As Mulheres Criadoras Mais Poderosas dos Comics

A indústria de quadrinhos é machista? Você pode dizer que sim, você pode dizer que não. Mas os números, maninho, ah, esses não mentem. Vamos comentar aqui uma lista de quadrinistas mais prolíficas e poderosa da indústria dos comics norte-americanos e vamos tentar ver aonde chegamos com esses nomes e números. 1, 2, 3, lá vou eu! Quem não seu escondeu é meu!

Primeiro eu queria esclarecer que não fui eu quem fez essa lista, ela vem do site Mike’s Amazing World of Comics. Lá é informado os seguintes critérios para a lista: “Os totais são baseados no número de créditos atualmente disponíveis no banco de dados de Mike. Novos créditos são adicionados ao banco de dados regularmente. DC e Marvel estão quase completos, mas outras editoras estão pendentes. Portanto, alguns criadores e / ou editores podem estar mal-representados. Créditos anteriores à década de 1960 muitas vezes não estavam disponíveis. Quando os criadores são conhecidos, essas histórias têm sido contabilizadas. No entanto, ainda há muitas histórias dessa época em que os créditos não estão disponíveis. Páginas de histórias reimpressas não estão incluídas nos totais”.

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Os meus destaques vão para as 100 primeiras colocações de cada lista. Os critérios Desenhista e Artista de Capa não consta nenhum nome feminino entre as 100 primeiras colocações, por isso foram deixados de fora para comentar em separado. Aqui também resolvi deixar de lado a categoria de letreiristas pois o público brasileiro não costuma usufruir deste serviço original, portanto, não pode avaliar a qualidade de seus trabalhos. Mas vale dizer que é uma das categorias em que mais aparecem nomes femininos. Dito isso, iniciamos a análise:


ROTEIRISTAS

Posição Nome Páginas de Quadrinhos Histórias
43 Louise Simonson (Jones) 9206 377
71 Gail Simone 6722 324
75 Dannette “Dann” Thomas (Couto) 6285 264

 

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Louise Simonson

Como podemos ver, a mulher que mais escreveu histórias para os comics é Louise Simonson, ela é mulher de Walter Simonson e escreveu quadrinhos como X-Factor, Novos Mutantes, Aço e Superman. Ela também é a criadora da equipe de crianças o Quarteto Futuro. Mas antes de Louise se tornar roteirista e antes de casar com Walter, ela era editora. Começou na Warren Publishing, a casa de Vampirella. Na Marvel ela editou a linha mutante e Indiana Jones e Star Wars antes de partir para os roteiros. Seu último trabalho nos quadrinhos foi o especial dos X-Men da Guerra do Caos. Ela também escreve livros infantis com os personagens da DC Comics.

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Gail Simone

Gail Simone é um caso à parte. Tudo começou com o seu site Women in Refrigerators, em 1999, webpage que denunciava abusos contra personagens femininas dos quadrinhos. Ele faz referência à terrível cena em que a namorada do Lanterna Verde Kyle Rayner, Alex, é eviscerada pelo Major Força e colocada na geladeira do herói. Simone fez tanto alvoroço na indústria dos comics que acabou sendo chamada para escrever Os Simpsons, logo depois ela foi chamada para escrever Deadpool para a Marvel, onde ela criou o Agente X. Mais tarde, ela foi convidada pela DC Comics para escrever a equipe feminina das Aves de Rapina. Ela também já escreveu a Mulher-Maravilha, Batgirl, Action Comics, Sexteto Secreto, Átomo, Sonja e muito mais.

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Dann Thomas

Já Dann Thomas, é a esposa do prolífico roteirista Roy Thomas, que inclusive está na primeira colocação da lista de roteiristas dos comics.  Quando ainda se chamava Dann Couto ela iniciou seus trabalhos em uma história do Conan. Ela trabalhou muito ao lado do marido em títulos da Terra 2 como Esquadrão Vitorioso e Corporação Infinito. Mas talvez seu trabalho mais famoso ao lado do marido sejam as histórias finais da equipe Vingadores da Costa Oeste.


