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Melhores e Piores Leituras de Dezembro de 2019

Uhuu, mergulhadores! Chegamos ao último Melhores e Piores Leituras do ano de 2019! Foi um ano intenso e cheio de altos e baixos, mas sobrevivemos à experiência! E fiquem ligados que agora no mês de janeiro faremos nossa seleção das melhores leituras do ano que passou. Todas elas separadas por diversas categorias que vão do mangá ao fumetti, de quadrinhos Marvel e DC Comics aos quadrinhos brasileiros. De quadrinhos feitos fora dos Estados Unidos aos americanos. Por isso fique ligado no Splash Pages e, se quiser seguir o blog para não perder nenhuma novidade basta clicar no botão de seguir. E agora vamos às leituras de dezembro.

MELHORES

O MARIDO DO MEU IRMÃO, VOLUME 1, DE GENGOROH TAGAME

Este mangá O Marido Do Meu Irmão tem um jeito todo próprio e fofinho de abordar os relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo. Ele coloca de um lado os preconceitos e a ignorância de um adulto e de outro lado a inocência e a pureza de uma criança. Somado a isso, O Marido Do Meu Irmão também apresenta as diferenças da cultura ocidental e oriental de tratar as relações entre as pessoas (seja do mesmo sexo ou não), em que as demonstrações de carinho dos japoneses, por exemplo, costumam ser muito mais contidas que as dos ocidentais. Os desenhos de Gengoroh Tagame variam entre um traço mais próximo ao SD (superdeformed) e o realista, que é o que ele usa em seus trabalho de bara, os quadrinhos gays voltados para homens. Isso se pronuncia bastante na maneira em como ele desenha os homens adultos de O Marido Do Meu Irmão, muita s vezes em momentos e posições sexies, mas que não perturbam ninguém e que não mudam o significado desse lindo mangá. O Marido Do Meu Irmão é uma lição de respeito e tolerância e como o olhar de uma criança pode simplificar e muito as relações humanas.

Leia uma resenha completa de O Marido do Meu Irmão, de Gengoroh Tagame aqui neste link.

JOVENS TITÃS, VOLUME 2, DE ADAM GLASS, BERNARD CHANG, ROBSON ROCHA E MARCELO MAIOLO

Trazer novos personagens para uma equipe e ir apresentando eles, com seus mistérios e contradições, aos poucos para o leitor é uma ótima estratégia para cativar aqueles que leem uma história em quadrinhos seriada. Essa é uma das estratégias lançadas por Adam Glass para a equipe dos Jovens Titãs que ele formou com três personagens conhecidos e três personagens inéditos, incluindo a Esmagadora, a filha – bastarda, é claro – do Lobo. Está muito bom de acompanhar as histórias dos Jovens Titãs finalmente depois de passarem por um monte de fases amargas durante Os Novos 52 e o Renascimento DC. Os desenhos de Bernard Chang e do brasileiro Robson Rocha são muito bons e ajudam a deixar a equipe mais dinâmica com suas narrativas bem elaboradas apoiadas nas maravilhosas cores do também brasileiro Marcelo Maiolo. Neste encadernado ficamos sabendo um pouco mais sobre o passado de cada um dos novos novos integrantes da equipe. Mas, claro, não o suficiente para satisfazer nossa curiosidade. O próximo encadernado promete um crossover com o Exterminador e, nada mais, nada menos, que sua morte. É aguardar para ver!

BATMAN DO FUTURO, VOLUME 5, DE DAN JURGENS, CULLY HAMNER, BRETT BOOTH, DOC SHANER E MARCO SANTUCCI

“Ah, eu vou ler só um pouquinho pra marcar ali no Goodreads que estou na página 20, fica mais legal!”. Nessa desculpinha esfarrapada eu acabei lendo todo o encadernado do Batman do Futuro “numa sentada só”, como dizia meu pai. Também pudera, esse quinto volume traz o retorno da nêmese do Batman do presente, o Coringa, que promete trazer a sua A Piada Final para acabar de vez com o mais novo Robin, Matt McGuinness. Mas antes o louco do Coringa precisa eliminar a concorrência e começa a matar de forma serial os integrantes da gangue Coringaz, que prestam homenagem ao próprio, que havia sido dado como morto. Só que não. Então, Batman, Bruce Wayne, Dick Grayson precisam entrar em uma corrida para impedir que o Coringa assassine o irmão mais novo do Batman, o Robin. Um quadrinho que tem se mantido muito bom desde o começo por causa do escritor, Dan Jurgens, que há uns dez anos atrás era, para mim, sinônimo de quadrinhos ruins, porque ele foi o principal arquiteto da famigerada saga A Morte do Superman. Não podia estar mais enganado. Hoje, para mim, ele é sinônimo de diversão garantida.

