dissolvem, dando lugar ao sonho, à imaginação ou à realidade que transcende a normalidade”. Assim exposto como o Grotesco marcando a modernidade, é seguro afirmar que quando mais avançamos no tempo, mais representações do grotesco teremos em nossa sociedade. Não por acaso, aconteceu a mesma coisa com os comics, uma forma de arte e expressão recente, que, como todas as artes, teve sua dose de crítica e castração, mas acima de tudo sempre foi considerada uma arte menor, devido aos preconceitos de público, formato e difusão enquanto cultura massificada. Por isso, expor o grotesco nos quadrinhos sempre foi uma contradição devido a esses preconceitos, porém, segundo o esteta francês Jean Onimus: “o grotesco é um estado …

As Eras dos Quadrinhos – Parte 5

Período de Transição B – Santa relevância social, Batman! As mudanças de paradigma geralmente se concretizam em decisões editoriais. Julius Schwartz definiu o início da Era de Prata e deu os primeiros passos para o fim deste período. As histórias do Batman, editadas por Sheldon Moldoff, traziam o herói sofrendo todo o tipo de mutação: havia o Batman bebê, o Batman alienígena e até o Batman zebra. Para defender-se das acusações que Wertham fez de uma relação homossexual entre Homem-Morcego e Menino Prodígio, a National havia providenciado a eles uma família com Batwoman, Batgirl, Ace – o Batcão e Bat-Mirim. Nada disso impediu que as vendas despencassem e o público perdesse o interesse no personagem. Estas histórias traziam elementos muito comuns da Era de Prata na DC Comics, como as famílias de heróis (Superman também tinha a sua), animais de capa e mudanças temporárias de toda sorte que colocavam os personagens-título em situações absurdas. Schwartz foi chamado para reverter a situação em 1964. Removeu das histórias do morcego os elementos bizarros que vinham de uma …