ARTE-FINALISTAS

Posição Nome Páginas de Quadrinhos Histórias
97 Sandra Hope 4492 189

 

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Sandra Hope

Sandra Hope começou na Wildstorm, tendo passado por quase todos os títulos iniciais do selo ainda quando a editora pertencia à Image Comics. Ela também trabalhou em títulos da linha Heróis Renascem para a Marvel. Atualmente é arte-finalista da DC Comics e da Vertigo. Está associada a antigos desenhistas da Wildstorm como Tyler Kirkham e Brett Booth.


COLORISTAS

Posição Nome Páginas de Quadrinhos Histórias
2 Glynis Wein (Oliver) 31874 1541
3 Adrienne Roy 31316 1614
5 Christie Scheele 24292 1030
22 Tatjana Wood 12738 642
23 Petra Scotese (Goldberg) 12573 607
26 Patricia Mulvihill 12025 566
42 Gloria Vasquez 8197 325
52 Marie Javins 6841 311
54 Noelle C. Giddings 6807 325
56 Janete Cohen 6716 356
58 Carla Feeny 6675 292
61 Michele Wolfman 6369 208
62 Carrie Strachan 6302 311
63 Juliana Ferriter 6242 274
65 Nansi Hoolahan 6051 312
67 Laura Depuy-Martin 5842 254
68 Julia Lacquement 5773 229
73 Pamela Rambo 5583 252
76 Sherylin Van Valkenburgh 5283 214
83 Gina Going-Raney 4823 204
87 Marie Severin 4408 249

Podemos perceber que o posto que as mulheres mais assumem na indústria dos quadrinhos é o de coloritas. Dito isso, vamos comentar apenas alguns dos nomes mais famosos dos comics em relação a esta categoria. Em 1972, em Amazing Adventures #16, Len Wein e Gerry Conway criaram uma brincadeira de crossover interno entre Marvel e DC, eram as histórias relacionadas à Parada de Halloween de  Ruthland. Na história, os dois escritores apareciam, bem como a namorada de Wein, Glynis Oliver. A moça então passou a ser um nome conhecido e reconhecido pelos fãs da Marvel quando fazia seus trabalhos de cores. Ela ganhou um Prêmio Shazam em 1973 por seu trabalho como colorista. Alguns dos títulos em que mais trabalhou foram The Amazing Spider-Man, Uncanny X-Men, New Mutants e Thor.

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Adrienne Roy em história da Mulher-Maravilha

Adrienne Roy foi a mais prolífica colorista da DC Comics e é mais conhecida por seu trabalho na linha de quadrinhos do Batman. Ela começou seu trabalho auxiliando seu marido, o desenhista Anthony Tollin. Quando os trabalhos de cor se tornaram digitais, Roy foi lentamente perdendo seu espaço. Ela contraiu câncer e faleceu em 2010.

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Tatjana Wood

Tatjana Wood é um judia alemã que fugiu da Segunda Guerra Mundial e foi enviada para os Estados Unidos. Lá ela conheceu o lendário desenhista Wally Wood, com quem se casou e começou a fazer trabalhos de cores não creditados para a EC Comics. Tatjana se tornou uma das pessoas que ajudaram a embasar o selo Vertigo, tendo trabalhado com Grant Morrison em Homem-Animal e Alan Moore em Monstro do Pântano. Ela ganhou o Prêmio Shazam de melhor colorista em 1971 e 1974. Tatjana não trabalha para os comics desde 2003.

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Patricia Mulvihill

Patricia Mulvihill é sinônimo de quadrinhos noir na indústria dos comics. Ela trabalhou em muitos quadrinhos ao lado de Brian Azzarello, como na série 100 Balas. Outros trabalhos de destaque são Batman e Gotham City Contra o Crime. Foi indicada finalista de mais de dez prêmios como melhor colorista. Já Marie Javins está intimamente ligada à Marvel Comics, onde foi estagiária de Mark Gruenwald. Lá ela editou a linha Epic Comics, Akira, Groo e Terra X. Em 2001, ela deixou a Marvel para um projeto de circunavegação da Terra. Ela também é editora da Tashkeel Media Group, onde edita o supergrupo árabe The 99.

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Marie Javins em suas andanças pelo mundo

Laura Martin é uma das mais solicitadas coloristas dos comics com mais de 5 prêmios de melhor profissional das cores. Ela começou em 1995 na Wildstorm e em 1999, quando a editora passou para a DC Comics, estabeleceu uma sólida parceria com o desenhista John Cassaday em Planetary. Ela foi uma das principais colaboradoras da editora CrossGen. Ela possui um contrato de exclusividade com a Marvel.

