MUITOS Mini-Reviews de Quadrinhos Para Janeiro de 2018

Hey, hey, hey, mergulhadores! Como estão as férias? (para quem tem o luxo de ter férias, claro!) Aqui do meu lado, tomei um fartão de mestrado e resolvi ler bem mais quadrinhos do que livros, então esse mês vocês vão acompanhar, como dizem, “uma caralhada” de mini-reviews aqui no blog. Afinal, eu também mereço curtir férias e, como não vou viajar pra praia como todo mundo, nada melhor do que ficar num oásis de ar condicionado e ler coisinhas boas (ou nem tão boas). TEMOS 20 REVIEWS ESSE MÊS! Bem, dizendo isso, me despeço e deixo vocês com as resenhinhas. Espero que sirvam para alguma coisa pra vocês!

AGENTES DA SHIELD - O HOMEM CHAMADO LETAL - Cartão.inddAGENTES DA S.H.I.E.L.D.: O HOMEM CHAMADO L.E.T.A.L., DE MARK WAID E VÁRIOS ARTISTAS

Eu havia lido o primeiro encadernado desse primeiro volume dos Agentes da SHIELD pelo Mark Waid e simplesmente adorado. A intenção desse título era tanto de inserir os personagens da série Agentes of SHIELD nos quadrinhos da Marvel, como também fazer com que esses personagens interagissem com os personagens tradicionais do universo da Casa das Ideias. Entretanto, nesse encadernado, as histórias não são assim tão embasbacantes como no primeiro. Até e, talvez porque, os personagens que fazem team-up com os agentes não sejam lá muito conhecidos, como Harpia, Howard o Pato e Dominic Fortune. A melhor história mesmo fica sendo a que dá título para o encadernado, O Homem Chamado L.E.T.A.L., que conta com arte inédita de Jack Kirby e Jim Steranko e que faz ligações com o título S.H.I.E.L.D., de Jonathan Hickman, inédito no Brasil. E não poderia deixar de mencionar, o aumento de 45% no preço desse encadernado em relação ao primeiro lançado pela Panini Comics há quase um ano atrás. Mas, quem sabe, as práticas abusivas de preço fiquem para uma próxima vez. Vocês acham que isso vale um post?

26908075_1553729051389571_2636489697601969023_nRENASCIMENTO DC: SUPERWOMAN: VOLUME UM, DE PHIL JIMENEZ E EMANUELA LUPACCHINO

Eu havia feito um post no blog dizendo que havia adorado as primeiras edições de Superwoman, dizendo que era uma homenagem aos anos 50, mais precisamente as histórias de Lois Lane. Pois bem, lendo esse encadernado percebi que não. O título é uma homenagem às BOAS histórias do Superman e à sua mitologia, que não vinha sendo bem utilizada desde os Novos 52. E aqui Phil Jimenez explora bem esse artifício, conseguindo costurar bem o novo com o antigo. Por algumas vezes também me peguei lembrando das BOAS histórias do X-Men. Teve também um easter egg, em que Jimenez cita um ator pornô gay no início da segunda edição, mas que só os “entendidos” entenderão. Jimenez explica a nova história de Lex Luthor e sua irmã, Lena, como uma espécie de homenagem (mais uma vez) à Biografia Não Autorizada de Lex Luthor e também à série de TV Smallville. Como eu sou um fã do universo do Super, não tinha como não gostar desse encadernado. Mas preciso dizer que uma coisa me incomodou nesse encadernado e me deu até dor de cabeça depois de ler. E isso foi o ritmo e o layout poluído que Jimenez faz. Além disso ele é muito verborrágico. Ou seja, uma edição poderiam ser três, mas estão lá hipercondensadas, o olho não descansa um minuto de tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo agora. É uma marca do Jimenez, eu sei, mas que me incomodou, me incomodou. Uma pena Superwoman ter sido cancelada lá fora, porque é um título muito especial e histórias empolgantes com personagens cativantes para se ler.

Leia uma resenha completa desse encadernado aqui.
Leia um comentário sobre as primeiras edições americanas desse título aqui.

