Todos os posts com a tag: scott mccloud

A Narrativa das Cores nas Histórias em Quadrinhos

Muita gente considera o trabalho de cores algo de segundo escalão em uma revista em quadrinhos. Muitas editoras também, muitas vezes deixando os coloristas de fora dos créditos principais de uma revista, ou da capa de algumas edições. A verdade é que as cores são tão importantes num quadrinho quanto um texto ou um desenho, pois elas acrescentam uma dimensão maior a toda atmosfera que estamos experimentado em um quadrinho.

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O Design da Página de Quadrinhos

Os estudos da História da Arte e do Design podem ajudar um quadrinista a compor o layout das páginas dos seus quadrinhos. Porém, também é preciso entender como se dá a leitura e a compreensão das palavras e imagens, sejam em separado ou em adição, para que a página de um quadrinho seja processada na nossa mente. Este artigo fala um pouco sobre estes estudos e processos.

Os Melhores Quadrinhos e Graphic Novels segundo o GoodReads

O GoodReads, para que não conhece, é uma rede social de leitura de livros, entre eles, claro, estão, quadrinhos e graphic novels. Todo ano no site acontece o GoodReads Choice Awards e ano passado não foi diferente. Então como um pretexto para que você conheça o GoodReads eu vou listar aqui os quadrinhos e graphic novel melhores avaliados pelos usuários do site em 2015. Mas atenção: apenas aqueles disponíveis no Brasil, valeu?

Mapas temporais

Painéis em pixels ≠ Painéis no papel: as diferenças entre o quadrinho digital e o analógico

Hoje em dia os quadrinhos digitais vêm se proliferando de maneira incrível, principalmente aqueles em aplicativos para dispositivos móveis. O que ainda não chegou a um consenso foi a maneira como esses quadrinhos devem ser apresentados. Não existe um padrão e provavelmente nunca existirá. Erik Loyer, um criador de quadrinhos digitais, responsável pelas séries Upgrade Soul e Ruben & Lullaby acabou de lançar um vídeo sensacional sobre quadrinhos digitais chamado Timeframing: The Art of Comics on Screens, uma análise profunda de como as telas e os quadrinhos podem trabalhar em conjunto. O vídeo, você pode assistir abaixo, mas eu vou fazer aqui um apanhado geral para você acompanhar se não entende inglês. PARA ALÉM DA DEFINIÇÃO Em seu revolucionário livro Desvendando os Quadrinhos, Scott McCloud cunhou a seguinte definição para os quadrinhos: “Imagens pictóricas ou outras justapostas em sequência deliberada”, porém, com o advento dos quadrinhos digitais, em seu livro seguinte, Reinventando os Quadrinhos, McCloud resolveu transformar sua definição no seguinte termo, os quadrinhos agora são “um mapa do artista para o próprio tempo”. Segundo …

O negócio tá MAUS pra eles...

Por que ler os (quadrinhos) clássicos?

Muitos se perguntam por que quadrinhos um leitor iniciante da mídia deveria começar. É verdade que existem inúmeros “cânones” dos quadrinhos como Little Nemo in Slumberland, Terry e os Piratas, Os Sobrinhos do Capitão, Popeye, Mandrake e até certas obras dos quadrinhos de super-heróis. Mas o que são os clássicos dos quadrinhos? Na literatura podemos contar com a Odisséia, as Metamorfoses de Ovídio, a Divina Comédia, e até a Bíblia como livros clássicos. Mas e os “clássicos dos nossos tempos”, onde se encaixam? Para isso invoco o livro Por que ler os clássicos, de Ítalo Calvino, para tentar nos fazer compreender essa clássica bagunça. No livro de Calvino, antes de definir clássicos, ele busca definir o que é um clássico e faz isso através de 14 itens, os quais vou tentar transportar para o âmbito da nona arte, as nossas tão queridas histórias em quadrinhos. Vamos lá, então. Apertem seus cintos e a qualquer caso de despressurização, máscaras de personagens de quadrinhos cairão automaticamente na sua cabeça. As setas laterais você pode utilizar para fugir …

Os Bastidores da Criação: Leaping Tall Buidings, de Christopher Irving e Seth Kushner

Este é um livros sobre a história dos quadrinhos diferente. Muito mais do que contar o ponto de vista num plano geral da indústria de quadrinhos norte-americana, o livro com texto de Chistopher Irving e fotos de Seth Kushner, apresenta a visão dos criadores sobre sua produção e criação. O livrão, de capa dura e papel com gramatura alta, é muito bonito. Desde seu acabamento a diagramação. É editado pela Powerhouse, uma casa publicadora conhecida por seus livrões belíssimos e vanguardistas, como o livro Lovemarks, que grande parte dos publicitários deve conhecer. Mas o que torna esse livro mais bonito são as fotos de Kushner. São fotos posadas, como se víssemos um ensaio de nossos ídolos criadores de quadrinhos, em lugares urbanos, típicos das cidades que vemos nossos amigos super-heróis transitando. É difícil encontrar fotos boas dos criadores de quadrinhos. O que se encontra por aí e na Wikipédia, geralmente são fotos de convenções, com os quadrinistas vestindo crachás em roupas questionáveis. O texto também não fica à parte. Irving fez um ótimo trabalho conseguindo …

Graphic Novel é um gibi vitaminado. E é BomBril.

