O Quadrinho Erótico do Hulk Produzido no Brasil: O Incrível (e Bem Dotado) Hukão

Era o início dos anos 1970, os anos de chumbo da ditadura estavam em seu auge junto ao chamado “milagre econômico” que deflagrou uma das maiores crises mercadológicas que o país já viu. Ansiando por abertura econômica e política do país, e também o afrouxamento da censura, muitas editoras começaram a investir pesado em publicações sobre sexo. Era a chance das bancas brasileiras verem e se abrirem para um mercado até então impossível aqui no país: as revistas pornográficas. Vendo um filão nestas revistas, além de fotografias, a editora paranaense Grafipar também resolveu investir nos quadrinhos eróticos, sob pesada censura do governo. Uma dessas publicações era Herói Erótico, que em seu número 5 trazia O Incrível (e Bem-Dotado) Hukão, com a chamada “Ele tem o maior… do mundo!”. É sobre essa revista que vamos falar neste post. Continuar lendo “O Quadrinho Erótico do Hulk Produzido no Brasil: O Incrível (e Bem Dotado) Hukão”

Batman: O Cavaleiro Branco é Um Contraponto a Batman: O Cavaleiro das Trevas

O nove grande e vanguardista quadrinho do universo do Batman é, sem dúvidas, Batman: O Cavaleiro Branco, realizado por Sean Gordon Murphy e com cores de Matt Hollingsworth. Nele, o Coringa se torna uma ferramenta para acabar com o reinado de violência desmedida do Batman. Um Coringa regenerado, humano, que toma remédios para controlar sua loucura. Nisso, ele acaba se tornando vereador da cidade de Gotham City, mas essa ascensão do Coringa vai despertar forças sombrias que estavam encerradas há muito tempo. Se pensarmos por um lado, Cavaleiro Branco acaba se tornando um contraponto à famosa obra de Frank Miller. Se nem tanto no layout e na forma narrativa, em muito no conteúdo. É sobre isso que vamos falar aqui. Continuar lendo “Batman: O Cavaleiro Branco é Um Contraponto a Batman: O Cavaleiro das Trevas”

A Piada Sem Sal: Quando o Zé Carioca Parodiou o Batman

A Piada Mortal é uma das histórias mais clássicas do Batman. Em 1995, a Editora Abril criou, a partir de sua produção nacional de quadrinhos originais Disney, uma paródia desta história estrelada pelo Zé Carioca. Na verdade não exatamente o Zé Carioca, mas seu alter-ego super-heróico, o “Morcego Verde”, uma espécie de Batman mas que é um papagaio carioca caloteiro. Essa história farsesca foi publicada mais uma última vez pela Editora Abril em 2016 e é sobre ela que vamos falar neste post. Sigam nos os positivados e os negativados no SPC! Continuar lendo “A Piada Sem Sal: Quando o Zé Carioca Parodiou o Batman”

À Espera de Um Milagre. Senhor Milagre, de Tom King e Mitch Gerads

Senhor Milagre é um quadrinho intrincado em significado e no uso da linguagem dos quadrinhos, mostrando o quanto Tom King está de posse da mídia que ele trabalha. Não que a arte magnífica de Mitch Gerads fique atrás. Como diria o Faustão: “Um gibizão desses, bicho!”. Não é à toa que a espera por ele nas patacoadas da Panini gerou tanto frisson e revolta nos nerds. Senhor dos Milagres, como em Senhor dos Anéis, a Panini tinha um gibi para a todos governar, mas reivindicou do trono. À Espera de um Milagre ficaram os leitores, aguardando ansiosos com muita demanda para pouca entrega da Panini. Esta é só a resenha do primeiro volume, mas ela rende muita análise. Porque se tem um quadrinho que você tem que ler neste começo de ano é esse gibi! Continuar lendo “À Espera de Um Milagre. Senhor Milagre, de Tom King e Mitch Gerads”

Anos de Chumbo, Punhos de Aço, Ditadura de Ferro: A Revista do Punho de Ferro Pela Bloch Editores