26993437_1553720598057083_548601582940204488_nRENASCIMENTO DC: LIGA DA JUSTIÇA DA AMÉRICA ESPECIAL, DE STEVE ORLANDO, IVAN REIS E VÁRIOS ARTISTAS

Esse é o encadernado que dá o pontapé inicial para a nova revista da Liga da Justiça da América. Depois dos acontecimentos de Liga da Justiça versus Esquadrão Suicida, o Batman resolve fazer uma nova equipe “mais humana” para combater o mal e que o público consiga se identificar mais. Para isso, ele recruta Átomo, Vixen, Ray, Nevasca, Canário Negro e Lobo. Estava com bastante vontade e expectativa para esse encadernado e não me decepcionei. Se formos pensar bem, essa é uma equipe de super-heróis da diversidade. Temos uma negra, um asiático, um gay e um alienígena putardo. Gostei bastante de cada história que enfoca os quatro primeiros personagens que ainda não havia sido apresentados na continuidade da nova DC Comics. Por acaso, esses quatro personagens, todos estão no seriado do CW chamado Legends of Tomorrow, portanto não estão ali por acaso. Logo mais a Panini Comics vai trazer a revista mensal da Liga da Justiça da América, embora a DC Comics divulgou seu cancelamento esta semana. Esse será na edição americana de número 24.

26991879_1551749891587487_7535814496859284275_nRENASCIMENTO DC: SUPERGIRL – VOLUME UM, DE STEVE ORLANDO, EMANUELA LUPACCHINO E BRIAN CHING

Com o sucesso da sua série de televisão, era de se esperar que a nova roupagem da Supergirl se aproximasse mais desse universo. É o que acontece nesse encadernado com a inserção de National City, Cat Grant e o D.O.E. na mitologia da Supergirl. O enredo gira em torno do retorno do Superciborgue, que na versão dos Novos 52 é o pai de Kara, Zor-El. Ele quer levar Kara de volta a Argo City, construida por um exército de ciborgues e destruir a Terra. Existem várias incongruências com as versões Novos 52 de Kara e de Zor-El. Esse é um dos problemas do Renascimento DC: não deixar claro o que continua e o que não da iniciativa passada e também de não explicar essas mudanças satisfatoriamente. Mas o encadernado é vibrante. É legal ver Kara Zor-El renascer com todo um universo próprio a acompanhando e não mais à sombra do seu primo Superman para tudo. Também a narrativa e os desenhos estilosos de Brian Ching dão um gostinho especial ao encadernado. Ao meu ver, a Supergirl tem um futuro promissor no Renascimento DC, pois já conquistou um espaço narrativo que é só seu, sem ter de ficar à sombra de ninguém.

27067599_1549618681800608_5317545389041904906_nRENASCIMENTO DC: BATGIRL E AS AVES DE RAPINA: VOLUME UM, DE JULIE E SHAWNA BENSON, CLAIRE ROE E ROGÊ ANTÔNIO

As Aves de Rapina sempre foram meu “guilty pleasure”, por mais que falassem mal das aventuras delas, eu sempre gostava da interação de uma equipe de vigilantes que era composta quase somente por mulheres. Mesmo nos Novos 52 eu continuei acompanhando e gostando da equipe. Essa nova versão do Renascimento DC, traz a “trindade de ouro” das aves: Bárbara Gordon (ainda que como Batgirl, e não como Oráculo), Dinah Lance (a Canário Negro) e Helena Bertinelli (a Caçadora, de uma forma totalmente repaginada). No universo do Renascimento essa é a primeira vez que as três se encontram. E o roteiro de Julie e Shawna Benson, da série The 100, é muito bem amarradinho, assim como a arte de Roe e Antônio é competente. A interação entre as três possui uma dinâmica especial, com as roteiristas trabalhando ação e humor paralelamente à descoberta dos passado, principalmente de Dinah e de Helena. Nessa edição as três se deparam com o surgimento de uma nova pessoa utilizando a identidade do hacker Oráculo, que já foi de Bárbara, depois de ser alvejada pelo Coringa e confinada a uma cadeira de rodas. As três vão atrás dessa pessoa e o resultado é um pouco surpreendente. Mais uma boa série do Renascimento DC, os leitores podem ler sem medo, mas tendo em mente que se trata de um “guilty pleasure”.

