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Quem Foi A Primeira Super-Heroína Criada Por Uma Mulher?

A primeira super-heroína criada por uma mulher surgiu nos anos 70? Nos anos 90? Se você respondeu qualquer década recente, você está redondamente enganado! Essa personagem surgiu logo nos anos 40, durante o boom dos super-heróis durante a Segunda Guerra Mundial. Agora você vai conhecer a personagem e a autora!

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O Quadrinho da Bell Publishing, que durou oito edições.

Miss Fury, anteriormente criada como Black Fury, foi uma heroína que se vestia de gato – muito antes de Selina Kyle adotar seu visual felino de colante que celebrizou-se com Michelle Pfeiffer. Ela foi criada por June Tarpé Mills nas páginas dominicais em 6 de abril de 1941. Entretanto, June Mills adicionou o nome Tarpé e era creditada como Tarpé Mills porque acreditava que assim seria tida como um homem criador de quadrinhos. Naquela época, muitos desses criadores haviam ido servir na guerra, como foi o caso de Will Eisner, Jack Kirby e Stan Lee, coube às mulheres os trabalhos nas fábricas. Não poderia ser diferente na indústria dos quadrinhos.

TARPÉ MILLS: A AUTORA

June Tarpé Mills nasceu em 1912, no Brooklyn, sua família era composta por sua mãe viúva  e suas irmãs mais novas. Ela trabalhou como modelo para sustentar sua família, e para ajudar a pagar seus estudos na prestigiada escola de arte do Brooklyn, o Pratt Institute. Ela trabalharia como ilustradora de moda antes de virar a mão em 1938 para o mundo emergente de quadrinhos, com trabalhos sobre títulos como Daredevil Barry Finn, Catman e The Purple Zombie, usando o codinome sexualmente ambíguo Tarpé Mills. “Teria sido uma grande decepção para as crianças, se eles descobrissem que o autor de tais personagens viris e impressionantes foi uma garota “.

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O gato Purr-purr e Tarpé Mills.

Dentro do campo das artes, Tarpe teve grande influência Milton Caniff, de Terry e os Piratas. Durante a Segunda Guerra Mundial, os jornais destacavam Tarpé Mills como uma grande e bela artista por trás de incríveis heróis e heroínas. Mills caiu no ostracismo em 1958. Só retornou para os quadrinhos em 1971 quando escreveu para a Marvel o título Our Love Story. Tarpé Mills faleceu em 1988.

QUEM É A MISS FURY?

Miss Fury é uma socialite chamada Marla Drake, que guarda muita semelhança física com Tarpe Mills. Ao descobrir que uma rival usaria o mesmo vestido que ela numa festa, ela rasga o vestido e vai atrás de uma pele de pantera, indicada por uma de suas empregadas. Acontece que aquela pele de pantera, adquirida por Marla, havia sido enfeitiçada por um pajé, e isso acaba levando a socialite a embarcar em aventuras no Brasil selvagem para enfrentar generais nazistas.

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As compilações das Tiras Dominicais da Miss Fury.

Em 1943, a Time magazine escreveu um artigo dizendo que o arquiinimigo de Miss Fury, o General Bruno, era inspirado no “major Günter Niedenführ… militar nazista destacado para o Brasil”. Os quadrinhos da Miss Fury venderam mais de um milhão de cópias cada, mas duraram apenas oito edições pela Bell Publishing. Trina Robbins diz em seu livro Great Women Super-Heroes, que se não fosse pela escassez de papel durante a época da guerra, Miss Fury teria sido um sucesso contínuo.

NO BRASIL E HOJE EM DIA

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A capa de Alex Ross para Miss Fury #1 (Dynamite)

Seu uniforme, uma malha preta com uma máscara lembrando um gato, fez com que ela fosse confundida, no Brasil, com outra personagem parecida, a Pantera Negra (Black Cat), da editora Harvey. Talvez por isso, Black Fury/Miss Fury foi chamada entre nós de “Pantera Negra”. Essas histórias foram publicadas aqui em 1962, no Almanaque do Águia Negra, pela RGE. No “Suplemento Juvenil” era chamada de “Mulher Pantera” e foi publicada nesse periódico no ano de 1944.

Nos Estados Unidos, Miss Fury chegou a ser reinterpretada nos anos 90 pela editora Malibu Comics. E ganhou dois compilados de suas páginas dominicais prefaciados por Trina Robbins. Em 2013, a Dynamite relançou a personagem como parte de sua iniciativa de resgatar heróis da Era de Ouro. A série era escrita por Rob Williams e desenhada pelo brasileiro Jack Herbert. A série durou 11 números.

Assim, a primeira super-heroína criada por uma mulher se provou um quadrinho muito inventivo. Se você ler mais sobre ele vai descobrir que houveram grandes reviravoltas na sua história, inclusive sendo substituída duas vezes por uma impostora e somente seu gato Purr-purr sabia da verdade. O gato, inclusive, foi inspirado no gato da vida real de Tarpe Mills. Uma personagem muito inspiradora e interessante, com uma história de bastidores e nas páginas de quadrinhos que instiga uma boa olhada.

MISScapinha

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4 comentários

  1. Tá aí uma coisa que eu não tinha o menor conhecimento, mas me sinto maior agora.
    Interessante uma história dessa época já ter elaborações de roteiro complexas (considerando que o Superman só lutava contra gangsters e o Batman teve eras de busca desenfreada por atenção explorando o mais absurdo – não nos esqueceremos do bat-zebra, jamais).
    De repente você me acha essa pérola no meio do arroz quarentista?
    Obrigado, Smee!

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    • Guilherme Smee diz

      Bier, agradeça à Trina Robbins, que escreveu o livro de onde retirei essa informação! Ela é uma baita historiadora dos quadrinhos, principalmente no que tange às mulheres. =) Abs!

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