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Al Capp, Ferdinando e As Soluções Para os Problemas do Mundo (?)

Vai e volta, os quadrinhos são uma tela em que a crítica social ocorre. Seja nos quadrinhos da Turma da Mônica ou no universo dos super-heróis, seus autores estão sempre contestando a realidade. Mas teve um quadrinho que, para quem conhece mais a fundo a história dessa mídia, sempre foi sinônimo de arte sequencial e crítica social. Se trata de Ferdinando (Lil’ Abner) de Al Capp, e é sobre ele que vamos falar agora. Anúncios

A Sua Zona de Conforto e o Legado da Diversidade

Já falamos muitas vezes aqui de como as revistas em quadrinhos de super-heróis por um lado exigem personagem imutáveis e, por outro, faz com que eles acompanhem as transformações da sociedade. Também falamos da característica infinita das narrativas de super-heróis – elas nunca acabam, estão sempre contando mais e mais histórias desses personagens. Já falamos ainda da importância da diversidade nos quadrinhos. Hoje vamos falar sobre essa dicotomia entre imutabilidade x transitoriedade.

Os Problemas e as Soluções da Fantasia nos Quadrinhos

Quadrinhos, em sua maioria são baseados na fantasia. Claro, existe a alta fantasia, aquela estilo Senhor dos Anéis que envolvem dragões, magos e peripécias em mundo estilo medieval. Mas a fantasia faz parte da nossa fantasia de leitor e nos ajuda a mergulhar na história. Mas possui seu lado bom e seu lado ruim. Aqui vou falar um pouco sobre isso.

O Problema da Nostalgia nos Quadrinhos

Uma das coisas que mais me chateia em ler nas redes sociais são pessoas que dizem “não se fazem mais quadrinhos como antigamente”, mas que não se dão nem ao trabalho de ler os atuais. Realmente dá um preguiça discutir com essas pessoas que tem preguiça de ler quadrinhos mais atuais simplesmente pela desculpa do “não li e não gostei”. Mas vamos ver o que as teorias dos quadrinhos tem a dizer sobre os “conservadores” dos quadrinhos.

As Histórias Sem Fim dos Super-Heróis e As 1001 Noites

Na clássica história árabe das 1001 Noites, Sherazade tem a incumbência de entreter o sultão contando-lhe histórias por 1001 noites para evitar sua morte. É que o sultão tinha o costume de matar as suas mulheres após passar a primeira noite com ele. Contando histórias para o monarca, Sherazade acaba escapando de sua sina. Mas o que isso tem a ver com os super-heróis? Explico a seguir.

Por Que a Ficção Nos Comove Mais Que a Realidade?

Muitas vezes a gente chora vendo o filme de uma mãe procurando a filha, mas ao ver uma mãe gritando pela filha na rua, o mesmo não acontece. Também nos preocupamos com o que vai acontecer com a Katniss, de Jogos Vorazes, se ela vai conseguir alimentar seu distrito, mas ao ver os refugiados africanos e da Síria morrendo em meio a uma travessia do Mediterrâneo, as lágrimas não sobem aos nossos olhos com a mesma facilidade. Mas por que isso acontece? É o poder da ficção de nos envolver e nos fazer identificar com o personagem que ele se torna parte da gente.

Constantine: O Personagem Melhor Construído dos Quadrinhos de Super-Heróis

Criado por ninguém menos que Alan Moore, o outro mago inglês surgiu pela primeira vez nas páginas de Saga do Monstro do Pântano. Baseado no cantor do The Police, Sting, o personagem John Constantine, o Hellblazer, conquistou gerações e gerações de leitores na marca adulta da DC Comics, o selo Vertigo. Lá ele ficou por trezentas edições – um recorde para qualquer personagem – quando migrou para o universo tradicional da DC Comics. Mas vamos entender porquê esse personagem é tão rico.

Por que as HQs (e livros) são tão caros? Ou, “sabe de nada, inocente”!

Seguidamente vejo reclamações sobre o preço de publicações na internet. Porém, acho que, ao fazer isso, as pessoas não sabem que desestimulam as compras de outros. Ao mesmo tempo lhes falta um pouco de contexto para entender os valores que envolvem a produção de uma publicação. Ler scans e não comprar o quadrinho impresso, mesmo ele sendo sensacional, também auxilia na contração do mercado. Outro fator que deixa o mercado de quadrinhos impenetrável é a velha arrogância dos fãs antigos que sempre pensam saber muito mais que os novatos. Sempre haverá um velhaco mais velho e um novato mais verde. Inspirado pelo artigo de Paulo Cecconi no Pipoca & Nanquim, resolvi escrever aqui um pouco sobre o que leva uma HQ a ser cara, utilizando uma liçãozinha básica de Marketing, os 4 P’s de Phillip Kotler: Produto Para se fazer um produto que encha os olhos, é preciso um bom acabamento gráfico. Esta talvez seja a parte mais cara do processo. Quanto mais frufrus ele tiver, mais caro vai ser. Capa dura, papel couchê, verniz …