19247746_1547406342021842_6502095468005410904_nO BRAVO E O AUDAZ: OS DONOS DA SORTE, DE MARK WAID E GEORGE PÈREZ

Este ótimo e encantador encadernado compila os seis primeiros números da série O Bravo e o Audaz, um título que homenageia o vicinal gibi da DC Comics. Nele estraram os Jovens Titãs, a Liga da Justiça, o Gavião Negro, o Esquadrão Suicida, entre outros. E o legal é que a história de Waid e Pérez dá um gostinho das histórias daquele tempo, mas com diálogos e ritmo da atualidade. É uma junção de elementos muito usados nas revistas daquele tempo: muita ficção científica misturada com pseudo-ciência, como magia tecnológica, viagens no espaço sideral e no tempo. Tudo isso, claro, reunindo muitos heróis do panteão da DC, em uma leitura aventuresca e estimulante. Os desenhos detalhadíssimos de Geroge Pérez são um deleite à parte. E ainda temos nesse encadernado a participação de um personagem vindo lá da série Sandman, de Neil Gaiman. Como não amar algo assim, hein? Me diz!

Conheça mais sobre a trajetória do título O Bravo e o Audaz na DC Comics. 

26239578_1540929856002824_629919955104331844_nSTAR WARS: DARTH VADER, DE KEIRON GILLEN E SALVADOR LARROCA

Talvez Darth Vader não seja o personagem mais carismático para ganhar uma série solo de quadrinhos, mas ele é um dos personagens mais popular da franquia Star Wars. Digamos que Darth Vader não seja aquele personagem esférico em que você consegue conhecer todos os seus lados ou, pelo menos ele não é um personagem que permita com que, através de suas ações e diálogos, se conheça mais sobre fraturada psique. Mas não se desespere! Para que isso funcione basta colocar o personagem que não é dobrável ser visto pelo olhar de coadjuvante interessantes. Esse é o papel da arqueóloga Doutora Aphra, uma mulher manipuladora, mas que está com sua vida à mercê de Vader. É através dela que tentamos entender como a mente de Anakin Skywalker, nosso odiado Darth Vader, funciona. Mas existem outros personagens interessantes aqui, como Triplo Zero, o robô tradutor que também é sádico e torturador e o velhinho detetive negro que supervisiona o trabalho escuso de Vader para o Império. Gostei desse segundo volume, embora o primeiro tenha me capturado mais. Mas é uma boa leitura de quadrinhos.

26734421_1540912196004590_8800828811834785180_nSTAR WARS: CONFRONTO NA LUA DOS CONTRABANDISTAS, DE JASON AARON, STUART IMMONEN E SIMONE BIANCHI

Como já falei outras vezes, tinha horror aos quadrinhos de Star Wars. Mas essa nova leva de HQs pela Marvel me fisgou para eles. Histórias bem enredadas com desenhos de qualidade. Esse segundo volume de Star Wars, mostra Luke Skywalker indo atrás do que sobrou de Coruscant, o planeta dos Jedi. Mas é preso na Lua dos Contrabandistas, um satélite dominado por um dos Hutts, que se parece muito com o Colecionador da Marvel (dos Anciões do Universo, grupo pelo qual o roteirista desta história, Jason Aaron possui bastante apreço) e que é auxiliado pelo Mestre dos Jogos, que por sua vez guarda semelhança com o irmão do Colecionador, o Grão-Mestre. Seria essa uma história Marvel requentada por Aaron? Não saberia dizer, só levantar suspeitas. Os desenhos de Immonen são um deleite à parte, nos levando por personagens e cenários exóticos que tem tudo a ver com a ficção científica de George Lucas. Além disso, há um pequeno conto ilustrado por Simone Bianchi, que conta um excerto do diário de Obi Wan “Ben” Kenobi ilustrado por Simone Bianchi. Um ótimo quadrinho, Recomendo a leitura.

