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Mães: a Nova Evolução das Super-Heroínas? A Silenciadora, Volume 1, de Dan Abnett, John Romita Jr. e Victor Bogdanovic

A Silenciadora fez parte de uma nova linha de heróis da DC Comics que veio na esteira de Noites das Trevas: Metal e foi o primeiro título da iniciativa a aportar aqui no Brasil. Ele trata da história de uma dona de casa e mãe de família negra que precisa rapidamente abandonar seus afazeres caseiros para dar conta de uma ameaça que vem do seu passado como assassina de aluguel. Esse passado envolve a organização Leviatã, de Tália Al Ghul e o fora-da-lei Exterminador. Agora, Glória Ventura, a Silenciadora, precisa cumprir suas tarefas do passado ao mesmo tempo que protege seu filho. Vamos falar um pouco mais sobre esta série e como algumas super-heroínas estão fazendo uma transição para o papel de mãe assumindo uma jornada dupla tão comum a tantas mulheres.

Melhores e Piores Leituras de Dezembro de 2019

Uhuu, mergulhadores! Chegamos ao último Melhores e Piores Leituras do ano de 2019! Foi um ano intenso e cheio de altos e baixos, mas sobrevivemos à experiência! E fiquem ligados que agora no mês de janeiro faremos nossa seleção das melhores leituras do ano que passou. Todas elas separadas por diversas categorias que vão do mangá ao fumetti, de quadrinhos Marvel e DC Comics aos quadrinhos brasileiros. De quadrinhos feitos fora dos Estados Unidos aos americanos. Por isso fique ligado no Splash Pages e, se quiser seguir o blog para não perder nenhuma novidade basta clicar no botão de seguir. E agora vamos às leituras de dezembro.

Trovão Azul: O Super-Herói Gay de Mark Millar

Trovão Azul (Blue Bolt) é um personagem criado por Mark Millar, Frank Quitely e Wilfredo Torres como um dos personagens das sagas O Legado de Júpiter e O Círculo de Júpiter. O mais interessante sobre o super-herói Trovão Azul é que ele se encontra em um período histórico dos Estados Unidos em que a situação dos homossexuais, homens ou mulheres, era bem peculiar: o final dos anos 1950 e início dos anos 1960, portanto, antes do movimentos civis homossexuais americanos que tiveram seu início marcado pela rebelião de Stonewall. Neste post vamos falar um pouco mais sobre esse personagem e sobre o contexto em que ele atuou com os heróis de O Legado de Júpiter, na equipe chamada A União.

Já falamos aqui no blog que a primeira parte de O Legado de Júpiter é um dos melhores quadrinhos já escritos pelo roteirista de quadrinhos escocês Mark Millar. A segunda parte, de O Legado de Júpiter, entretanto, na vontade se se transformar em uma batalha épica de super-heróis, acaba se perdendo em seu intento. O Círculo de Júpiter, por sua vez, é uma prequel para O Legado de Júpiter, mostrando os desafios e intempéries que os heróis da equipe A União precisaram passar para adquirirem o status que têm em O Legado de Júpiter. Tratam-se de histórias que revelam mais a personalidade e cotidiano dos Super-Heróis da União, do que exatamente histórias em que enfrentam forças do mal. Nesse sentido, O Círculo de Júpiter se assemelha mais ao Astro City, de Kurt Busiek, Alex Ross e Brent Anderson, série que também já falamos aqui no blog.

Ao fazer um quadrinho que envolve a mística dos super-heróis americanos e sua influência naquele país, Mark Millar quis fazer uma homenagem à esta nação, afirmando que possía até uma bandeira americana em seu quarto escocês quando era criança. Em declaração para o site Comic Book Resources, Millar chegou a dizer o seguinte sobre esse aspecto da história em quadrinhos:

É um país que, durante meu crescimento, sempre associei com as coisas cada vez maiores e melhores, e, portanto, vê-las se contraindo é realmente bastante aterrador. Isso serviu de inspiração para o pano de fundo desta história. Os super-heróis são impotentes diante dessa complexa situação, e é aí que as coisas começam […] Essa história é minha carta de amor para a América. Essa idéia de democracia e todos com a mesma opinião é tão fundamentalmente decente e algo que devemos valorizar […] Para mim, os Estados Unidos sempre foram ligados também a super-heróis. Talvez seja porque a Mulher Maravilha e o Superman estejam usando a bandeira americana. Parece uma boa analogia amarrar o final do Império Americano com esse grande e grandioso crepúsculo da história dos super-heróis.