O termo graphic novel já virou lugar comum. A prova disso é a utilização da expressão na Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel da Salvat. Nenhuma da obras ali publicadas é, em essência, uma graphic novel. Muito menos foram escritas/produzidas para serem vendidas como tal. Porém, de um tempo para cá, qualquer quadrinho encadernado se torna uma graphic novel. Não importa se é uma coletânea de histórias publicadas anteriormente, se são coloridas ou em tinta preta, qual o acabamento do papel, se são capa dura ou brochura. Mas eu já falei sobre como funciona essa diferenciação na minha maneira de ver as coisas. Sabe qual a diferença entre gibi e quadrinhos? Tem aqueles que ficam na mentalidade gibi, que o mundo é maniqueísta, preto e branco, que nadam no volume morto dos super-heróis. Já os quadrinhos é toda essa vastidão oceânica que permite diversas comparações com um mundo aberto e sem barreiras, em que existem matizes e as coisas não são certas, em que deve se defender seus valores, podendo custar sua vida, mas lutando …

Sexo, Humor e Estilo em Tension de La Passion, da Beleléu

Assim como a música Sabão Crá-Crá, dos Mamonas Assassinas, Tension de La Passion, do coletivo Beleléu, envolve sexo, humor e variações de estilo, só que na forma de quadrinhos. Sem nenhuma pretensão a não ser fazer uma sátira aos romances melosos, também conhecidos como romances de banca, ou romances “cachaça” (como Bianca, Júlia e Sabrina), Tension de La Passion mostra várias formas de se interpretar graficamente uma história em texto. No caso, a história é a seguinte: “A noite me envolvia, quando François apareceu, misterioso e sedutor. Nossos corpos trêmulos se tocaram. No estupor do momento, perdi a razão. Nunca mais o vi, jamais o esqueci”. São muitos os artistas convidados para ilustrar o texto de Stêvz: Daniel Carvalho, Daniel Lafayette, Eduardo Arruda, Eduardo Belga, Elcerdo, Koostela, Ltg, Mateus Acioli, Pablo Carranza, Rafael Campos Rocha, Rafael Sica e o próprio Stêvz. A edição é um caderninho quadrado, impresso em magenta sobre papel pólen. Alguns exemplos da interpretação dos desenhistas para a história seguem ao longo do post, mas eu queria falar um pouco mais desses …

Quadrinhos e literatura

A escolha de Fun Home – Uma tragicomédia em família, de Alison Bechdel como livro do ano pela revista Time, em 2006 e American Born Chinese, de Gene Luen Yang, ter concorrido ao National Book Award gerou a polêmica: quadrinhos são literatura? O histórico de prêmios diria que sim. Afinal, Maus, de Art Spiegelman ganhou o Pulitzer em 1992. E a história Sonho de Uma Noite de Verão, de Neil Gaiman em Sandman ganhou o World Fantasy Award como melhor história curta em 1991. E Chris Ware, com seu Jimmy Corrigan ganhou em 2001 o Guardian First Book Award. Watchmen foi escolhido como um dos 100 melhores romances do século XX pela Time novamente. Mas o fato é que quadrinhos NÃO são literatura. Assim como quadrinhos NÂO são cinema. Eles são as duas coisas e também não são. As histórias em quadrinhos CONTÉM literatura e cinema. Assim como contém a pintura, por exemplo. Os quadrinhos não são um subgênero literário, ou uma divisão artística. Eles são uma coisa à parte. Eles são a nona arte, …

Criança que lê HQ junta, cresce junta!

A evolução da splash page

Blog às moscas. Estou lendo Reading Comics – how graphic novels work and what they mean, de Douglas Wolk. O livro é basicamente sobre crítica de quadrinhos, coisa  que é difícil você ver alguém falando sobre. Tem muitos livros por aí de crítica literária, de crítica musical,  de crítica de cinema, mas de quadrinhos é complicado encontar, mesmo em inglês. O livro é muto bom porque o autor não usa de literatice pra dizer  pra que veio, usa uma linguagem bem informal. E no caminho vai usando de autores consagrados como Kant e Horácio para explicar como os quadrinhos funcionam, sem esquecer Eisner e McCloud, as referências principais nessa área. Pretendo, então, colocar aqui algumas passagens do livro que me chamaram a atenção. Começo com a  evolução das splash pages, na minha tradução mega mal-feita: “Nos velhos quadrinhos havia uma tradição de abrir uma história com uma “splash page”, algo equivalente à “tomada emblemática” nos primórdios do cinem – um painel de tamanho maior na primeira página de uma história de quadrinhos de gênero que …