26219378_1538662799562863_8162787718487031445_nRENASCIMENTO DC: HELLBLAZER, DE SIMON OLIVER, MORITAT E PIA GUERRA

Eu havia lido os dois primeiros números desse encadernado em scan e não tinha gostado muito. Tinha resolvido não pegar, até que vi dando sopa num sebo. Resolvi pegar e, no fim das contas, não era tão ruim. Não se compararmos com as duas fases que o Constanta teve n’Os Novos 52, que foram péssimas, pra não dizer horríveis, principalmente e a segunda fase, que parecia uma paródia das histórias de Hellblazer tirando sarro do John o tempo todo e trabalhando a bissexualidade dele de forma bizarra. Mas eu gostei desse encadernado mais porque ele sabe trabalhar os personagens coadjuvantes, Chas Chandler, Mercury e o Monstro do Pântano. Não sei vocês, mas eu me derreto por personagens coadjuvantes bem trabalhados. A trama me pareceu bem enrolada, mas deu pra perceber um esforço do roteirista para aproximar John Constantine de suas raízes Vertigo. E uma das coisas ruins é que a história não se encerra nesse primeiro encadernado. É preciso comprar o segundo. Portanto, não é um Hellblazer da vertigo, mas também não é um os Novos 52. Fica na média.

26167576_1532435636852246_2007760482804184493_nO IMORTAL PUNHO DE FERRO: FUGA DA OITAVA CIDADE, DE DUANE SWIECZYNSKI E VÁRIOS ARTISTAS

Este encadernado encerra o título O Imortal Punho de Ferro. Eu queria ler essa fase a tempos desde que o primeiro arco com Matt Fraction, Ed Brubaker e David Aja tinha sido lançado no Brasil. Neste encadernado e no anterior quem assume os roteiros é Duane Swierzynski, um cara que eu acho bem regular, com topos e vales na carreira. O primeiro arco dele, Imortal, não me agradou muito, mas este, Fuga da Oitava Cidade, me agradou bastante. Ele consegue envolver conceitos como robôs, futuro, outros planetas e ficção científica com a lenda do Punho de Ferro, que envolve artes marciais, meditação, I-Ching, feng shui e chis. E faz isso muito bem. Dando continuidade à revelação de segredos secretos segredosos como tradição nesse título, Duane e Cia nos apresentam para o mistério que é A Oitava Cidade Celestial, um caminho só de ida que Danny Rand e As Armas Imortais precisarão trilhar para reparar os erros da cidade celestial de Kun Lun. Eu gosto muito do personagem Punho de Ferro e a mítica ao redor dele. Não, ainda não assisti à série do Netflix por medo de perder o gosto por Danny Rand, já que as críticas foram fracas. Um dia eu assisto. Por enquanto fico com esse quadrinho que é tão bom ou melhor que uma série de televisão.

26169132_1531782930250850_4845872502031415162_nSALA IMACULADA: CONCEPÇÃO IMACULADA, DE GAIL SIMONE, JON DAVIS HUNT E QUINTON WINTER

Teve uma vez uma mulher que denunciou uma editora de quadrinhos por usar a imagem de uma mulher desmembrada dentro de uma geladeira. Para, ela isso era abuso contra a representação feminina nos quadrinhos. Ela chegou até a manter um site feminista sobre quadrinhos chamado Women in Refrigertors. Ela foi estudando quadrinhos e se tornou uma grande roteirista, trabalhando com ícones femininos como a Mulher-Maravilha. Essa pessoa é Gail Simone, que criou a série em questão, A Sala Imaculada (Clean Room), uma série que mistura autoajuda, seita religiosa e pesadelos soturnos, como ser desmembrada e colocada numa geladeira. Mas não é só o conceito da série que é instigante. É a maneira como Simone trabalha o desenvolvimento da trama e como traduz seus personagens, sempre com uma roupagem feminina, afinal as duas protagonistas são mulheres. Junte-se a isso os desenhos incríveis de Jon Davis Hunt, que faz gente pelada tão maravilhosamente como destroça nossa visão com pesadelos desses corpos sendo desfeitos e desfigurados. Clean Room, ou A Sala Imaculada, traz um thriller e um terror muito a ver com a Vertigo do passado, mas tudo a ver com a realidade em que vivemos. Recomendo a leitura.