Agora vamos falar sobre o Trovão Azul, mais especificamente. Recomendo, entretanto, assistir ao filme “De-Lovely: Vida e Amores de Cole Porter”, para que os leitores do blog possam ter uma noção do contexto dos Estados Unidos ainda maior do que aquela que passarei nas minhas explicações. O Trovão Azul é um cirurgião neonatal do Hospital Presbiteriano de Los Angeles chamado Richard Conrad, que possui um uniforme azul, poder de voar e de disparar raios através de um bastão de sua própria fabricação. Se você quiser associar a origem de seu poder e o fato de ele ser um homossexual enrustido com a necessidade de segurar um bastão para que seu poder se acione, fique à vontade.

Richard também possui conexões com a alta roda de Hollywood, incluindo a atriz Katherine Hepburn, que durante uma festa em sua mansão, lhe apresenta o seu jardineiro para que Richard fique “mais alegre”. É nesse momento que um espião de J. Edgar Hoover, o diretor da CIA, faz algumas fotos de Trovão Azul aos beijos e carícias com o Jardineiro de Hepburn. Richard Conrad é famoso, entre seus círculos, por sustentar diversos gigolôs, entre eles alguns michês. Hepburn também conversa com Trovão Azul sobre os “casamentos lavanda”, muito comuns em Hollywood naquela época. Esse tipo de casamento seriam os velhos casamentos de interesses em que uma pessoa homossexual se casa com alguém heterossexual do sexo oposto para que viva uma fachada, para disfarçar o aspecto homossexual da identidade de alguém famoso.

Esse tipo de estratagema era algo muito comum nos círculos de poder dos Estados Unidos em uma época que ficou conhecida como Pré-Stonewall, ou seja, anterior ao acontecimento que ficou conhecido como Rebelião de Stonewall, acontecida em junho de 1969 em Nova York, e foi um marco na busca pelos direitos civis das pessoas queer. O fato de Stonewall e outros movimentos civis dos direitos queer estarem sendo discutidos pela população ajudou a desmistificar a homossexualidade para a sociedade norte-americana. Também auxiliou muitos homossexuais a se assumirem perante a sociedade, fazendo com que muitos dos “casamentos lavanda” fossem desnecessários, embora esse costume persiste até os dias de hoje.

Na história de Trovão Azul, entretanto, o herói refuta a possibilidade de um “casamento lavanda”, embora comece a ser chantageado pelo diretor da CIA, J. Edgar Hoover acerca de sua atividade como homossexual. Hoover queria usar os poderes de Trovão Azul em benefício dos Estados Unidos e, por isso, achou por bem fazer uma chantagem com ele para que estivesse sob o seu domínio e, assim também ter sob suas asas toda a equipe da União.

Corria à boca pequena, entretanto, que o próprio diretor da CIA, J. Edgar Hoover, também era homossexual e tinha seu braço-direito como amante. Assim, depois de tentar o suicídio, Richard Conrad não se submete às chantagens do diretor da CIA e, magicamente para de ser atormentado por ele. Contudo, é revelado aos leitores no final da história que Hoover também foi manipulado. O super-herói companheiro de equipe de Trovão Azul, o Skyfox, acabou tirando fotografia de Hoover tendo relações sexuais com seu parceiro braço-direito na CIA, resolvendo chantagem contra chantagem e deixando o Trovão Azul ileso e livre da culpa, mantendo uma relação “don’t ask, don’t tell” com seus companheiros de A União, até o fim de suas atividades como super-herói.

