Luke Cage: A Série da Netflix

Luke Cage. O Poderoso. Um dos bastiões negros da Marvel nos quadrinhos. O Herói de Aluguel, agora ganhou as telinhas em uma série da Netflix. Vitor Coelho viu todos os episódios da série e agora traz a sua avaliações para os leitores do blog. Confere aí!

Depois de uma série do Demolidor excelente e de uma série boa de Jessica Jones, era óbvio que eu esperava ansioso pela série do Luke Cage. Sabendo que a Netflix não tem medo de conteúdo adulto… (não, não estou falando de sacanagem) …saboreava antecipadamente um herói durão, desbocado, libertário, insolente. Que sabe onde está o certo e o errado mas conhece a força de ser alguém envolvido e ativo com as pessoas de verdade. Um herói marginal. Não no sentido pejorativo, mas como aquele herói que está não apenas ajudando e combatendo aqueles que estão à margem da sociedade, mas que está à margem junto com eles. Para o bem e para o mal.

Certamente era isso que eu ia ver.Não vi.

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A série é, como todas as outras empreitadas Marvel+Netflix, muito boa. Entrega uma trama que se torna impressionante, principalmente depois do sexto episódio. Entrega diálogos sensatos, claros, realistas e honestos. Entrega diversão e ganchos excelentes. Mas aqui, deixou de entregar o que a Marvel tem feito em todos os seus trabalhos e que, a meu ver, é o grande pilar de seu sucesso no cinema (e nas séries Netflix): a manutenção da essência do personagem.

Quando assistimos um material atual da Marvel, por mais que haja mudanças, muitas vezes significativas, na história de cada personagem, a essência principal e sua personalidade geral estavam lá. Assim vimos nos filmes, assim vimos em Daredevil, onde vimos, finalmente Matt Murdock ganhar vida. Foi assim com o Justiceiro e sua participação que, neste caso mudou bastante da história, mudou muito sua origem, mas manteve ali o personagem, suas características principais. Assim foi com Jessica Jones e quem acompanhou Alias viu ali, não só a personagem, mas o ritmo e estilo da HQ.

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Mas Luke Cage levanta um ponto que é, por falta de palavra melhor, temeroso para as produtoras. Ele precisa discutir questões socio-raciais. Ele precisa falar do gueto. Ele precisa expor a cultura negra. Ele precisa estar imerso e ativamente atuante na sociedade afro-americana. E será que estamos prontos pra isso? A Marvel e a Netflix, tão corajosas, pensaram que não. “Melhor não. Melhor deixar os panos morninhos aqui em cima. ”

Luke Cage da Netflix é, sim, uma série com forte presença da cultura negra, com foco no Jazz, que inclusive é um elemento forte da trama, mas me pareceu uma alternativa mais fácil que mostrar o movimento o Hip Hop. (ok, pode ser que esteja acontecendo um revival pesado do Jazz no Harlem e eu, aqui, nem sei disso). Mas faltaram alguns detalhes importantíssimos. Aqueles detalhes do Luke que fazem com que ele confronte heróis, instituições e idéias. Que falem dele um cara que parece teimoso, decidido e arrogante.

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Luke Cage é um criminoso. Ele cresceu num bairro pobre e seu desejo era ser um grande criminoso. Tão logo decide se afastar do crime seu antigo parceiro planta provas que incriminam Luke e ele vai parar na prisão, onde, adquire seus poderes (neste ponto, algo bem parecido com a série).

Ele foi sim Herói de Aluguel. Ele não sai da prisão com o sweet christmas em seu corpo.

Eu até entendo os riscos de que esse Luke que eu gostaria de ver fosse taxado de estereótipo, mas o Luke Cage da série tá bem “bundão”. Melhora pro final da temporada, mas deixa a gente sentindo falta do personagem.

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Talvez você imagine que eu achei a série ruim, mas não. A série é muito boa a despeito disso. Na verdade tem alguns pontos fortíssimos e para que não digam que eu só reclamei, fica aqui os pontos altos da série:

  • O episódio de ascensão de Mariah é espetacular. Lindo, ritmíco, excelente. A personagem que parece tão sem sal nos primeiros episódios vai ganhando força e espaço e se torna um dos grandes acertos da série.
  • Nenhum vilão da Marvel/Netflix é raso. Todos são trabalhados, confusos, sinceros, completos. São personagens que, ainda que você não curta, são densos e têm, não apenas história, mas volume emocional e motivações muito bem construídas.
  • Misty Knight. Que personagem. Sem exageros, sem baboseiras. Uma policial honesta, crua, inteligente. É bem verdade que a presença dela no primeiro episódio parece bastante fora de todo o resto da série. Não amarra. Mas tanto a atriz quanto o roteiro dão à essa personagem o maior destaque da série. Tinha momentos em que eu preferia vê-la e saber o que acontecia com ela do que com o Luke. Na verdade gostaria mesmo de ver uma série toda só dela. Merece.
  • Rosário Dawson. Sua presença já vale ponto.
  • Exceto por Luke Cage, todos os outros personagens estão inseridos nessa sociedade mista do Harlem. Vivendo à favor ou contra a força das ruas.
  • O Roteiro é bem adulto, bem forte e bem escrito. As interações entre os personagens nunca são vazias. Nunca sem motivo. Mesmo quando foi cliché, foi sério, foi certo.

No final é uma excelente série que poderia ter tido um protagonista melhor. Gostaria de ver como isso vai se integrar com o universo Marvelflix e espero ansiosamente os Defensores.

Vale MUITO ser vista. Não perda!

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