26167611_1531774846918325_4439844333420517479_nSAGA: VOLUME 3, DE BRIAN K. VAUGHAN E FIONA STAPLES

Brian K. Vaughan é Brian K. Vaughan, só ele pra escrever uma space ópera estilo Romeu e Julieta que é tão esquisita, mas tão esquisita que é verdadeira. E Saga é bem assim. Existem um monte de livros que contam histórias pretensamente normais, mas que não tocam a gente como um quadrinho bizarro e esquisito como Saga faz. Que nos faz perceber nós mesmos dentro de um mundo que só tem um farol, habitado por um ciclope negro que é escritor de romances pulps. Ele foi procurado por um casal de uma mulher de asas de borboletas e um homem de cara de bode, que tiveram uma filha interespécies e são procurados por seus planetas por terem violado a guerra entre eles, ao produzirem um serzinho que mescla as duas partes da guerra. Os dois são buscados por um caçador de recompensas em busca de vingança pela morte da sua mulher, um ser sem braços, com oito olhos e patas de aranha. Ao mesmo tempo, são auxiliados por uma menina espírito cujo sistema digestivo está pendurado à parte de cima do corpo, que não tem mais a parte de baixo. Com toda essa esquisitice, Saga é mais humano que a política internacional de Donald Trump e que a proposta da reforma de previdência de Michel Temer. Não tem como não amar Saga.

26114147_1528784603884016_4415338915316825068_nPANTERA NEGRA: UMA NAÇÃO SOB NOSSOS PÉS – LIVRO DOIS, DE TA-NEHISI COATES E CHRIS SPROUSE

Ta-Nehisi Coates continua sua empreitada para dar uma cara mais verossimilhante a T’Challa, o rei de Wakanda, também conhecido como o super-herói Pantera Negra. Entretanto quem rouba a cena nesse segundo volume não é T’Challa, mas sua irmã Shuri. Ela está presa no Djalia, o local que guarda toda a memória do povo Wakandano. Lá ela se fortalece para vencer seu estado atual – literamente entre a vida e a morte. No Djalia, Shuri é guiada pela Mãe, uma avatar griot que se assemelha muito a ela. As duas trocam histórias sobre mitos e lendas wakandanos, dos quais Shuri vai adquirindo sabedoria, mas não só. Ela também adquire os poderes que os personagens dos mitos e lendas de suas terras adquirem nas histórias. Dessa forma, quando o Pantera Negra e Eden Fesi, o Dobra, se transportam para o Djalia, Shuri já está refeita e é uma nova pessoa. Enquanto Shuri completava sua jornada, o Pantera contava com seus amigos Tempestade, Misty Knight e Luke Cage para enfrentar inimigos dispostos a depô-lo do trono, juntos eles formavam o The Crew, que no Brasil ficou traduzido como A Gangue. Nisso, o Pantera Negra se prepara para um grande confronto contra os rebeldes de seu governo, liderados por uma casal de ex-Dora Milaje e também por um grupo de feiticeiros e mutantes poderosos que desejam não só governar Wakanda, como extrair suas riquezas. Neste volume, Brian Stelfreeze é substituído por Chris Sprouse nos desenhos que, na minha opinião conseguiu dar o mesmo valor aos personagens e cenários. também nesse volume, temos duas edições da extinta revista Jungle Action, a primeira revista-solo do Pantera Negra. É gritante a diferença entre o mapa feito por um escritor branco nos anos 70 e por um escritor negro nos dias atuais. Peço atenção para o nome dos lugares, uma pequena amostra do olhar do colonizador sobre os colonizados. Entretanto, nada que afete nossa diversão. Agora é aguardar o último volume desta saga e se preparar para o filme do Pantera em fevereiro.