Para saber mais sobre a vida de Hoover, assista ao filme J. Edgar, estrelado por Leonardo DiCaprio no papel principal, que conta a vida do diretor da CIA e o aspecto homossexual de sua vida. Círculo de Júpiter não é a melhor HQ de Mark Millar, longe disso, aliás, mas é importante para que os homossexuais de hoje em dia tenham um parâmetro super-heroico do passado de suas existências e perceberem que, nesse sentido, não conquistamos apenas muitos direitos, mas uma pequena quase ínfima aceitação da sociedade se comparado com a época em que éramos silenciados e não tínhamos a chance de protestar por uma existência mais digna. Abraços submersos em pétalas de lavanda!

10 Personagens dos Comics Que Rompem a Quarta Parede

Embora muitos leitores tenham em mente o que significa “quebrar a quarta parede”, poucos devem saber a origem da expressão. Ela vem do teatro, que é rodeado por três paredes concretas, as laterais e a do fundo, mais uma “quarta parede”, que é imaginária e que é representada pelo público para o qual os atores enquanto personagens se dirigem. No cinema, essa quarta parede é representada pela câmera. Romper ou atravessar a quarta parede significa, então, ter consciência do público e se dirigir a ele e, ao fazer isso, o personagem tem consciência de seu papel ficcional na narrativa que encena. Trazemos aqui dez personagens dos comics que tem consciência que estão em uma história em quadrinhos e quais as razões de saber tal coisa. Que comece a lista!

Vídeos em Comemoração aos 80 Anos do Batman e aos 60 Anos da Supergirl

O grupo de pesquisa em cultura pop, histórias em quadrinhos e mídias das Faculdades EST, o CultdeCultura produziu no ano de 2019 quatro minidocumentários falando a respeito dos dois aniversários super-heroicos mais importantes deste ciclo. Primeiro, foram produzidos dois audovisuais em duas partes com uma discussão a respeito do Cavaleiro das Trevas, o Batman. Depois, foi elaborado um outro minidoc na sequência falando de uma das personagens femininas mais queridas da DC Comics, que é a prima do Superman, Kara Zor-El, a Supergirl. Assim, convidamos a todos para assistirem e conferirem os quatro vídeos na sequência deste texto, nos links que seguem.

Melhores e Piores Leituras de Novembro de 2019

Olá mergulhadores! Chegamos a mais um final de mês e trazemos nossa infalível lista de melhores e piores leituras do mês! Em novembro foram mais de trinta leituras, entre as quais vinte e quatro foram boas e sete foram ruins. E não se esqueça que em dezembro começaremos nossas várias listas de melhores e piores de 2019. Você não pode perder! Enquanto isso, fique com nossas leituras de novembro, comentadas! Abraços submersos! Melhores REVISTA BANDA, VOLUME 1, DE VÁRIOS AUTORES O maior defeito desta revista Banda é que podia ter mais. Ficou um baita gostinho de “eu quero mais” e “é disso que o Brasil precisa” (hahaha) no final da leitura. Uma revista redondinha bem pensada, bem feitinha, bonita, organizada e com artigos e temas que impressionam pela qualidade não apenas do texto mas da investigação feita com fontes de peso sendo utilizadas para dar suas declarações. Sim, a revista poderia ter um formato maior, ou com mais conteúdo como uma revista literária ou um tamanho maior, como é outra revista brasileira sobre quadrinhos, que …

Os 30 Novos Títulos da Expansão da Coleção de Graphic Novels DC Comics da Eaglemoss Comentados

A editora Eaglemoss anunciou recentemente através do site Universo HQ que sua Coleção de Graphic Novels da DC Comics terá uma expansão de mais 30 edições, começando pela primeira parte de Mulher-Maravilha: O Ataque das Amazonas. Nesta postagem iremos comentar o conteúdo de cada um desses títulos que vem por aí e, no final, em nossa humilde opinião, se pretendemos ou não adquiri-los e por que razão. Um dos motivos de reclamações dos leitores sobre essa coleção é o aumento constante de preços. Os encadernados começaram a serem vendidos por um preço regular de R$ 49,90 a partir da quarta edição e chegaram a R$ 79,90 na edição 101 que será lançada agora. Por isso, saber escolher que encadernados levar é importante. Vamos à lista.