As Eras dos Quadrinhos – Parte 6

A Era de Bronze – Morte, o grande momento da vida O exemplo utilizado por Blumberg como a crise que estabelece novos paradigmas é a morte de Gwen Stacy, namorada do Homem-Aranha, publicada originalmente em Amazing Spder-Man #141 (Junho de 1973). A história, aqui, serve como o divisor de águas, a crise mencionada por Kuhn. A história inovava ao condenar uma personagem querida dos leitores a uma fatalidade, coisa até então impensada para o gênero. Os editores discutiram se o melhor para Peter Parker e Gwen Stacy era o casamento ou a morte. Decidiram pela morte. Este acontecimento redefiniu estatutos, os mesmos de que Eco falava anteriormente, de que o herói não deve se consumir. O fim de Gwen abriu espaço para mortes mais grandiosas como da Fênix e de Elektra. Era isso que o zeitgeist pedia. No início da década de 70, muitos jovens americanos tinham de encarar a morte de frente, sendo levados a combater no Vietnã por uma derrota anunciada. O escândalo Watergate desfez a imagem icônica que os ianques tinham de …

As Eras dos Quadrinhos – Parte 1

Mudança de Paradigma – Metamorfose Ambulante Umberto Eco, em seu estudo sobre o mito do Superman, publicado no livro Apocalípticos e Integrados, mostra que, por ser um arquétipo, o super-herói deve apresentar certa inércia para permitir a fácil identificação. Ou seja, nada de grandes mudanças em sua vida. Por essa razão, as editoras costumam resistir a deixar seus personagens casarem ou terem filhos. Segundo o autor, os arcos de história se sucedem, o herói enfrenta e debela inúmeras e semelhantes ameaças, mas, no final, perdura essencialmente o mesmo status quo: combater o mal, servindo como exemplo de coragem e heroísmo, geração após geração, sem nunca envelhecer ou evoluir. Caso o Superman, ou qualquer super-herói sujeito a essa mesma lei, provoque alguma ação que altere esta continuidade, daria um passo em direção a seu fim. E este fim, como sabemos, não é a morte. Por outro lado, o personagem também não pode permanecer estático por muito tempo, especialmente em seus detalhes, ou então sua imutabilidade e eterna juventude o transformarão em uma relíquia: a idade que …

Superman/Batman

Identidade Secreta

Através do viés da história que é contada numa história em quadrinhos podemos dizer que os super-heróis assumem identidades secretas para proteger sua família e entes queridos. Como no exemplo da origem do Homem-Aranha que deixa um bandido escapar e depois descobre que o mesmo foi responsável pelo assassinato de seu tio. Peter Parker, o alter-ego do Homem-Aranha jura, então, usar seus poderes com responsabilidade e isso envolve não revelar sua identidade para o mundo. Por outro lado, se analisamos de um ponto de vista externo às histórias concluiremos que as identidade secretas como Peter Parker e Clark Kent existem com o intuito de trazer o leitor para realidade da HQ. Tanto Peter como Clark são dois desajustados na sociedade, eles não se encaixam nos padrões pré-estabelecidos pela mídia e por isso permitem a identificação com o que Umberto Eco chamou de leitor-médio deste tipo de entretenimento. É possível para o leitor se identificar com as histórias de Peter e Clark e ainda aspirar a ser também ele um super-herói, mostrando que por trás de …

A mitologia dos super-heróis

Os quadrinhos de super-heróis, assim como outras obras de arte, provocam reações de identificação com o leitor: podem desvendar de forma vicariante, com seu efeito catártico, os dramas psicológicos e os mitos universais do homem. Por sua facilidade de leitura e de ingresso na trama, seus atributos se mostram como uma oferta à intimidade, proporcionando elaborações de fantasias acompanhadas de sensações de bem estar, ou mesmo de desconforto, provocando empatia no seu público-leitor. “Na plenitude de sua função expressiva e catártica, a obra criada se impõe como objeto bom, revalorizador do ego, para o agente da criação e para o espectador. Para o agente, porque vivencia a obra como um complemento do próprio ser, que o ajuda, através do artifício da projeção, a configura e a corrigir a representação que faz de sua auto-imagem e a ampliar a compreensão de sentido de sua existência. Para o espectador, mediante a função especular e as conseqüentes oportunidades de identificação projetiva inerentes a toda produção conceitual ou artística, e mais precisamente porque lhe proporciona uma experiência no intemporal. …