ASA NOTURNA, VOLUME 8, DE SCOTT LOBDELL, FABIAN NICIEZA, BENJAMIN PERCY, CHRIS MOONEYHAM, KLAUS JANSON, GARRY BROWN, TRAVIS MOORE E OUTROS

Se Mikel Janín já fazia o seu Asa Noturna num traço extremamente sexy, poderia dizer que Garry Brown deu uma ótima continuidade a esse processo. Seu personagem tem, não apenas um corpo, mas um rosto sexy – e isso é o mais importante, principalmente nos quadrinhos de super-heróis em que a maioria dos rostos são pasteurizados. Bom, dito isso, neste volume, a vida de Dick Grayson toma um giro de cento e oitenta graus. Ele recebe um tiro na cabeça à queima-roupa e passa a atender por Ric Grayson, deixando de lado a vida de defensor de Blüdhaven e passa a ser um taxista. mas logo o vácuo deixado pelo ex-Asa Noturna logo vai ser tomado não por uma, mas quatro pessoas diferentes, atuando como uma equipe para defender a cidade-irmã de Gotham City. Uma ideia interessante que encontra eco no arco da Morte do Superman, em que quatro heróis -a inda que não uma equipe – substituem o Homem de Aço na defesa de Metrópolis. Um quadrinho ousado e interessante que, imagino, essa guinada ainda tem muito a oferecer na vida do nosso lindo, querido e tesudo Dick (ou Ric) Grayson.

O CÍRCULO DE JÚPITER, VOLUME 1, DE MARK MILLAR, WILFREDO TORRES E DAVIDE GIANFELICE

O Círculo de Júpiter é uma espécie de prequel que se passa nos anos 1950/1960 para a história de O Legado de Júpiter, cujo primeiro volume é sensacional e o segundo volume, nem tanto, dá uma arrefecida. Diferente de sua versão atual, desenhada por Frank Quitely, esta, desenhada por Wilfredo Torres, não traz uma história cronologicamente estável, mas pequenos fatos que se interpõem durante a existência dos super-heróis. Nesse sentido, O Círculo de Júpiter se aproxima bastante de Astro City, em que nós acompanhamos não as lutas de super-heróis contra grandes vilões, mas os obstáculos dos seus caminhos enquanto pessoas superpoderosas que vivem num mundo em que a maioria das pessoas não têm poderes. São, na verdade, três arcos de histórias com duas histórias cada. O primeiro deles, por exemplo, fala do herói Trovão Azul, que é um gay da Era Pré-Stonewall e que precisa lidar com ameaças que querem revelar a sua “verdadeira identidade” para poder controlá-lo. Círculo de Júpiter se propõe um quadrinho mais adulto e, por isso, traz bastante sexo e nudez, mas, ao contrário do que se possa esperar, essa nudez é masculina e o sexo é gay.

Leia uma resenha completa de O Círculo de Júpiter, Volume 1 aqui neste link.

DRAGONERO: O CAÇADOR DE DRAGÕES, VOL. 1, DE LUCA ENOCH, STEFANO VIETTI E GIUSEPPE MATTEONI

Dragonero está de volta! E temos muto que comemorar! Mais uma vez acompanhamos a trupe de caçadores de dragão de Ian, conforme vimos no volume zero desta coleção. A diferença é que desta vez temos menos páginas -100, no caso – e um papel melhor: offset como nas demais revistas dos novos fumetti da Mythos. Contudo, a história da série regular de Dragonero não começa com o mesmo fôlego da edição introdutória, que foi perfeitinha! A série regular possui um ritmo narrativo mais lento, com os personagens sendo mais desenvolvidos e com menos aventura, ou seja, exigem um pouco mais da compreensão e paciência do leitor que começará por este exemplar a sua coleção de Dragonero. Outra coisa que muda é a arte. Saia Luca Enoch, que fica responsável pelos roteiros ao lado de Stefano Vietti, entra como desenhista Giuseppe Matteoni. Este último não tem um estilo de desenho ruim, mas quem estava acostumado com os desenho de Enoch, vai sentir uma leve diferença. De toda forma, acredito que Dragonero tem muito a oferecer aos leitores brasileiros e, aos poucos, vai conquistar um público fiel e cativo. Afinal, a série tem uma história sensacional e personagens que captam o leitor. Vale a pena dar uma chance a Dragonero.

OS NOVOS TITÃS: A ORIGEM DE LILITH, DE MARV WOLFMAN E JOSÉ LUIS GARCÍA-LOPEZ

Este encadernado traz a parceria entre dois grandes nomes dos quadrinhos e que trabalharam para a DC Comics por muitos anos a fio: o roteirista Marv Wolfman e o desenhista José Luis García-Lopez. Uma das primeiras coisas que pude reparar nessa leitura é que ela é bastante condensada. O tempo que levamos para ler cinco volumes de Os Novos Titãs pode ser comparado com o tempo que levamos para ler umas oito das histórias que são atualmente publicadas pela DC Comics. Isso não deixa o quadrinho pior, pelo contrário, deixa ele mais aventuresco e mais rico em detalhes. Detalhes narrativos, estes, que são acentuados pelos desenhos cheios de nuances de José Luis García-López, que faz um trabalho magistral. Outro detalhe que pode ser reparado no traço de García-Lopez é a sensualidade mais explícita das mulheres que ele desenha, revelando detalhes de seus corpos que outros desenhistas não ousariam colocar em uma história em quadrinhos voltada para o público juvenil, como a revista era pensada na época. Uma história divertida e de boa leitura, relembrando os bons tempos da aventura super-heroica que os Novos Titãs ajudaram a marcar época.