O Cinema de Autor Contra o Cinema de Super-Heróis

No mês de outubro de 2019, as notícias do mundo de entretenimento se viram engolidas por uma enxurrada de críticas aos filmes de super-heróis. Elas vieram principalmente da direção dos cineastas Martins Scorsese e Francis Ford Coppola, que afirmaram que os filmes da Marvel “não são cinema”, ou pior, que eram “desprezíveis”. É preciso lembrar que Scorsese e Coppola vêm de uma geração que salvou o cinema hollywoodiano nos anos 1970 assim como a Marvel e os filmes de super-heróis fazem hoje em dia. Também é preciso lembrar que dessa leva saíram George Lucas, que tem um approach no cinema muito parecido com o da Marvel, com a franquia Star Wars, e também Steven Spielberg, cujo nome é sinônimo de blockbusters e efeitos especiais. Nos últimos dias uma declaração de Spielberg sobre os filmes de super-heróis atiçou os fãs. Vamos falar mais sobre ela e sobre como nossas obsessões estão mudando o que compramos e quem somos, a seguir.

10 Grandes Editoras dos Comics: Hoje e Sempre

Vamos falar sobre grandes editoras dos comics? Bom, quando falamos em grandes editoras não queremos falar sobre casas publicadoras como a Marvel e a DC Comics. Queremos falar da força das mulheres por trás de grandes publicações da indústria dos comics norte-americanos. Muita gente por aí não valoriza o trabalho das mulheres e acha que elas ficam a dever quando se trata de qualidade. Este post serve para desfazer esse mito, mostrando que muitos dos trabalhos importantes dos quadrinhos foram feitos a partir da orientação de mulheres. Estão preparados para conhecê-las? Então vamos lá!

Comemorando o “Batman, Dei”: Batman e Outros Super-Heróis Pelados

Rá! Você achou que iriamos ficar com a morcega de fora das comemorações do “Batman Dei”? Nananina. Necas! Necas mesmo, gente! Vamos comemorar esse dia tão especial do Homem-Morcego com um ensaio erótico feito para a Revista G Magazine (Revista G Magazine é meio O The Flash, né?) que traz não só o Bátima, mas seus amigos heróis e concorrentes Homem-Aranha e Capitão América. Quem será que ganha essa diz puta? Essa luta de espadas? Bem, dessa vez os paus estão realmente na mesa e você pode comparar pra ver quem ganha! Essa é a nossa “homenagem” ao Batman e sei que você também vai querer homenagear! Então, chama o Bat ma pra mim!

Algumas Analogias Sobre Adoção nas Histórias de Shazam!

Existem diversas alegorias e metáforas no universo das revistas do Capitão Marvel, agora chamado apenas de Shazam! Muitas delas, contudo, se referem à família. Essa instituição social tem uma importância mais profunda na série de Shazam! principalmente porque Billy Batson é órfão e é uma criança, diferente de outros heróis que são órfãos mas são adultos como Batman, Superman e Homem-Aranha. Por isso, as alegorias à família e à adoção são mais destacadas tanto em versões atuais de Billy Batson tanto nos quadrinhos quanto em seu filme recente. Mas o escritor dominicano Junot Diaz tem uma ideia interessante sobre essas metáforas que vamos apresentar neste post.

Bem Mais “Sagas Definitivas” da DC Comics pela Eaglemoss no Brasil

Que a Editora Eaglemoss vêm publicando diversos materiais na sua coleção de graphic novels da DC Comics, você deve estar sabendo, correto? Mas talvez você não tenha dado uma atenção maior à coleção irmã a esta, que publica as “Sagas Definitivas” da DC Comics no Brasil.Claro, o preço é maior, mas o custo benefício, no final das contas fica mais aproveitável do que manter a coleção principal. E tem muita coisa legal e material inédito ou que fazia muito tempo que não era publicado no Brasil. Neste post vamos falar um pouco mais sobre essa expansão da coleção “Sagas Definitivas” da DC Comics pela Editora Eaglemoss. 

Melhores e Piores Leituras de Agosto de 2019

Temos quase quarenta, isso mesmo 40, mini resenhas fresquinhas e frescalhonas para você ler agora aqui no Splash Pages. Dizem que agosto é o mês do desgosto e isso pode até lá ser verdade, já que quase dez dessas leituras estão entre as piores do mês. Algumas ficaram num ponto limbo intermediário e foram parar nas melhores porque né, o copo tá quase sempre meio cheio. E tá quase sempre meio cheio porque se não tiver, como levar a vida com ele meio vazio? Não dá, né? Então encham o seu copo de cerveja, hidromel, Pepsi ou guaraná, suco de laranja, leitinho com nescau de bolinha ou o que você quiser e venha acompanhar essas nossas resenhazinhas!