26167668_1526306477465162_3109777250473253779_nBAIACU, DE LAERTE E ANGELI (org.) E VÁRIOS ARTISTAS E ESCRITORES

Bem, como todas as coisas avant-garde nas artes, Baiacu divide opiniões. Divide até a minha própria opinião que não sabe se gosta ou desgosta. Por isso, ela ficou na média. Tem umas partes legais bem legais. E umas partes chatas bem chatas. Tem umas partes feias bem feias. E umas partes bonitas bem bonitas. Tem umas partes bem nada a ver MESMO. E tem o Cascão molhado. As partes que mais gostei foram as dos pai/mãe/filho Coutinho que foram as que mais falaram pra mim. Outras partes não me disseram nada. Nadica. Outras partes eu precisava ver quem fez aquela pérola ou aquela porcaria no final do livro. Então eu acho que aquelas partes que passaram em branco pra mim, não conquistaram seu objetivo como arte. Já aquelas que eu tive de ver quem fez por ser legal ou horrível, feia ou lindíssima, avacalhada ou blasfemante dos meus valores, essas sim, são arte, ao menos no meu conceito e como acho que era a proposta dessa coletânea feita numa residência de artistas. Reclamei do preço da publicação, mas no fim comprei na CCXP mais barato e de quebra levei um autógrafo dos Coutinho e ainda tirei foto com eles. Então fiquei bem satisfeito no final, pelo menos dentro das minhas expectativas.

26165529_1525275424234934_8765703376711328357_nO ÁRABE DO FUTURO 2: UMA JUVENTUDE NO ORIENTE MÉDIO (1984-1985), DE RIAD SATTOUF

Este segundo volume de O Árabe do Futuro mostra as desventuras de Riad, um garoto loiro, na Síria de Hafez al-Assad. Esse al-Assad é o pai de Bashir, o atual ditador presidente da Síria e responsável pela guerra civil que já matou milhões. Seu pai, Hafez, ficou no poder por três décadas, claro, sendo magnânimo e oferecendo eleições ao povo, nas quais vencia com 100% de votos. ¬¬’ Riad passa o tempo entre o oriente e o ocidente, entre o mundo árabe e o mundo francês. E se podem ver algumas semelhanças e discrepâncias como a obsessão dos árabes com os judeus e dos franceses com os nazistas, a maneia como os costumes de comércio dos árabes acontecem, como poucos produtos à disposição e árduas negociações para se aceitar o dinheiro e na França, a maravilha de um supermercado à disposição de todos. O sistema escolar que, para Riad era muito mais difícil de se aprender o francês que o árabe (nisso concordamos). É embasbacante a maneira como Riad traduz em quadrinhos os árabes e seu próprio pai como pessoas ignorantes e tansas que, por definições culturais, fazem escolhas questionáveis. Como o tio e o cunhado que MATAM a própria sobrinha por ela ter engravidado de um homem sem ter se casado pela segunda vez. Esse quadrinho e quase todos que eu li sobre o Oriente Médio mostram como existe um enorme abismo entre nossas culturas e que nenhum lado está disposto a compreender o outro.

26167290_1524208051008338_3213005042679780207_nCHIBATA! JOÃO CÂNDIDO E A REVOLTA QUE ABALOU O BRASIL, DE HEMETERIO E OLINTO GADELHA

“Glória aos piratas, às mulatas, às sereias

Glória à farofa, à cachaça, às baleias

Glória a todas as lutas inglórias

Que através da nossa história

Não esquecemos jamais

Salve o navegante negro

Que tem por monumento as pedras pisadas do cais”

Esse é o trecho da música Navegante Negro, interpretada por Elis Regina, de Aldir Blanc e João Bosco.