A história das adaptações dos quadrinhos gringos para as bancas brasileiras tem lá as suas histórias bizarras. Desde a mudança das cores do uniforme do Fantasma pela RGE até os inúmeros cortes feitos pela Editora Abril na famigerada publicação de Guerras Secretas, da Marvel, no Brasil. Danny Rand, o Punho de Ferro, criado na exploração dos filmes de kung-fu dos anos 1970, também não escapou destas atribulações. O fato é que quando ele chegou no Brasil, nosso país sofria uma pesada ditadura militar que fazia com que os jornais trocassem notícias que falavam mal do governo por receitas de bolo. Isso também acabou afetando os quadrinhos, mais precisamente nosso querido Danny Rand. É agora que vou explicar para vocês como isso aconteceu. Continuar lendo “Anos de Chumbo, Punhos de Aço, Ditadura de Ferro: A Revista do Punho de Ferro Pela Bloch Editores”

Valquíria: A Heroína da Marvel e Sua Relação com as Lendas Nórdicas

Há pouco tempo a Marvel Comics anunciou que trará uma nova série em quadrinhos que será estrelada pela personagem Valquíria. A atriz Tessa Thompson encarnou a versão da personagem para o MCU no filme Thor: Ragnarok poucos anos atrás. Essa versão da personagem chegou a ir para os quadrinhos fazendo parte da equipe dos Exilados, um grupo de personagens de realidades alternativas. Contudo, quando a Valquíria apareceu pela primeira vez, ela era uma personagem radical, muito diferente da atual. Neste post vamos falar um pouco mais dela e de sua relação com as Valquírias, as guerreiras de Odin na mitologia dos povos nórdicos. Continuar lendo “Valquíria: A Heroína da Marvel e Sua Relação com as Lendas Nórdicas”

Como a Mulher-Gato Serve Como Atenuante Para a Homoafetividade Entre Batman e Robin

O mito da homossexualidade latente ou revelada entre Batman e Robin é bastante difundida, seja na cultura aqui do Brasil ou mesmo em seu local de criação, os Estados Unidos. Contudo, essa relação nunca foi demonstrada nos cânones das revistas em quadrinhos. Mesmo assim, a DC Comics, editora de posse dos personagens já empreendeu diversas tentativas de livrar os personagens deste estigma. A última delas, foi a inserção de uma versão lésbica do Batman, a Batwoman. Ou seja, o Batman gosta de mulheres, mesmo quando é uma mulher. Outro fator importante de uma deshomoerotização do relacionamento entre a dupla dinâmica foi a sexualização cada vez mais acentuada da Mulher-Gato que, nas histórias recentes de Batman chegou a ser pedida em casamento pelo Homem-Morcego. Vamos falar mais sobre que papel a Mulher-Gato tem nessa tentativa de desmistificar um possível relacionamento homossexual entre Batman e Robin. Continuar lendo “Como a Mulher-Gato Serve Como Atenuante Para a Homoafetividade Entre Batman e Robin”

O Universo de Hellboy e a Mitologia Cthulhiana de H. P. Lovecraft

O novo filme de Hellboy, criação máxima do americano Mike Mignola, está para despontar nos cinemas do Brasil em abril. Uma das características mais interessantes desse universo construído pelo autor é a sua capacidade de nos causar um sentido de maravilhamento, através de suas paragens exóticas, seus mitos sobrenaturais e suas relações com as lendas judaico-cristãs. Com todos estes elementos reunidos, este universo do filho bonzinho do diabo fica muito mais complexo e enriquecido. Mignola bebe em várias fontes lendárias e mitológicas, isso é óbvio, mas talvez nenhuma tenha influenciado tanto a base da mitologia de Hellboy como as criaturas cthulhianas providas pelo escritor de terror cósmico H. P. Lovecraft. Vamos falar sobre essas influências neste post. Continuar lendo “O Universo de Hellboy e a Mitologia Cthulhiana de H. P. Lovecraft”