JUÍZO, DE AMANDA MIRANDA

Juízo, de Amanda Miranda, faz parte de uma coleção chamada TABU, editada pela Editora Mino, que traz três quadrinhos feitos por três mulheres diferentes e que abordam temas de difícil discussão aberta em nossa sociedade. Nesta publicação em história em quadrinhos vemos o imaginário imagético casar com a narrativa textual e não textual para gerar um impacto no leitor que acredita, a princípio que a protagonista estava apenas fazendo um procedimento odontológico. Mas, em breve, a partir do rico vocabulário de imagens que nos é oferecido, percebemos que Amanda Miranda está indo mais fundo: ela está lidando com um dos grandes tabus de nossa contemporaneidade que é o aborto. Bem mais que isso, ela está trabalhando em forma de histórias em quadrinhos as decisões que esse “juízo” sobre esse ato acarreta para todos à volta daquelas que o praticam pelos mais diversos motivos. Um quadrinho que não apresenta motivações, apenas atos, movimentos e narrativa, mas ainda assim apresenta “juízo” de valor. Este trabalho de Amanda Miranda revela o quanto o potencial de uma mera história em quadrinhos pode ser elevado para discutir tabus que precisam, que urgem serem desmistificados.

CINA, DE LALO

Cina, de Lalo, faz parte de uma coleção chamada TABU, editada pela Editora Mino, que traz três quadrinhos feitos por três mulheres diferentes e que abordam temas de difícil discussão aberta em nossa sociedade. A história desta publicação em quadrinhos trata do encontro de uma senhora lésbica da terceira idade com uma doutora que ela tenta seduzir para conseguir que ela preste eutanásia a ela. Assim, neste volume da coleção TABU temos dois temas polêmicos, que é a relação gerontofilia entre as duas mulheres e também a discussão da morte assistida por médicos. Contudo, existem algumas lacunas na história que me fizeram ir e voltar nas páginas várias vezes para entender se eu estava captando realmente o que eu estava entendendo e interpretando ali. A conclusão é que eu ainda não sei se interpretei direito e se o que eu estou relatando para vocês é realmente aquilo que a autora tinha a intenção. Contudo, Cina é uma história desafiadora não apenas para o leitor, mas também para a sociedade que coloca muitos tabus na frente da busca pela felicidade ou na busca por felicidade nenhuma que cada um de nós trava dia a dia.

MILES MORALES: HOMEM-ARANHA, VOLUME 1: DIRETO DO BROOKLIN, DE SALADIN AHMED, BRYAN EDWARD HILL, JAVIER GARRON, NELSON BLAKE II E OUTROS ARTISTAS

Infelizmente, até então, a Panini Comics Brasil não tinha trazido ao nosso país nenhum dos trabalhos do premiado Saladin Ahmed na Marvel. Por razões que a própria razão desconhece. Miles Morales, o Homem-Aranha negro e latino é, então, o primeiro trabalho que os leitores brasileiros leem de Ahmed, um autor negro e árabe. Trata-se de um anual que reconta a origem de Miles dentro da cronologia 616, quando o garoto precisa enfrentar os superskrulls da Invasão Secreta ao planeta Terra. Mas é outro autor negro, Bryan Edward Hill que escreve as histórias mensais de Miles Morales. Bryan vei aparecer antes na DC Comics, em que escreveu uma história do Batman com o Raio Negro e que deu origem a uma nova equipe de Renegados. Hill consegue trabalhar bem as nuances dos coadjuvantes e do próprio Miles e ainda traçando uma inesperada parceria de Morales com o Rhino e, depois, com outra heroína, Áquila, que é oriunda do MC2, o universo dos filhos dos super-heróis da Marvel, onde “mora” a Garota-Aranha May “Mayday” Parker. Os quadrinhos de Miles Morales são bastante divertidos, com roteiro e artes competentes e tem tudo para agradar pessoas de todas as cores.

PIRACEMA, DE JÉSSICA GROKE

Piracema, de Jéssica Groke faz parte de uma coleção chamada TABU, editada pela Editora Mino, que traz três quadrinhos feitos por três mulheres diferentes e que abordam temas de difícil discussão aberta em nossa sociedade. Piracema, por sua vez fala sobre a descoberta do sexo, sexualidade, menstruação e masturbação. O nome, piracema, faz uma referência aos peixes que nadam contra a maré para reproduzirem, o que pode ser uma bela referência à sexualidade da personagem principal, que parece ter se apaixonado ou sentido atraída sexualmente por uma amiga na hora em que as duas nadavam numa piscina e sua amiga faz um ato ousado (não vou revelar spoilers, se quer saber, adquira sua edição, ora bolas!). Os desenhos são muito bonitos e por se apresentarem com traços mais redondinhos, daqueles que costumamos encontrar em livros infantis causam um impacto muito maior do que se tivéssemos um desenho mais underground ou rebuscado. A aceitação para este tipo de tema também parece ocorrer mais através desse tipo de ilustração, que conquista mais simpatia do leitor. Um ótimo quadrinhos este Piracema!

X-MEN: EXTERMÍNIO, DE ED BRISSON E PEPE LARRAZ

Os anos 1990 estão de volta e isso é inegável, minha gente! Não é só nos filmes e nas séries de televisão que eles estão sendo celebrados, mas, obviamente, nos quadrinhos também. A saga Extermínio dos X-Men é uma prova, digamos, viva disso. Isso porque ela faz um revival de uma das primeiras saga mais rocambolescas dos X-Men, A Canção do Carrasco, em que um Cable está caçando os X-Men. Neste Extermínio temos uma versão juvenil do Cable caçando os X-Men Originais, isso mesmo, os X-Men Originais que estão deslocados de seu tempo passado no presente. Confuso? Sim deliciosamente confuso, como só os X-Men dos anos 1990 sabem ser e a gente sabe gostar! Além disso temos outro elemento que é Ahab, o caçador de mutantes vindo diretamente de outra saga confusa dos 1990, que é Dias de um Futuro do Passado! Depois dessa minissérie acompanhamos o especial X-Men: Exterminados que fala sobre a morte de… Cable? De Cable? Mas não era uma versão dele que estava caçando os x-novinhos? Sim, era. Mas quem disse que X-Men precisa fazer sentido para ser uma história boa. E eu achei Extermínio uma história boa. Podem me julgar!