Ela faz referência a uma das primeiras revoltas dos primeiros tempos do Brasil: A revolta da Chibata. Ela foi organizada por João Cândido, marinheiro negro que liderou uma revolução contra o governo por melhores condições para os funcionários da marinha. Além de higiene, alimentação e outros direitos, eles pediam o fim dos castigos físicos – as tais chibatadas, que deram origem ao nome da revolta. João Cândido conseguiu seu feito, o apoio popular, mas a história esqueceu o que o governo fez depois. Colocou 18 ex-revoltosos em catacumbas, onde passaram vivendo um ano e meio. Seus parentes e associados foram levados ao navio Satélite, alguns executados e outros vendidos como escravos a seringueiros e construtores da ferrovia Madeira-Mamoré.

Uma história de sofrimento que não devia ser esquecida pelos brasileiros que sabem que se meter com poderosos pode acabar muito mal e por isso nosso país não muda nunca. A história escrita por Olinto Gadelha e desenhada por Hemeterio, é um deslumbre de quadrinhos. Quando foi lançada em 2008 figurou nas listas de melhores quadrinhos do ano por vários veículos de comunicação. Também pudera. Apesar de um conto com teor histórico, não é cansativo, usa recursos e estilos para manter o ritmo da narrativa e muita contemplação, de imagens que falam mais do que mil palavras, principalmente quando se trata de castigos físicos. Um belíssimo quadrinho e uma pena que só fui lê-lo dez anos após seu lançamento…

26112051_1523660374396439_4060332906546149304_nFAITH, DE JODY HOUSER, FRANCIS PORTELA E MARGUERITE SAUVAGE

Faith Herbert, a heroína conhecida como Zephyr, ficou conhecida fora das páginas de Harbinger, da Valiant Comics, a revista onde aparecia, por ser uma heroína fora dos padrões. Ou seja, ela não é peituda e nem bunduda e nem tem cintura de seriema. Ela é gordinha e com muito orgulho. Orgulho nerd diga-se de passagem. Nos diálogos de Faith, podemos nos identificar com coisas nerds que ela cita, sem cair na vergonha que esses diálogos ficam na boca de um Sheldon de The Big Bang Theory. A trama da minissérie de Faith não é lá tão original, mas a maneira como ela é desenvolvida é que é interessante, como o disfarce de Faith como uma jornalista de um site estilo BuzzFeed. Aliás o quadrinho da Faith é um produto cultural super antenado na era digital, dos smartphones às redes sociais, o que torna ele um quadrinho ideal para as próxima gerações, mais antenadas e desencanadas de preconceitos bestas. Além disso, os desenhos de Francis Portela e Marguerite Sauvage são lindos e combinam muito com o tom da história. Um tom que poderia cair na galhofa, devido ao formato do corpo da personagem, mas que, por sorte, não é o caso. But you gotta have Faith, Faith, Faith!

25660181_1523396651089478_418799018103288802_nEL DIABLO, DE BRIAN AZZARELLO E DANIJEL ZEZELJ

Eu já havia lido o incrível Loveless da mesma dupla Brian Azzarello e Danijel Zezelj, mas esse El Diablo me fisgou de vez. Foi por causa de Loveless que comecei a dar mais importância para os quadrinhos de faroeste e como esse El Diablo, uma versão revigorante de um antigo personagem de western da DC Comics, eu aplaudo os seus produtores mais uma vez. Um quadrinho que rompe com qualquer expectativa, ao mesmo tempo que as constrói. Ao longo das quatro edições desse volume, a dupla de quadrinista nos leva a criar uma fantasia nas nossas mentes, para, no final, cortar elas todas. E fazem isso da forma crua e cruel do velho oeste: sem poupar ninguém que fique no caminho. É um quadrinho inteligentíssimo que fala de identidade. Seja a identidade que é roubada ou àquilo que acreditamos que é identidade, seja a nossa própria ou a do outro. No final, todas as identidades, mesmo as sobrenaturais são aquelas que construímos e destruímos nos nossos âmagos e mesmo que invistamos numa cruzada contra aquilo que fomos, os fantasmas da memória e daquilo que fizemos sempre voltará a nos assombrar. Assim como faz El Diablo, o justiceiro fantasmagórico do velho oeste, reimaginado por Azzarello e Zezelj. Lindo, lindo, pessoas!