Conheça 20 Super-Heróis da Década de 1930

Você deve saber que os super-heróis começaram na década de 1930, mais precisamente, com o Doutor Oculto, criado por Jerry Siegel e Joe Shuster em 1935. Contudo, antes que a onda dos heróis arrebatasse as editoras em cheio nos anos 1940, alguns poucos personagens foram criados ainda nos anos 1930. Muitos deles se assemelhavam com a noção que temos de super-heróis hoje em dia, embora não necessariamente sejam considerados assim por muitos. Neste post iremos falar rapidamente sobre vinte desses personagens criados ainda na primeira década do fenômeno dos super-heróis. Sigam-me os bons! Continuar lendo “Conheça 20 Super-Heróis da Década de 1930”

As Linguagens dos Quadrinhos e Suas Relações Com os Memes da Internet

Os quadrinhos abarcam diversas linguagens e é isso que o renomado e cultuado livro As Linguagens dos Quadrinhos, do pesquisador italiano Danielle Barbieri nos apresenta. Este livro influenciou diversas gerações de pesquisadores dos quadrinhos no Brasil, desde que foi publicado pela primeira vez, na Itália, em 1991. Mas no Brasil, chegou apenas nas comemorações dos seus 25 anos, em 2016, editado pela Editora Peirópolis. Muito celebrado, o livro é genial simplesmente porque estuda os quadrinhos a partir do legado de outros tipos de linguagens para esse tipo de mídia. Vou falar um pouco neste post sobre as ideias de Barbieri sobre a quatro classificações das demais linguagens com os quadrinhos, que o autor estabelece em seus estudos. Como exemplos, vou trazer os memes da internet, que também possuem ligações com a linguagem dos quadrinhos. Continuar lendo “As Linguagens dos Quadrinhos e Suas Relações Com os Memes da Internet”

O Astronauta de Danilo Beyruth em Quatro Movimentos

De todas as Graphic MSP publicadas até então, é a “franquia” do Astronauta, feito por Danilo Beyruth e Cris Peter que mais se desenvolveu. E não digo isso apenas no sentido de números de publicações, mas também na ampliação do escopo e do alcance das suas narrativas e temáticas. Depois de ler o quarto volume, Astronauta: Entropia, percebi como o “espaço” do personagem Astronauta vem se alargando dentro das possibilidades narrativas que seus artífices têm fornecido a ele. Aqui vou falar um pouco dessa evolução do trabalho de Danilo Beyruth no Astronauta desde a publicação da primeiríssima Graphic MSP até esta última, que foi lançada no começo deste ano.   Continuar lendo “O Astronauta de Danilo Beyruth em Quatro Movimentos”

O Filme da Capitã Marvel e Os Recursos da Memória

Atenção! Este post pode conter traços de spoilers! Muita gente está empolgada com o filme de Carol Danvers, a Capitã Marvel, mas muita gente também está boicotando o filme. Muitos falam que o filme não tem roteiro e que é só mais um filme de origem da Marvel. Pode ser uma forma de disfarçar o seu machismo e sua misoginia enrustidas. Porque o filme tem roteiro sim, e não é mais um filme de origem. Ele tem um recurso próprio de roteiro, quase tão bom como no primeiro filme do Deadpool, e esse recurso é a utilização dos mecanismos da memória de Vers, ou de Carol Danvers, no filme. Neste post vou falar um pouco sobre isso.

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Os 10 Melhores Quadrinhos do Millarworld

Millarworld, como o nome já diz são HQs independentes desenvolvidas por Mark Millar e seus desenhistas convidados. Neste post vamos falar das dez HQs desse selo que mais gostamos e por que. Mas atenção, vamos nos focar apenas naquelas que já saíram no Brasil, uma porque nós já as lemos e outra porque você, leitor, poderá encontrá-las à venda fisicamente por aqui nas bancas e livrarias. Então se prepare, aperte seus cintos de segurança, acionem seus air-bags, porque vem aí muita porradaria, sanguinolência e explosões ao melhor estilo Mark Millar.