TRÊS BURACOS, DE SHIKO

Ele fez de novo! Shiko trouxe para seus leitores mais uma história com um profundo impacto que marca depois de deixarmos o livro descansando em nossa mente por um tempo. Como no premiado Lavagem, Shiko explora mais uma vez a sensualidade, a pobreza e a esperança. Essas três palavras às vezes podem ser confundidas com revelações, urgência e ilusão, ao menos nas obras de Shiko. A sensualidade não é nada mais que a técnica que o autor usa para desnudas as coisas, de forma líquida, escorrendo até uma revelação sobre esses personagens. A urgência pontuada pela pobreza desses personagens que estão dispostos a qualquer salvaguarda para sair da situação desesperadora e apressada em que se encontram e que a pobreza proporciona. A esperança se encontra em cada virada de página e na ilusão daqueles personagens de que as pessoas pobres, sensuais e iludidas algum dia se deram bem neste mundo que devora todos aqueles que crêem, que se revelam e que buscam trazer mais tesão para essa existência. Esses são os três buracos de Shiko: o garimpo (esperança), o puteiro (sensualidade) e o cemitério (a pobreza). Isso tudo renderia uma análise ainda mais extensa, mas por enquanto fico por aqui e super recomendo Três Buracos.

GIDEON FALLS, VOLUME 3, DE JEFF LEMIRE, ANDREA SORRENTINO E DAVE STEWART

A leitura de Gideon Falls vem demonstrando, no processo de apreciação desta história em quadrinhos, um fenômeno narrativo interessante. Trata-se da apropriação dos conceitos de universos e realidades paralelos ao nosso que antes era da seara resguardada da ficção científica para outros gêneros narrativos, como ocorre nesta história em quadrinhos, que carrega o fenômeno para o âmbito do terror. Afinal, quando somos confrontados com uma nova realidade, que não é aquela com a qual estamos acostumados, os sentimentos resultantes podem ser os mais diversos. Um destes sentimentos pode ser o terror, mas o absurdo também pode levar a outros gêneros narrativos, como a comédia, por exemplo. É interessante que várias narrativas têm migrado e explorado esse tipo de narrativa, em que outras realidades possam oferecer mais recursos narrativos do que a realidade principal. Parece que, na cabeça dos roteiristas, ambientar uma narrativa em um espaço ficcional não-oficial oferece mais espaço para a criatividade e menos influência editorial. Se Gideon Falls provocou toda essa análise na minha cabeça, certamente é porque vale a conferida.

O UNIVERSO DE SANDMAN: OS LIVROS DA MAGIA, DE KAT HOWARD, TOM FOWLER, JORDAN BOYD

Uma das grandes lástimas do mercado editorial de quadrinhos brasileiro do início do século XXI foi a diáspora da Vertigo por diversas editoras pequenas. Isso evitou que diversos materiais do selo de quadrinhos adultos fossem publicados regularmente por aqui. Os quadrinhos que hoje compõem o Universo de Sandman, como O Sonhar, Lúcifer e Os Livros da Magia nunca foram publicados na íntegra aqui no Brasil. Então, nesta nova leva destas revistas, sob a chancela de Neil Gaiman, nós, brasileiros, não sabíamos o que esperar destes títulos. Podemos dizer que, com a leitora deste último dos primeiros encadernados, o de Livros da Magia, entendemos que o Universo de Sandman enquanto iniciativa, se saiu bem 75%: ou seja Sonhar, Lúcifer e Livros da Magia conseguiram acompanhar o compasso dos títulos anteriores e tiveram êxito em trazer histórias revigorantes. Já A Casa dos Sussurros não foi tão interessante assim. Os Livros da Magia possui outra peculiaridade: é o único arco dos quatro títulos que não se encerra, mas promete continuar na próxima edição. Assim fica aquele sentimento de desolação e abandono. Opção editorial ou da roteirista, acreditamos que o selo Universo de Sandman ainda tem uma longa e próspera estrada pela frente.

Leia neste post uma avaliação completa sobre a nova empreitada da DC Comics, o Universo de Sandman. 

ÓPERA JONES, DE CARLOS ESTEFAN E MAURO SOUZA

Este é o segundo livro em quadrinhos da série de aventuras da incorporadora sobrenatural Jones Inc. criada por Carlos Estefan e Mauro Souza. Não tive a oportunidade de ler a edição que dá início à saga, mas isso nem de longe prejudica o entendimento desta segunda, já que os personagens são muito bem construídos e como vozes próprias. Este tipo de cuidado editorial e de roteiro permite que, mesmo sendo um segundo volume ou uma continuação, o leitor se familiarize com a história e seus desdobramentos. Ópera Jones, como o nome já diz, é uma homenagem aos espetáculos operísticos, mas principalmente aquele que é o mais sobrenatural de todos, O Fantasma da Ópera. O mais legal deste quadrinho é que ele não se leva a sério e o roteiro de Estefan está sempre brincando com diversas referências visuais e textuais. Os desenhos de Souza são muito expressivos e fáceis de serem admirados e de atrair o público até eles: geram imediata simpatia. Com uma combinação dessas, o resultado não poderia ser outro: diversão na certa e grande admiração pelo resultado do trabalho, lembrando aquele terror sobrenatural para todas as idades que ficou famoso em cartoons como Scooby-Doo.