25994745_1521408524621624_1076468439046834893_nA DIFERENÇA INVISÍVEL, DE MADEMOISELLE CAROLINE E JULIE DACHEZ

O que me chamou a atenção para esse livro foi o fato de ele tratar sobre pessoas com autismo. Mas não qualquer tipo de autismo, mas o da Síndrome de Asperger, que pode, em determinados casos, parecer invisível para as pessoas e elas são tratadas de modo norma pelas outras. Seu quadro clínico – manias esquisitas e peculiares – podem sermal vistas pelas pessoas como a boa e velha “frescurite”, o velho amigo “chilique” e a querida expressão “cheio de nove horas”. Coisas que eu tive de escutar durante toda a minha vida. Embora eu não seja autista e não tenha asperger (pelo menos não que eu saiba), mas tenho sim, fobia social, e muito muito tempo antes de eu me “consertar” todos me viam como uma cara fresco, chiliquento e “cheio de nove horas”. Essa expressão era do meu pai, e acho que só ele usa ela. Mas a verdade é que os aspies – os portadores de síndrome de asperger – são como os sociofóbicos: não suportam gritos, aproximações das pessoas, aglomerados de gente, e não gostam de que coisas os surpreendam e saiam do roteiro. Claro que estou lidando bem melhor com isso, fruto de muita leitura, exercícios, análise, terapia e o diabaquatro. Foi bom conhecer mais a síndrome de Asperger, porque pessoas próximas da minha convivência foram autodiagnosticadas com isso -por outras pessoas que não entendem nada dessa condição. Então, pra quem tem um quadro de fobia, é sempre bom saber mais sobre as coisas que ficam enquadrando as outras, porque já disseram que eu era esquizofrênico e estou bem longe disso. Ah, as pessoas leigas, burras e preconceituosas. Para combater isso, apenas com uma arma: o conhecimento!

25593825_1517806551648488_5318870650465911156_nTHE BEST OF THE SPIRIT, DE WILL EISNER

Este ano o mestre dos quadrinhos americanos, Will Eisner, completaria 100 anos se estivesse vivo. Eu acho incrível que mesmo com toda a pompa e circunstância, com todo valor e importância que Eisner tem, nenhuma editora publicou as histórias clássicas do Spirit desde que a L&PM republicou-as em 5 (cinco) edições na década de 80. E para serem impressas coloridas, faz ainda mais tempo, quando a RGE publicava elas no Gibi Semanal, aquele em formato standard, gigantesco. Esse encadernado foi a primeira compilação de histórias de Denny Colt que eu pude ter acesso a cores. Sim, ele é importado e é impresso em papel jornal e da época em que a DC ainda tinha os direitos de publicação do personagem. As histórias selecionadas são muito boas. Algumas já havia lido em preto e branco e outras foram inéditas para mim, mas sempre com o estilo e classe de Eisner para contar uma boa história. Uma coisa que reparei foi a ausência na seleção de história com o personagem infantil negro, Ébano Branco, que era uma acusação de racismo do pós-guerra, encarnado nas história de Eisner: a famigerada black face, da que Ébano era uma das bandeiras junto com o Tintin no Congo, que era pré-guerra. Bem, talvez uma escolha acertada, talvez tapar o sol com uma peneira bem furada. A verdade é que remendadas ou não, as histórias do Spirit possuem uma baita lacuna no mercado editorial de quadrinhos brasileiro…

Eae crianças mergulhadoras, tá bom o querem mais? Porque aqui é faca na bota. Aqui não é garganta que diz que lê quadrinhos, só pra bancar pose. Aqui se mata a cobra, mostra o pau e manda nudes! É muito amor e paixão pela nona arte envolvidos, pena que nem sempre esse esforço é valorizado e diminuem a gente afu. Mas ok, é a vida, né? Assim se separa o joio do trigo… Boas leituras, pessoal! =)

 

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