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Laura Martin e os Atonishing X-Men que ela coloriu.

Já Pamela Rambo é uma colorista mais famosa por trabalhar nos quadrinhos de Star Wars pela Dark Horse Comics, mas ela também é conhecida pelos fãs em seus trabalhos para Preacher e Y: O Último Homem.

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Marie Severin

O pai de Marie e John Severin era um veterano da Primeira Guerra Mundial que se tornou designer de moda, isso influenciou seus filhos a desenharem. John trabalhou na EC e na Marvel Comics. Marie se tornou uma espécie de faz-tudo da Casa das Idéias. Ela desenhava, finalizava e coloria inúmeras histórias. Ela é uma ótima cartunista, tendo trabalhado por anos na antologia de humor da Marvel chamada Not Brand Echh. Marie é uma das criadoras da Mulher-Aranha.


DESENHISTAS DE CAPA

Posição Nome Páginas de Quadrinhos Histórias
84 Amanda Conner 254 254
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Amanda Conner

Amanda Conner é formada na escola de artes de Joe Kubert, e começou nos quadrinhos da Archie Comics e na Marvel. Embora trabalhasse nas companhias desde os anos 80, ele só começou a chamar a atenção no final dos anos 90, quando desenhou A Pro, de Garth Ennis e Bela Assassina, do cara que ira se tornar seu marido, o roteirista e finalista Jimmy Palmiotti. Pelos anos 2000, ela emplacou uma série da Poderosa. mas foi a década atual que a tornou famosa, atacando no título-solo da Arlequina, ao lado do marido. Ela também é a responsável pela arte da minissérie da Espectral com Darwyn Cooke.


ARTE-FINALISTAS DE CAPA

Posição Nome Páginas de Quadrinhos Histórias
82 Rachel Dodson (Pinnock) 237 237

Rachel Dodson é esposa de Terry Dodson, outro prolífico desenhista de quadrinhos. Seu trabalho está associado ao do marido, tendo trabalhado com ele em Mulher-Maravilha, X-Men, Avenging Spider-Man, Spider-Man/Black Cat: The Evil That Man Does, e muitos outros títulos.

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Rachel e Terry Dodson

A indústria de quadrinhos é machista? Com certeza. Ao vermos a lista das mulheres mais prolíficas dos quadrinhos ficamos sabendo que para que isso aconteça, em primeiro lugar elas precisam estar ligadas a algum homem que já produz ou produziu quadrinhos.Parece que uma mulher, na maioria dos casos, só tem chances de brilhar nos quadrinhos ou se está associada a um homem, pois assim já tem o aval deles, ou então é alguém que faz muito barulho sobre como as mulheres são retratadas, como Gail Simone.

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Livro-tributo à Marie Severin.

Claro que isso tem mudado. Mas olhe os números. As mulheres acabam relegadas ao papel de coloristas e letristas pois é isso que cabe a elas. O mais estranho é não termos NENHUMA mulher na lista das 100 maiores desenhistas, mostrando que o papel do desenhista ainda é o maior gueto das mulheres. O bom é que com o escândalo de que a iniciativa dos Novos 52 tinha poucas mulheres nos títulos e da premiação de Angoulême que não premiou nenhuma mulher, os fãs e as fãs tem exigido das editoras mais participação feminina nos títulos. Isso tem garantido mais diversidade no tom das histórias e conquistado mais novos leitores. Menos os machistas, é claro, um dos grandes ranços da indústrias de quadrinhos.

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18 Comments

  1. São tantas…com uma indústria de verdade, não é de se admirar essa realidade nos “States”.
    E na Europa? Bem, uma que eu curto e que mora na França, nem europeia é. Sim , uma grande autora: Marjorie…enfim do oriente médio. Devem ter outras. Mas como lá o quadrinho é + autoral, neguinho tem que fazer tudo, assim como eu, q não posso pagar colorista.

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  2. Cara, no Japão o que tem de autora não tá no gibi!!
    vou citar algumas
    Rumiko Takahashi (Ranma 1/2, Inuyasha…) Naoko Takeuchi (Sailor Moon)

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    1. Ah, no Japão a produção de mangás é muito mais diversificada tanto em produtores quanto em temáticas. Acho que é um fator cultural. Abraços!

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