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As Muitas Histórias de Mauricio de Sousa

Em 2015, Mauricio de Sousa, criador da Turma da Mônica completou 80 anos de existência. Para comemorar esta importante data, seu estúdio, o Mauricio de Sousa Produções – MSP, lançou diversos produtos. Entre eles, algumas biografias de Mauricio de Sousa em diversos formatos. Este artigo tem a intenção de discutir estas obras e seu conteúdo bem como entender como a história da vida de um empresário brasileiro de sucesso é contada pela própria empresa. Continuar lendo “As Muitas Histórias de Mauricio de Sousa”

Saudades: Os Novíssimos Vingadores

Depois das sagas Eixo e Pecado Original, uma nova trindade dos Heróis Mais Poderosos da Terra, os Vingadores, passa a figurar no Universo Marvel. Eles são o Capitão América Sam Wilson, a Poderosa Thor Jane Foster e o Homem de Ferro Superior, o Tony Stark, mas com valores e intenções muito diferentes das heroicas. O que esses super-heróis têm em comum além disso? Todos eles estrelaram suas histórias nessa nova fase na mesma revista, que ficou chamada de Os Novíssimos Vingadores para dar destaque às novas personas que encarnavam os três dos maiores heróis do Universo Marvel. E é sobre ela que nós vamos falar neste post. Continuar lendo “Saudades: Os Novíssimos Vingadores”

Melhores e Piores Leituras de Fevereiro de 2019

Cinquenta! Cinquenta, caros mergulhadores! Temos cinquenta miniresenhas de quadrinhos e de livros sobre quadrinhos de diversos tipos neste mês de fevereiro. Com certeza um recorde! Nem um (ou nenhum) site que é mantido por diversas pessoas traz esse número de minirresenhas para vocês por mês! E esse aqui, na prática, é mantido apenas por um (com algumas colaborações bem esporádicas). Então, sente-se num lugar bem confortável que tem muito muito muito texto para ser lido a seguir e muitos quadrinhos (bons e ruins) para você chegar (ou não) a uma conclusão sobre eles! Continuar lendo “Melhores e Piores Leituras de Fevereiro de 2019”

Aquela Vez em que um Quadrinho de Alan Moore Virou um Poema Épico Gay

Ah, os anos 80! Eles eram muito parecidos com o que estamos vivendo agora, né? A ascensão de uma direita extremista no mundo todo e as minorias em risco de morte. A desinformação e a contrainformação reinando forte nas ruas e nos meios de comunicação (formais ou informais). Os quadrinhos também se tornaram mais radicais naqueles tempos sombrios. Era uma época em que distopias em que a direita extrema reinava foram escritas para os quadrinhos. Duas dessas obras se chamavam Cavaleiro das Trevas e Watchmen. Elas mudaram para sempre o cenário dos quadrinhos. Para o bem e para o mal. E ao mesmo tempo que esse cenário caótico e desesperador era admitido no coração das pessoas, um grupo de artistas resolveu falar. Entre estes artistas estava o mago de Northampton, Alan Moore. Continuar lendo “Aquela Vez em que um Quadrinho de Alan Moore Virou um Poema Épico Gay”

Como a Mulher-Maravilha se Tornou Um Símbolo do Movimento Feminista?

Quando foi criada, em 1941, pelo psicólogo William Moulton Marston, a Mulher-Maravilha tinha a intenção de passar a mensagem de liberação feminina – mas para os homens. Era a eles que suas histórias eram voltadas para que, segundo o criador da personagem, os homens acabassem submetidos às mulheres. Contudo, com o passar dos anos e das guerras, a Mulher-Maravilha se mesclou na cultura popular de tal forma que a segunda onda do feminismo resolveu encampar a personagem para si. Isso ocorreu a partir da primeira edição da revista Ms., editada pela jornalista Gloria Steinem. Essa edição provocou uma mudança não só na percepção da personagem, como nas histórias da Mulher-Maravilha. É sobre a relação da Mulher-Maravilha com a revista Ms. que vamos falar agora. Continuar lendo “Como a Mulher-Maravilha se Tornou Um Símbolo do Movimento Feminista?”