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O Começo, o Fim e o Meio. Rising Stars: Estrelas Ascendentes, de J. Michael Straczynski e Vários Artistas

Muitos gostam de comparar Rising Stars: Estrelas Ascendentes com Watchmen. Mas não é bem por aí. Apesar da obra ter algumas semelhanças e começar com a premissa: quem está assassinando os Especiais de Pemberton, o rumo que a narrativa toma é muito maior e mais ambicioso que Watchmen. Basta tentar concluir se ela conseguiu atingir seus objetivos.

A capa do Encadernadão da Mythos Editora.

A capa do Encadernadão da Mythos Editora.

A história de Rising Stars é contada pelo ponto de vista do Poeta, um dos Especiais de Pemberton, crianças superpoderosas que, no momento da sua concepção foram atingidas pela energia de uma bola de fogo que rasgou os céus da cidade de Pemberton, nos Estados Unidos. A partir daí, esses garotos foram doutrinados e controlados pelo governo americano. Straczynski é um escritor famoso. Criou a série Babylon 5, escreveu o roteiros para o filme A Troca (The Changeling), com Angelina Jolie. Nos quadrinhos, já teve em suas mãos as revistas do Homem-Aranha, Superman, Mulher-Maravilha, entre outros. Straczynsky é muito lembrado pelos seus começos. Sempre inicia uma trama com uma premissa instigante. Assim fez com Rising Stars, com Poder Supremo e com The Twelve. Existe uma grandecíssima semelhança entre essas três séries. Todas têm começos ótimos, meios regulares e finais, se é que as têm, delongados, espichados, demorados para acontecer e, quando acontecem, já se perdeu o fio da meada e o interesse na série.

J. M. Straczinsky J. M. Straczinsky J. M. Straczinsky Opa, estou me repetindo muito...

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Rising Stars foi o primeiro destes casos. Levou anos para sua conclusão. No Brasil, passou por várias publicações até que a Mythos Editora compilasse todas as histórias num superencadernado de capa dura. Poder Supremo, a versão realista e adulta de Esquadrão Supremo (a Liga da Justiça da Marvel,) por sua vez, nunca viu seu final. Pelo menos não o programado por Straczynski. A impressão que dá é que o escritor não planeja suas séries, ele apenas vai com a maré. As séries fazem um sucesso fenomenal, mas o escritor parece sofrer de uma depressão pós-parto e não conseguir lidar com o nascimento de seus filhos.

Jason Aaron falou uma vez em seu blog que, para ele, o mais difícil de escrever em uma história era o meio. O início e o final eram fáceis, mas como fazer um se ligar com o outro? Esse era o seu dilema. O de Straczynski parece ser o final, ou então o de conduzir suas narrativas a um ponto tão megalomaníaco em que ele perde o controle de seus personagens. Foi o que aconteceu com Poder Supremo, quando os personagens têm de enfrentar uns aos outros e as Nações Unidas ao mesmo tempo. Em Rising Stars, percebemos essa perda de controle durante as passagens da Batalha por Chicago, em que os Especiais de Pemberton precisam se enfrentar. Por outro lado, poderes como o de trazer os mortos de volta à vida, são completamente desperdiçados. Straczynski é ótimo em criar personagens surpreendentes, multifacetados e, quando foca em suas histórias pessoais, ele dá o seu melhor. Partes mais interessantes de Rising Stars são quando ele conta o que aconteceu com cada Especial da infância a idade adulta. São aulas de narrativa.

Especialidades Nestlé, Personalidades Garoto

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Outra parte digna de nota em Rising Stars é o final, a partir da parte que a arte, até então esquizofrênica com problemas de proporções e anatomia, fica a cargo do veterano Brent Anderson (X-Men: Deus Ama, o Homem Mata e Astro City). A história toma outra proporção e se torna mais densa, tanto é que os diálogos são mais encorpados, e a dimensão épica que o escritor tanto queria abarcar em suas batalhas destruidoras de metrópoles acaba tomando corpo com conspirações, ideais, utopias e paralelismos. Muito mais blá, blá, blá e menos Soc, Tum, Pof. É nesse momento que os Especiais se voltam para dar conta dos problemas do mundo. Um deles pretende acabar com o narcotráfico, outro, através da simbologia de sua máscara (ao melhor estilo V de Vingança), se torna um ícone contra os crimes nas ruas, outro, vai em busca de esconder todas as ogivas nucleares do mundo. O Poeta, por fim, se volta para resolver a paz no Oriente Médio, em uma história chamada Selah, que é a melhor de toda a série, senão a melhor escrita por Straczynski. Na edição anterior há a seguinte reflexão de Lábaro: “Eu posso rachar uma montanha ao meio usando só as minhas mãos, e consigo voar mais rápido que um caça da força aérea, mas sou incapaz de alfabetizar uma criança, não tenho como reformular guetos ou favelas, e se eu declarar guerra a traficantes de um bairro, eles se mudam para outro. Não posso impedir que pessoas irresponsáveis encham a cara e saiam dirigindo, nem coibir casos de violência doméstica. Se um cometa entrar em rota de colisão com a terra, e a humanidade precisar de alguém para evitar a catástrofe… Aí, sim, eu sou o cara. Pena que a maioria dos problemas do mundo não possa ser resolvida na base da destruição, nada é tão fácil assim”. No final, Rising Stars é uma grande extensão da memorável história de Elliot S! Maggin e Curt Swan, “Precisa haver um Superman?”, de 1972. E ficamos com a frase do educador americano Horace Mann citado por Straczynski em Rising Stars: “Sinta vergonha de morrer até que tenha conquistado alguma vitória para a humanidade”.

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