SUPÉRIA, DE IDOVINO CASSOL JR.

Neste livro em prosa de ficção especulativa, Idovino Cassol Jr. cria uma personagem feminina e super-heróica que, a sua maneira, atravessa espaços de tempo que ressoam às Eras dos Quadrinhos dos super-heróis americanos. Supéria, esta super-heroína, possui diversas características de alguns dos principais super-heróis estadunidenses e vai evoluindo dentro do escopo sociocultural como eles. A sacada é que as evoluções ou devoluções que Supéria sofre seguem de acordo com o plano geral das modificações e censuras que os próprios super-heróis sofreram ao longo de sua inexorável carreira até os dias atuais. Cassol bebe direto na fonte de Alan Moore, que já fez um trabalho parecido em Supremo, cria insossa de Rob Liefeld que o mago barbudo insuflou de consciência histórica das reviravoltas culturais superheroicas. O resultado tanto de Supremo quanto de Supéria é uma homenagem intensa aos próprios mandos e desmandos da sociedade que gera a cultura em que se insere e como essa engrenagem nem sempre bem azeitada depende uma da outra para continuar girando. Se observarmos a história dos super-heróis, ela nada mais é do que um reflexo de nossa sociedade e cultura. Essa é a tentativa de ficção que Cassol realiza em Supéria.

QUALQUER SILVA, DE JULIA TIETBO

Este quadrinho da Julia Tietbo tem tudo aquilo que um bom quadrinho experimental deve ter: uma narrativa gráfica diferente, que extrapola as barreiras do comum e uma narrativa que ficamos em dúvida de sua autenticidade: será que aconteceu de verdade? será que aconteceu de mentira? será ficção (que não é verdade e nem mentira)? Também tem boas doses de drama, afinal Qualquer Silva trata da história de um fim de relacionamento entre um homem e uma mulher e é contado em primeira pessoa, em tom confessional e, aparentemente, autobiográfico. O que mais me impactou neste quadrinho foi a maneira fluida com que a Julia expressa as emoções que narra não apenas com palavras e desenhos, mas com uma narrativa que se aproxima tanto das artes plásticas como das artes gráficas. Um quadrinho muito bonito e bem realizado que, apesar de retratar sofrimento, também retrata libertação, emoções conflitantes de todo fim de relacionamento, seja ele amoroso ou ainda de amizade. Super recomendo a todos darem uma olhada e uma conferida neste belo trabalho da Julia Tietbo.

X-MEN: TREVAS, DE CHRIS CLAREMONT, NICK BRADSHAW, SCOTT AUKERMAN, GERALDO BORGES, LEAH WILLIAMS, CHRIS BACHALO E OUTROS ARTISTAS

Este encadernado traz cinco edições especiais que saíram pela Marvel na chancela X-Men Black, que dedicava one-shots para determinados e importantes supervilões da franquia mutante. Tivemos especiais de Magneto, Mojo, Mística, Fanático, Emma Frost e, por fim o de Apocalipse, que saiu como história de backup nas demais revistas e foi desenhada pelo brasileiro Geraldo Borges. As melhores histórias são as de Magneto, Mojo e Emma Frost, muito em função da combinação entre o roteiro e a arte. A história do Apocalipse é bastante enrolada, mas envolve o leitor de forma eficaz. Já os especiais de Mística e do Fanático não acrescentam em muito para delinear a personalidade destes dois encantadores personagens. A arte destas duas revistas e o roteiro delas também não colaboram para o êxito da composição geral. Assim que, no cômputo geral temos um resultado positivo, mas que poderia dar mais vazão para o lado sombrio dos personagens, como diz o título brasileiro: Trevas. O que se perde neste quadrinho é que todas as HQs tentam equilibrar o lado heróico e vilanesco destes personagens, quando o que o leitor quer mesmo é ver as atrocidades que eles cometem e revelam a face do mal que os corrompe e leva a enfrentar os melodiosos mutantes da Marvel.

SAMURAI BOY: O LADRÃO DE JAVALIS, DE DAN ARROWS

Uma divertida história em quadrinhos que vai ensinar às crianças (e, por que não, aos adultos) a importâncias de alguns valores como ser verdadeiro e seguir a sua moral e seus ensinamentos. Samurai Boy e sua amiga onça, Kitty, são acusados de roubar os javalis da aldeia pela indiazinha Thainá e agora precisam provar a sua inocência antes que seja julgados e punidos pela tribo. Enquanto estava em voo de volta da CCXP dividi meu corredor de poltronas com uma mãe e seu filho e emprestei a eles esta revistinha para passarem o tempo. No final das contas, acho que a mãe curtiu mais que o filho. Uma prova de que as histórias em quadrinhos do Samurai Boy de Dan Arrows é perfeita para todas as idades. Mais que isso, o traço do Dan se aproxima bastante da animação, com o traço principal da cor do preenchimento, o que empresta ao quadrinho uma aura toda própria. Esta é uma das historinhas mais curtas do Samurai Boy. Ainda pretendo ler as demais e resenhar aqui para vocês, mas acredito que contém a mesma dedicação aos valores humanos que a lição desta revista repercute. Como disse, ótima leitura para todas as idades!