Supergirl: 60 Anos da Super Prima de Aço

Em janeiro deste ano, a Supergirl completou sessenta anos desde sua aparição, em 1959, vinda do espaço para se encontrar com seu primo Kal-El, o Superman. A Supermôça, como foi batizada no Brasil, em sua primeira aparição aqui, vive uma das melhores fases de sua carreira graças à série de televisão homônima no canal Warner, vivida por Melissa Benoist. Esta série é, de longe a melhor e mais completa retratação de Kara Zor-El para outras mídias. Para celebrar este momento histórico da moça de aço, a prima mais super do mundo, vamos citar alguns momentos e versões da Supergirl nesses seus sessenta anos de existência.

Os Tipos de Conflito Que Encontramos nos Quadrinhos

Quando falamos em conflito nos quadrinhos não queremos dizer apenas confrontos violentos e físicos, que são encontrados mais facilmente nos quadrinhos de super-heróis. Quando falamos em conflito queremos falar sobre os embates que o personagem principal de uma história em quadrinhos precisa enfrentar para atingir seu objetivo, ou então, para levar a sua vida com tranquilidade, retornando ao ponto de descanso do início da história. Assim, resolvemos trazer para vocês algumas das várias formas que o conflito pode assumir nas histórias em quadrinhos e alguns exemplos das mesmas. Sigam-me os brigões!

Onde Estão “Os Contos do Cargueiro Negro” em O Relógio do Juízo Final

Com a chegada da terceira edição de O Relógio do Juízo Final nas bancas pela Panini Comics, acabamos nos perguntando onde um elemento importante de Watchmen acabou ficando. São Os Contos do Cargueiro Negro, uma parte metalinguística da saga de Alan Moore e Dave Gibbons em Watchmen que até ganhou uma nova versão em Antes de Watchmen. Mas, onde eles foram parar nessa nova homenagem à Watchmen por Geoff John e Dave Gibbons? Será que existe ligar para eles na narrativa? Será que eles foram substituídos por algo semelhante com o mesmo recurso narrativo? É o que vamos discutir neste post.

Super-Heróis: O Futuro dos Santos?, por Leandro Karnal e Luiz Estevam de Oliveira Fernandes

No livro Santos Fortes, os historiadores Leandro Karnal e Luiz Estevam de Oliveira Fernandes analisam retratos do sagrado no Brasil, mais precisamente os santos católicos romanos e suas influências e confluências no Brasil. Qual não foi a minha surpresa que, ao pesquisar sobre sincretismo, me deparo no posfácio deste livro com nomes de super-heróis bastante conhecidos. Os autores sugerem que os super-heróis poderiam ser uma mutação dos santos para um futuro próximo, como uma forma de culto, que tem tudo a ver com as formas de culto atuais da religiosidade cristã. Então resolvi transcrever uma parte deste texto em que eles encaram a santidade dos super-heróis. Sem blasfêmia aqui.

Os Injustiçados Criadores de Justiceiros: As Biografias de Bill Finger e Joe Shuster

Estão nas livrarias físicas e virtuais duas publicações falando sobre a vida de dois grandes criadores de prestigiados super-heróis. Talvez os dois maiores super-heróis de todos os tempos. Temos a biografia de Bill Finger, criador e roteirista do Batman e de Joe Shuster, criador e desenhista do Superman. O que ambas têm em comum? É que estes criadores viveram, durante muitos e muitos anos, no ostracismo, sem serem creditados como autores destes grandes personagens. Os dois criadores sempre relegados à marginalidade para que a empresa que detinha os direitos à sua publicação, a DC Comics, retirasse toda a glória gerada por estes fabulosos super-heróis. Agora vamos falar mais um pouco sobre biografias, ausência de créditos e as carreiras dessas figuras, sem as quais a cultura pop não seria a mesma.