GUERRAS INFINITAS, VOLUME 8, DE GERRY DUGGAN, CHRIS SIMS, CHAD BOWERS, MIKE DEODATO JR., TODD NAUCK E MARK BAGLEY

Chegamos à penúltima parte daquilo que a Panini Comics Brasil preparou para este volume especial da saga cósmica Guerras Infinitas. Após esta edição teremos um epílogo que será estrelado por Wolverine em seu retorno ao mundo dos vivos da Marvel. Já nesta edição tivemos não apenas o derradeiro número da minissérie principal, Guerras Infinitas com o destino das Joias do infinito, como também o último número da minissérie do heróis do mundo onírico/anímico Sonâmbulo, resgatando o mundo dos heróis mesclados por Gamora. Uma edição especial contida neste encadernado deu conta da morte de um dos Guardiões da Galáxia. Desta vez foi Drax, o Destruidor quem feneceu e recebeu esta edição homenageando a sua carreira de herói cósmico. Por, fim, o especial de Infinidade quis deixar um gostinho daquilo que está por vir, revelando os destinos de Adam Warlock, do joia do tempo e do deus da mentira e da trapaça, Loki Laufeyson. Assim, aguardemos a próxima e derradeira edição destes nove encadernados mensais que revelaram mas uma divertida saga cósmica-espacial da casa das ideias, que é a Marvel.

DAMPYR, VOLUME 3, DE MAURO BOSELLI, MAURIZIO COLOMBI E VÁRIOS ARTISTAS

Os quadrinhos de Dampyr, ao contrário de muitas outras versões de vampiros, possuem um original apelo para o sobrenatural e para o mistério. Os roteiristas tecem tramas intrigantes de se acompanhar e que são interessantes e deliciosas de se ler. As artes em preto e branco não tem aquele teor datado de muitas outras revistas fumetti da Sergio Bonelli Editore: são bastante atuais e sombrios. Dampyr tem sido uma das séries mais interessantes que eu li nos últimos anos. Isso sem falar no “Manual do Vampirólogo”. O Manual do Vampirólogo é uma seção do fumetto Dampyr, personagem vampiro criado pelos italianos Mauro Boselli e Maurizio Colombi. Neste “Manual”, os autores falam sobre diversas lendas vampíricas, não somente dos cárpatos, mas também dos povos da Índia e do sudoeste da Ásia, que possuem lendas parecidas. Isso tornaria o mito dos vampiros universal? Talvez sim, talvez não, mas com certeza enriquece essa mitologia para que os autores de Dampyr nos tragam mais e mais historinhas deliciosas de se acompanhar, lendo e vendo imagens de forma natural e ahá sobrenatural. Recomendo fortemente!

Leia mais num post completo sobre a série de fumetti da Bonell, Dampyr aqui neste link.

PIORES

X-MEN: EQUIPE VERMELHA, VOLUME 2 – LUTANDO PELA PAZ, DE TOM TAYLOR, CARMEN CARNERO, ROGÊ ANTONIO E RAIN BEREDO

Em primeiro lugar, preciso fazer um elogio que não costumo fazer. Sim, eu sei que costumo elogiar os coloristas, mas geralmente é em função de motivos diversos. Neste segundo volume eu preciso bater palmas para Rain Beredo, o colorista de X-Men: Equipe Vermelha por conseguir dar unidade a dois estilos de desenho tão diferentes quanto os dos dois desenhistas com trabalhos neste encadernado: Carmen Carnero e o gaúcho Rogê Antonio. Em determinados momentos parece que se trata do mesmo desenhista. Bom dito isso, preciso falar da história. Mostrei esse encadernado para meu irmão e ele, com seu pessimismo jogou minha empolgação lá para baixo ao folhear o quadrinho e dizer: “mas, de novo estão usando a Cassandra Nova?”. Ao ler o quadrinho vi que Tom Taylor não foi muito original com a equipe de Jean Grey. De novo havia um Sentinela na equipe, de novo o Forge era um aliado do inimigo, e as coisas boas do enredo são os personagens que ele mesmo criou, que são a Gabby Kinney e o Kid Abominável. Assim que, se o primeiro volume de Equipe Vermelha era legal, o segundo não é essa Coca-Cola toda não. E essa Coca nem é Fanta.

DEADPOOL VS. PANTERA NEGRA, DE DANIEL KIBBLESMITH, RICARDO LOPEZ ORTIZ E FELIPE SOBREIRO

Panterapool! Panterapool, minha gente! Um Deadpool com os apetrecho do Pantera Negra! Pelamor das crianças de Wakanda! Não adianta, as histórias do Deadpoll ou são MUITO boas ou são MUITO ruins. Como a proporção de boas é muito menos que a de ruins, acho que a melhor solução é ficar longe das histórias do mercenário tagarela, não é mesmo. Isso porque vejamos esta edição de Deadpool versus Pantera Negra. É escrita por Daniel Kibblesmith de quem eu nunca ouvi falar na vida, mas que não entende nem de Deadpool e nem de Pantera Negra. Afinal, tudo que ele trouxe de elemento dos dois personagens são coisas que estão nos filmes e não nos quadrinhos. Bem complicado isso de roteirista que não faz o dever de casa. Achou muito engraçadinho fazer um Deadpool Pantera Negra mesclado. Aff! Depois temos o desenhista Ricardo Lopez Ortiz de quem eu acabei pegando nojinho depois que li aquele quadrinho idiotesco da Hit-Girl e que foi escrito mesmo pelo próprio Mark Millar Himself. Complicado essas minisséries caça-níqueis energúmenas do Deadpool, hein, vou te contar! Esconjuro!

HOMEM-ARANHA: ARANHAGEDOM, VOLUME 3, DE CHRISTOS GAGE, MATT RYAN, JODY HOUSER, DAN SLOTT, JORGE MOLINA, CARLO BARBERI E OUTROS ARTISTAS

A saga multiversal Homem-Aranha: AranhaGedom começou superbem com o prelúdio e com a primeira edição destes encadernados, mas com a chegada dos encadernados dois e três e mais revistas no mix, a qualidade cai bastante. Neste número a qualidade diminuiu principalmente por causa da minissérie Força-Aranha, que tomou a maior parte do espaço proporcionalmente da edição. A melhor minissérie de Homem-Aranha: AranhaGedom não é nem a principal, mas a relacionadas às Garotas-Aranha, escrita por Jody Hauser. Uma das mais divertidas e aventurescas dos spin-offs de Homem-Aranha: AranhaGedom. Eu não li toda a saga original de AranhaVerso para poder julgar direito uma comparação entre a saga original e a sua continuação. Mas deu para perceber que essa saga teve um impacto menor e que foi muito mais calcada em vendas para coincidir com a animação Homem-Aranha: no Aranhaverso do que por prezar pela qualidade. Sorte que dela saiu um spin-off muito divertido que são as aventuras de Otto Octavius no corpo de Peter Parker, se tornando o Homem-Aranha Superior.

ASGARDIANOS DA GALÁXIA, VOLUME 1: ARMADA INFINITA, DE CULLEN BUNN, MATTEO LOLLI, JILL THOMPSON, MIKE DEL MUNDO E OUTROS ARTISTAS

Cullen Bunn celebrizou-se não apenas por escrever bem histórias de vilões, mas também por, quando sai deste escopo, de escrever histórias bastante medianas. Eu estava bastante curioso para ler esse quadrinho e ver o que o escritor destinou para Annabelle Riggs, a hospedeira de Valquíria que o autor criou e da própria Valquíria. Contudo, como não está trabalhando com supervilões, Cullen Bunn se saiu medianamente neste Asgardianos das Galáxias. Ele consegue trabalhar bem para costurar tramas anteriores de Asgard agregando diversos persongens díspares como Angela, o Executor, Thorg, Kid Loki e Trovejante na mesma equipe, mas na hora de caracterizar os personagens a impressão que dá é que eles acabaram sendo pasteurizados no processo. No mesmo processo que teceu a trama, em que precisam enfrentar Nebulosa e seus planos para acabar com o Universo, as coisas parecem insossas. Nem mesmo o simpático desenho de Matteo Lolli salva o encadernado nem as participações especiais de Jill Thompson, Mike Del Mundo e de outros desenhistas conseguem dar ao enredo aquele tom de importância.

FAITH, VOLUME 2: CONSPIRAÇÃO CALIFÓRNIA, DE JODY HOUSER, MARGUERITE SAUVAGE, PÉRE PÉREZ E COLEEN DORAN

Este é o segundo volume das aventuras de Faith. É muito legal ver que heroínas que fogem ao padrão de beleza fazem sucesso nos quadrinhos como é o caso da super-heroína Zephyr. Contudo, a qualidade das histórias deixa bastante a desejar. Nesse quesito, acho que curti mais o primeiro volume da heroína do que este segundo. A arte, claro, está em conformidade com os melhores quadrinhos de super-heróis da Marvel e da DC Comics. E o roteiro até que está também. O problema é que, para mim, a Valiant sempre se destacou nas histórias que contava e, nos últimos anos tem se tornado cada vez mais um mais do mesmo super-heroico, algo passável, mas que não encanta mais como acontecia antigamente. O mais divertido desta edição é quando Faith e Archer vão a uma grande convenção de quadrinhos americana e a personagem passa a dar dicas de como sobreviver em uma con desse tipo para os navegantes de primeira viagem. Ela faz isso dentro de caixas de legenda com setinhas, e que fazem todo o sentido mesmo. Serviço de utilidade pública. Essa é uma pitadinha de originalidade num mar de mesmice, quando deveria ser o contrário.

DYLAN DOG: MATER DOLOROSA, DE ROBERTO RECCHIONI E GIGI CAVENAGO

A arte desta edição é primorosa, isto não há dúvida. Seja ela apresentada em forma de graphic novel, como foi publicada originalmente no Brasil, seja dentro do formato italiano próprio dos fumetti, mais reduzido. Contudo, como para mim, o roteiro conta em primeiro lugar, a edição deixou bastante a desejar neste quesito. Me pareceu fluida demais, como as nuvens que estão tão presentes na arte, indo e vindo com o tempo, com o espaço, com alucinações e sonhos que não parecem ter conexões tanto quanto parecem ter ao mesmo tempo. Nesse sentido, Mater Morbi, a primeira parte desta “história” se dá melhor. Isso porque nela conseguimos decifrar melhor em que ponto da história estamos, o que foi entendido para ser realidade, o que é fantasia/alucinação. Há que se aplaudir, contudo, o trabalho feito nos extras da edição que contextualizam não só a história e seus planos de fundo, mas o personagem e seus criadores. Este trabalho não aparenta ser da edição brasileira, mas sim da edição original italiana, já que os brasileiros não têm o costume de produzir material inédito na grande maioria das edições que são trazidas de fora para cá. O que é uma pena.

CAPUZ VERMELHO: FORAGIDO, DE SCOTT LOBDELL, CLAYTON HENTY, PETE WOODS E NEIL GOOGE

Havia lido no grupo do 2quadrinhos no facebook um leitor comentando que não esperava que este encadernado fosse uma bomba-relógio. Bem, na verdade, sinto dizer a ele, que todo mundo esperava isso deste encadernado. Mas preciso confessar que eu estava gostando um monte dos encadernados anteriores. Na falta de Aves de Rapina, esta equipe, Capuz Vermelho e os Foragidos estavam bons substitutos de um “guilty pleasure” a dinâmica deste odd trio funcionava de uma forma hã… bizarra… mas funcionava. Agora, separar Jason Todd de Bizarro e Ártemis foi uma jogada ousada demais e transformou as histórias dele na mais pura nata rançosa do grim e do gritty anos 90. Pelamor de Bruce Wayne Pai! O pior de tudo é que se eu quiser ficar sabendo do destino de Biz e Vermelha Ela, eu preciso acompanhar essas histórias, isso porque lá nos Estados Unidos a jornada deles se desenvolve como uma subtrama da trajetória de Jason Todd. Não me parece, da forma que pareceu ao leitor do 2quadrinhos, que o próximo arco vá melhorar, mas estou com saudades da união esquisita do trio e que eles voltem a ser três novamente em breve.

STAR WARS: ENTRE AS ESTRELAS, DE JASON AARON, JASON LATOUR, SALVADOR LARROCA, MICHAEL WALSH E ANDREA SORRENTINO

Sabe quando aquela série que você estava curtindo tanto começa a dar sinais de cansaço? É isso que vem ocorrendo com a série de Star Wars pelo Jason Aaron há uns dois ou três encadernados. Está cansando um pouco. Esta edição traz histórias curtas de diversas duplas do universo de Star Wars: Leia Organa e Luke Skywalker, Han Solo e Chewbacca, R2-D2 e C3PO, Lando Carlislan e Sana (a personagem original criada para ser ex-esposa de Han Solo), bem como outras historinhas pequenas. É uma tentativa diferente de fechar algumas pontas abertas que ficaram de arcos anteriores e de estabelecer os alicerces das relações dos personagens, mas que diminui o ritmo e o vigor das histórias que estavam sendo publicadas anteriormente. Isso que estamos nas edições da dezena de 30 do título de Star Wars, outros títulos conseguem manter o fôlego por mais tempo, seja no roteiro, seja na arte, a de Salvador Larroca, que cumpre tabela, mas não surpreende nem embasbaca, como sempre foi a arte deste espanhol. Ainda não é motivo para abandonar a série de Star Wars, mas se a onda decrescente continuar, em breve é o que terei de fazer.

MULHER-GATO, VOLUME 1, DE JOËLLE JONES E LAURA ALLRED

Acompanho o trabalho de Joëlle Jones desde que ela estava no circuito independente, quando a Devir lançou aqui no Brasil o inspirador 12 Razões de Amá-La. Desde então ela se tornou uma queridinha minha, com eu adorando cada participaçãozinha dela em coletâneas da DC Comics e da Marvel Comics. Um tempo depois, ela se tornou mainstream, passando a desenhar algumas histórias do Batman escritas por Tom King. Curto muito o traço de Joëlle e a maneira como ele evoluiu desde 12 Razões Para Amá-la. Dito isso, não sei se curto o trabalho de Joëlle como roteirista, já que neste primeiro volume de Mulher-Gato ela entrega uma história de mediana para ruim, em que alguns momentos lembram o malfadado filme da gatuna com a atriz Halle Berry, principalmente na caracterização da antagonista principal. Além disso, as cores de Laura Allred, que casam muito bem com o traço de seu marido, Mike, não ajudam na arte de Joëlle, deixando o quadrinho chapado quando não deveria ser. Talvez uma outra colorista tivesse dado outros teores para essa história e transformado meu gosto. O meu veredito é que não pretendo continuar acompanhando essa série não.

APANHADORES DE SAPOS, DE JEFF LEMIRE

Na minha humilde opinião Jeff Lemire não estava tão inspirado para fazer esse Apanhadores de Sapos como já esteve em outros maravilhosos trabalhos mais autorais como Condado de Essex, O Soldador Subaquático e Sweet Tooth, por exemplo. Este Apanhadores de Sapos, me pareceu feito às pressas. Apesar de a narrativa gráfica ter o primor de todos os quadrinhos de Lemire, os desenhos estão longe da melhor forma que o autor canadense consegue atingir. Talvez, claro, tenha sido um experimento com um traço mais solto, mas que para mim, novamente, na minha humilde opinião, não funcionou. Apanhadores de Sapos trata de uma metáfora sobre a vida, a morte e partes da nossa vida que são as memórias. É singelo e bonito, mas eu não consegui captar a metáfora dos sapos neste quadrinho. Tem também um problema de continuidade narrativa que eu não consegui entender como um personagem se torna outro. Jeff Lemire é um autor extremamente prolífico e, para esse tipo de autor é comum que alguns trabalhos se destaquem entre muitos outros. Contudo, não parece ser o caso deste seu mais recente trabalho, Apanhadores de Sapos.

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